
Após sua chegada no Rio de Janeiro, há 5 anos, o cearense Heitor Alves, 21, conseguiu projeção nacional e, como todo atleta nordestino, direcionou sua carreira para o Sudeste do país com o mesmo objetivo: buscar melhores oportunidades em uma das regiões mais concorridas do país.
Local da praia do Náutico, em Fortaleza, sempre foi uma das promessas locais do esporte. Depois de conquistar os títulos de vice-campeão nordestino Mirim em 1999 e vice-campeão brasileiro amador na categoria Open em 2002, conseguiu o maior feito de sua carreira – o título carioca profissional, justamente na principal etapa do Super Trials, o Rip Curl Rio Pro, realizado na Barra da Tijuca, onde Alves ficou com o vice-campeonato.
Liderando o circuito, Heitor precisava apenas passar pelas quartas-de-final da competição para se tornar campeão carioca e, depois da derrota de seus principais adversários, André Gioranelli e Leonel de Brizola, conseguiu alcançar o tão sonhado objetivo.

Além do título, foi premiado com a melhor onda da competição, quando marcou 9,5 pontos. “O primeiro título a gente nunca esquece. Estou muito feliz, já que na região do Ceará nunca tive muitas oportunidades. Assim que cheguei no Rio de Janeiro as chances foram aparecendo. Meu primeiro patrocinador foi o Simon, meu atual shaper. E no decorrer dos resultados como amador fui conseguindo outros apoios. Cheguei no campeonato com a intenção de me tornar campeão carioca. Fui competir na etapa anterior do Super Trials, no Guarujá, e fui derrotado em minha primeira bateria. Assim que comecei a competir no Rip Curl Rio Pro estava ansioso para ter um bom resultado, estava determinado”, conta.
Na final, competiu contra o baiano Cristiano Spirro, o carioca Anselmo Correia e um de seus ídolos, o cearense Fábio Silva. Com o vice-campeonato, Heitor está ocupando a segunda posição no ranking do Super Trials – divisão de acesso para o SuperSurf.
Treinando nos principais picos cariocas, o atleta pratica musculação diariamente e natação duas vezes por semana com um trabalho específico, visando a parte tática, técnica e psicológica.

Com uma rotina disciplinada de treinamentos, serve como exemplo para vários surfistas que já o consideram um ídolo. “Faço esse treinamento visando uma melhor condição física e um maior preparo. Hoje em dia a galera está muito competitiva e o treinamento é essencial para se dar bem nas competições”, explica.
De acordo com as estatísticas dos circuitos, os atletas nordestinos estão em melhores condições que os demais. Na maioria das competições estão sempre figurando entre os primeiros colocados. Segundo o próprio Heitor, esse fato se deve ao esforço e a responsabilidade de criar uma carreira mais sólida, além de buscar uma vida melhor.
Em seu Estado existem excelentes surfistas que poderiam estar competindo nos principais eventos nacionais, porém, ficam esquecidos por não conseguirem um patrocinador que acredite e incentive seus talentos.

“A dedicação dos surfistas nordestinos é enorme, todos são muito unidos e todos se ajudam. Eles querem ter sucesso e estão chegando na região Sudeste para conseguir bons resultados. Estamos liderando a maioria dos circuitos e categorias, a vontade de vencer é maior que todos os obstáculos”.
Mesmo tendo uma associação, um dos principais problemas é a falta de organização. A ausência de competições faz com que venha a existir esse deslocamento, o êxodo para os grandes centros, onde se localizam as grandes empresas, shapers renomados, ou seja, o principal mercado de surf do país.
Os empresários da região Nordeste não investem o suficiente para dar retorno aos atletas, segundo o depoimento de vários surfistas amadores e profissionais. Algumas etapas são realizadas, no entanto, a quantia investida não se compara com os mercados dominantes do esporte como Rio de Janeiro e São Paulo.

“Os empresários não investem e poucos fazem o esforço de patrocinar um atleta. A maioria apenas quer ganhar dinheiro com o surf, mas não retorna o lucro obtido em prol do esporte, patrocinando atletas e campeonatos. Existem muitos surfistas excelentes que não possuem apoio para seguir carreira. O esporte fica prejudicado e vários surfistas ficam sem competir e são esquecidos”.
Dentre todos os surfistas radicados no Rio de Janeiro, o mais novo campeão carioca é considerado um dos grandes talentos. Com a sua habilidade para surfar e determinação, se tornará um surfista completo, além de ser uma pessoa simpática e atenciosa quando solicitado não apenas pela mídia, mas também pelos apreciadores de seu estilo, característica marcante dos surfistas nordestinos.
Faltando apenas duas etapas do Super Trials (duas competições ainda serão confirmadas em Santa Catarina, totalizando 12 eventos), com um surf veloz, aliado com manobras contemporâneas, Heitor Alves será um dos surfistas da nova geração que certamente terá sucesso na próxima temporada do SuperSurf.
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