Poluição marinha

Autópsia de botos revela realidade

A triste e preocupante realidade que a autópsia de um boto revela sobre poluição marinha.
A autópsia dos botos encalhados revela o quanto esses animais podem refletir seu ambiente marinho

Quando os nossos sentidos são forçados até o limite, podemos começar a valorizá-los muito mais. Mas certamente não somos os únicos seres que dependem de diversos sentidos. Os animais marinhos dependem deles para se comunicar, navegar, alimentar, ouvir e detectar perigos.

É difícil para nós imaginar como as criaturas marinhas interagem no seu mundo. O que sabemos é que o quadro é complexo e os impactos causados pelos seres humanos causam ainda mais dificuldades.

A poluição é onipresente, mas não é homogênea. Existe a exploração de petróleo e gás no leito marinho, além de exercícios militares, aumento do tráfego marítimo e a ameaça relativamente nova da mineração em águas profundas.

Acrescente-se o fluxo de esgoto e os resíduos industriais e agrícolas e teremos um ambiente marinho mais movimentado, barulhento e poluído. Que riscos ocultos tudo isso traz para a vida marinha?

Como voluntária para cuidar de encalhes de animais marinhos para o Devon Wildlife Trust, no sudoeste da Inglaterra, recebo frequentes pedidos para tirar fotos e medidas de mamíferos marinhos encalhados no litoral da minha região.

Às vezes, existem ferimentos visíveis, marcas de dentes, talvez de ataques de golfinhos-nariz-de-garrafa, longos cortes retos na pele causados por linhas de pesca ou, às vezes, um corte limpo na cauda por captura acidental. Mas, na maioria dos casos, é difícil identificar a real causa da morte.

Uma equipe especializada de cientistas encarregou-se da missão de descobrir mais sobre os impactos causados pelos seres humanos sobre as populações de botos, baleias e golfinhos no Reino Unido.

E, para aprender mais sobre a sua pesquisa, visitei Rob Deaville, cientista que estuda encalhes de animais no Programa de Pesquisa sobre Encalhes de Cetáceos do Reino Unido. Todos os anos, Deaville disseca cerca de 150 botos, baleias e golfinhos encalhados para descobrir a possível causa das suas mortes.

“Em alguns casos, pode ser muito evidente, como captura acidental, choques com navios, focas-cinzentas predadoras, ataques de golfinhos-nariz-de-garrafa. Estas causas de morte são bastante óbvias”, explica ele.

“Mas, mesmo em alto nível, a poluição não é necessariamente a causa da morte de um animal, é mais questão de associação”, segundo Deaville. “Você olha por um buraco de fechadura para um aspecto, no que eu chamo de desfecho terminal, e então tenta olhar para trás para ver quais foram as experiências daquele animal ao longo da vida.”

“Alta poluição sonora ou caça limitada, mudanças climáticas, poluição química – tudo isso causa impactos e é difícil separá-las de qualquer pressão individual isolada”, ele conta.

Observar Deaville abrir um boto foi uma aula de biologia fascinante. Mas, mais do que isso, foi possível destacar como aquelas criaturas podem refletir seu ambiente marinho e como elas vivem naquele ambiente.

Dos vermes parasitas abrigados nos pulmões, intestinos e fígado até os delicados ossos de peixe encontrados em um dos seus três estômagos, todas as indicações são valiosas.

Mas Deaville conta que o mais importante é a amostra daquela camada de gordura que fica logo abaixo da pele. Ele a corta desde a base da barbatana dorsal. A gordura tem cerca de 2,5 cm de espessura e serve de registro de substâncias.

Deaville irá enviar a amostra para especialistas em toxicologia, que analisarão os poluentes. Essa análise ajuda a formar um quadro de alguns dos impactos menos visíveis que podem afetar a vida marinha e possivelmente contribuir para a morte dos animais.

Comecei a pesquisar como as formas menos visíveis de poluição de origem humana, tanto química quanto acústica, podem afetar os sentidos e a sobrevivência dos botos, golfinhos e baleias. E descobri que há muitas coisas acontecendo sob as ondas.

“Para as baleias e os golfinhos, ouvir é tão importante quanto ver para os seres humanos, pois eles vivem em um mundo de água e som”, afirma Danny Groves, gerente de comunicações da organização sem fins lucrativos Whale and Dolphin Conservation. Ele acrescenta que os impactos dos distúrbios de origem humana sobre os cetáceos são “imensos”.

“A poluição sonora ameaça as populações de baleias e golfinhos, interrompendo seu comportamento normal, afastando-os das regiões importantes para sua sobrevivência [para reproduzir-se, socializar e alimentar-se], chegando a feri-los ou até causar a sua morte”, afirma ele.

Impactos naturais, como raios e terremotos, também causam grandes ruídos súbitos, mas tendem a ser mais intermitentes.

Os cetáceos com dentes – um grupo que inclui desde os narvais e as jubartes até os botos e golfinhos – caçam usando a ecolocalização ou biossonar. Eles ouvem faixas de altas frequências. Já as baleias de barbas ouvem em frequências mais baixas e, por isso, podem ser mais afetadas pelos ruídos da navegação.

E existem mais questões sobre o som além dos ruídos. A professora Joy Reidenberg, que estuda a anatomia das baleias na Faculdade Monte Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos, explica que o som age como onda de pressão.

“Em qualquer lugar do corpo onde há espaços que contêm ar, eles podem comprimir-se e expandir-se enquanto a baleia mergulha e vem à superfície. Mas, se os tecidos não conseguirem se deformar adequadamente, eles irão se romper”, explica ela.

Sondagens sísmicas, usadas para identificar depósitos de petróleo e gás no leito marinho, são explosões sonoras altas e incrivelmente incômodas.

“Tenho certeza de que a baleia sentiria aquilo como uma onda de pressão que se move através do seu corpo e também como um som que ela pode ouvir”, afirma Reidenberg.

“Por isso, existe um aspecto táctil na audição que muitas vezes menosprezamos.”

Não se sabe o quanto dessa pressão é sentida pela pele.

A quimiorrecepção, que engloba o olfato e o paladar, também pode desempenhar papel importante. Reidenberg explica que as baleias de barbas possivelmente podem cheirar, enquanto algumas baleias têm receptores de sabor na língua, mas ainda não está claro exatamente o que elas detectam.

“Elas tendem a engolir presas inteiras, de forma que talvez sintam o sabor da água para detectar quando se aproximam da caça ou verificar a salinidade, o que pode ajudá-las a navegar”, afirma ela.

“É até possível que os narvais possam sentir a salinidade pelos poros sensíveis na sua presa – o que pode ser um sentido muito importante.”

A visão dos cetáceos é “muito melhor do que esperávamos”, segundo Reidenberg, embora algumas espécies dependam mais dela do que outras.

Os golfinhos dos rios Ganges e Indo são funcionalmente cegos, pois seu habitat turvo não exige que eles enxerguem. Já as orcas pulam para fora d’água para espionar enquanto caçam focas e sua visão é relativamente boa.

Pesquisas indicam que todos esses sentidos estão sendo prejudicados pela atividade humana. Para as baleias, botos e golfinhos, a poluição química e acústica afeta o funcionamento dos seus corpos de diversas formas.

Alguns efeitos são agudos e imediatos, enquanto outros são mais crônicos e de longo prazo. Além de prejudicar os sentidos e sua capacidade de comunicar-se, a poluição marinha pode reduzir sua fertilidade e enfraquecer seus sistemas imunológicos.

Thomas Goetz, especialista em bioacústica da Universidade St. Andrews, na Escócia, estuda como os animais marinhos são afetados pelos ruídos humanos e como o som pode ser usado para evitar que os animais sejam prejudicados. Ele explica que o contexto é a chave.

“Para realmente entender os efeitos de um poluente, você precisa entender de fato a fisiologia do animal, dos sistemas sensoriais de cada espécie”, segundo Goetz. Cada poluente no habitat de um cetáceo pode ter efeitos diferentes.

“Infelizmente, não podemos deixar de observar detalhadamente e aceitar sua complexidade… porque talvez eles tenham evoluído órgãos sensoriais muito diferentes e suas percepções de mundo sejam distintas”, afirma Goetz.

A poluição sonora pode prejudicar os sons de comunicação e ecolocalização, mudar o comportamento dos animais e elevar os níveis de estresse.

Para as baleias-francas-do-atlântico-norte, o ruído de baixa frequência dos grandes navios pode resultar em aumento das substâncias relacionadas ao estresse, que causam supressão do crescimento, redução da fertilidade e mau funcionamento do sistema imunológico. Esse estresse crônico está causando impactos fisiológicos.

Ruídos impulsivos súbitos e agudos no ambiente marinho podem gerar hemorragia e trauma dos ouvidos, enquanto a exposição mais crônica a um zumbido constante em baixo nível de uma rota de navegação próxima talvez possa alterar seus padrões de comportamento e dificultar a comunicação ou a alimentação.

Os golfinhos e baleias de águas profundas também podem sofrer doença de descompressão, ou mal dos mergulhadores, quando sobem à superfície muito rapidamente. E, com o passar do tempo, surgem rasgos ou lesões no tecido interno devido à formação de bolhas de nitrogênio, mas é difícil concluir se elas se devem a causas naturais ou a ruídos de origem humana.

“Diferentes espécies são mais sensíveis ao som do que outras”, afirma Deaville, movendo-se em direção ao bico da baleia-bicuda-de-cuvier na mesa à sua frente.

“Esta é a espécie de cetáceo que mergulha mais fundo. Ela retém a respiração por cerca de três horas, mergulha até 3 mil metros em alguns casos e realmente se mantém no limite do fisiologicamente possível”, explica ele.

“Talvez por isso ela seja mais sensível aos distúrbios decorrentes dos ruídos. A maioria dos encalhes em massa causados por sonares de navegação em frequências intermediárias envolve baleias-bicudas, especialmente as baleias-bicudas-de-cuvier”, afirma Deaville. “Por isso, suspeito que, se elas mergulharem o mais profundamente possível, podem sofrer maior risco de vir à superfície rápido demais e enfrentar condições que podem ser problemáticas.”

A cientista Maria Morrel, da Universidade de Medicina Veterinária de Hanover, na Alemanha, estuda os ouvidos e ossos dos ouvidos de baleias com dentes que encalharam, como baleias-piloto. Ela está desenvolvendo um protocolo para avaliar a perda de audição das baleias.

Depois de estabilizado em formalina para preservar a amostra, Morrel analisa o ouvido com um microscópio eletrônico de varredura e observou que a perda das minúsculas células peludas e cicatrizes na membrana dentro do ouvido interno podem indicar perda da função auditiva. Mas ainda não se sabe exatamente como ocorreu a perda de audição, nem o que a causou.

Segundo Reidenberg, os pulsos de sonares militares agem como bombas sonoras e certas frequências podem causar a doença da descompressão. Mas ela acrescenta que a marinha norte-americana faz o melhor possível para proteger a vida marinha.

“O sonar passa por boa regulamentação, mas, em tempos de guerra, essas regulamentações são suspensas”, afirma ela. “A marinha concentra esforços extraordinários para marcar, rastrear e monitorar as baleias, a fim de protegê-las dos exercícios com sonares.”

Já as operações militares na Europa vêm sendo relacionadas à morte em massa de cetáceos.

Quando 85 toninhas-comuns encalharam ao longo de 100 km do litoral dinamarquês no intervalo de um mês em abril de 2005, determinou-se inicialmente que a captura acidental seria a causa da maior parte dos encalhes, devido às marcas de redes na pele e à perda de barbatanas da cauda dos animais. Os pescadores locais confirmaram que a captura acidental das toninhas foi muito maior que a habitual nas redes instaladas por eles para pescar peixes-lapa.

Mas investigações posteriores revelaram que havia navios militares na região naquela semana, a caminho de um enorme exercício naval.

O pesquisador de mamíferos marinhos Andrew Wright, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, concluiu que, embora não seja possível confirmar o uso de sonar, ele certamente não pode ser descartado como fator que contribuiu para o aumento das taxas de captura acidental.

Para ele, o sonar talvez resultasse em aumento da quantidade de cetáceos afastados pelo ruído em direção às redes, ou o distúrbio pode ter reduzido sua capacidade de detectar o equipamento de pesca fixo.

Como diz Deaville, “tudo isso se acumula em combinação”. O que evidencia ainda mais o problema – é impossível desassociar todos os efeitos.

Os pesquisadores estimam que o ruído de apenas uma mina no leito marinho pode viajar por cerca de 500 km através da d’água, em condições de tempo favoráveis. E, em lugares onde diversas minas podem estar em operação, o efeito cumulativo da poluição sonora pode ser muito maior.

Como as companhias de mineração submarina ainda não divulgaram seus dados sobre a poluição sonora, o estudo empregou níveis de ruído de setores já avaliados, como os navios da indústria de petróleo e gás e dragas costeiras, para formar estimativas “conservadoras”. Mas especialistas afirmam que o equipamento real de mineração no leito submarino é muito maior e mais poderoso do que esses modelos.

Segundo afirma uma das autoras do estudo, a professora de acústica subaquática Christine Erbe, da Universidade Curtin, na Austrália, “estimar o ruído de equipamentos e instalações futuras é um desafio, mas não precisamos esperar que as primeiras minas estejam em operação para descobrir o ruído que elas fazem. Identificando o nível de ruído na fase de projeto de engenharia, podemos nos preparar melhor para saber qual pode ser o seu impacto sobre a vida marinha.”

No Ártico, os narvais – animais de águas profundas com um dente longo e protuberante, parecendo o chifre de um unicórnio – vivem relativamente longe da atividade humana. Mas, à medida que o gelo derrete, mais rotas de navegação estão se abrindo através da região e a exploração de petróleo e gás também está crescendo.

Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram recentemente que, quando os narvais da Groenlândia foram expostos a pistolas de ar sísmico (instrumentos de pesquisa de petróleo e gás que produzem explosões sonoras de alta intensidade), eles imediatamente começam a mergulhar para baixo com rapidez, a partir da superfície.

Normalmente, eles deslizam para baixo, para conservar energia. Mas esta tática de fuga rápida afeta a quantidade de sangue e oxigênio em circulação no seu corpo. Ela também os afasta de outras ações, como alimentar-se, segundo dados coletados utilizando etiquetas de monitoramento.

Todos esses poluentes invisíveis precisam ser levados em consideração. Hanna Nuutila, pesquisadora de ecologia marinha da Universidade de Swansea, no País de Gales, afirma que é fundamental apreciar o efeito cumulativo de diferentes fatores de estresse e processos de interferência.

“A interferência é física, como as estruturas na água (incluindo todas as construções costeiras e em alto-mar, desde plataformas de petróleo e gás até pilares de parques eólicos, portos, marinas e estruturas de energia renovável), mas também móvel, como no caso de navios, balsas, petroleiros e cruzeiros de luxo”, afirma ela. Nuutila acrescenta que todas as fontes renováveis marinhas estão passando por escrutínio muito mais detalhado, em termos de impactos à vida selvagem, do que as indústrias do petróleo, gás e energia nuclear.

Nuutila destaca a necessidade de criar zonas de segurança demarcadas, livres da influência humana. A organização Marine Mammal Protected Areas Task Force conduz uma iniciativa global para criar exatamente isso, designando Áreas Importantes para os Mamíferos Marinhos.

Os principais responsáveis são os poluentes orgânicos persistentes (POPs), que não se decompõem facilmente e são lipofílicos, ou seja, eles adoram gordura. Eles acabam na gordura de botos, golfinhos e baleias.

Um contaminante particularmente tóxico que nos foi herdado – ele continua causando problemas décadas depois da sua proibição – é uma classe de 209 substâncias industriais conhecidas como bifenilas policloradas (PCBs, na sigla em inglês).

Inventadas nos anos 1920, as PCBs foram usadas na refrigeração de máquinas, produtos elétricos, retardantes de chama, tintas e vedantes de construções. Elas foram proibidas em todo o mundo há mais de 40 anos, mas ainda permanecem em aterros, de onde acabam saindo para invadir o ambiente marinho.

Rob Deaville explica por que as PCBs são tão preocupantes: “elas funcionam de duas formas. Elas prejudicam o sistema imunológico, de forma que [os animais] podem ter diversas doenças secundárias porque o [seu] sistema imunológico é basicamente abatido. E, mais traiçoeiramente, elas também prejudicam a reprodução, de forma que as populações com alta exposição às PCBs sofrerão queda da quantidade de nascimentos de animais jovens.”

“Uma população de baleias pode não ter filhotes por muito tempo, mesmo sendo reprodutivamente ativa”, afirma Deaville. “Isso será um sinal vermelho para nós e indicará possível exposição às PCBs.”

Em 2016, uma orca chamada Lulu foi encontrada morta no litoral da ilha de Tiree, a mais ocidental das Hébridas Interiores, na Escócia, depois de se emaranhar em uma rede de pesca.

O exame post-mortem do corpo do animal encontrou níveis extremamente altos de PCBs (100 vezes acima do limite de toxicidade para PCBs na gordura de mamíferos marinhos). Os cientistas concluíram que ela era um dos animais mais contaminados do planeta, em termos de concentração de PCBs.

E, ao examinar os seus ovários, os cientistas do programa escocês de estudos de encalhes marinhos não encontraram evidências de que, algum dia, ela tivesse sido reprodutivamente ativa.

Ao longo da vida de qualquer animal, a exposição a poluentes muda de um lugar para outro e com o passar do tempo. A exposição também atinge diferentes espécies em graus variáveis.

As orcas costumam viver mais tempo do que os botos, por exemplo. Por isso, elas têm mais tempo para acumular poluentes químicos no seu corpo. As orcas também se alimentam em um degrau mais alto da cadeia alimentar, de forma que elas comem peixes maiores e outros mamíferos marinhos que também contêm contaminantes.

Deaville explica que os POPs são armazenados na gordura. Quando o estado nutricional de um animal se deteriora, seja sazonalmente ou por consequência de doenças, esses contaminantes tóxicos são liberados para o sangue à medida que a camada de gordura diminui.

Substâncias tóxicas também são transmitidas para os filhotes através do leite. Por isso, a mãe pode inadvertidamente descarregar sua poluição tóxica para o primeiro filhote, às vezes causando sua morte.

A toxicóloga Rosie Williams, que trabalha com Deaville, descobriu em um estudo de 2021 que altos níveis de PCBs em amostras de gordura de 267 toninhas-comuns encalhadas foram associados à redução do tamanho dos testículos em animais machos. Esses poluentes têm impacto direto sobre a fertilidade e podem afetar o sucesso futuro na reprodução da espécie.

As PCBs também são conhecidas por suprimirem o sistema imunológico, de forma que animais com níveis mais altos de contaminantes também apresentam maior propensão a morrer de doenças infecciosas.

É claro que os mamíferos marinhos não são expostos a uma única substância de cada vez. Desde o seu início, em 1990, o Programa de Pesquisa de Encalhes de Cetáceos do Reino Unido realizou mais de 4 mil necropsias de botos, golfinhos e baleias e examinou uma ampla variedade de poluentes, desde o pesticida proibido DDT, amplamente conhecido, até resíduos de tintas anti-incrustantes e retardantes de chama acrescentados a tecidos.

“Um animal pode viver em uma área de pesca intensiva, com alto nível de captura acidental, com menos oferta de caça, altamente contaminada, com muito ruído e tudo isso acontecendo em conjunto ao mesmo tempo – é assim que o animal passa sua vida”, afirma Deaville. “O impacto é cumulativo. É algo complexo a ser enfrentado.”

No caso dos botos encalhados e dissecados em laboratório, a poluição química pode ter influenciado. Em alguns meses, os relatórios toxicológicos mostrarão mais sobre seu ônus químico específico. A questão, para Deaville e Williams, é observar mudanças de tendências que possam informar os políticos e alterar a forma de gestão dos poluentes.

Os plásticos também estão no alto da lista – um estudo de 2019 da Universidade de Exeter, na Inglaterra, estudou 50 mamíferos marinhos encalhados no litoral do Reino Unido e encontrou microplásticos em todos eles. Até o momento, os estudos sobre o impacto real dessas partículas de plástico sobre a sobrevivência dos cetáceos permanecem inconclusivos.

Especialistas afirmam que, em vez de lidar com uma ameaça de cada vez, os animais sofrem a pressão combinada de diversas formas de poluição no ambiente marinho.

Os mamíferos marinhos estão vivendo em uma “sopa de poluição”, segundo Deaville. Ele acrescenta que os efeitos são diferentes, dependendo da localização, profundidade, da estação ou do estágio de vida dos animais.

Grande parte dos danos e incômodos causados pela atividade humana é acidental e pode ser evitada, segundo o cineasta e escritor Tom Mustill, autor de um novo livro chamado How to Speak Whale (“Como falar ‘baleiês'”, em tradução livre).

Ele afirma que, com projetos diferentes e examinando como algo poderá prejudicar outros animais – especialmente baleias e golfinhos, que fazem uso de métodos sofisticados de comunicação -, podemos reduzir drasticamente essas consequências negativas.

Estabelecer limites de velocidade dos navios, por exemplo, pode reduzir drasticamente as colisões. Na costa leste dos Estados Unidos, propostas de introdução de “zonas de velocidade dinâmica” poderiam ajudar a proteger as ameaçadas baleias-francas-do-atlântico-norte em regiões onde esses mamíferos marinhos forem detectados.

Reduzir a velocidade dos navios faz com que os animais tenham mais tempo para adaptar sua navegação e reduzir o risco de serem atingidos pelos navios.

“Essa ciência que descobre como são as vidas sensoriais desses animais, como eles percebem o mundo e como eles se comunicam nos permite compreender como podemos afetá-los e alterar o nosso impacto. Isso pode ser transformador”, afirma Mustill.

Por mais angustiante que seja o exame post-mortem de um boto, cada encalhe evidentemente fornece aos cientistas informações valiosas sobre o modo de vida e a morte desses cetáceos e como nossas ações os prejudicam. A etapa seguinte é adaptar nossas estratégias e políticas, de forma a reduzir a poluição e proteger melhor a vida marinha e a saúde dos oceanos.

Fonte Anna Turs / BBC Future

 

Aviso: O Waves está implementando novas regras para os comentários postados neste fórum. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da matéria em questão. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar abaixo você concorda com nossos termos de uso.
Os comentários postados não representam a opinião do portal Waves e a responsabilidade é inteiramente do autor de cada mensagem.

0 comentários

Tem uma reclamação, sugestão ou viu algum erro? Fale direto com a equipe Waves — em vez de postar nos comentários.

    Carregando comentários…

    Poucas pessoas no mundo sobreviveram a um acidente como esse. Depois de ter o coração perfurado por um peixe-agulha enquanto surfava em Pavones, na Costa Rica, o catarinense Fabiano Duarte da Costa voltou ao Brasil e contou ao Waves como escapou da morte, enfrentou duas paradas cardíacas e por que pretende voltar ao mar. Local de Itajaí (SC), Fabiano tem uma longa relação com o mar. Além de surfar desde garoto, ele pratica natação em águas abertas e toca um clube de canoa havaiana em sua terra natal, chamado Kaikala, onde realiza travessias e participa de competições da modalidade. O catarinense conta que estava no último dia de uma barca inesquecível com 15 amigos, desfrutando das famosas esquerdas de Pavones quando sofreu o acidente que mudou sua vida. O clima era de dever cumprido após dias intensos de surfe. Ele estava tranquilamente sentado na prancha, no outside, apenas esperando a próxima série entrar, quando o impacto brutal e silencioso aconteceu. O bico rígido e afiado do peixe-agulha perfurou seu tórax com a força de um projétil. Para se ter uma ideia da gravidade do acidente, foi como se o surfista catarinense tivesse sido apunhalado no peito. “Poder abraçar o homem que literalmente fez meu coração voltar a bater foi o momento mais indescritível da minha vida” Fabiano Duarte Apesar de não ser agressivo, o peixe-agulha costuma nadar próximo à superfície e pode realizar saltos em alta velocidade, o que explica acidentes raros como esse quando cruza a trajetória de embarcações ou surfistas. Em 2024, a surfista italiana Giulia Manfrini morreu após ser atingida no peito por um peixe da mesma espécie enquanto surfava nas Ilhas Mentawai, na Indonésia. No caso de Fabiano, porém, o desfecho foi diferente graças a uma sucessão de circunstâncias que acabaram salvando sua vida. Ele teve a sorte de ter sido atendido na praia por um médico antes de ser encaminhado ao hospital, onde viria a sofrer uma parada cardíaca e precisaria ser reanimado. Fabiano conta que não se lembra de absolutamente nada do acidente. Sua última lembrança é de um cenário de pura celebração com amigos na água: “A minha memória do trauma em si apagou, o cérebro bloqueou essa parte”, relata. “A última lembrança que carrego daquele momento é a energia incrível da água, o sol baixando e a alegria de estar ali dividindo o pico com meus grandes amigos. De repente, tudo mudou”. Entre a vida e a morte, com o peito perfurado, os primeiros instantes foram cruciais para que essa história não terminasse em tragédia. A gravidade do ferimento exigia ação imediata, e foi a irmandade do surfe que entrou em cena. Seus amigos perceberam o acidente e o retiraram da água, com a ajuda de surfistas locais, em uma corrida contra o tempo. Na areia, o que se viu foi uma sucessão de milagres. Fabiano sofreu uma parada cardíaca que durou longos dois minutos. Foi nesse momento que o destino interveio: um médico alemão, que estava na praia por um acaso absoluto, assumiu os primeiros socorros e conseguiu estabilizá-lo o suficiente para o resgate. “Como eu e minha família processamos essa sorte? É algo que transcende a explicação. Ter um médico ali, de prontidão na areia, foi a pessoa certa no lugar exato. Se não fossem meus amigos me tirando da água e esse médico alemão, eu não estaria aqui para contar a história”, pondera. Mas a luta pela vida estava apenas começando. Devido à extrema gravidade da lesão no coração, Fabiano precisou ser transferido às pressas, de avião, para um hospital em San José, capital da Costa Rica. Lá, ele foi submetido a uma cardiorrafia de emergência, uma cirurgia delicadíssima para suturar o músculo cardíaco cortado pelo acidente. O procedimento foi conduzido pelo cirurgião Dr. Carlos Bolaños, que precisou massagear o coração de Fabiano diretamente com as mãos para mantê-lo batendo após outra parada cardíaca na sala de cirurgia. Fabiano conta que o médico e seus assistentes comemoram como se fosse um gol em uma partida de futebol o momento em que seu coração voltou a bater. O reencontro entre o surfista e o médico, dias depois, foi registrado em vídeo por um canal de TV e emocionou o mundo do surfe. “Se não fossem meus amigos me tirando da água e esse médico alemão, eu não estaria aqui para contar a história” Fabiano Duarte “Acordar no hospital, cheio de tubos, e entender a gravidade de tudo foi um choque imenso”, revela o catarinense. “Mas ver as imagens da minha própria cirurgia, saber que o Dr. Bolaños segurou meu coração nas mãos… Poder abraçar o homem que literalmente fez meu coração voltar a bater foi o momento mais indescritível da minha vida”, ele completa. O retorno ao mar e a nova perspectiva Hoje, de volta ao conforto de sua casa em Itajaí, Fabiano celebra cada amanhecer ao lado da esposa, Priscilla. Como educador físico e surfista de alma, o oceano sempre foi seu refúgio e seu ambiente natural. Um trauma tão raro e severo poderia afastar qualquer um da água, mas para ele, o efeito foi de profunda transformação espiritual. “O mar continua sendo minha casa. Não há mágoa com a natureza, foi uma fatalidade” Fabiano Duarte “Compreendi o valor da vida de uma forma totalmente inédita. O mar continua sendo minha casa. Não há mágoa com a natureza, foi uma fatalidade. Já existe aquela ansiedade gostosa para voltar a remar, sentir a água salgada, mas agora eu volto com uma gratidão imensa. A mensagem que deixo para a comunidade que torceu por mim é simples: celebrem cada dia, cada onda e as pessoas que estão ao seu redor. A vida é um sopro”, finaliza. Pouco tempo antes de tudo acontecer, Fabiano estava apenas sentado na prancha, esperando a próxima série entrar em uma das ondas mais icônicas da Costa Rica. Agora, depois de sobreviver a um acidente quase impossível, espera ansiosamente pela próxima oportunidade de voltar ao mar, desta vez com uma perspectiva completamente diferente sobre a vida.

    Brasileiro conta como sobreviveu após ter o coração perfurado por um peixe-agulha enquanto surfava na Costa Rica.

    Yago Dora é o campeão do Vivo Rio Pro 2026. O brasileiro derrotou o italiano Leonardo Fioravanti em uma final acirrada, impulsionado pela forte presença da torcida que lotou as areias de Itaúna, mesmo debaixo de chuva e frio. Com mar balançado e ondas com cerca de um metro e meio nas séries, Fioravanti, que chegou à decisão já com o status de novo líder do ranking mundial, repetiu a estratégia da semifinal. O italiano impôs um ritmo forte logo no início da disputa, enquanto Yago optou por ser mais paciente e seletivo na escolha de suas ondas. A tática de Fioravanti rendeu frutos iniciais, deixando-o com um somatório provisório de 8.17 (notas 5.67 e 2.50). No entanto, aos 13 minutos de bateria, Yago Dora encontrou a rampa perfeita, executou um lindo aéreo rodando e levantou a praia ao arrancar um excelente 8.50 dos juízes. Minutos depois, já na metade do confronto, o brasileiro voou novamente. Com outro aéreo bem executado, recebeu um 6.50 e fechou seu somatório em imbatíveis 15.00 pontos. Pressionado, Fioravanti passou a precisar de 9.33 para assumir a liderança. A cinco minutos do fim, o italiano arriscou um ótimo aéreo (sem rotação completa) e diminuiu a diferença com um 7.50. Nos instantes finais, ele precisava de um 7.51 para a virada, mas o mar não colaborou e ele não conseguiu surfar mais nenhuma onda, selando a vitória e o título de Yago Dora pelo placar final de 15.00 a 13.37. Com esse resultado, Yago pulou para o segundo lugar na classificação geral do CT, ficando atrás somente de Fioravanti. Italo Ferreira agora cai para a terceira posição, enquanto Gabriel Medina, eliminado na estreia em Saquarema, ocupa o quarto lugar, seguido por Miguel e Samuel Pupo. Na final feminina, a norte-americana Sawyer Lindblad superou o “fenômeno francês” Tya Zebrowski com duas ondas de pontuações ligeiramente superiores (3.90 e 3.77), fechando seu somatório em 7.67 pontos. Lidando com condições difíceis no mar durante a bateria, Zebrowski lutou bastante e surfou um número muito maior de ondas que sua adversária, em uma tentativa incessante de reverter o placar. No entanto, Tya teve que se contentar com uma pontuação total de 6.10 (3.47 e 2.63) em suas duas melhores apresentações. O esforço não foi suficiente para garantir sua primeira vitória no Championship Tour aos 15 anos de idade, feito que teria estabelecido um recorde histórico da categoria. Adotando uma postura mais estratégica, Sawyer Lindblad vibrou muito com a conquista de sua primeira vitória na carreira no CT. Com o resultado, a surfista norte-americana dá um salto importante e assume a terceira colocação no ranking mundial feminino. Semifinais masculinas A primeira bateria a entrar na água foi a semifinal entre João Chianca e Leo Fioravanti. O italiano abriu o confronto em um ritmo forte, surfando quatro ondas em menos de 10 minutos. Nas três primeiras tentativas, garantiu um 7.00 como sua melhor nota. Na sequência, apostou em um aéreo reverse e arrancou um 6.00 dos juízes. Com isso, Fioravanti pôde se dar ao luxo de descartar um 4.00 e um 5.17, enquanto o brasileiro somava apenas 3.00 pontos naquele momento. Chianca tentou reagir restando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da bateria. Depois de aumentar sua nota de descarte para 3.67, o brasileiro pegou uma onda intermediária e executou três rasgadas expressivas para anotar 6.27. Com isso, passou a precisar de um 6.74 para a virada. A poucos minutos do fim, ele arriscou em uma onda com pouco potencial e recebeu apenas um 3.83, pontuação insuficiente para reverter o placar. Com a classificação para a final, Fioravanti garantiu 7.800 pontos e chegou a 33.930 no total, ultrapassando Italo Ferreira (que caiu nas oitavas de final e soma 33.845) e assumindo a liderança do ranking do CT. Vindo de um título inédito em El Salvador, o italiano mostrava grande inspiração na busca pela segunda conquista de sua carreira. O grande obstáculo, no entanto, seria Yago Dora, que chegou à final igualmente embalado após derrotar o australiano Ethan Ewing na outra semifinal com um placar confortável de 14.30 contra 11.67. Isso sem mencionar o forte apoio da torcida brasileira. Quartas de final masculino e semifinais feminino Após uma pausa no domingo, o Vivo Rio Pro retornou à ação na segunda-feira (22) para o seu terceiro dia de competições. Ao longo do dia, a Praia de Itaúna viu definidas as finalistas da categoria feminina e os semifinalistas do masculino, deixando o palco pronto para o aguardado “Finals Day”. A previsão se mostrou muito melhor do que o esperado logo nas primeiras horas. O dia começou com ondas limpas com pouco mais de um metro e meio, permitindo um surfe de alta performance. No entanto, com o passar das horas, o mar perdeu força e as séries ficaram escassas, forçando a organização a paralisar o evento e adiar as baterias decisivas para o próximo chamado. Impulsionado pela energia vibrante da areia, o herói local João Chianca encontrou total sintonia com o oceano. Ele surfou duas excelentes ondas em sequência para colocar a pressão sobre o australiano Morgan Cibilic, que embora tenha surfado a melhor onda da bateria, não foi o suficiente para alcançar o somatório do brasileiro, que garantiu sua primeira semifinal da temporada. O atual campeão do evento, Yago Dora, protagonizou um duelo eletrizante e de notas excelentes contra o compatriota Miguel Pupo. Em uma troca crucial, Pupo arrancou um 8.00 dos juízes, mas Dora respondeu na onda seguinte com um brilhante ataque de frontside que lhe rendeu um 8.50, selando sua classificação para a semifinal. Dora enfrentaria o australiano Ethan Ewing, que virou sua bateria contra Kauli Vaast nos segundos finais, reeditando a grande final do Vivo Rio Pro de 2023. O italiano Leonardo Fioravanti manteve o embalo de sua vitória em El Salvador e frustrou a torcida local ao eliminar Samuel Pupo na primeira bateria do dia. Fioravanti adotou a estratégia de começar forte e manter o ritmo, construindo uma estratégia que Pupo não conseguiu reverter antes do tempo esgotar. Com o melhor

    Etapa brasileira do Championship Tour termina com vitória de Yago Dora. Sawyer Lindblad vence entre as mulheres e Leonardo Fioravanti assume liderança do ranking mundial da WSL, na etapa de Saquarema.

    Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, a Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Clique aqui para assistir ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Saquarema Clique aqui para conhecer a nova fase da Waves Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos na Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feita de surfista para surfista, a Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. O Vivo Rio Pro 2026 abre a janela de competições em Saquarema (RJ) nesta sexta-feira (19). Assista às baterias, compartilhe suas opiniões e participe dos debates ao vivo com outros apaixonados por surfe em nosso fórum abaixo. Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil Ano Campeão Masculino Campeã Feminina 2025 Cole Houshmand (EUA) Molly Picklum (AUS) 2024 Italo Ferreira (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2023 Yago Dora (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2022 Filipe Toledo (BRA) Carissa Moore (HAV) 2019 Filipe Toledo (BRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2018 Filipe Toledo (BRA) Stephanie Gilmore (AUS) 2017 Adriano de Souza (BRA) Tyler Wright (AUS) 2016 John John Florence (HAV) Tyler Wright (AUS) 2015 Filipe Toledo (BRA) Courtney Conlogue (EUA) 2014 Michel Bourez (FRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2013 Jordy Smith (RSA) Tyler Wright (AUS) 2012 John John Florence (HAV) Sally Fitzgibbons (AUS) 2011 Adriano de Souza (BRA) Carissa Moore (HAV) 2010 Jadson André (BRA) — 2009 Kelly Slater (EUA) — 2008 Bede Durbidge (AUS) Sally Fitzgibbons (AUS) 2007 Mick Fanning (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2006 Mick Fanning (AUS) Layne Beachley (AUS) 2005 Damien Hobgood (EUA) — 2004 Taj Burrow (AUS) — 2003 Kelly Slater (EUA) — 2002 Taj Burrow (AUS) Melanie Bartels (HAV) 2001 Trent Munro (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2000 Kalani Robb (EUA) Layne Beachley (AUS) 1999 Taj Burrow (AUS) Andrea Lopes (BRA) 1998 Peterson Rosa (BRA) Pauline Menczer (AUS) 1997 Kelly Slater (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1996 Taylor Knox (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1995 Barton Lynch (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1994 Shane Powell (AUS) Pauline Menczer (AUS) 1993 Dave Macaulay (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1992 Damien Hardman (AUS) Wendy Botha (AUS) 1991 Flavio Padaratz (BRA) — 1990 Fabio Gouveia (BRA) — 1989 Dave Macaulay (AUS) — 1988 Dave Macaulay (AUS) — 1982 Terry Richardson (AUS) — 1981 Cheyne Horan (AUS) — 1980 Joey Buran (EUA) — 1978 Cheyne Horan (AUS) — 1977 Daniel Friedmann (BRA) Margo Oberg (EUA) 1976 Pepê Lopes (BRA) — Vivo Rio Pro 2026 Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 7.00 x Lucas Chianca (BRA) 6.432 Matthew McGillivray (AFS) 11.67 x 5.13 Luke Thompson (AFS)3 Weslley Dantas (BRA) 9.67 x Seth Moniz (HAV) 9.074 Eli Hanneman (HAV) 9.17 x Oscar Berry (AUS) 6.50 Round 2 1 Jack Robinson (AUS) 14.33 x Rio Waida (IND) 12.532 Samuel Pupo (BRA) 11.07 x Alan Cleland (MEX) 8.503 Leonardo Fioravanti (ITA) 12.27 x Weslley Dantas (BRA) 11.604 Liam O’Brien (AUS) 13.93 x Jake Marshall (EUA) 10.835 Morgan Cibilic (AUS) 9.44 x Connor O’Leary (JAP) 9.306 Matthew McGillivray (AFS) 13.53 x Gabriel Medina (BRA) 13.137 João Chianca (BRA) 14.84 x Griffin Colapinto (EUA) 7.178 George Pittar (AUS) 15.00 x Joel Vaughan (AUS) 6.539 Italo Ferreira (BRA) 14.33 x Ramzi Boukhiam (MAR) 10.9710 Kauli Vaast (FRA) 13.73 x Crosby Colapinto (EUA) 11.5011 Ethan Ewing (AUS) 12.66 x Alejo Muniz (BRA) 10.3012 Kanoa Igarashi (JAP) 12.23 x Cole Houshmand (EUA) 11.7713 Yago Dora (BRA) 13.83 x Eli Hanneman (HAV) 12.9014 Marco Mignot (FRA) 12.74 x Barron Mamiya (HAV) 10.4315 Callum Robson (AUS) 14.93 x Filipe Toledo (BRA) 13.0016 Miguel Pupo (BRA) 12.97 x Mateus Herdy (BRA) 10.94 Round 3 1 Samuel Pupo (BRA) 15.84 x 9.94 Jack Robinson (AUS)2 Leonardo Fioravanti (ITA) 16.50 x 13.33 Liam O’Brien (AUS)3 Morgan Cibilic (AUS) 13.40 x 11.50 Matthew McGillivray (AFS)4 João Chianca (BRA) 14.30 x 13.26 George Pittar (AUS)5 Kauli Vaast (FRA) 14.17 x 12.87 Italo Ferreira (BRA)6 Ethan Ewing (AUS) 14.33 x 12.27 Kanoa Igarashi (JAP)7 Yago Dora (BRA) 15.00 x 10.33 Marco Mignot (FRA)8 Miguel Pupo (BRA) 14.03 x 12.17 Callum Robson (AUS) Quartas de Final 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.23 x 12.50 Samuel Pupo (BRA)2 João Chianca (BRA) 13.27 x 12.76 Morgan Cibilic (AUS)3 Ethan Ewing (AUS) 13.07 x 12.84 Kauli Vaast (FRA)4 Yago Dora (BRA) 15.67 x 13.33 Miguel Pupo (BRA) Semifinais 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.00 x 10.10 João Chianca (BRA)2 Yago Dora (BRA) 14.30 x 11.67 Ethan Ewing (AUS) Final Yago Dora (BRA) 15.00 x 13.17 Leonardo Fioravanti (ITA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 14.50 x Vahine Fierro (FRA) 7.002 Erin Brooks (CAN) 11.26 x Anat Lelior (ISR) 9.503 Nadia Erostarbe (ESP) 10.83 x Yolanda Hopkins (POR) 9.104 Isabella Nichols (AUS) 12.50 x Francisca Veselko (POR) 11.705 Tya Zebrowski (FRA) 8.67 x Stephanie Gilmore (AUS) 7.336 Brisa Hennessy (CRC) 12.00 x Alyssa Spencer (EUA) 7.167 Bella Kenworthy (EUA) 10.10 x Bettylou Sakura Johnson (HAV) 8.938 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.00 x Tyler Wright (AUS) 10.46 Round 2 1 Carissa Moore (HAV) 14.50 x Erin Brooks (CAN) 13.302 Tya Zebrowski (FRA) 14.33 x Lakey Peterson (EUA) 11.033 Nadia Erostarbe (ESP) 8.40 x Molly Picklum (AUS) 7.674 Caitlin Simmers (EUA) 15.10 x Bella Kenworthy (EUA) 13.605 Gabriela Bryan (HAV) 17.33 x Sally Fitzgibbons (AUS) 13.266 Caroline Marks (EUA) 14.00 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.007 Luana Silva (BRA) 12.47 x Isabella Nichols (AUS) 12.208 Sawyer Lindblad (EUA) 14.03 x Brisa Hennessy (CRC) 9.67 Quartas de Final 1 Tya Zebrowski (FRA) 12.70 x Carissa Moore (HAV) 7.772 Nadia Erostarbe (ESP) 15.83 x Caitlin Simmers (EUA) 12.233 Caroline Marks (EUA) 13.04 x Gabriela Bryan (HAV) 11.904 Sawyer Lindblad (EUA) 12.86 x Luana Silva (BRA) 12.26 Semifinais 1 Tya

    Atendendo a um dos pedidos mais frequentes da comunidade, a Waves traz de volta os comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial.

    A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul. Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador. Clique aqui para ver a previsão das ondas Clique aqui para participar dos debates No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa. A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, assim como Lucas Chumbo, ambos anunciados como convidados do evento. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível. Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador. Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa. Previsão das ondas Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas. A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul. Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos. Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela. Cenário Feminino Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas. Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase. Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro. Muita história em Saquarema A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas

    Palco da etapa brasileira da elite mundial, Saquarema reúne tradição, ondas icônicas, torcida única e uma premiação inédita, que pode render quase R$ 750 mil aos campeões.

    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.