Soul surf

O Surfista Peregrino

Nosso personagem viaja há algumas décadas pelo mundo atrás das ondas perfeitas e da perfeição em si mesmo, ou o que alguns chamam “Deus”. Não acredita na morte do sonho, pois sabe que seria a morte da Vida.

 

Vai leve, com apenas uma mochila suprida de algumas peças de roupa, um discman e pequenos utensílios nas costas. Um violão numa mão e uma única prancha de surf na outra completam as posses.

 

Não gosta de dizer a sua origem, pois se considera um cidadão do mundo, ou “do universo”, como gosta de frisar. Mesmo a sua etnia permanece obscura, já que a pele tem um tom indefinível por baixo do bronzeado permanente.

 

As costas e o tronco como um todo são proporcionalmente mais largos e fortes do que as pernas, devido à prática de anos remando através das arrebentações das praias e reefs dos cinco continentes.

 

Costuma caminhar bastante entre uma e outra carona a fim de conhecer os moradores locais, evitando transportes públicos ou “ladrões de saúde”, que é como se refere aos modernos facilitadores de locomoção que lhe roubam a oportunidade de andar.

 

Considera esta atividade básica essencial para o seu bem-estar físico e mental, e lamenta silenciosamente que este hábito atávico da raça humana tenha se perdido na chamada vida moderna, com os motores roubando a função das pernas.

 

Apesar de ser do tipo quieto faz muitos amigos por onde passa, guardando-os no coração e na memória assim que parte. Não se escraviza na ilusão do apego, pois percebe a natureza dos momentos: únicos, jamais se repetindo.

 

Fez da procura a sua missão. Do movimento, dentro e fora d’água, sua crença. Sente a evolução do seu espírito em cada inspiração. E ao expirar avança no entendimento. Para quem imaginava que não haveria mais lugar para uma alma errante, limpa e silenciosamente inquisitiva, ele traz esperança.

 

Suas aventuras ao redor do globo são a materialização de um pensamento vívido e constante: a autodescoberta através da procura de si mesmo nas ondas. Seu instrumento de luz, a prancha.

 

Seu território, o mar. O chão que passa por baixo de seus passos pode ser as planícies da China Continental ou as montanhas e vales do Brasil. Não importa. Ele sempre chega ao mar.

 

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Primeiro Episódio

 

Dissertações sobre o mercado brasileiro de surfwear e suas vestes azuis; ou de como o Surfista Peregrino também passa pelas cidades a fim de compreender a totalidade.

“Estou elaborando na minha mente o que tenho ouvido nos últimos tempos. Como peregrino, ouço muita coisa em muitos lugares, embora não pertença a nenhum. Nas praias, nas festas, nas feiras de surf-wear, nas viagens, no telefone com os amigos. O tal mercado de surf-wear brasileiro, concluo, foi construído em cima de uma emoção.

 

Não foi um plano de marketing bem armado, nem fruto de um cérebro privilegiado que vislumbrou milhões de zumbis sedentos de consumo. Mas que emoção é esta? Onde se localiza?

 

As matérias resgatando a história do surf são um belo sintoma. Leio-as entre uma viagem de ônibus e a espera da salada de alface e abacate num bangalô detonado nas florestas da Indonésia. O campeonato Legends, no Brasil, outra.

 

A busca do equilíbrio e a volta ao soul surf brotando nas areias anexas ou distantes, outra. Mesmo alguns moleques recém integrados à irmandade do surf trazem aquele brilho nos olhos. Vejo mais uma vez que a Percepção não tem idade.

 

Há uma verdade inserida no nosso DNA que estava represada por tempo demais. Sinto seu cheiro ressurgindo nas estradas. Está reaparecendo aqui e ali, por pura necessidade.

Uma força que não se pode deter porque não se sabe onde se localiza.

 

Historicamente, posso dizer que uma alma forte que estava pairando pela estratosfera do planeta, mais ou menos nos anos 60/70, baixou no nosso litoral. Foi o princípio. Encarnou num corpo chamado “galera nacional”, ou “utopia possível” (contradição em termos – mas não vamos nos aprisionar nas correntes da coerência…).

 

Traduziu-se também numa emoção chamada surf. Os incautos rapazes que adquiriram o vírus planetário/aquático exibiam estranhos sintomas. Eu sei, fui um deles. Começaram a enxergar universos paralelos aos dos seus pais e amigos. Viam água onde antes só existia aridez.

 

Enxergavam movimento e ondulações invisíveis onde antes só havia um mar imenso e tranqüilo. Viam cores onde o cinza dominava. Temerariamente, estes caras resolveram edificar uma vida em cima destas visões. Na ótica de seus pais, era total loucura: como ter algo sólido arquitetado sobre bases tão etéreas?

 

Viajaram pelo mundo à procura de respostas e só encontraram mais perguntas. Ou até melhor, encontraram uma luz: não havia resposta. O caminho era a destino. Cada segundo que viviam aquela vida estava pleno e não necessitava aditivos.

 

Surpreendente. Ou nem tanto. Pois intuíam previamente o que os seus instintos diziam, pulsando incessantemente anos antes: viajar ao encontro das ondas, das culturas, dos Homens de todas as raças e daquele “eu” escondido nas frestas dos corais e nas cores dos arco-íris era, sem dúvida, uma missão significativa.

 

Muitos deles ficaram pelas trilhas do tempo nas bancadas alienígenas, ou transformaram-se em pássaros e peixes. Alguns voltaram. E com um sentimento cheio de Paz, recheado de noções do que é a Vida Real, começaram a formar um mapa de uma nova Existência aqui na terrinha.

 

Eu sempre fui um solitário. O privilégio de viajar sozinho e ficar meses sem proferir palavra, posso lhes afirmar, ajudava-me a concentrar enorme energia benéfica, que clarificava as idéias e a compreensão da existência.

 

Neste meio tempo aqueles rapazes, entre uma incursão e outra, costuravam roupas de pano de cortina, puxavam cordinhas de borracha nas mãos calejadas, assavam e derretiam parafina na panela da vovó, e ainda tentavam, por todos os meios, formatar

aquele sonho da estrada em forma de cidade.

 

Alguns conseguiram, outros enlouqueceram. Os que persistiram e tinham um olho para a capacitação da materialidade do espírito, vingaram na sociedade e foram convidados a adentrar as casas das namoradas, antes vetadas a “hippies e vagabundos”. Alguns recusaram. Outros casaram com estas namoradas e formaram belas famílias com a aura mágica do surf.

 

E assim a comunidade foi crescendo, e à sua sombra, o mercado brasileiro de surfwear.
Montado sobre ideais e sonhos, sobre poesia e miragens. No entanto, estranhamente, evoluiu, e como um maremoto avassalador ganhou os corações de milhões de jovens brasileiros, sendo que muitos deles nunca haviam avistado o mar.

 

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Estranhamente, eu não me surpreendia vendo tudo aquilo acontecer. Os gringos, cujo forte nunca foi a Geografia, e que não sabiam se o Brasil era na África ou na Ásia, pressentiram um barulho estranho vindo de algum lugar logo abaixo da cintura do Equador.

 

O baixo-ventre do planeta se mexia. Seus efeitos apareciam como brotoejas nos seus podiuns de campeonatos e nos picos isolados do planeta. Eles se coçavam tentando livrar-se do incômodo, mas a coceira aumentava cada vez mais.

 

Anos se passaram e o “mundo exterior” começou a prestar mais atenção naqueles caras. O mercado oficial de confecção notou que havia um movimento ocupando espaço. Investimentos planejados milimetricamente foram feitos para penetrar neste lugar estranho e tentador.

 

Pragmatizaram-se os procedimentos. Enveredou-se pela sistemática da racionalidade imperativa. A ditadura da mente racional e das “metas” foi se firmando. Cobiças se acenderam à luz de um distorcido capitalismo tupiniquim. Deu-me mais vontade ainda de botar o pé na estrada.

 

“Queremos um pedaço desta torta de alegria, sal, amizades duradouras, mulheres bonitas, prazer e ondas. Aliás, queremos toda a torta!”, diziam. Tudo ficou mais cru e seco. A alma foi sendo gradativamente substituída pelo “só corpo”. A torta endureceu. Alguns ainda tentaram resistir.

 

O sonho possível e realizado pelo dinheiro solitário diluiu-se nas vozes iradas duelando pela primazia do poder. Uma vastidão de prazer foi dispersa. Vários pioneiros pereceram em meio a esta “Idade das Trevas”.

 

As pessoas envolvidas anteriormente no processo inicial, e que continuavam trabalhando em empresas relacionadas, suspiravam de nostalgia dos velhos tempos onde o amor imperava.

 

As decisões, na fase presente, desconheciam em grande parte o aspecto humano e o viam até como um empecilho aos negócios. As pessoas atrapalhavam o livre fluir da circulação monetária e de mercadorias.

 

Foi daí que o “Corpo” mercado começou a sentir os primeiros sintomas de abstinência de Verdade. Eu ouvia os gemidos ecoando nas montanhas da costa, conhecidas como “A Muralha”.

 

As bocas queriam o mel perdido e os beijos perdidos. E as mãos, a criatividade não mais valorizada e restrita a uns poucos guetos, banida. Neste momento, uma palavra chamada Essência principiou a brotar nas rodas e nos papos com cada vez mais freqüência.

 

Ela levantou as questões básicas: como poderia este corpo aparentemente poderoso sobreviver sem alma? Não foi todo este mundo construído em cima de uma emoção? Onde estava ela?

 

Olharam na conta do banco e não a encontraram, vistoriaram todo o espectro de produtos e detectaram poucos sinais de vida, perscrutaram os rostos, mas ninguém mais olhava nos olhos.

 

Para onde teria ido? Com as raríssimas exceções de praxe, ninguém mais envolvido no processo sabia de onde tinham vindo nem o que eram aqueles sentimentos límpidos que deram origem a esta Torre de Babel com vidros fumê.

 

A necessidade, o vácuo na Terra, é preenchida assim que se forma. Pelo o que eu apreendi com as andanças de prancha embaixo do braço, duas ondas não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo assim como a concepção do Nada é muito pouco tangível e até improvável.

 

A Ausência parece grande, mas é uma grande ilusão. A Completude também. Eu sei porque vi de tudo nas escuridões das trilhas. O que fará com que este vazio seja ocupado pelos valores que fizeram a gênese do surf e por mais Homens que sintam ao invés dos que só pensam?

 

Nós somos uma só entidade corpórea nesta Terra. Compartilhamos a gravidade no plano físico, assim como compartilhamos a mente no inconsciente coletivo. Somos UM só. A cada desequilíbrio todos sofrem.

 

Vamos trabalhar para a cura da nossa Unidade humana não privilegiando nenhuma área, mas dando voz a todas. Aceitando que o outro é o nosso complemento da mesma maneira que a nossa sílaba perdida é encontrada e acolhida pelo amigo distante, que a completa com sua voz.

 

Enquanto a alma sem corpo é apenas uma luz difusa contra o céu, o corpo sem alma não é nada. Não estaria na hora de unir as partes?

 

Vou indo, ouvi dizer que uma ondulação de 8/10 pés está caminhando em direção à costa oeste da África. Já pressinto o seu movimento. Se eu conseguir me alinhar com o seu ritmo estarei em sintonia, se eu puder fazer com que meus pensamentos descansem, estarei salvo”.

 

Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.