Reinando em terreno rochoso

O top 45 do WCT Renan Rocha é o novo entrevistado da seção “Perfil” do Waves.

 

Aos 32 anos de idade, Rocha disputa o Circuito Mundial há 12 anos e neste momento está no Hawaii, onde busca um bom resultado no Pipeline Masters, última etapa do WCT, para se manter na elite mundial em 2003.

 

Para isso ele precisa chegar às quartas-de-final do evento para entrar na zona de classificação e se garantir no circuito no ano que vem.

 

Mas ele possui um bom retrospecto em Pipeline. Em 2000 conseguiu um honroso terceiro lugar e, de quebra, foi o primeiro brasileiro a tirar uma nota 10 num evento em Pipe.

 

Como conseqüência, em 2001, o evento foi realizado apenas para surfistas convidados e Renan entrou na lista, entre os oito especialistas estrangeiros no pico. Segundo ele, o segredo é ter “muita vontade para dropar Pipeline”.

 

Renan figura na trigésima segunda colocação no ranking e afirma estar tranqüilo para a decisão. “Minha cabeça está calma. Quero ir lá e surfar bem onda, o resultado no campeonato será uma conseqüência”, diz.

 

 

Quando está no Brasil, o carioca radicado em São Paulo costuma treinar nas ondas do Guarujá e Itamambuca. Para dropar as grandes, Renan se largava pelo mundo em busca de melhores ondas. Com isso surgiu a base para surfar mares como Teahupoo (Tahiti), Pipeline e Uluwatu (Indonésia).

 

Sempre que os campeonatos rolam nesses picos, Rocha aparece como uma das esperanças brasileiras de pódio. “Independente de qualquer coisa, gosto de surfar onda boa. Já fui para a Indonésia, onde fazia apenas uma refeição por dia, mas surfava ondas boas. Era isso que importava”, conta Renan.

 

“Hoje em dia tenho sorte dos campeonatos serem realizados nessas condições, mas não fiz nada premeditado”. Para ele, este é um dos circuitos mais disputados dos últimos tempos. “Com os resultados que obtive, em qualquer outro ano, estaria em sexto no WQS, por exemplo. Esse ano foi bom, só que foi também o mais difícil desde quando estou no Tour”, afirma Renan.

 

Se cair fora da elite mundial, o surfista se diz tranqüilo e no rip para tentar a reclassificação  pelo WQS em 2003. “Vou correr os eventos certos, sem nenhuma pressão”, conta.

 

 

Renan presenciou o nascimento do formato WCT e WQS, lançado em 91. Antes disso, o Tour era disputado por qualquer atleta. Sendo que os únicos privilegiados eram os Top 30, que só estreavam nas duas últimas fases de pré-classificados, antes de às oitavas-de-final.

 

Quando esse formato estreou, Rocha quase desistiu de seguir a vida de surfista profissional. “Justamente nesse ano consegui ficar em 49º, mas com a mudança apenas os 44 primeiros colocados estariam no WCT no ano seguinte”.

 

Somado a isso, ele sentiu na pele as dificuldades em se largar, tendo que se virar com pouca grana, além de ter que aprender a lidar com o notório preconceito que cercava os brasileiros.

 

Nascido em 02 de dezembro de 1970, no Rio de Janeiro, Renan Tavares Rocha mudou-se com a família para São Paulo ainda na infância. Sua mãe, a dona-de-casa Dulce Tavares Rocha, deu o incentivo inicial para que ele se dedicasse às competições. Já o pai, o engenheiro Armando Renan Martins Rocha, o alertava para as dificuldades de seguir carreira como surfista profissional no Brasil.

 

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No início da carreira, o atleta sofreu do mal que aflige a maioria dos surfistas da capital: a falta de contato com o mar.  “Minha maior dificuldade era estar sempre em contato com as ondas”, conta.

 

No total, são treze anos disputando eventos profissionais, além de doze temporadas havaianas no currículo. Sua melhor colocação no WCT foi décimo oitavo lugar obtido em 98.

 

Além de experiência e surf forte para dropar os principais picos do mundo, os doze anos na elite já lhe proporcionaram também um pé-de-meia de cerca de US$ 344 mil com premiações de campeonatos, segundo o site da ASP World Tour.

 

Confira a entrevista realizada com o atleta antes dele partir para disputar o WCT e a Tríplice Coroa Havaiana.

 

Quando e como você começou a pegar onda?

 

Na verdade sempre gostei do mar. Quando era pequeno praticava pesca submarina e depois comecei a pegar onda de peito no Posto 5, em Copacabana (RJ). Minha mãe percebeu que eu tinha afinidade com o mar e me deu uma prancha para ver se seria um esportista. Quando peguei a prancha falei: É isso! Parei de praticar todos os esportes que fazia para virar um surfista e me dedicar inteiramente ao esporte.

 

Você enfrentou algum tipo de dificuldade no início?


 Eu nasci no Rio de Janeiro e mudei para São Paulo com oitos anos. Aprendi a surfar em São Paulo, por isso tinha dificuldade de ir à praia. Naquela época não era tão fácil descer a serra porque o surf ainda era muito “cru”. Tinha que ir todo final de semana com minha família para o Rio ou, às vezes, minha mãe me levava para o Guarujá. Minha maior dificuldade era manter o contato com as ondas.

 

Quantos anos tinha quando começou?


Tinha 12 anos quando minha mãe me deu a primeira prancha.

 

Você sempre teve apoio de seus pais?


Tive mais apoio de minha mãe. Ela é daquelas pessoas que incentivam a fazer o que tem vontade. Me levava à praia. Meu pai já pensava mais no futuro. Ele conversava, falava que se fosse surfista, ele não iria me patrocinar, que eu não ia ganhar dinheiro com isso. Mas, como ele é esportista nunca proibiu. Apenas me prevenia sobre o futuro. Minha mãe era quem incentivava, bancava, fazia as loucuras.

 

Quando iniciou sua carreira nas competições?

Com pouco mais de 12 anos. Eu ainda era Mirim e disputei meu primeiro campeonato no Arpoador (RJ), em que cheguei à semi-final. Na

época, fui vencido pelo Juninho, maior talento da área. Quando perdi essa bateria, me dei conta que poderia ter um futuro no esporte. Que podia continuar…

 

Quando sentiu que realmente seria surfista profissional?


Com 15 anos, pois comecei a disputar o Circuito

Municipal de Ubatuba e eventos promovidos pela Associação de Surf de Ubatuba, com surfistas como o Costinha, Mariano Tucat, entre outros. Nessa época, comecei realmente a competir, conhecer o pessoal de Ubatuba.

 

 

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Fale um pouco sobre sua trajetória como surfista Amador.

Foi engraçado porque quando comecei a ir para Ubatuba, meu amigo Enéas, fabricava as pranchas Surfari. Ele me viu competir e deu uma força. Foi meu guru no início da carreira. Me levava para os campeonatos quando eu não tinha como ir, dava toques nas competições. Aí fiz minha primeira viagem internacional para o Peru e, quando voltei, comecei a ter uma visão mais ampla dos eventos. Comecei a viajar e fui para o intercâmbio Brasil X Estados Unidos, em Florianópolis (SC), onde venci a categoria Júnior. Quando tinha 17 anos, o Diniz Iozzi era o técnico da equipe Rip Wave, a melhor da época no Brasil. Ele me convidou para fazer parte da equipe e me deu uma ajuda  profissional na carreira. Quando isso aconteceu, o esporte começou a crescer e eu percebi que realmente viveria do surf. A maior batalha era fazer o estilo de vida do surfista entrar na sociedade, sermos respeitados. Essa era nossa maior briga. Acabei indo direto para a categoria Amador, pulei a fase Mirim, Júnior etc.

 

Como estava sua vida nessa época?


O Pardal direcionou minha carreira e aos 18 anos fui morar na Austrália, porque o surf brasileiro ainda era muito novo. Bem ou mal, os australianos comandam até hoje e eu pude conhecer a geração que disputa comigo o Circuito  Mundial. Aprendi inglês, surfei ondas diferentes e, principalmente, perdi o medo dos gringos. Eles eram um bicho de sete

cabeças. Quando voltei, disputei uma vaga para o Mundial Amador, mas perdi por WO, pois tinha acabado de sofrer uma cirurgia de apendicite. Daí em diante me profissionalizei.

 

Como foram os primeiros anos no Circuito Mundial?


No primeiro ano quase parei de surfar. Eu tinha o patrocínio da Billabong e ganhava uma mixaria. Com esse dinheiro, tinha que viver, pagar contas e correr o Circuito Mundial. Fui para a Europa e disputei a perna européia, sendo que não passei uma bateria. Era muito difícil para um brasileiro conquistar espaço. Era tudo mais difícil. Até questionei se conseguiria fazer parte da elite.

 

Como era o formato do Circuito Mundial nessa época?


Ainda não era dividido entre WCT e WQS. Eu entrava desde o início, tinha que passar toda triagem, passar os 44 (pré-classificados) e só depois caia com os Tops. Aí começava o campeonato. Imagina naquela época os brasileiros sem nada. Os atletas com maior destaque eram o Fábio Gouveia, que tinha sido campeão Mundial Amador, e o Teco, porque morou nos Estados Unidos um tempo e já conhecia os americanos.

 

Você passou por muitas roubadas nessa época?


Era tudo novo. Precisávamos de patrocínio e conhecimento, que não existia. Hoje em dia, se você quer informação sobre determinado pico, consegue ver a onda quebrando na internet. Não tinha isso. Não tinha nada. Eram três ou quatro surfistas mais viajados, que competiam como o Marcelo Bôscoli, Renato

Phebo e mais alguns outros. Nós estávamos começando, desbravando, abrindo a trilha. Não sabíamos qual prancha levar, o que fazer, com quem reclamar, onde ficar, o que comer. Tudo era novidade.

 

 Os brasileiros procuravam se unir para superar essas dificuldades?


Eu ainda era um moleque e tinha os surfistas mais velhos, como o Picuruta, Pardal. Eles me levavam. Depois, a medida que o circuito foi ficando cada vez mais profissional, os atletas foram ganhando conhecimento. Foi uma coisa  natural da nossa cultura. Brasileiro gosta de ficar com brasileiro, não consegue se entrosar com os gringos. Por isso passávamos mais tempo juntos.

 

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Você praticamente viu nascer esse novo formato do Tour, dividido entre os circuitos WCT e WQS ?


Eu fiz parte do nascimento da associação, dos debates. Claro que naquela época eu era um moleque e a minha influência não era tão importante como é hoje. Mas vi tudo acontecer. Na época estranhei um pouco, porque eu queria subir degrau por degrau. Aí eles resolveram aplicar as mudanças e eu tinha que acabar entre os 44, mas fiquei em 49º.  Aí perdi um ano de novo, para retornar a elite. Tive que correr o WQS de novo e para entrar no ano seguinte para o WCT.

 

Como foi o impacto dessas mudanças na cabeça dos surfistas?


No começo o pessoal achava bom, mas também tinha o lado ruim. Antes havia mais campeonatos e menos dinheiro. Por exemplo, rolavam 300 campeonatos, mas a premiação não era tão boa. Fora isso, havia o Trials que também premiava, ou seja, rolava um evento paralelo ao principal. Mesmo se você perdesse no main event, ainda tinha outro campeonato para disputar. Então, você tinha duas chances, mais a expression session. Depois que mudou, a premiação cresceu e o número de campeonatos diminuiu, porque todo mundo queria ficar mais tempo em casa, ter a chance de passar o Natal com a família. Antigamente, o Circuito ia de janeiro a fevereiro e você não parava em casa. O Natal era no Hawaii e o Ano Novo na Austrália.

 

Pode-se dizer que você foi um dos privilegiados com as mudanças mais recentes do Circuito Mundial, com a inclusão de picos com ondas grandes e fortes?

Eles mudaram os locais também para dificultar o ingresso dos brasileiros à elite. A verdade é essa. Entraram excelentes surfistas como o Fábio Silva, que chegavam nas ondas grandes e não conseguiam ter um desenvolvimento como os australianos e americanos. Eles pensaram que para se defender, teriam que aumentar a pontuação nos point breaks, pois os brasileiros são excelentes surfistas em beach breaks. E mais, eles quiseram previlegiar um patrocinador que consiga fazer uma etapa em onda boa. Como prêmio, o surfista ganha 20% a mais na premiação. Isso faz com que Kelly Slater, Sunny Garcia, todos os grandes nomes do esporte estejam presentes. No Brasil eles não vieram, porque não é uma etapa “prime”. Com isso, os “nomes” do circuito acabam não querendo competir nesses eventos sem pontuação extra. Fizeram isso para brecar os brasileiros com essa combinação de patrocínio.

 

Essa mudança afetou os brasileiros que disputam o Tour?


Hoje em dia, dos brasileiros que estão na elite, metade sabe surfar qualquer onda e a outra metade é considerada “moleque”. Ou seja, tem que melhorar em ondas boas. Mas isso não é culpa dos gringos. Eles fizeram isso, mas os brasileiros também podem melhorar. Para isso, tem que viajar, investir, não ficar só no Brasil.

 

Você acredita que o Circuito está nos moldes ideais para os surfistas?


Eu acho que a fórmula está perfeita. Tem apenas um ou dois campeonatos que precisam ser trocados. Um inclusive é o do Brasil, que ainda precisa ser acertado.

 

Por quê?

 

Devido às ondas. Hoje, o circuito pode ser considerado de sonho. Se olhar friamente, o

Brasil está num lugar e com uma data que ainda precisa ser acertada. Por exemplo, eu gostaria que o WCT fosse em Noronha, mas teria que ser em fevereiro. A ASP não quer começar o Circuito no Brasil. Querem fazer em junho. No meio do ano tem o Rio de Janeiro, que às vezes acaba sendo prejudicado pelas condições do mar. Poderia ser em Florianópolis, mas aí perde em mídia. Esses acertos ainda precisam serem feitos, mas de resto está excelente. Mundaka também tem que dar uma melhorada, pois não quebra quatro ou cinco dias seguidos e com certeza alguns surfistas saem prejudicados por ter que surfar na maré cheia. Isso é outra coisa que precisam corrigir para ficar bom.

 

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E o valor da premiação?


Antigamente, em duas semanas, tínhamos dois campeonatos. Hoje, temos um. Aí você fala que a premiação aumentou. Mas os custos também aumentaram. No final das contas você acaba ganhando o mesmo que conseguia antes.

 

Você tem amigos estrangeiros no Tour?


Amigos nenhum, tenho conhecidos.

 

 Entre os brasileiros, com quais atletas você se dá melhor?


Me dou bem com todos, mas gosto de viajar com os caras da minha geração.
Eles me entendem!

 

Como foi o seu aperfeiçoamento em ondas grandes?


Sempre gostei de onda boa. Na época que morei na Austrália, fui para a Indonésia e passei quarenta dias lá. Fazia uma refeição por dia, mas pegava onda boa. No Hawaii, ficava dois meses para aprender a surfar. Hoje em dia, um moleque não quer perder o verão no Brasil para ficar ralando fora do país. Eles ficam 15 dias e voltam. Eu quis isso para mim e a conseqüência foi aprender a surfar onda boa. Hoje, o circuito rola nesses mares, mas não fiz premeditado, fiz de coração e acabei colhendo alguns frutos. A nova geração também tem que fazer isso. Desde pequeno tem que investir e não ficar no Brasil na vida boa. Eu também não sabia surfar essas ondas, o Peterson (Rosa) também não, nem o Fabinho (Gouveia).

 

 Qual foi sua reação quando a ASP anunciou a mudança dos lugares dos eventos, para locais clássicos e que você sabia que se dava bem, além de gostar de surfar?


Na verdade nem me preocupei com a notícia. Só fiquei feliz porque sabia que ia estar lá de qualquer jeito. Só que ia surfar 30 minutos com mais um cara. É um sonho. Além de competidor, sou surfista de alma. É sonho pensar em surfar meia hora Pipeline sozinho. Ter tempo para me posicionar da melhor maneira dentro d’água, sem ter que pensar em alguém ao lado azucrinando.

 

Como você lida com o localismo em lugares como o Hawaii?


Neste ano mesmo, o localismo está punk para os brasileiros. Vários entraram na porrada e há muitos na lista. Eu me escondo e não surfo mais as ondas famosas. Chega de briga por causa de onda. É muito ego. Dane-se, vou surfar uma onda pior sem crowd. Eles que se matem.

 

Você já passou por alguma situação chata como uma briga por esse motivo?


Passei e nem quero lembrar. Passado já foi, hoje é hoje e amanhã não existe.

 

Como você se prepara fisicamente para enfrentar ondas como Teahupoo e Pipeline ?


No começo era na raça, na vontade. Não tinha nada de preparação, nem vitaminas. Nada. Há algum tempo o surf cresceu, começou a ficar mais sério e profissionais como nutricionistas, doutores, preparadores físicos começaram a trabalhar com o esporte buscando viver disso também. Só comecei a me preparar mesmo de

quatro anos para cá, com o pessoal do Instituto Marazul. Faço acompanhamento com nutricionista, médico e preparador físico. Antes era na raça e vontade de ir lá pegar onda boa.

 

 De que maneira esse acompanhamento refletiu no seu surf?


Se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje, com meus 16, 17 anos… É muita coisa! Parece que não, mas quando você é jovem tem um vigor físico excepcional. Agora, imagina esse vigor, aliado ao conhecimento, prancha adequada e corpo adequado. É o sonho de consumo de qualquer surfista profissional. Mas naquela época isso não existia.

 

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Como você lida com o fuso horário e a alimentação em outros países?


Como treino com a equipe do Instituto Marazul e o preparador fisico Fredy Jacob, eles me deixam sempre prontos para esses obstáculos. Antigamente era na raça, hoje vejo que perdi muito com o amadorismo do início da carreira.

 

No início de sua carreira você comentou que seu técnico era o Diniz Iozzi. Você não tem mais um técnico?


O Pardal foi meu único técnico. Depois que trabalhei com ele, eu mesmo fui me acertando. Hoje em dia, não tenho até porque acredito que sei mais do que um técnico poderia me ensinar. Às vezes, preciso de uma pessoa para agüentar minhas pancadas, porque quando você perde quer descontar em alguém. No momento em que você está lá é para ganhar, depois eu acho que o técnico é fundamental para acalmar e mostrar os  erros.

 

Em 2001 você participou do Pipe Master entre os oito convidados estrangeiros especialistas no pico. Como você recebeu a notícia da sua participação e a inclusão nessa categoria?


Não vibrei porque imaginei que eles não convidariam brasileiros. Se convidassem, pensei que seria eu, o Guilherme (Herdy), ou o Calunga (Aldemir). Mas como ali é um jogo político e, definitivamente, não gosto de fazer política. Pensei que se tiver que ser, seria.

No momento em que me convidaram, imaginei que minha performance no ano anterior (quando o evento incluiu todos os Top-44 do WCT e Renan acabou na terceira colocação), confirmou que eu sei surfar Pipe e como mérito estava sendo convidado. Me deram o prêmio de poder surfar Pipe, representar o Brasil entre os melhores surfistas nesse pico. Isso foi mais gratificante do que ganhar o evento, pois mostrou o reconhecimento de pessoas que fazem e conhecem o esporte. Estar entre Tom Carroll, Derek Ho, Kelly Slater, CJ Hoobgod foi um previlégio que não tem preço. Só achei que eles poderiam ter convidado mais dois brasileiros, o Herdy e o Calunga pelo menos.

 

Como foi sua participação nesse evento?

 

Fui até as quartas-de-final. Foi uma bateria disputada, peguei uma das melhores ondas da bateria, mas fui marcado no pico e não consegui pegar mais nenhuma para chegar à semi-final.

 

E no ano anterior, quando você finalizou em terceiro lugar e ainda arrancou um 10 unânime dos juízes?

 Esse campeonato foi diferente de todos os outros. Não por ser o Pipe Masters. Foi uma vibração diferente, pois estava com meus amigos Piu e Enéas. A maneira como  tudo começou. Eu estava no Brasil e comecei a organizar a viagem e decidi leva-los. Pessoas que nunca imaginei me incentivaram, falando que eu tinha peso e sabia surfar a onda.

O Cristiano Guimarães foi um deles. Eu senti uma vibração muito boa. Quando o campeonato foi acontecendo… eu sempre sonhei em surfar  Pipeline com ondas de 6 a 10 pés e vento terral. Os três dias de evento rolaram assim. Não estava preocupado com o campeonato, mas em surfar bem a onda, me posicionar bem, ter uma prancha boa. Associei tudo isso ao evento. Só não ganhei porque era para ser do Rob Machado. Se você fizer uma retrospectiva fria, era a vez dele ganhar. O Machado já tinha batido na trave em outros anos e esse Pipe Masters era dele. Na semi, ele virou a bateria que disputava contra mim, numa onda difícil de ser completada. Ele pegou a onda e no último segundo saiu do tubo, tirando a nota que precisava. Foi merecido, era a vez dele.

 

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E a onda nota dez?


Foi histórica porque era uma bateria contra o Shane Beschen, que gosta de tirar onda dos brasileiros. Ele gosta de olhar para nós e dizer que ganha da gente nessas condições de mar. A bateria foi lá e cá. Ele tinha a prioridade e pegou uma onda que me deixou precisando de uma nota 8. Faltavam três minutos e vi a série vindo. Desliguei o relógio e pensei que se tivesse que vir… Quando a onda veio, fui remando, fui que fui. Minha alma mandou ir e tirei aquele 10 unânime dos juízes. Eu precisava de um oito e sabia que só um tubo muito bom poderia me dar uma nota excelente. Não imaginei o 10. Só que na outra bateria havia pego uma onda melhor e me deram 9,5.

 

Como o fato de ter sido o primeiro brasileiro a tirar uma nota 10 num evento em Pipeline repercutiu na sua carreira?


Talvez na minha carreira não muito. Mas deu para mostrar que surfamos de igual para igual em qualquer situação

 

Você acredita que a partir desse momento os gringos começaram a te olhar com “outros olhos”?


 Eles olham desde outras performances. O Peterson também  teve bons momentos em Pipe, Sunset e Tahiti. Hoje em dia eles não podem mais nos brecar. Tem uns seis brasileiros que surfam bem em qualquer condição.

 

 Pode-se dizer que os brasileiros surfam de igual para igual contra os gringos?


Qualquer um. E nova geração também. Só não vai surfar quem não quiser pegar onda boa. Não tem mais essa.

 

De que maneira planeja sua tática numa bateria?


Depende de muita coisa, inclusive do concorrente. Não tenho regra, crio elas na água. No momento.

 

Você sente algum tipo de preconceito por parte dos gringos?


Eles são racistas. Na época em que comecei a correr o circuito, tínhamos o melhor julgamento, pois estavam entre os juízes da ASP o Xandi Fontes, o Rominho (Rômulo Fonseca) e o Renato Hickel. Para os brasileiros, ainda não era o ideal, mas foi melhor do que em todos anos posteriores em que estou no WCT. Uma vez um amigo meu, o Marcelo Bôscoli, disse que era melhor com eles e seria pior sem. Eu duvidei.

 

 Você reclamou bastante dos julgamento na etapa do Circuito Mundial realizada neste ano em Saquarema. O que aconteceu?

 

O problema dos juízes brasileiros é que eles acham que não podem julgar bem seus compatriotas porque pode parecer que estão puxando sardinha e, com isso, correm o risco de perder o emprego. Infelizmente, é isso que acontece. Tanto é que na etapa em Saquarema, os juízes que achataram minhas notas foram os brasileiros. Acredito que essas pessoas não tem personalidade, pois não tem coragem de afirmar qual foi a nota real e se deixam influenciar.

 

Quando o quadro de juízes da ASP contava com os três brasileiros, os atletas daqui eram menos prejudicados?


Antigamente, com esses três juízes bons, os brasileiros eram menos roubados. Era mais justo. Hoje em dia, está muito difícil. Os brasileiros têm que ganhar disparado, porque senão não vencem. Eles te deixam numa posição na bateria que você sempre está atrás e sempre precisa de uma nota excelente. Para você tirar uma nota excelente em 30 minutos, precisa de uma onda muito boa que muitas vezes não vem. Se você precisa de uma nota 7,5 vai ter que pegar uma onda excelente.

Se você pegar uma onda igual a dos gringos e surfar igual, os juízes não dão o que você precisa. Você calcula meio ponto a mais para um gringo, e menos meio para mim. O resultado é um ponto a menos. O julgamento é muito subjetivo e eles ferram a gente na matemática, nos deixando numa situação em que não conseguimos virar a bateria. Hoje só posso afirmar que isso é racismo. Costumo dizer o seguinte: imagina um bolo que era dos americanos e australianos e de repente chega uma raça, uma nação diferente. Não falamos baixo, não andamos “certinhos”. Nos Estados Unidos, quando chega um mexicano, os americanos olham diferente. Agora imagina o Circuito Mundial, dominado por americanos e australianos. De repente, chegam dez brasileiros loucos. Eles querem nos brecar, falam nos bastidores. Não aceitam a gente.

 

 

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 Vocês já discutiram esse problema com a cúpula da ASP? Ou essa é uma postura também adotada pela entidade?


Esse postura é adotada pelos dirigentes. Eles também têm culpa nisso e eu também tenho por aceitar o que acontece.

 

Qual seria a solução?


Acho que só conseguiremos eliminar essa pressão com atitudes em grupo. Eu faço meu papel reclamando, mas estou sendo punido, o Peterson também. Mas não é só a gente. Precisamos da mídia, da torcida, dos patrocinadores e do respeito dos juízes. Eles têm (juízes e mídia internacional) que entender que não dá mais para nos brecar.

 

 Como é o lance da ASP, em que os votos favorecem a todos, menos os surfistas?

Money Talks!

 

No ano passado, o Victor Ribas perdeu uma bateria nas ilhas Maldivas e atirou algumas pedras nos juízes, sendo posteriormente punido pela ASP. Como você vê atitudes como essa? Os surfistas estrangeiros são punidos de maneira semelhante aos brasileiros?

 

Cada um é cada um. Claro que eles nunca vão punir o Sunny igual eles puniram o Victor. Nesse caso, depende da personalidade de cada um na ASP e não da nacionalidade.

 

Recentemente, a revista norte-americana Surfing promoveu um jantar entre os atletas brasileiros e o staff da publicação para aumentar o contato entre ambas as partes. O que você achou dessa atitude e como está o reconhecimento da mídia estrangeira 

especializada?


Isso foi uma tremenda palhaçada. Eles vieram me convidar, dizendo que queriam me conhecer…  Já estou me aposentando e agora eles querem me conhecer?! Se ele quisesse me conhecer (Renan refere-se a Peter Townend, publisher da revista) ia na praia me ver surfar, convidava para fazer uma matéria em Mentawaii. Isso sim é conhecer. Agora, chamar para ir numa churrascaria tomar caipirinha… Me recuso a ir. Isso é política, jabá e não está certo. Conhecer é fazer uma matéria mostrando quem é quem, uma surf trip. Mostrar nossos méritos. Não precisa dar jabá, quero apenas que eles sejam justos.

 

 As revistas norte-americanas e australianas continuam não cedendo espaço para os brasileiros?


Já brigamos muito e estávamos tentando ganhar espaço na marra. Mas aconteceu uma coisa muito grave: O nosso mercado foi invadido pelas marcas internacionais. Com isso, eles não têm mais nenhuma obrigação em colocar brasileiros nessas publicações. E no Brasil não temos mais como pressionar. Tanto é que as marcas hoje não fazem nenhum trabalho com os brasileiros. Eles colocam dois ou três atletas somente para agradar, mas se analisarmos profundamente, os moleques estão parasitando. Tem campeonato da própria marca na Austrália, que a licenciada no Brasil não manda os atletas para  competir no Trials. Os moleques ficam sem respaldo dessas marcas. Tem uma revista nova, mas não lembro o nome, que deu um espaço legal para os brasileiros. Agora, vamos ver se acontece de novo. Não adianta sair de três em três anos.

 

Você não vê com bons olhos que os gringos tenham voltados suas atenções para o Brasil e  comprado as marcas que antes estavam  licenciadas? O que implica essa mudança?

Esse fato acabou com o surf brasileiro e resultou em pouco dinheiro interno para investir em campeonatos de base e profissionais, menos dinheiro para os atletas porque toda a grana vai para os gringos, que estão cagando para nós. Consequência também são menos anúncios nas revistas, menos dinheiro para os fotógrafos brasileiros. Todo mundo saiu perdendo. Por isso temos que dá valor para as poucas marcas brasileiras que ainda existem, como a Hang Loose, que tem um dono, Álfio Lagnado, que apóia totalmente o esporte.

 

 

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Você acredita que os brasileiros têm chances de conquistar mais espaço futuramente?


O que me deixa mais triste é que não vamos conseguir esse espaço. Mas aí até dou razão para eles. A Surfing é americana, então, eles colocam americanos. Para que colocar brasileiros? Acho justo. As revistas australianas botam australianos. Agora você chega no Brasil e todo mundo acha legal colocar os gringos. Ai você pensa: nos EUA saem os americanos, na Austrália, os australianos. Porque no Brasil só aparece metade dos brasileiros? O surf brasileiro só vai mudar daqui há duas gerações.

 

Você falou isso na edição de aniversário da revista Fluir, que lançou a questão “o Brasil é o país do surfe”?


Isso só vai mudar para os meus filhos, os do Fabinho. Tem que falar do Andy Irons. Mas não pode esquecer o Marcelo Nunes, o Renan, o Neco. Lá eles não falam que o Neco ganhou. Eles dizem o Andy Irons perdeu, e só por isso o Neco ganhou.

 

O Circuito Mundial está na reta final. Como está sua situação?


Hoje estaria fora do WCT. Mas, ao mesmo tempo minha situação não está crítica. Eu preciso passar algumas baterias. Esse ano foi bom, só que foi também o mais difícil desde quando estou no Tour.

 

Por quê?

 

Todos os atletas deste ano são excelentes surfistas em todas as condições. Tem que estar nas cabeças para se dar bem. Com os resultados que obtive, se fosse em qualquer outro ano, estaria em sexto lugar no WQS. Mas, juntaram todas as gerações e todos pegam muito bem.

 

Como está sua cabeça para estes eventos finais?

 Está calma. Estou bem treinado, com equipamento. Não estou sofrendo nenhum tipo de pressão porque não tenho que provar mais nada para ninguém. Só quero ir lá e surfar bem essas ondas novamente. Se isso acontecer, vou ficar feliz.

 

Pensando assim, se garantir no Tour seria uma conseqüência?


Isso. Quero ir lá e dominar Pipeline, Sunset e Haleiwa. Porque são ondas desafiadoras. Se eu conseguir, vou me garantir entre os Tops. Senão vou ficar tranqüilo.

 

Há quanto tempo você faz pranchas com o Joca Secco?


Faço pranchas com o Joca há mais de 8 anos. Minha amizade com ele é superior a qualquer prancha mágica. Aliás, ele já me fez várias e até hoje me dá tudo que preciso para ser um Top-44.

 

Você ainda tem gás para numa eventual saída tentar a reclassificação novamente pelo WQS?


Tenho. Vou correr os campeonatos certos. Estou bem fisicamente e mentalmente também.

 

Desde 97 os brasileiros são os campeões do WQS. Neste ano, foi diferente e os

australianos  dominaram. Como você vê essa quebra da hegemonia verde-amarela? Você acredita que isso  demonstra a competitividade em que o circuito está atualmente?


Foi exatamente isso. A competitividade aumentou e não tivemos tantas etapas do WQS no Brasil, como nos outros anos. Acho isso positivo. Quando os brasileiros eram campeões, a mídia não dava valor. Era normal um brasileiro ganhar o WQS. Não é normal… o cara é campeão mundial. É triste porque o Brasil sempre dominou. Espero que agora a mídia resolva incentivar essas pessoas. Ninguém sabe o que acontece durante o circuito.

 

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O Neco Padaratz afirmou numa entrevista que são dez brasileiros contra o mundo no Circuito Mundial. Como é isso?

Dez solitários guerreiros contra o mundo. Somos contra juízes, organizadores e mídia. É tudo mais difícil para nós. Não temos um conforto mental para criarmos uma energia positiva em nossa volta. Os gringos têm um tratamento diferente, mais conforto. Não quero dizer que precisamos de conforto, comodidades, para sermos campeões mundiais. Mas vai juntando, chega no final, o resultado é um campeão mundial.
 
Como assim?


Na última perna brasileira fiquei triste. Dez pessoas no palanque e nenhuma era competidor. Todos querendo peruar, querendo pulseirinha…dizer que é vip. Tem muita periquitagem e pouco para o atleta, para o esporte. Nada é para a essência do surf, para a base do atleta e o fortalecimento da imagem do esporte. Você já viu algum surfista estrelar alguma campanha publicitária? Nenhuma. Todo dia aparecem pranchas em várias campanhas. É o carro que comporta diversas pranchas, a caminhonete que aguenta ir atrás das melhores ondas… O surf está sempre na mídia. Mas os caras não botam um Teco Padaratz para estrelar uma publicidade dessas e ainda querer dizer que surfista é burro.

 

 Ainda existe esse tipo de preconceito, de menosprezar a inteligência dos surfistas?


Existe. Tem surfista burro, inteligente, bonito e feio. Isso é culpa da mídia especializada, somada aos nossos cartolas e patrocinadores que só querem sugar. Esse é o resultado. Isso tem que mudar.

 

Como?


Cartolas podemos tirar e a mídia também. A mídia só vai cair quando um Teco Padaratz parar, ou o Guilherme Herdy. Tem muita gente que caiu de papagaio e não tem nada a ver com o esporte. Tem dono de revista que vai para a praia e não me conhece. Isso porque eu sou velho. Imagina os mais novos como o Raoni Monteiro, o Bernardo Pigmeu…

 

Falando em cartolas, no início de novembro teve a eleição para eleger a nova diretoria da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp). Você apoiou alguma chapa?


Punk! Tenho minha opinião formada e as únicas pessoas que apoio nesse meio são o Pedro Müller, Tinguinha e o Piu Pereira.

 

Os três surfistas profissionais?


Só. Eles viveram e vão querer passar e fazer o bem para o esporte. Eu não sei qual chapa apoiar e não me interessa. Só quero que façam alguma coisa boa. Isso não quer dizer nem melhor nem pior do que está aí. Eu acho que nenhum vai ter peito para fazer

porque teria que ser muito radical. Isso acaba criando medo, que faz com que as pessoas não continuem, não apostem.

 

O que você acha do Circuito Brasileiro Profissional, o SuperSurf?


A Abril deu o maior mole do mundo. Ela tem o melhor produto, tem tudo… mas não soube usar 10% do potencial. Ninguém soube passar isso para a empresa. As pessoas que estão na organização fazem isso há vinte anos. Como é que uma Abril, que tem o surf brasileiro nas mãos, não fez uma coisa diferente. Nem pior, nem melhor. Eu digo diferente.

 

##

 

Diferente como?


Não vou dar minhas idéias. Já falei para eles: querem idéias, paguem. Já fiz de tudo e hoje não tenho nada. Não digo que minhas idéias são melhores, ou piores, mas são diferentes. Se vai ser bom… só colocando em prática. O que é ruim a gente tira, e o bom aproveita.

 

Os surfistas estão receosos essas mudanças na estrutura da Abrasp?


O surf não precisa tirar as pessoas. Apenas remanejar, para que elas não tenham certo tipo de poderes. O Brasil é muito grande e é perigoso concentrar as forças apenas no Sul. E o Nordeste? Se concentra no Nordeste esquece do Sul. É complicado…Pôxa, hoje em dia o surf paulista está morto!

 

Numa matéria você questionou o fato de existirem tantos circuitos universitários e nenhum paulista profissional. O que acha que está errado?


Como pode uma pessoa dizer que não tem dinheiro para patrocinar o surf em São Paulo. Como assim? Nos eventos universitários, os valores pagos aos juízes, incluindo som, palanque e acomodação são iguais ao de um evento profissional. A diferença é premiação? Mas se o cara dá uma passagem internacional é o mesmo valor de um prêmio para o primeiro colocado. Está tudo errado. O dinheiro do Brasil está em São Paulo e os empresários dizem que não tem condições de realizar um circuito.

 

Qual é o problema do mercado brasileiro?


No surf americano, eles se unem para discutir com surfista, investidor e organizador. Todos se unem a favor do surf americano, para que eles tenham bons surfistas, um bom mercado. Aqui isso não rola. A mídia não dá suporte. Caiu um monte de pára-quedistas, que não tem o feeling, que não sabem nada. Tem cara que tem 23 lojas e não põe nada no surf. Não temos ídolos. Tem muito dono de marca que nem vai à praia…

 

Essa questão da falta de ídolos no Brasil. Quem são os responsáveis por essa falta de referência e o que precisa ser feito para mudar isso?


A principio é a mídia. Se ela cobrar e fizer o trabalho bem feito, um garoto, quando for num balcão de surf shop vai saber quem é o Renan Rocha, o Neco, ou um modelo qualquer. Aí esse lojista vai se ligar que tem que ter atletas bons. É um ciclo que estamos todos pagando. Hoje em dia, tem circuito universitário, confronto universitário, vários campeonatos para universitários. Um atleta universitário cai do meu lado na água e fica botando banca e a mídia supervaloriza. Então, eles que vão lá salvar a pátria, que eu vou ficar aqui no Brasil pegando minhas ondinhas. Para resolver, basta que as pessoas estejam nos lugares certos. Tem que ter essência, feeling.

 

Você tem vontade de trabalhar na mídia, pois escreve diversas matérias para revistas?


Tenho vontade de fazer o surf brasileiro alcançar o estágio que ele realmente merece. Na mídia, na televisão, numa marca… Temos muitos surfistas que precisam ser polidos e os atletas têm que se unirem ainda mais.

 

Você acha que o surf virou uma moda e muita gente tenta pegar carona nessa onda?


O problema é que o surfista é o que menos interessa. Hoje em dia, campeonato é para as gatinhas, para quem quer aparecer.

 

 

Você é um cara, digamos, boa pinta, bonito. Como lida com o assédio nos eventos? A mulherada realmente cai matando?


Se você tiver aberto para aventuras ou para conhecer pessoas, com certeza vai conseguir o que quer nos eventos. Mas, já vivi todo esse tititi, estou tranqüilo comigo e tenho uma pessoa muito especial ao meu lado.

 

## 

Você é praticante de jiu jitsu. Parte do respeito que tem pode ter sido conquistado pelo seu lado faixa preta?


Pratiquei jiu-jtsu porque é um esporte alucinante e feito por brasileiros. A doutrina dos lutadores me ajudou bastante em relação à concentração para as baterias, mas nunca fui lutador e sim um praticante de um esporte alternativo para mim. O respeito a gente ganha pelo caráter e por colocar para baixo nas grandes, e não lutando contra as pessoas.

 

 Qual foi o maior sufoco que você já passou dentro do mar?


Já passei alguns, mas Pipe um dia quase me deixou surdo. Fui surfar outer reef com Piu, Alexandre Herdy e o Romeu Bruno. Logo no começo do descobrimento dos outer reef. Poderíamos ter nos dado mal, mas a vida é bela e estamos aqui para contar a história.

 

Você viaja o mundo há mais de 10 anos. Já passou por diversos países, entrou em contato com diversas culturas. Como é isso?


Obrigado Senhor!. Fiz a melhor faculdade: a da vida. A curiosidade faz com que você evolua e seu “eu” passa a olhar certas situações de uma outra maneira.

 

Qual é o melhor pico para você?


Gosto de ondas tubulares para a esquerda que quebram de 4 a 10 pés. Por isso me adapto bem em Pipe, Teahupoo, Macarronis e Ulu’s.

 

Quanto você já acumulou de premiação no Tour e o que fez com a grana?


Tenho o suficiente para viver bem porque faço meu trabalho bem feito e mereço ser pago por isso. Sou profissional e como profissional tenho que ganhar pelo meu trabalho.

 

 Você está satisfeito com trajetória no Circuito Mundial?


Estou realizado e muito satisfeito.

 

Você acredita que têm chances para conquistar o título futuramente?


Não tenho mais condições de ter o título mundial, mas tenho condições de incomodar por um bom tempo.

 

Quais nomes você aposta como destaques nos próximos anos?


Não vou citar nomes porque posso esquecer de alguém. Mas a nova geração está muito forte e completa.

 

Qual foi a maior emoção na sua carreira?


Com certeza o campeonato de Pipeline, em que tirei a onda nota 10. Juntou tudo o que estava passando na minha vida pessoal, as ondas, o jeito que surfei no evento. Pipe foi o momento mais marcante para mim.

 

Quem são seus ídolos no esporte?

 Todos que elevam o limite sem querer ser o melhor e sim pelo prazer de fazer o que dá para fazer.

 

Você procurou se espelhar em alguém para compor seu estilo?


Nunca. Estilo é uma coisa própria, se você copiar, não tem estilo. Aí você acaba sendo um enlatado.

 

Como você vê seu futuro no esporte?


Boa pergunta. Ultimamente tenho me perguntado a mesma coisa e não consegui encon

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    A Praia de Paúba, na Costa Sul de São Sebastião (SP), recebe neste sábado (3) a nona edição do Paúba Super Tubos. A competição reúne 56 surfistas convidados em um dos picos mais técnicos do Litoral Norte paulista, com transmissão ao vivo durante todo o dia. Conhecida pelas ondas fortes, rápidas e tubulares que quebram próximas à faixa de areia, Paúba deve oferecer condições de alto nível para os competidores. A previsão divulgada pela organização indica ondas com mais de 1 metro de altura. A disputa acontece em categoria única e exclusivamente para convidados, selecionados pelo nível técnico necessário para enfrentar as características da onda. O formato conta com seis fases e começou com 40 atletas no Round 1. Os 16 classificados avançam e encontram outros competidores já posicionados na chave. As semifinais e a grande final estão previstas para o período da tarde, com os horários sujeitos a alterações de acordo com as condições do mar. A lista de participantes ainda pode receber nomes que disputam o Challenger Series da WSL em Maresias. Segundo a organização, atletas eliminados antes das finais da competição internacional poderão participar do Paúba Super Tubos. Além das disputas dentro d’água, o evento movimenta a Praia de Paúba e a Costa Sul de São Sebastião, com a presença de atletas, equipes e público. A competição conta com apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Esportes.

    Nona edição do Paúba Super Tubos reúne 56 surfistas neste sábado (3), nas ondas tubulares da Costa Sul de São Sebastião; acompanhe a transmissão ao vivo.

    O Banco do Brasil São Sebastião Pro chega neste sábado (3) ao Finals Day na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). A chamada está marcada para 6h30 (Brasília), com possibilidade de início das baterias às 7h05. As quartas de final abrem o caminho para a definição dos campeões da terceira etapa do Challenger Series 2026. O Brasil terá apenas um representante no último dia. Ryan Kainalo garantiu vaga nas quartas ao vencer o espanhol Yago Dominguez por 11,50 x 10,10 em uma bateria decidida nos minutos finais. O brasileiro liderou boa parte do confronto, perdeu a primeira posição perto do fim e precisou melhorar sua segunda nota para avançar. Na última oportunidade, encontrou a onda necessária e recuperou a liderança com notas 6,50 e 5,00. Ryan mira liderança do Challenger Series Além de seguir na briga pelo título em Maresias, Ryan Kainalo pode deixar a etapa na liderança do ranking do Challenger Series. Com a eliminação do havaiano Jackson Bunch nas oitavas, o brasileiro assume a primeira colocação caso alcance a final. Nas quartas, Ryan enfrenta o peruano Lucca Mesinas, que eliminou Bunch por 10,14 x 9,60. O duelo será o único confronto sul-americano da rodada. “Foi uma bateria muito difícil. O mar está muito difícil, as ondas estão sem parede, e quando ele virou a bateria em cima de mim, sabia que seria muito complicado achar uma onda boa. Mas acreditei e deu tudo certo”, comemorou Ryan após a classificação. Sophia Medina se despede No feminino, Sophia Medina foi eliminada pela japonesa Kana Nakashio na última bateria das oitavas. Nakashio venceu por 7,60 x 7,03 e avançou para enfrentar a australiana Sally Fitzgibbons nas quartas. A líder do ranking, Sierra Kerr, também ficou pelo caminho. A australiana precisava de mais duas vitórias para confirmar matematicamente a classificação ao Championship Tour de 2027, mas foi superada pela taitiana Kiara Goold por 12,13 x 10,17. Destaques do último dia Kei Kobayashi teve a maior nota masculina desta sexta-feira ao marcar 8,00 pontos na vitória sobre Jett Schilling. O japonês enfrenta Alonso Correa nas quartas. Entre as mulheres, Sally Fitzgibbons avançou com 12,00 pontos de somatório diante de Sanoa Dempfle-Olin e segue na busca pela reclassificação para o Championship Tour. Próxima chamada A próxima chamada do Banco do Brasil São Sebastião Pro acontece neste sábado (3), às 6h30 (Brasília), com possibilidade de início das baterias às 7h05, na Praia de Maresias. O Finals Day começa pelas quartas de final e termina com a definição dos campeões masculino e feminino da etapa. O Finals Day começa pelas quartas de final e termina com a definição dos campeões masculino e feminino da etapa. O Finals Day começa pelas quartas de final e termina com a definição dos campeões masculino e feminino da etapa. Baterias do Banco do Brasil São Sebastião Pro 2026 Feminino Round das 32 1 – Sierra Kerr (AUS) 12.10 x Amuro Tsuzuki (JAP) 11.60 x Isla Huppatz (AUS) 8.97 x Bella Kenworthy (EUA) 7.902 – Anat Lelior (ISR) 11.30 x Kiara Goold (PYF) 11.00 x Tya Zebrowski (FRA) 10.83 x Moana Jones Wong (HAV) 5.703 – Charli Hately (AUS) 12.77 x Sol Aguirre (PER) 12.24 x Vahine Fierro (FRA) 12.10 x Talia Swindal (EUA) 10.334 – Eweleiula Wong (HAV) 11.24 x Anon Matsuoka (JAP) 10.00 x Laura Raupp (BRA) 8.53 x Brisa Hennessy (CRC) 7.635 – Francisca Veselko (POR) 12.20 x India Robinson (AUS) 12.16 x Eden Walla (EUA) 11.04 x Maria Salgado (POR) 8.936 – Teresa Bonvalot (POR) 10.96 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 10.40 x Lucy Darragh (AUS) 8.34 x Sophie McCulloch (AUS) 8.037 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.56 x Sophia Medina (BRA) 11.66 x Daniella Rosas (PER) 10.33 x Ellie Harrison (AUS) 9.778 – Kana Nakashio (JAP) 14.40 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 13.83 x Kirra Pinkerton (EUA) 13.67 x Alyssa Spencer (EUA) 11.37 Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Kiara Goold (PYF) x Anat Lelior (ISR)2 – Charli Hately (AUS) x Eweleiula Wong (HAV)3 – Francisca Veselko (POR) x Teresa Bonvalot (POR)4 – Sally Fitzgibbons (AUS) x Kana Nakashio (JAP) Masculino Round dos 32 1 – Kade Matson (EUA) 13.06 x Charly Quivront (FRA) 12.77 x Reef Heazlewood (AUS) 12.26 x Douglas Silva (BRA) 12.172 – Joel Vaughan (AUS) 15.26 x Oscar Berry (AUS) 10.43 x Shohei Kato (JAP) 10.03 x Jacob Willcox (AUS) 9.873 – Jackson Bunch (HAV) 13.33 x Yago Dominguez (ESP) 11.97 x Hiroto Ohhara (JAP) 10.87 x Winter Vincent (AUS) 9.934 – Ryan Kainalo (BRA) 11.40 x Lucca Mesinas (PER) 11.27 x Jake Marshall (EUA) 9.36 x Lennix Smith (AUS) 7.905 – Alonso Correa (PER) 13.40 x Jett Schilling (EUA) 12.97 x Deivid Silva (BRA) 11.53 x Jack Robinson (AUS) 8.606 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Beyrick De Vries (NED) 9.80 x Connor Slijpen (AFS) 9.03 x Mihimana Braye (PYF) 5.737 – Alister Reginato (AUS) 11.96 x Owen Moss (EUA) 11.50 x Adin Masencamp (AFS) 10.57 x Levi Slawson (EUA) 8.378 – Ian Gentil (HAV) 10.64 x Crosby Colapinto (EUA) 9.50 x Dimitri Poulos (EUA) 8.10 x Eli Hanneman (HAV) 4.97 Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 –

    Banco do Brasil São Sebastião Pro chega ao último dia neste sábado (3), com chamada às 6h30 e possível início às 7h05. Ryan Kainalo é o único brasileiro na disputa e pode assumir a liderança do CS.

    Um dos eventos de base mais tradicionais do surfe está de volta ao Brasil. Depois de 11 anos, o Quiksilver King of the Groms retorna ao país nos dias 10 e 11 de outubro, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). A edição de 2026 também marca uma novidade: a Roxy passa a realizar o evento ao lado da Quiksilver, dando espaço também às meninas no King and Queen of the Groms. A competição será disputada nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, no masculino e feminino, e está aberta a surfistas de até 16 anos. Criado pela Quiksilver entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, o KOTG nasceu com o objetivo de descobrir e dar visibilidade aos jovens surfistas de alta performance. Ao longo de suas edições, o evento recebeu nomes que posteriormente se destacaram no Circuito Mundial. Entre eles está Gabriel Medina, vencedor da final internacional de 2009, na França, quando conseguiu duas notas 10 e somou 20 pontos. Outros nomes que passaram e venceram o campeonato incluem Filipe Toledo, John John Florence, Jack Robinson, Leonardo Fioravanti e Matt Banting. Retorno ao Brasil O King of the Groms foi realizado cinco vezes no Brasil: Itajaí (SC), em 2010; Itacaré (BA), em 2011; Baía Formosa (RN), em 2012; São Francisco do Sul (SC), em 2013; e Fernando de Noronha (PE), em 2015. Na última edição brasileira, Fernando de Noronha recebeu não apenas uma seletiva regional, mas a própria Final Mundial do evento. Em 2026, a Roxy passa a realizar o evento ao lado da Quiksilver, com disputas também no feminino. “O King of the Groms sempre foi muito importante para a Quiksilver e eu considero esse evento mais do que um campeonato. Ele faz parte da história do surf e ajudou a colocar muitos talentos no radar. E, depois de tantos anos, trazer esse nome de volta ao Brasil, agora também com o feminino (Roxy), tem um significado enorme para nós. Queremos resgatar esse espírito e, ao mesmo tempo, criar novas histórias. Temos uma geração de groms muito forte no Brasil e poder reabrir essa porta e acompanhar de perto quem serão os próximos nomes do surf brasileiro é, sem dúvida, uma das partes mais legais desse projeto”, disse Karol Lopes, gerente de Marketing da Quiksilver e Roxy Brasil. Inscrições abertas As inscrições já estão abertas e custam R$ 150. Os atletas devem se inscrever exclusivamente pelo e-mail [email protected], enviando comprovante de pagamento, documento com foto e os dados do atleta. Quiksilver & Roxy King and Queen of the GromsPraia de Itamambuca – Ubatuba (SP)10 e 11 de outubro de 2026Sub-12 Masculino e FemininoSub-14 Masculino e FemininoSub-16 Masculino e FemininoInscrição: R$ 150

    Meninos e meninas de até 16 anos disputam o Quiksilver King and Queen of the Groms nos dias 10 e 11 de outubro em Itamambuca, Ubatuba (SP), depois de 11 anos da última edição no Brasil.

    A Praia de Maresias, em São Sebastião (SP), recebe entre os dias 26 de setembro e 3 de outubro o Banco do Brasil São Sebastião Pro, etapa do Challenger Series 2026/27 da World Surf League (WSL). Esta será a primeira vez que o estado de São Paulo recebe uma etapa da divisão de acesso ao Championship Tour. O evento terá 80 homens e 48 mulheres de diferentes países em um momento importante da corrida pelas vagas na elite. Ao fim da temporada do Challenger Series, os dez primeiros colocados do ranking masculino e as seis primeiras do feminino garantem classificação para o Championship Tour de 2027. A passagem do circuito por Maresias também coloca o Challenger Series em uma região diretamente ligada à história do surfe brasileiro. São Sebastião revelou diferentes gerações de surfistas e terá agora atletas de vários países disputando pontos para chegar à elite mundial. Corrida pelo CT esquenta em Maresias Com as primeiras etapas da temporada concluídas, o Banco do Brasil São Sebastião Pro chega em um momento importante na disputa pelas vagas no Championship Tour. Weslley Dantas lidera o ranking masculino do Challenger Series com 15.700 pontos. O brasileiro começou a campanha com o vice-campeonato no Ballito Pro e reforçou a liderança ao vencer o QS 6.000 Internacional de Matosinhos, em Portugal. Jackson Bunch, do Havaí, subiu três posições e aparece em segundo, com 15.405 pontos, depois da vitória no QS 6.000 Internacional de Saquarema. Jake Marshall, dos Estados Unidos, ocupa a terceira colocação, com 14.745, seguido pelo compatriota Cole Houshmand, quarto colocado, com 13.320. O Brasil tem outros três surfistas dentro do Top 10. Ryan Kainalo é o quinto, com 10.995 pontos, Ian Gouveia aparece em sexto, com 10.105, e Deivid Silva ocupa a oitava posição, com 9.025. Mateus Herdy está logo abaixo da linha de classificação, na 11ª colocação, com 8.065 pontos, mesma pontuação do décimo colocado Taj Lindblad, dos Estados Unidos. Gabriel Klaussner aparece em 13º, com 7.755. Assim, cinco brasileiros estão entre os 13 primeiros antes da etapa de Maresias. O novo formato dos eventos internacionais QS 6.000 também passou a fazer parte da estratégia na corrida pela classificação. Os atletas podem contabilizar um resultado de QS 6.000 Internacional na pontuação total do Challenger Series. Dantas e Kainalo já aproveitaram essa possibilidade com vitórias nos eventos de Portugal e Espanha, respectivamente. No feminino, a australiana Sierra Kerr lidera com 20.745 pontos. Teresa Bonvalot, de Portugal, é a segunda, com 13.590, seguida pela norte-americana Eden Walla, com 13.150. Francisca Veselko, de Portugal, aparece em quarto, com 12.545, enquanto Ariane Ochoa, da Espanha, ocupa a quinta posição, com 11.465. A australiana Ellie Harrison fecha atualmente o Top 6, com 11.020 pontos. Laura Raupp é a brasileira mais bem colocada. Ela ocupa a 14ª posição, com 6.985 pontos, e terá em Maresias a oportunidade de diminuir a distância para a zona de classificação. Com pontos importantes em jogo, os resultados da etapa paulista podem mexer diretamente na corrida pelas vagas no Championship Tour de 2027. Challenger estreia em São Paulo O Banco do Brasil São Sebastião Pro marca a primeira passagem do Challenger Series pelo estado de São Paulo. A etapa será disputada em Maresias, no litoral norte paulista, região com forte ligação com a história do surfe profissional brasileiro. São Sebastião revelou gerações de surfistas que ajudaram o Brasil a se tornar uma das principais potências da modalidade. A chegada do Challenger Series aproxima esse legado de uma nova geração de atletas que busca construir o próprio caminho até o Championship Tour. Música e atividades fora d’água A programação do Banco do Brasil São Sebastião Pro também terá música, bem-estar e atividades fora da competição. No dia 26 de setembro, abertura da janela, o WSL Sunset Reggae Edition terá shows de Maneva, Planta & Raiz e Gabriel Elias na Praia de Maresias. O primeiro fim de semana também recebe o WSL Wellness, com atividades gratuitas nos dias 26 e 27 de setembro voltadas a movimento, preparação física e recuperação. A programação inclui yoga com Sue Moura, Functional Surf Training com Allan Menache, preparador físico dos campeões mundiais Gabriel Medina e Adriano de Souza, e treinamento funcional com Ricardo Lapa, com participação da repórter e influenciadora da WSL Rachel Apollonio. Para participar das aulas programadas, é necessário fazer inscrição antecipada. Entre 28 de setembro e 3 de outubro, as ações de bem-estar e lifestyle continuam. Estudantes da rede pública de ensino de São Sebastião também participarão de clínicas esportivas gratuitas de surfe, skate, altinha e vela. Transmissão ao vivo O Banco do Brasil São Sebastião Pro acontece de 26 de setembro a 3 de outubro de 2026, na Praia de Maresias. Assim que a competição for oficialmente iniciada, as baterias terão transmissão ao vivo pelo site e pelo aplicativo gratuito da WSL. O evento tem patrocínio de Banco do Brasil, Prefeitura de São Sebastião, VIVO, GWM, Natura Kaiak, Aquacoco, Probiótica, Dr. Peanut, Mana Poke, BB Seguros, Mãe Terra, Riachuelo, Corona Cero, Apple Watch, Sun Ninja e EY, além de parcerias de mídia com Globo, 89 A Rádio Rock, Eletromídia e TV Vanguarda.

    Válido como etapa do WSL Challenger Series, o Banco do Brasil São Sebastião Pro reúne 80 homens e 48 mulheres na Praia de Maresias, de 26 de setembro a 3 de outubro, na corrida por vagas no CT 2027.

    O Brasil ficou no topo das duas categorias de maior onda do Big Wave Challenge 2025/26. Rodrigo Koxa venceu a Maior Onda Masculina, enquanto Michelle des Bouillons conquistou a Maior Onda Feminina na cerimônia realizada no último sábado (19) no Lido Theater, em Newport Beach, Califórnia. Os dois troféus vieram de performances em Nazaré, Portugal, e carregam uma expectativa ainda maior. As ondas premiadas receberam medições preliminares que, caso sejam confirmadas e homologadas, podem estabelecer novos recordes mundiais no masculino e no feminino. Koxa volta ao topo Rodrigo Koxa conquistou o prêmio pela segunda vez na carreira com a onda surfada no dia 19 de dezembro de 2025, na Praia do Norte, em Nazaré. A onda vencedora recebeu uma medição preliminar de 29,15 metros. Caso a marca seja confirmada e homologada, o brasileiro poderá superar os 26,21 metros do alemão Sebastian Steudtner, atual detentor do recorde mundial. O brasileiro disputava a categoria com Lucas Chumbo e o francês Clément Roseyro. As três ondas finalistas foram surfadas em Nazaré. A conquista tem significado especial para Koxa. Em 2018, ele entrou para o Guinness World Records com uma onda de 24,38 metros surfada também em Nazaré. A marca permaneceu como recorde até ser superada por Steudtner. Agora, oito anos depois, Koxa volta a ter a possibilidade de ocupar o topo. Nas redes sociais, Koxa comemorou o bicampeonato e agradeceu à equipe que participou da onda vencedora, com destaque para Vitor Faria, responsável por colocá-lo na onda, além da spotter Laura Chichorro e de Victor Mascarenhas, no resgate. Michelle conquista segundo troféu Michelle des Bouillons completou a dobradinha brasileira com a vitória na Maior Onda Feminina. A carioca de 36 anos foi premiada pela onda surfada no dia 13 de dezembro de 2025, também na Praia do Norte, em Nazaré. A onda vencedora recebeu uma medição preliminar de 24,99 metros. Caso a marca seja confirmada e homologada, Michelle poderá superar os 22,40 metros de Maya Gabeira, atual recordista mundial feminina, em uma onda surfada no dia 11 de fevereiro de 2020 no mesmo pico português. Havia expectativa de que a medida de 24,99 metros fosse oficializada durante a cerimônia na Califórnia, mas isso não aconteceu. Assim, o recorde mundial permanece com Maya enquanto a marca de Michelle não for homologada. Michelle teve o marido Ian Cosenza como piloto de tow-in na onda premiada. A brasileira superou na categoria a francesa Justine Dupont e a italiana Michaela Fregonese, novamente com todas as ondas finalistas surfadas em Nazaré. Esta foi a terceira participação consecutiva de Michelle no Big Wave Challenge. Ela já havia vencido a categoria de Maior Onda em 2024 e ficou entre as finalistas em 2025. Nazaré teve papel dominante na premiação. Depois de colocar dez ondas entre as indicadas ao Big Wave Challenge 2025/26, a Praia do Norte esteve diretamente ligada a quatro troféus. Além das vitórias de Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons nas categorias de Maior Onda, Grant “Twiggy” Baker venceu o Paddle Masculino e Alberto Truncer levou o Wipeout do Ano, todos por performances no pico português. Entre os outros destaques da noite, Tom Lowe foi eleito Surfer of the Year Masculino. O britânico conquistou o prêmio pouco mais de um ano depois de sofrer um acidente quase fatal em Teahupo’o, no Taiti. Natxo Gonzalez venceu o Ride of the Year Masculino por uma onda surfada na remada em Mullaghmore, na Irlanda, enquanto Izzi Gomez levou a versão feminina com uma onda em Teahupo’o. Justine Dupont foi eleita Surfer of the Year Feminino. A temporada também teve uma geografia diferente da habitual nas ondas gigantes. Havaí e Costa Oeste dos Estados Unidos ficaram fora das indicações do Big Wave Challenge, enquanto Mullaghmore e Teahupo’o tiveram papel decisivo na realização da premiação. Segundo a Surfer, o organizador Bill Sharp chegou a afirmar que o evento teria sido cancelado se não fossem as ondas registradas nos dois picos. Noite de gala na Califórnia A cerimônia marcou a 26ª edição do Big Wave Challenge e distribuiu mais de US$ 100 mil em premiações. Além das categorias de Maior Onda, o evento reconhece performances em modalidades como Ride of the Year, Paddle, Wipeout of the Year e Surfer of the Year. Entre os outros resultados já confirmados, o britânico Tom Lowe, da Cornualha, conquistou o prêmio de Surfer of the Year masculino. Lowe estava entre os finalistas ao lado do sul-africano Grant Baker e do norte-americano Mason Barnes. Para o Brasil, a noite terminou com uma dobradinha nas maiores ondas da temporada. Koxa e Michelle deixam Newport Beach com os troféus nas mãos enquanto aguardam a definição sobre as medições de suas ondas. As marcas preliminares de 29,15 metros no masculino e 24,99 metros no feminino, caso sejam confirmadas e homologadas, podem estabelecer dois novos recordes mundiais. Leia mais Ela soltou a corda. O resto é história.Michelle pode bater recorde mundialKoxa revive sonho de recorde em Déjà VuO passo a passo da medição VENCEDORES E FINALISTAS – BIG WAVE CHALLENGE 2025/26 MEN’S RIDE OF THE YEARVencedor: Natxo Gonzalez (ESP) – Mullaghmore Head, Irlanda – Vídeo: Clem McInerneyFinalistas: Matahi Drollet (TAH) – Teahupo’o, Taiti – Vídeo: Maiko Mou; Tom Lowe (GBR) – Mullaghmore Head, Irlanda – Vídeo: Michael Darrigade. WOMEN’S RIDE OF THE YEARVencedora: Izzi Gomez (COL) – Teahupo’o, Taiti – Vídeo: Owen MilneFinalistas: Justine Dupont (FRA) – Mullaghmore Head, Irlanda – Vídeo: Peter Clyne; Aelan Vaast (TAH) – Teahupo’o, Taiti – Vídeo: Kotaha Surfing Productions. MEN’S BIGGEST WAVEVencedor: Rodrigo Koxa (BRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Mattias Hammar – Fotos: Jayden Cheo, Stephan Mathers e Ianco RochaFinalistas: Lucas “Chumbo” Chianca (BRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Rennan Chaves; Clément Roseyro (FRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Arthur Picard. WOMEN’S BIGGEST WAVEVencedora: Michelle des Bouillons (BRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Rennan ChavesFinalistas: Justine Dupont (FRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Rennan Chaves – Fotos: Laurent Masurel e Aurnad Plas; Michaela Fregonese (ITA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Kaique Silva. MEN’S PADDLEVencedor: Grant “Twiggy” Baker (RSA) – Nazaré, Portugal – Fotos: Peter “Joli”

    Brasil conquista as categorias de Maior Onda Masculina e Feminina com Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons, que ainda podem estabelecer também os novos recordes mundiais.

    Miguel Pupo é o campeão do Lexus Trestles Pro. O brasileiro protagonizou uma virada nos minutos finais da decisão desta sexta-feira (18), em Lower Trestles, na Califórnia (EUA), para derrotar o japonês Kanoa Igarashi por 14.77 a 14.40 e conquistar sua segunda vitória na temporada 2026. Kanoa permaneceu na frente durante boa parte da bateria e chegou à reta final com 14.40 pontos. Miguel já tinha a melhor onda da decisão, um 8.50, mas ainda precisava de 5.90 para assumir a liderança. A oportunidade apareceu quando restavam cerca de seis minutos. Miguel atacou a direita de Trestles e recebeu 6.27 dos juízes. Com 14.77 no total, passou à frente e permaneceu na liderança até a buzina. O título é o segundo de Miguel nesta temporada. Em Bells Beach, na Austrália, o paulista já havia subido ao lugar mais alto do pódio. A vitória em Trestles é a terceira da carreira no Championship Tour, depois de Teahupoo, em 2022, e Bells Beach, em 2026. O resultado também levou Miguel à quarta colocação do ranking mundial. Caminho até o título Miguel começou sua campanha em Trestles com vitória sobre Ramzi Boukhiam no Round 2. Depois, superou Liam O’Brien no Round 3 e encontrou o compatriota Mateus Herdy nas quartas de final. Na semifinal, diante de Cole Houshmand, o brasileiro fez sua maior somatória no evento: 16.00 pontos, com notas 8.33 e 7.67. A vitória colocou Miguel na decisão contra Kanoa Igarashi. Do outro lado da chave, Kanoa havia eliminado Yago Dora na semifinal. Mesmo sem chegar à decisão, Yago deixou Trestles na liderança do ranking mundial. Brasil domina Top 5 O encerramento de Trestles deixou quatro brasileiros entre os cinco primeiros colocados do ranking masculino. Yago Dora assumiu a liderança, seguido pelo italiano Leonardo Fioravanti. Italo Ferreira aparece em terceiro, Miguel Pupo subiu para quarto e Gabriel Medina ocupa a quinta posição. A liderança de Yago e a quarta colocação de Miguel também aparecem no material pós-evento anexado. A etapa também definiu o corte para a sequência da temporada. Filipe Toledo garantiu permanência entre os 22 primeiros e segue para as próximas duas etapas, em Portugal e nas Filipinas. Mateus Herdy ficou abaixo da linha de corte e retorna ao CT em Pipeline, no Havaí, última etapa da temporada. Erin Brooks vence no feminino No feminino, Erin Brooks conquistou sua terceira vitória consecutiva no Championship Tour. A canadense derrotou Gabriela Bryan por 13.00 a 11.90 na final. Carissa Moore deixou Trestles na liderança do ranking feminino, com Gabriela Bryan na segunda posição. A brasileira Luana Silva ocupa o quinto lugar. Próximas etapas Portugal – 16 a 25 de outubroFilipinas – 31 de outubro a 10 de novembroPipeline (Havaí) – 8 a 20 de dezembro Chaves de bateria Masculino Round 1 1 – Luke Thompson (AFS) 10.16 x 9.34 Matthew McGillivray (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) 9.73 x 9.67 Hayden Rodgers (EUA)3 – Oscar Berry (AUS) 12.73 x 11.26 Joel Vaughan (AUS)4 – Mateus Herdy (BRA) 11.40 x 11.27 Taj Lindblad (EUA) Round 2 1 – Callum Robson (AUS) 12.27 x 8.83 Connor O’Leary (JAP)2 – Griffin Colapinto (EUA) 14.50 x 12.87 Rio Waida (INA)3 – Yago Dora (BRA) 14.33 x 11.83 Oscar Berry (AUS)4 – Kauli Vaast (FRA) 12.20 x 10.53 Barron Mamiya (HAV)5 – Marco Mignot (FRA) 14.43 x 11.77 João Chianca (BRA)6 – Italo Ferreira (BRA) 14.26 x 12.40 Eli Hanneman (HAV)7 – Kanoa Igarashi (JAP) 17.00 x 12.40 Crosby Colapinto (EUA)8 – Ethan Ewing (AUS) 12.37 x 11.50 Alejo Muniz (BRA)9 – Luke Thompson (AFS) 13.87 x 6.90 Leonardo Fioravanti (ITA)10 – Cole Houshmand (EUA) 14.00 x 5.40 Morgan Cibilic (AUS)11 – Alan Cleland (MEX) 13.26 x 11.67 George Pittar (AUS)12 – Jake Marshall (EUA) 13.53 x 12.83 Samuel Pupo (BRA)13 – Mateus Herdy (BRA) 12.00 x 11.83 Gabriel Medina (BRA)14 – Jack Robinson (AUS) 12.97 x 10.13 Seth Moniz (HAV)15 – Liam O’Brien (AUS) 15.10 x 14.43 Filipe Toledo (BRA)16 – Miguel Pupo (BRA) 13.20 x 12.16 Ramzi Boukhiam (MAR) Round 3 1 – Callum Robson (AUS) 12.83 x 11.03 Griffin Colapinto (EUA)2 – Yago Dora (BRA) 12.50 x 10.97 Kauli Vaast (FRA)3 – Marco Mignot (FRA) 13.70 x 13.37 Italo Ferreira (BRA)4 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.67 x 12.00 Ethan Ewing (AUS)5 – Cole Houshmand (EUA) 13.33 x 10.93 Luke Thompson (AFS)6 – Jake Marshall (EUA) 12.44 x 5.93 Alan Cleland (MEX)7 – Mateus Herdy (BRA) 14.10 x 9.84 Jack Robinson (AUS)8 – Miguel Pupo (BRA) 13.40 x 10.13 Liam O’Brien (AUS) Quartas de final 1 – Yago Dora (BRA) 11.67 x 8.16 Callum Robson (AUS)2 – Kanoa Igarashi (JAP) 15.67 x 10.26 Marco Mignot (FRA)3 – Cole Houshmand (EUA) 18.50 x 10.00 Jake Marshall (EUA)4 – Miguel Pupo (BRA) 15.83 x 13.50 Mateus Herdy (BRA) Semifinais 1 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.33 x 11.94 Yago Dora (BRA)2 – Miguel Pupo (BRA) 16.00 x 11.50 Cole Houshmand (EUA) Final 1 – Miguel Pupo (BRA) 14.77 x 14.40 Kanoa Igarashi (JAP) Feminino Round 1 1 – Brisa Hennessy (CRC) 10.90 x 10.10 Stephanie Gilmore (AUS)2 – Tya Zebrowski (FRA) 13.33 x 12.23 Alyssa Spencer (EUA)3 – Vahine Fierro (FRA) 12.16 x 11.50 Anat Lelior (ISR)4 – Yolanda Hopkins (POR) 11.96 x 11.37 Sally Fitzgibbons (AUS)5 – Tyler Wright (AUS) 10.67 x 7.17 Francisca Veselko (POR)6 – Bella Kenworthy (EUA) 13.33 x 10.77 Bettylou Sakura Johnson (HAV)7 – Eden Walla (EUA) 11.83 x 8.73 Nadia Erostarbe (ESP)8 – Caroline Marks (EUA) 15.67 x 12.50 Kirra Pinkerton (EUA) Round 2 1 – Gabriela Bryan (HAV) 14.07 x 13.50 Tya Zebrowski (FRA)2 – Luana Silva (BRA) 13.03 x 10.93 Tyler Wright (AUS)3 – Sawyer Lindblad (EUA) 15.34 x 8.74 Vahine Fierro (FRA)4 – Eden Walla (EUA) 12.00 x 10.50 Lakey Peterson (EUA)5 – Carissa Moore (HAV) 12.90 x 12.24 Brisa Hennessy (CRC)6 – Erin Brooks (CAN) 12.27 x 11.70 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 13.33 x 9.50 Yolanda Hopkins (POR)8 – Bella Kenworthy (EUA) 13.87 x 12.64 Caitlin Simmers (EUA) Quartas de final 1 – Gabriela Bryan (HAV)

    Com virada emocionante nos minutos finais, Miguel Pupo vence Kanoa Igarashi por 14.77 a 14.40 na Califórnia, conquista segundo título na temporada e sobe para quarto no ranking mundial.

    Há ondas perfeitas espalhadas por praticamente todos os cantos do planeta. Point breaks extensos, tubos perfeitos sobre bancadas de coral, ondas gigantes e assustadoras, destinos cada vez mais remotos no mapa do surfe. Mas poucos lugares carregam o peso do Havaí. É ali que a história do surfe como conhecemos hoje começou muito antes de campeonatos, transmissões ao vivo, pranchas modernas ou qualquer ideia de uma indústria em torno do esporte. No arquipélago havaiano, deslizar sobre as ondas faz parte de uma tradição ancestral, profundamente ligada à cultura local. Mas não é preciso ser surfista para entender por que uma viagem ao Havaí ocupa um lugar especial no imaginário de tanta gente. Na ilha de Oahu, Waikiki reúne alguns dos cartões-postais mais conhecidos do Havaí, com sua extensa faixa de areia, águas cristalinas e a imponente cratera vulcânica de Diamond Head compondo a paisagem. Ao redor da praia, Honolulu oferece restaurantes, compras e vida noturna. E até quem nunca subiu em uma prancha pode experimentar o surfe nas ondas mais acessíveis de Waikiki. Do outro lado da ilha está um cenário completamente diferente. No North Shore, Haleiwa preserva o clima de uma surf town, com lojas, restaurantes e food trucks no caminho para algumas das praias mais famosas do planeta. É também nessa faixa de costa que quebram algumas das ondas mais impressionantes e desejadas do mundo. Ali, o surfe extrapola a água e ajuda a ditar o ritmo da vida ao redor do oceano, uma relação que faz do Havaí muito mais do que um destino de ondas. É justamente esse universo que inspira a campanha Na Onda Com BB Mastercard, criada sob o conceito “Onde o surfe encontra experiências extraordinárias”. A iniciativa une benefícios aos clientes, incentivo ao esporte e levará consumidores ao Havaí justamente no auge da temporada havaiana, quando as grandes ondas despertam no North Shore e alguns dos melhores surfistas do mundo estão na ilha. Clique aqui para participar Quando o North Shore desperta Durante o inverno do Hemisfério Norte, grandes tempestades formadas no Pacífico enviam ondulações poderosas em direção ao arquipélago. Quando essa energia encontra o North Shore de Oahu, algumas das ondas mais famosas do planeta ganham vida. É nessa época que a pequena faixa de costa passa a concentrar alguns dos melhores surfistas do mundo. Entre campeonatos, treinos e sessões de freesurf, atletas, fãs e fotógrafos dividem o mesmo cenário, enquanto boa parte das atenções do mundo do surfe se volta para o North Shore. E é justamente nesse momento que os clientes contemplados pela campanha Na Onda Com BB Mastercard estarão no Havaí, com a oportunidade de acompanhar ao vivo, em Pipeline, a etapa decisiva da temporada 2026 do Circuito Mundial da WSL. Sete milhas de história Em aproximadamente sete milhas de costa (cerca de 11 quilômetros) encontram-se picos como Waimea Bay, Sunset Beach e Pipeline, entre muitos outros. Essa concentração de ondas perfeitas e tão diferentes deu ao trecho um apelido que atravessa gerações: Seven Mile Miracle, o Milagre das Sete Milhas. Waimea teve papel fundamental no desenvolvimento do surfe moderno de ondas grandes. Sunset tornou-se um dos grandes campos de prova dos melhores surfistas do mundo. Mas foi outra onda, quebrando sobre uma rasa bancada de recife e muito próxima da areia, que se transformou no maior símbolo do North Shore: Pipeline. A onda que parecia impossível No início dos anos 1960, Pipeline ainda representava uma espécie de fronteira. Rápida, oca e quebrando sobre uma bancada rasa, a onda parecia especialmente ameaçadora para as grandes e pesadas pranchas da época. Em dezembro de 1961, uma sessão do californiano Phil Edwards, registrada pelo cineasta Bruce Brown, ajudaria a mudar essa história. Com a evolução das pranchas e das técnicas, Pipeline se transformou em um dos maiores símbolos do esporte. Gerry Lopez desenvolveu nos anos 1970 uma relação tão marcante com a onda que ganhou o apelido de Mr. Pipeline. Debaixo d’água, uma bancada rasa de recife ajuda a produzir as paredes espessas e os tubos que fizeram a fama do pico. Com swells maiores, entram em ação bancadas mais afastadas, conhecidas como Second Reef e Third Reef. Na visão do surfista, Pipeline quebra para a esquerda e Backdoor para a direita. E tudo acontece diante dos olhos de quem está na areia. O Brasil entra em cena Pipeline se transformou em um dos grandes palcos do surfe competitivo e, durante muitos anos, recebeu a última etapa da temporada. E o Brasil passou de coadjuvante a protagonista dessa história. Em 1976, Pepê Lopes já colocava o País em uma final em Pipeline. Em 1991, Fábio Gouveia venceu em Sunset Beach e quebrou outra barreira ao conquistar uma etapa da elite profissional em solo havaiano. A Brazilian Storm mudou definitivamente essa relação. Gabriel Medina conquistou em Pipeline, em 2014, o primeiro título mundial brasileiro. Adriano de Souza, o Mineirinho, foi campeão mundial e venceu o Pipe Masters em 2015. Três anos depois, Medina voltou ao Havaí para conquistar o bicampeonato. E então veio 2019. Dois brasileiros, Pipeline e um título mundial Italo Ferreira e Gabriel Medina chegaram à última bateria da temporada de 2019 com tudo em jogo. De um lado, Medina, já bicampeão mundial. Do outro, Italo em busca de seu primeiro título. A final do Pipe Masters definiria também quem seria o campeão do mundo. Dois brasileiros disputando o título mundial em uma das ondas mais emblemáticas do planeta. Italo venceu. Saiu de Pipeline campeão do Pipe Masters e campeão mundial pela primeira vez. Aquela cena talvez seja uma das melhores representações da transformação vivida pelo surfe brasileiro nas últimas décadas. O país que durante anos via o Havaí como território a ser conquistado passou a decidir entre seus próprios atletas quem seria o melhor surfista do mundo. Desde o primeiro título de Medina, em 2014, o Brasil acumulou oito títulos mundiais masculinos em 11 temporadas disputadas, com cinco campeões diferentes: Gabriel Medina, Adriano de Souza, Italo Ferreira, Filipe Toledo e Yago Dora. Mas a ligação entre Brasil e

    Berço do surfe, Havaí reúne ondas lendárias, paisagens paradisíacas e uma relação especial com o Brasil. Campanha Na Onda Com BB Mastercard leva clientes para viver essa experiência de perto.

    A Seleção Brasileira Júnior conquistou três medalhas no Surf City El Salvador ISA World Junior Surfing Championship 2026. A paranaense Luara Mandelli ficou com o bronze na Sub-18 Feminino, o paulista John Muller levou o cobre na Sub-18 Masculino e o Brasil terminou com o bronze por equipes, como a terceira melhor seleção entre os 56 países participantes da 22ª edição do Mundial Júnior da ISA. A principal competição de base do surfe no mundo começou com 420 surfistas. Apenas 11 países tiveram representantes entre os 24 atletas que disputaram as semifinais no domingo, em La Bocana. A Austrália ficou com o ouro por equipes, seguida por Estados Unidos, Brasil e Peru, repetindo as quatro primeiras posições do Mundial de 2025, no Peru. Luara repete feito de 20 anos atrás Na decisão da Sub-18 Feminino, Luara Mandelli chegou à final depois de superar a australiana Stella Green nas semifinais. Na disputa pelas medalhas, Leihani Zoric dominou com notas 8,17 e 7,83, somando 16,00 pontos para conquistar o ouro para a Austrália. Zoie Zietz, dos Países Baixos, ficou com a prata, com 12,77 pontos. Luara somou 8,44 e conquistou o bronze, enquanto a argentina Victoria Muñoz Larreta terminou com o cobre. Com o resultado, Luara repetiu um feito de 20 anos atrás. A paraibana Diana Cristina, a índia Tininha, havia conquistado o bronze no Mundial Júnior de 2006, realizado em Maresias, São Sebastião (SP). Luara tornou-se a segunda brasileira a conquistar uma medalha em 22 edições do Mundial Júnior da ISA. John Muller fica com o cobre O Brasil também disputou as medalhas na Sub-18 Masculino. John Muller venceu a primeira semifinal usando os aéreos. Ryan Martins também buscava uma vaga na decisão, mas o norte-americano Jett Maughan conseguiu uma onda nos minutos finais, acertou um aéreo e recebeu nota 9 para avançar junto com John. Na final, o brasileiro começou na frente com 5,67, mas Maughan e os australianos Ocean Lancaster e Ben Zanatta Creagh passaram a concentrar a disputa pela vitória. O norte-americano assumiu a liderança ao receber 8,23 e chegou aos 15,06 pontos. John ainda acertou um aéreo full rotation de backside no último minuto e recebeu 6,40, sua maior nota, mas não conseguiu deixar a quarta posição. Jett Maughan conquistou o ouro com 15,06 pontos, Ben Zanatta Creagh levou a prata com 14,80, Ocean Lancaster ficou com o bronze com 14,74 e John terminou com 12,07 e a medalha de cobre. Brasil é bronze por equipes A campanha colocou novamente o Brasil entre as três melhores seleções do Mundial Júnior. A Austrália conquistou o ouro por equipes com 8.078 pontos, os Estados Unidos ficaram com a prata com 6.048 e o Brasil levou o bronze com 5.430. O Peru terminou em quarto, com 5.293 pontos e a medalha de cobre. Além dos medalhistas Luara Mandelli e John Muller, Ryan Martins terminou em quinto lugar na Sub-18 Masculino e Arthur Vilar foi sétimo na Sub-16 Masculino. Valentina Zanoni ficou em 13º na Sub-18 Feminino e Carol Bastides terminou em 19º na Sub-16 Feminino. O Brasil foi o primeiro campeão por equipes do Mundial Júnior da ISA, na estreia da competição em 2003, na África do Sul. Entre os brasileiros que já conquistaram o ouro individual estão Jefferson Silva, Jadson André, Alejo Muniz, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Matheus Navarro, Luan Wood, Weslley Dantas e Ryan Kainalo. Em 2023, no Rio de Janeiro, a Seleção Brasileira Júnior voltou a conquistar o título por equipes, 20 anos depois da primeira vitória. Resultados Sub-18 Feminino – Final 1 – Leihani Zoric (AUS) 16,002 – Zoie Zietz (NED) 12,773 – Luara Mandelli (BRA) 8,444 – Victoria Muñoz Larreta (ARG) 7,03 Sub-18 Masculino – Final 1 – Jett Maughan (USA) 15,062 – Ben Zanatta Creagh (AUS) 14,803 – Ocean Lancaster (AUS) 14,744 – John Muller (BRA) 12,07 Ranking por equipes 1 – Austrália – 8.078 pontos2 – Estados Unidos – 6.048 pontos3 – Brasil – 5.430 pontos4 – Peru – 5.293 pontos5 – Japão – 5.035 pontos6 – Havaí – 5.012 pontos7 – Espanha – 4.625 pontos8 – Nova Zelândia – 4.542 pontos9 – França – 4.416 pontos10 – Portugal – 4.095 pontos

    Luara Mandelli leva bronze na Sub-18, John Muller fica com o cobre e Seleção Brasileira termina em terceiro lugar entre 56 países no Mundial Júnior da ISA em El Salvador.