
O bodyboarder Luis Eduardo, mais conhecido como “Dudu de Itacoatiara”, foi o campeão do Rio Super Pro Shorebreak Challenge, nesta quarta-feira, em Copacabana, Rio de Janeiro.
O campeonato foi histórico pelas disputas acirradas e por ser, com certeza, o mais perigoso evento no Brasil.
Com a interrupção do evento ontem, devido ao forte vento sul, o destino reservou o último dia da janela de espera (que durou duas semanas) como o melhor dia.
O Shorebreak mostrou de verdade suas garras e a verdadeira onda que quebra em cima da afiada bancada de pedra e mariscos.

Lucas Nogueira e Magno Oliveira tiveram que abandonar a prova por não poderem ficar mais tempo a espera das ondas, mas fica para a próxima. Com isso, Paulo César Júnior, o Juninho, tornou-se o mais novo campeão carioca. Parabéns Juninho, você merece esse título mais do que ninguém!.
Nesta quarta o Shorebreak não decepcionou. O check-in foi feito às 6 horas da manhã. A cara do mar era outra, ondulação de sudeste, vento terral e séries com até 2 metros em todo litoral do Rio de Janeiro.
As condições estavam animais! O Posto 5 estava de gala e tinha algumas séries sorrisando (quando o mar sobe no Rio, no posto 5 quebra

(no meio do mar) uma onda chamada de Sorriso).
O barco saiu às 7:30 horas da Urca e quando estávamos saindo da Baia de Guanabara, a pressão era enorme, com ondulações lambendo o barco e deixando todos apreensivos com o que estava por vir.
Chegando na linha do Shore, as séries estavam enormes no baixio (Sorriso), parecendo uma máquina de lavar. O Shore estava ao mesmo tempo assustador e bonito. Foi a hora crítica, o barco quase virou e pensamos até em voltar.
Mas, o grande capitão do barco, Bruno Maguella e seu parceiro Marquinho mandaram muito bem
e conseguiram contornar o que foi uma das

maiores tensões do dia.
O dia estava nublado e sombrio quando Leo Leite e Alexandre Cruz, o Boquinha, foram para a sétima bateria das oitavas de final. Foi nesse momento que rolou uma das maiores ondas do dia. Boquinha voou alto e tirou um tubaço. Leo vacou nas grandes. A ondulação ainda não tinha acertado e estava realmente crítico.
Logo depois, veio a máquina Pablo Rodrigo, botando para baixo e extrapolando nas manobras. Não teve medo de nada, deixando o excelente amador Erik Perp para trás.
As quartas-de-final começaram com o bicho

pegando. O mar continuava se acertando, ficando sem vento e o sol brilhando em Copacabana. Dudu continuou pegando as maiores e arriscando tudo. Impressionou a todos com vacas homéricas. Passou para a semifinal e deixou um competente Marcus “Jaca” Vinícius com a quinta colocação do evento.
Depois chegou a vez de Giuliano Lara e Guilherme Tâmega. O bicho pegou em uma das baterias mais disputadas do campeonato. Giu buscava os tubos e fez a melhor onda da bateria, pegou um tubão e saiu de rollo. Mas GT voou alto em dois ARS, bem no crítico e levou.
A terceira bateria foi entre o amador local e

morador do Morro do Pavãozinho, Jefferson Oliveira, o Jeffinho, que com conhecimento do pico na mão, dropou lá de trás e tirou tubos muito profundos.
Ele quase beijou a pedra em uma onda que vacou muito no crítico. Boquinha não conseguiu achar as mesmas ondas da bateria anterior e errou manobras fundamentais para o somatório final.
A última bateria das quartas foi, sem dúvida, a melhor bateria do campeonato. E rolou entre dois amigos que conhecem bem o Shore, o local Fábio Cunha – que levou o troféu de melhor tubo do campeonato – e o guerreiro Pablo Rodrigo.

Foi impressionante! Os dois botaram para baixo e não tiveram medo de nada. Pablo fez uma onda de rollo, tubo e outro rollo.
Teve outra de tubo e back flip. Fábio não queria saber do perigo e se jogava com tudo. Foi quando Pablo mandou um back flip em cima da pedra, sem água nenhuma embaixo, virando a bateria. E faltando pouco mais de um minuto, Fábio pegou uma das maiores, seca e lá de trás do pico… andou cerca de três segundos dentro do tubo, mas não saiu.
Nas semifinais o mar continuava punk. Na água estavam dois dos maiores big riders do mundo.

GT, que dispensa apresentações, hexacampeão mundial, primeiro 10 unânime em Pipeline e
tudo que todos sabem sobre o maior mito do bodyboard mundial: um louco varrido!
O outro, local de Itacoatiara, é uma referência no quesito se jogar e não ter medo do mar, Dudu “Pedra”. E foi nas pedras que ele quase se arrebentou, pois dropou as fechadas, as abertas, as muito rasas. Quem estava por lá e viu as vacas do Dudu sabe do que estou falando.
A bateria começou animal, com GT voando em um ARS. Dudu deu o troco tirando um tubão

saindo de rollo. Tâmega ainda errou um outro ARS e não saiu de um tubo.
Buscava uma segunda onda, pois tinha visto o Dudu mandar um ARS animal. Mas as ondas do Dudu eram maiores e no crítico. Por ironia do destino, GT – que já havia pego suas dez ondas – dropou uma da série no final e mandou um ARS muito alto e no crítico. Mas a onda não valeu, o destino estava se definindo.
Na segunda semifinal, Pablo Rodrigo estava bem à vontade. Jeffinho não se encontrou na bateria, escolheu mal as ondas e parecia conformado com o resultado. Pablo vinha mordendo tudo e botando pressão, agrediu o lip

sem pena, com combinações fortes de tubos e back flips, determinando sua ida pra final.
O grande confronto não poderia ser melhor, Dudu abriu a bateria tomando uma vaca, Pablo começou com um tubo regular. Foi quando começou o show dos dois. Depois de algumas ondas boas, começaram a mostrar a que vieram.
Pablo pegou uma craca e sem medo nenhum mandou um backflip monstro em cima da mesa, totalmente envergado e mostrando o fundo da prancha. Com essa manobra, garantiu o prêmio de melhor onda do evento.

Dudu deu o troco tirando um tubo em uma daquelas ondas que dão medo… Com terral de frente e todos gritando no canal. Pablo vem na de trás e tira um tubo bom também. Mas errou um ARS em outra onda.
Nisso, faltando poucos minutos para o final, Dudu pega uma grande, acelera tudo e explode o lip em um ARS animal. Pablo viu a manobra e sabia que precisava de outra onda excelente. Nessa, Dudu ainda tirou um tubo sem as mãos!
A onda salvadora não veio e Pablo não conseguiu virar a bateria. Mas ele estava satisfeito, fez um grande campeonato, valorizando muito a vitória deste casca-grossa

chamado Luis Eduardo.
E foi impressionante a disposição e garra de todos os participantes, desde as primeiras baterias. Todos se arriscaram nas afiadas “navalhas” do Shorebreak e ainda bem que não tivemos nenhum acidente sério. O que não faltou foi oportunidade. Rolaram muitas dificuldades para a realização desse evento e graças a Deus fomos brindados no final com muito sucesso.
Quero agradecer a todos os atletas que competiram: vocês são o show!

A galera do barco, Bruno, Marquinho e seu Zé, ao salva-vidas Rodriguinho, que ficou no suporte. Ao Comando Geral do Forte de Copacabana, aos juízes, Marcelo “Ligadinho ” e Rodrigo, vocês foram perfeitos.
Ao Vina, um campeonato com o Vina presente tem outra dimensão. É mais sério, mais profissional. Ele é simplesmente o melhor beach marshal do mundo, trabalhar com ele é um prazer.
Ao Flávio Brito, um dos grandes responsáveis pela realização deste campeonato. Ao Paulo de Castro, Gustavinho e Renato, pelas imagens. Vocês arrebentaram dentro dágua.

Agradecer também a FEBBERJ (Federação de Bodyboard do Estado do Rio de Janeiro) e ao Cobra pelo apoio, a Secretaria de Esportes do Rio de Janeiro, a todos os órgãos oficiais e toda imprensa que se dispôs.
Parabéns a todos que ajudaram a fazer deste evento, um dos maiores e mais importantes dos últimos tempos no Brasil. Todos saímos vencedores. O Bodyboard saiu vencedor.
Resultados
Rio Super Pro Shorebreak Challenge:
1 Luis Eduardo
2 Pablo Rodrigo
3 Guilherme Tâmega
3 Jefferson Oliveira
5 Alexandre Cruz
5 Fabio Cunha
5 Marcus Vinicius
5 Giuliano Lara
Melhor onda – Pablo Rodrigo
Melhor tubo – Fabio Cunha
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