Espêice Fia

Sumbawa Bagusbagarai

O ano está difícil diante do atual estágio de nossa economia. Os vislumbres para surf trip fora do país são menores, e quando menos se espera, pinta um convite para passar 10 dias na Indonésia. Pulos de alegria! Às vezes planeja-se muito e nada acontece. Então essa trip veio como passe de mágica.

Lakey Peak e redondezas funcionam bem com swell baixo, foi isso que escutei de Caio Faria,  enigmático surfista de enorme potencial, mas que hoje atua muito na área do vídeo e programas de televisão fechada, como o recente programa da surfista Tatiana West Web, que rola no canal Off.

Aproveitando a passagem do meu filho Ian pelo Japão, onde corria o QS na região de Chiba e que pegaria apenas um voo, a barca foi formada e nos encontramos em Bali. Ian já estava acompanhado de Paulo Kid, técnico da Surf Co, como também de atletas como Victor Bernado e Jessé Mendes. Com alguns anos filmando a turma na estrada do circuito mundial e em seus treinos técnicos no Guarujá e por onde quer que passe, Kid já é um ótimo videomaker e também estava ali pra termos mais uma opção de captação de imagens, ampliadas ainda por João Collor, que me aparece também como um promissor videomaker.

Além dos já citados, embarquei no Brasil com a missão de acompanhar o “de menor” e mais novo contratado do time Hang Loose, Léo Casal, um grommet de apenas 11 anos e grande futuro pela frente. Por coincidência, conhecia Leozinho quando pequenino por intermédio de amigos em comum aos seus pais. E nosso embarque no aeroporto Hercílio Luz, em Floripa, foi de certa forma nostálgica, pois me fez lembrar e muito a primeira vez que eu e minha esposa deixamos Ian para seu primeiro embarque sozinho, mas acompanhado da equipe catarinense de surfe, para um evento no Ceará. Além do pai e mãe de Leo, estavam também seus avós paternos. Diante das lágrimas de sua mãe ao passarmos pelo raio x, logo perguntei: “E a saudade, Leo? De 0 a 10, está quanto?”. A resposta veio em um “Ah, tá de boa”.

No ato já percebi seu precoce amadurecimento e comprometimento que duraria pelo resto da trip. Encabeçando toda esta turma estava Tom Toledo, o cabeça do marketing da Hang Loose. Aliás, o bicho é uma espécie de faz tudo: chuta a bola, corre pra agarrar e ainda apita. Ou também, simplificando, um “Bombril”.

Aliás,o intuito principal dessa trip repentina foi captar material para criação (marketing) em todos os patamares, de ação ao life style. No hotel em Bali, nos encontramos com Victor Lagnado, recém-formado em “facú” californiana e que estava ali com seu amigo de infância João Collor havia uma semana. Victor dá sinais de que possivelmente tocará o legado de seu pai, Alfio Lagnado, na Hang Loose, pois já há algum tempo vem mostrando muito interesse nas coisas que dizem respeito à marca.

Barca formada e já estávamos no stress do chek-in da Lion Air tentando embarcar todas as nossas pranchas (18 ao todo), pois outros surfistas com o mesmo destino já haviam o feito e com isso reduzia nosso espaço na pequena aeronave turbo hélice.

A decolagem no aeroporto internacional de Kuta nos deixou atônitos, pois uma enorme quantidade de linhas marchavam tanto em Kuta Reef como em Airport Rights.

No sobrevôo, fiquei perplexo com a quantidade de novas construções e outras tantas em andamento que haviam na ilha. A última vez que tinha pisado ali havia sido em 96 ou 97, no último WCT em Grajagan. As direitas de Sanur pareciam incríveis, porém mais incríveis ainda estavam as esquerdas de Desert Point quando sobrevoamos também esse pico poucos minutos depois.

Nossa… Na hora Caio Faria falou ”Tá arriscado até estar um pouco passado pra Lakey Peak”. Chegando lá, no meio do dia, constatamos o mar grande, incluindo um vento meio maral não muito favorável. Bate aquele Nasin Goreng, descansa um pouco e logo toda a turma já estava motorizada. Partiu pro surf check, galera! Em todos os picos as ondas estavam meio passadas pelo tamanho do swell, mas também com vento desfavorável naquele momento.

Depois do reconhecimento dos picos, voltando ao hotel Amangati, pilhei a turma pra cair ao fim de tarde ali mesmo em Lakey Peak, já que o vento parecia começar a dar uma acalmada. Fomos eu, Ian e Caio, mais conhecido também como Tatá. Algumas séries de 6 pés entravam com certa frequência e um australiano já desfrutava com apenas mais um companheiro. Esqueci seu nome, mas o cara era super gente boa e logo fizemos amizade.

Como observei que o mar estava com um tamanho e não conhecia o pico, peguei logo minha 6’4”, minha maior prancha, com largura e bastante borda. Na primeira investida dropei de certa forma atrasado, mas consegui manter a linha e segurar as trepidações que vinham proveniente de uma forte corrente do canal, que em algumas ocasiões fechava.

Caio e Ian pegaram algumas quando as séries começaram a entrar com mais frequência. Vi o australiano pegar uma boa e levar um bom caldo, mas nada de mais havia acontecido. Em uma série maior que entrou, com cerca de uns 8 a 10 pés, virei a prancha e remei com tudo pensando estar bem na fita. Pura ilusão: aquela corrente contrária fazia a onda encavalar em fração de segundo, e quando me dei conta já estava dropando totalmente no ar. Não tive a mínima chance e a lapada foi forte.

A maré estava cheia e não cheguei a tocar no fundo, mas fiquei submerso por um bom tempo antes de emergir. Devido à corrente, não me distanciei muito e acabei tomando outra onda enorme na cabeça. O caldo foi pior ainda e ali usei técnicas que havia aprendido em curso de apneia em Floripa com o mestre Cristian Dekequer em abril passado. Só lembrava que não podia soltar o ar de forma alguma e mantive a calma até que a superfície fosse clareando. Mas, antes disso, acabei também metendo o pé no fundo pra poder ter maior impulsão, afinal já era meu segundo longo caldo. Com a prancha quebrada ao meio, olhos arregalados e exausto, tentei chegar ao palanque que fica no reef, mas a corrente não me deixou encostar. 

À noite, comecei a sentir dores na costela e dificuldades para completar a respiração. Apesar de não ter colidido com a prancha, o impacto do caldo poderia ter causado algo. Bom, era apenas meu primeiro dia e estava feliz de ter caído no pico pra tirar o “ranço” da viagem. O dia seguinte prometia e a turma acordou à noite, até em virtude também do fuso horário (estávamos 11 horas à frente do Brasil).

Uma caravana  de motinhas formou-se rumo a Periscopes e na trilha outros surfistas de diferentes nacionalidades também apareceram com o mesmo objetivo. O visual do pico clareando foi magnífico, paredes de 4 a 6 pés entravam a todo momento. Um certo número de surfistas formava o line up, mas tinha onda para todos, embora em alguns momentos as séries ficavam um pouco demoradas.

Apreensivos com o “pirráio” de 11 anos, ficamos antenados com Leo, pois em mar maior e subindo, merecia atenção. Mas nada como um bom canal para ele logo estar no trilho tentando entubar. “Nossa, que moleque ligeiro”, pensei. Ian também já vinha riscando as ondas em seu backside e “estolando” para um “barrel” em alta velocidade.

Fui com uma prancha 6 pés, pois não sabia o real tamanho do mar. Depois de duas ondas que fecharam em minha frente por estar muito atrás do pico, decidi trocar por uma menor, pois não estava conseguindo me encaixar. Nesse meio termo sempre via Leo e Ian em belas ondas, e nesse momento as três câmeras de vídeo e uma de fotografia estavam direcionadas para a ação. Tom e Caio acabaram se agilizando, arrumaram uma “baitêra” e logo estavam no canal com um visual incrível. Já Kid ficava em um ângulo lateral e João em um ângulo frontal.

O mar ia subindo e as séries de 6 pés ficavam sólidas. Ian pegou vários tubos, bem como alguns australianos, americanos e espanhóis. Mas, falando em australianos, a turma é incrível. Pela proximidade com a Indonésia e pela própria qualidade de ondas em seu país, os caras sempre entubam muito, dropam as morras e fazem linhas perfeitas.

No dia seguinte, mais Periscopes. Quando achávamos que o mar iria baixar um pouco, ao fim da manhã, algumas séries espaçadas entravam com tamanho, tendo inclusive uma delas quase pegando de supetão o barco de um fotógrafo indonésio que pilotava e fazia os cliques. Mesmo com o mar maior, Leozinho mostrava disposição. Deu uns late take offs, tomou umas na cabeça e levou outras tantas vacas. A real era que sua estatura não combinava com o tamanho das ondas, fazendo-o capotar algumas vezes quando bumps passavam em sua frente. Leo foi o segundo cara que mais vi levar vacas engraçadas e curiosas. O primeiro foi o Everaldo “Pato” Teixera em seu filme Psicopato. Por aí vocês tiram o naipe das estripolias do moleque (risos).

Ian brincava nos tubos de backside, mostrando muita intimidade com os layback barrels, o que às vezes era até perigoso no inside, quando a maré se aproximava da seca. Peguei bons tubos nesse dia e quando começava a me encontrar quebrei uma das quilhas da minha 5’8”. A opção da prancha reserva foi uma 6 pés. Fiquei mais duro, no entanto mais confortável nos drops em ondas maiores, embora quando chegava ao inside tivesse dificuldade de manobrar. Bom, se bem que a maioria era tubo. Que dia! 

O fim de tarde foi em um Lakey Peak de grandes proporções. Vi ondas de uns 12 pés de face. Ian puxou o ritmo e pegou umas bombas, mas as maiores não tinham condições de drop. Eram cavernas muito rápidas, lembrando totalmente Teahupoo e Pipeline em seus dias de ondas pesadas. A real era que gostaria de ter visto uma galera de peso ali, pois até o próprio Ian, que estava se jogando, teria puxado seu limite.

Confesso que, com as costelas lascadas, sem conseguir fazer uma boa respiração, fiquei bastante cauteloso – pra não dizer com um medo da bixiga -, pois se levasse outra vaca estaria em maus bocados. Senti falta também de minha 6’4”, pois ela teria me dado um pouco mais de confiaça. É aquela coisa: com prancha grande e boa de remada o cabra fica um bocadinho mais macho.

À noite a turma descobriu um ótimo restaurante. Trata-se do Fatimah’s. Sonzinho ambiente, muitas Bintangs para os que curtiam e sucos naturais para os mais conservadores e “groms” como Leozinho. Ali rolava um espécie de reunião de todos os grupos. O rango era uma delícia e acabei ficando fã do Fish and Chips.

No dia seguinte, antes de o sol raiar, Ian já havia entrado em Lakey. Chegou com belos tubos gravados em sua câmera aquática. Partimos mais uma vez para Periscopes e, chegando mais tarde, uma galera já se encontrava saindo do pico. Nos divertimos, inclusive Victor “Tita” Lagnado mandava drops alongados e viradas com estilo. Lá pelas tantas se empolgou e, ao dropar atrasado, rodou com o lip. Subiu rindo, não sei se de adrenalina ou de pura zoação, pois quem o conhece sabe. O “bichim”, tal como o pai, gosta de uma bagunça.

A essa altura, Leozinho já estava solto nas longas direitas e queria entubar a todo momento. Seu surfe de costas pra onda é forte, o moleque não parava de evoluir.

Ian arrisca vários aéreos altos. Acertou alguns e errou outros. Às vezes até ficava preocupado, pois ali não era o melhor lugar pra se machucar. Ainda bem que nada além de prancha quebrada foi ocorrido.

Entre os descansos, as imagens eram analisadas. Bonitos ângulos em terra e mar. Paulo Kid sempre em plena análise com Leozinho, que não tirava o olho da tela do computador. Naquele fim de tarde, rolou a produção de life style no caminho para um pico chamado Coboelstan e adjacências. Que lugar mágico! Percorrer as trilhas de barro era o mais puro sonho de uma surf trip de verdade. Aquilo me remetia à época em que estava em Bali e percorria de motinha os caminhos estreitos e escorregadios para chegar a Uluwatu.

A turma captou excelentes takes e Tom aproveitou pra clicar a linha de novos produtos da marca, afinal aquele momento sublime condizia muito com o espírito da Hang Loose. Tirando as picadas de muriçoca, lógico. Luz caindo, hora de evitar uma possível malária. Vixe!

Depois de um dia de muito surf em Lakey Peak, incluindo direitas e esquerdas, foi a vez de surfarmos Coboelstan, já que o mar havia dado uma leve baixada. A onda é muito boa, corre rente às pedras e ao fim encontra-se com uma junção vinda de uma bancada mais rasa. No momento certo da maré, fica perfeita pra alçar altos voos. Ian fez a mala e deu um tão alto que rachou sua prancha ao meio. Do outside foi possível ouvir o barulho da quebraceira.

Nesse pico, era possível também fazer bons tubos. Fiz uns três bons e Ian fez outros tantos. Leozinho também se entocou e alguns australianos e americanos também tiveram os seus. Havia pouca gente e uma fila era respeitada decentemente. Surfamos ali por dois dias e as sessions foram ótimas e perfeitas para captação de imagens.

Ali e nos demais picos, também surfamos com a promissora surfista portuguesa Tereza Bonvalot, de apenas 16 anos. Dedicada e atirada, apresentava um surfe bonito e redondo. Acompanhada de sua mãe Paula e da irmã Eleonôr, que estava sempre filmando, Tereza estava sempre na água. Ainda iremos escutar falar e muito desta lusitana no circuito mundial, pois tem um enorme potencial.

O mar, que não baixou além dos 4 ou 6 pés, subiu mais uma vez. Lakey Peak proporcionou séries grandes e uns “ratinhos catitas” chamaram atenção. Não lembro dos nomes dos garotos locais, mas o que tinham de franzinos, tinham de técnicos e atirados. Além de droparem ondas com tamanho, entubavam muitíssimo bem. Era uma festa com eles na água em dias menores, mas com certeza mostraram atitude ao caírem no maior dia.

Um onda longa proporcionou uma session excelente em um fim de tarde ensolarado. Nungas era o nome da esquerda que não parava de alongar-se à frente.  O tubo era um pouco difícil, mas a quantidade de batidas e rasgadas que proporcionava fazia a cabeça. O ruim era a distância e a correnteza na volta ao pico, pois nos deixavam exautos.

No último dia da trip, mais um fim de tarde excelente por lá. Dessa vez, tivemos a companhia de Caio Faria e João Collor, como também de Paulo Kid. O mar tinha séries de 8 pés no outside e foi lá que a “baitêra” soltou Ian, Caio e João para um série monstra os pegarem logo de cara. Ian pegou a primeira, o resto tomou na cabeça e João, em particular, ficou bolado, pois nunca tinha caído em ondas grandes como aquela. Caio deu boas batidas e rasgadas, bem como Kid, que, em sua segunda session no pico, estava maravilhado com a onda. Leozinho, depois de um dia de descanso devido a uma forte insolação, aproveitava a saideira, pois na madrugada seguinte seria hora de partirmos.

Semana intensa, swell além do esperado. Tiramos na loteria e o custo-benefício da viagem, em tempos de crise para brasileiros, foi ótimo! Golaço, galera cabeção e voltando pra Bali feliz. No hotel, aquela massagem relaxante, pois a maratona de volta seria grande. Em breve, websódios de nossa trip. Terima Kasih Indonésia!

Aviso: O Waves está implementando novas regras para os comentários postados neste fórum. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da matéria em questão. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar abaixo você concorda com nossos termos de uso.
Os comentários postados não representam a opinião do portal Waves e a responsabilidade é inteiramente do autor de cada mensagem.

0 comentários

Tem uma reclamação, sugestão ou viu algum erro? Fale direto com a equipe Waves — em vez de postar nos comentários.

    Carregando comentários…

    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.