Poluição marinha

Autópsia de botos revela realidade

A triste e preocupante realidade que a autópsia de um boto revela sobre poluição marinha.
A autópsia dos botos encalhados revela o quanto esses animais podem refletir seu ambiente marinho

Quando os nossos sentidos são forçados até o limite, podemos começar a valorizá-los muito mais. Mas certamente não somos os únicos seres que dependem de diversos sentidos. Os animais marinhos dependem deles para se comunicar, navegar, alimentar, ouvir e detectar perigos.

É difícil para nós imaginar como as criaturas marinhas interagem no seu mundo. O que sabemos é que o quadro é complexo e os impactos causados pelos seres humanos causam ainda mais dificuldades.

A poluição é onipresente, mas não é homogênea. Existe a exploração de petróleo e gás no leito marinho, além de exercícios militares, aumento do tráfego marítimo e a ameaça relativamente nova da mineração em águas profundas.

Acrescente-se o fluxo de esgoto e os resíduos industriais e agrícolas e teremos um ambiente marinho mais movimentado, barulhento e poluído. Que riscos ocultos tudo isso traz para a vida marinha?

Como voluntária para cuidar de encalhes de animais marinhos para o Devon Wildlife Trust, no sudoeste da Inglaterra, recebo frequentes pedidos para tirar fotos e medidas de mamíferos marinhos encalhados no litoral da minha região.

Às vezes, existem ferimentos visíveis, marcas de dentes, talvez de ataques de golfinhos-nariz-de-garrafa, longos cortes retos na pele causados por linhas de pesca ou, às vezes, um corte limpo na cauda por captura acidental. Mas, na maioria dos casos, é difícil identificar a real causa da morte.

Uma equipe especializada de cientistas encarregou-se da missão de descobrir mais sobre os impactos causados pelos seres humanos sobre as populações de botos, baleias e golfinhos no Reino Unido.

E, para aprender mais sobre a sua pesquisa, visitei Rob Deaville, cientista que estuda encalhes de animais no Programa de Pesquisa sobre Encalhes de Cetáceos do Reino Unido. Todos os anos, Deaville disseca cerca de 150 botos, baleias e golfinhos encalhados para descobrir a possível causa das suas mortes.

“Em alguns casos, pode ser muito evidente, como captura acidental, choques com navios, focas-cinzentas predadoras, ataques de golfinhos-nariz-de-garrafa. Estas causas de morte são bastante óbvias”, explica ele.

“Mas, mesmo em alto nível, a poluição não é necessariamente a causa da morte de um animal, é mais questão de associação”, segundo Deaville. “Você olha por um buraco de fechadura para um aspecto, no que eu chamo de desfecho terminal, e então tenta olhar para trás para ver quais foram as experiências daquele animal ao longo da vida.”

“Alta poluição sonora ou caça limitada, mudanças climáticas, poluição química – tudo isso causa impactos e é difícil separá-las de qualquer pressão individual isolada”, ele conta.

Observar Deaville abrir um boto foi uma aula de biologia fascinante. Mas, mais do que isso, foi possível destacar como aquelas criaturas podem refletir seu ambiente marinho e como elas vivem naquele ambiente.

Dos vermes parasitas abrigados nos pulmões, intestinos e fígado até os delicados ossos de peixe encontrados em um dos seus três estômagos, todas as indicações são valiosas.

Mas Deaville conta que o mais importante é a amostra daquela camada de gordura que fica logo abaixo da pele. Ele a corta desde a base da barbatana dorsal. A gordura tem cerca de 2,5 cm de espessura e serve de registro de substâncias.

Deaville irá enviar a amostra para especialistas em toxicologia, que analisarão os poluentes. Essa análise ajuda a formar um quadro de alguns dos impactos menos visíveis que podem afetar a vida marinha e possivelmente contribuir para a morte dos animais.

Comecei a pesquisar como as formas menos visíveis de poluição de origem humana, tanto química quanto acústica, podem afetar os sentidos e a sobrevivência dos botos, golfinhos e baleias. E descobri que há muitas coisas acontecendo sob as ondas.

“Para as baleias e os golfinhos, ouvir é tão importante quanto ver para os seres humanos, pois eles vivem em um mundo de água e som”, afirma Danny Groves, gerente de comunicações da organização sem fins lucrativos Whale and Dolphin Conservation. Ele acrescenta que os impactos dos distúrbios de origem humana sobre os cetáceos são “imensos”.

“A poluição sonora ameaça as populações de baleias e golfinhos, interrompendo seu comportamento normal, afastando-os das regiões importantes para sua sobrevivência [para reproduzir-se, socializar e alimentar-se], chegando a feri-los ou até causar a sua morte”, afirma ele.

Impactos naturais, como raios e terremotos, também causam grandes ruídos súbitos, mas tendem a ser mais intermitentes.

Os cetáceos com dentes – um grupo que inclui desde os narvais e as jubartes até os botos e golfinhos – caçam usando a ecolocalização ou biossonar. Eles ouvem faixas de altas frequências. Já as baleias de barbas ouvem em frequências mais baixas e, por isso, podem ser mais afetadas pelos ruídos da navegação.

E existem mais questões sobre o som além dos ruídos. A professora Joy Reidenberg, que estuda a anatomia das baleias na Faculdade Monte Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos, explica que o som age como onda de pressão.

“Em qualquer lugar do corpo onde há espaços que contêm ar, eles podem comprimir-se e expandir-se enquanto a baleia mergulha e vem à superfície. Mas, se os tecidos não conseguirem se deformar adequadamente, eles irão se romper”, explica ela.

Sondagens sísmicas, usadas para identificar depósitos de petróleo e gás no leito marinho, são explosões sonoras altas e incrivelmente incômodas.

“Tenho certeza de que a baleia sentiria aquilo como uma onda de pressão que se move através do seu corpo e também como um som que ela pode ouvir”, afirma Reidenberg.

“Por isso, existe um aspecto táctil na audição que muitas vezes menosprezamos.”

Não se sabe o quanto dessa pressão é sentida pela pele.

A quimiorrecepção, que engloba o olfato e o paladar, também pode desempenhar papel importante. Reidenberg explica que as baleias de barbas possivelmente podem cheirar, enquanto algumas baleias têm receptores de sabor na língua, mas ainda não está claro exatamente o que elas detectam.

“Elas tendem a engolir presas inteiras, de forma que talvez sintam o sabor da água para detectar quando se aproximam da caça ou verificar a salinidade, o que pode ajudá-las a navegar”, afirma ela.

“É até possível que os narvais possam sentir a salinidade pelos poros sensíveis na sua presa – o que pode ser um sentido muito importante.”

A visão dos cetáceos é “muito melhor do que esperávamos”, segundo Reidenberg, embora algumas espécies dependam mais dela do que outras.

Os golfinhos dos rios Ganges e Indo são funcionalmente cegos, pois seu habitat turvo não exige que eles enxerguem. Já as orcas pulam para fora d’água para espionar enquanto caçam focas e sua visão é relativamente boa.

Pesquisas indicam que todos esses sentidos estão sendo prejudicados pela atividade humana. Para as baleias, botos e golfinhos, a poluição química e acústica afeta o funcionamento dos seus corpos de diversas formas.

Alguns efeitos são agudos e imediatos, enquanto outros são mais crônicos e de longo prazo. Além de prejudicar os sentidos e sua capacidade de comunicar-se, a poluição marinha pode reduzir sua fertilidade e enfraquecer seus sistemas imunológicos.

Thomas Goetz, especialista em bioacústica da Universidade St. Andrews, na Escócia, estuda como os animais marinhos são afetados pelos ruídos humanos e como o som pode ser usado para evitar que os animais sejam prejudicados. Ele explica que o contexto é a chave.

“Para realmente entender os efeitos de um poluente, você precisa entender de fato a fisiologia do animal, dos sistemas sensoriais de cada espécie”, segundo Goetz. Cada poluente no habitat de um cetáceo pode ter efeitos diferentes.

“Infelizmente, não podemos deixar de observar detalhadamente e aceitar sua complexidade… porque talvez eles tenham evoluído órgãos sensoriais muito diferentes e suas percepções de mundo sejam distintas”, afirma Goetz.

A poluição sonora pode prejudicar os sons de comunicação e ecolocalização, mudar o comportamento dos animais e elevar os níveis de estresse.

Para as baleias-francas-do-atlântico-norte, o ruído de baixa frequência dos grandes navios pode resultar em aumento das substâncias relacionadas ao estresse, que causam supressão do crescimento, redução da fertilidade e mau funcionamento do sistema imunológico. Esse estresse crônico está causando impactos fisiológicos.

Ruídos impulsivos súbitos e agudos no ambiente marinho podem gerar hemorragia e trauma dos ouvidos, enquanto a exposição mais crônica a um zumbido constante em baixo nível de uma rota de navegação próxima talvez possa alterar seus padrões de comportamento e dificultar a comunicação ou a alimentação.

Os golfinhos e baleias de águas profundas também podem sofrer doença de descompressão, ou mal dos mergulhadores, quando sobem à superfície muito rapidamente. E, com o passar do tempo, surgem rasgos ou lesões no tecido interno devido à formação de bolhas de nitrogênio, mas é difícil concluir se elas se devem a causas naturais ou a ruídos de origem humana.

“Diferentes espécies são mais sensíveis ao som do que outras”, afirma Deaville, movendo-se em direção ao bico da baleia-bicuda-de-cuvier na mesa à sua frente.

“Esta é a espécie de cetáceo que mergulha mais fundo. Ela retém a respiração por cerca de três horas, mergulha até 3 mil metros em alguns casos e realmente se mantém no limite do fisiologicamente possível”, explica ele.

“Talvez por isso ela seja mais sensível aos distúrbios decorrentes dos ruídos. A maioria dos encalhes em massa causados por sonares de navegação em frequências intermediárias envolve baleias-bicudas, especialmente as baleias-bicudas-de-cuvier”, afirma Deaville. “Por isso, suspeito que, se elas mergulharem o mais profundamente possível, podem sofrer maior risco de vir à superfície rápido demais e enfrentar condições que podem ser problemáticas.”

A cientista Maria Morrel, da Universidade de Medicina Veterinária de Hanover, na Alemanha, estuda os ouvidos e ossos dos ouvidos de baleias com dentes que encalharam, como baleias-piloto. Ela está desenvolvendo um protocolo para avaliar a perda de audição das baleias.

Depois de estabilizado em formalina para preservar a amostra, Morrel analisa o ouvido com um microscópio eletrônico de varredura e observou que a perda das minúsculas células peludas e cicatrizes na membrana dentro do ouvido interno podem indicar perda da função auditiva. Mas ainda não se sabe exatamente como ocorreu a perda de audição, nem o que a causou.

Segundo Reidenberg, os pulsos de sonares militares agem como bombas sonoras e certas frequências podem causar a doença da descompressão. Mas ela acrescenta que a marinha norte-americana faz o melhor possível para proteger a vida marinha.

“O sonar passa por boa regulamentação, mas, em tempos de guerra, essas regulamentações são suspensas”, afirma ela. “A marinha concentra esforços extraordinários para marcar, rastrear e monitorar as baleias, a fim de protegê-las dos exercícios com sonares.”

Já as operações militares na Europa vêm sendo relacionadas à morte em massa de cetáceos.

Quando 85 toninhas-comuns encalharam ao longo de 100 km do litoral dinamarquês no intervalo de um mês em abril de 2005, determinou-se inicialmente que a captura acidental seria a causa da maior parte dos encalhes, devido às marcas de redes na pele e à perda de barbatanas da cauda dos animais. Os pescadores locais confirmaram que a captura acidental das toninhas foi muito maior que a habitual nas redes instaladas por eles para pescar peixes-lapa.

Mas investigações posteriores revelaram que havia navios militares na região naquela semana, a caminho de um enorme exercício naval.

O pesquisador de mamíferos marinhos Andrew Wright, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, concluiu que, embora não seja possível confirmar o uso de sonar, ele certamente não pode ser descartado como fator que contribuiu para o aumento das taxas de captura acidental.

Para ele, o sonar talvez resultasse em aumento da quantidade de cetáceos afastados pelo ruído em direção às redes, ou o distúrbio pode ter reduzido sua capacidade de detectar o equipamento de pesca fixo.

Como diz Deaville, “tudo isso se acumula em combinação”. O que evidencia ainda mais o problema – é impossível desassociar todos os efeitos.

Os pesquisadores estimam que o ruído de apenas uma mina no leito marinho pode viajar por cerca de 500 km através da d’água, em condições de tempo favoráveis. E, em lugares onde diversas minas podem estar em operação, o efeito cumulativo da poluição sonora pode ser muito maior.

Como as companhias de mineração submarina ainda não divulgaram seus dados sobre a poluição sonora, o estudo empregou níveis de ruído de setores já avaliados, como os navios da indústria de petróleo e gás e dragas costeiras, para formar estimativas “conservadoras”. Mas especialistas afirmam que o equipamento real de mineração no leito submarino é muito maior e mais poderoso do que esses modelos.

Segundo afirma uma das autoras do estudo, a professora de acústica subaquática Christine Erbe, da Universidade Curtin, na Austrália, “estimar o ruído de equipamentos e instalações futuras é um desafio, mas não precisamos esperar que as primeiras minas estejam em operação para descobrir o ruído que elas fazem. Identificando o nível de ruído na fase de projeto de engenharia, podemos nos preparar melhor para saber qual pode ser o seu impacto sobre a vida marinha.”

No Ártico, os narvais – animais de águas profundas com um dente longo e protuberante, parecendo o chifre de um unicórnio – vivem relativamente longe da atividade humana. Mas, à medida que o gelo derrete, mais rotas de navegação estão se abrindo através da região e a exploração de petróleo e gás também está crescendo.

Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram recentemente que, quando os narvais da Groenlândia foram expostos a pistolas de ar sísmico (instrumentos de pesquisa de petróleo e gás que produzem explosões sonoras de alta intensidade), eles imediatamente começam a mergulhar para baixo com rapidez, a partir da superfície.

Normalmente, eles deslizam para baixo, para conservar energia. Mas esta tática de fuga rápida afeta a quantidade de sangue e oxigênio em circulação no seu corpo. Ela também os afasta de outras ações, como alimentar-se, segundo dados coletados utilizando etiquetas de monitoramento.

Todos esses poluentes invisíveis precisam ser levados em consideração. Hanna Nuutila, pesquisadora de ecologia marinha da Universidade de Swansea, no País de Gales, afirma que é fundamental apreciar o efeito cumulativo de diferentes fatores de estresse e processos de interferência.

“A interferência é física, como as estruturas na água (incluindo todas as construções costeiras e em alto-mar, desde plataformas de petróleo e gás até pilares de parques eólicos, portos, marinas e estruturas de energia renovável), mas também móvel, como no caso de navios, balsas, petroleiros e cruzeiros de luxo”, afirma ela. Nuutila acrescenta que todas as fontes renováveis marinhas estão passando por escrutínio muito mais detalhado, em termos de impactos à vida selvagem, do que as indústrias do petróleo, gás e energia nuclear.

Nuutila destaca a necessidade de criar zonas de segurança demarcadas, livres da influência humana. A organização Marine Mammal Protected Areas Task Force conduz uma iniciativa global para criar exatamente isso, designando Áreas Importantes para os Mamíferos Marinhos.

Os principais responsáveis são os poluentes orgânicos persistentes (POPs), que não se decompõem facilmente e são lipofílicos, ou seja, eles adoram gordura. Eles acabam na gordura de botos, golfinhos e baleias.

Um contaminante particularmente tóxico que nos foi herdado – ele continua causando problemas décadas depois da sua proibição – é uma classe de 209 substâncias industriais conhecidas como bifenilas policloradas (PCBs, na sigla em inglês).

Inventadas nos anos 1920, as PCBs foram usadas na refrigeração de máquinas, produtos elétricos, retardantes de chama, tintas e vedantes de construções. Elas foram proibidas em todo o mundo há mais de 40 anos, mas ainda permanecem em aterros, de onde acabam saindo para invadir o ambiente marinho.

Rob Deaville explica por que as PCBs são tão preocupantes: “elas funcionam de duas formas. Elas prejudicam o sistema imunológico, de forma que [os animais] podem ter diversas doenças secundárias porque o [seu] sistema imunológico é basicamente abatido. E, mais traiçoeiramente, elas também prejudicam a reprodução, de forma que as populações com alta exposição às PCBs sofrerão queda da quantidade de nascimentos de animais jovens.”

“Uma população de baleias pode não ter filhotes por muito tempo, mesmo sendo reprodutivamente ativa”, afirma Deaville. “Isso será um sinal vermelho para nós e indicará possível exposição às PCBs.”

Em 2016, uma orca chamada Lulu foi encontrada morta no litoral da ilha de Tiree, a mais ocidental das Hébridas Interiores, na Escócia, depois de se emaranhar em uma rede de pesca.

O exame post-mortem do corpo do animal encontrou níveis extremamente altos de PCBs (100 vezes acima do limite de toxicidade para PCBs na gordura de mamíferos marinhos). Os cientistas concluíram que ela era um dos animais mais contaminados do planeta, em termos de concentração de PCBs.

E, ao examinar os seus ovários, os cientistas do programa escocês de estudos de encalhes marinhos não encontraram evidências de que, algum dia, ela tivesse sido reprodutivamente ativa.

Ao longo da vida de qualquer animal, a exposição a poluentes muda de um lugar para outro e com o passar do tempo. A exposição também atinge diferentes espécies em graus variáveis.

As orcas costumam viver mais tempo do que os botos, por exemplo. Por isso, elas têm mais tempo para acumular poluentes químicos no seu corpo. As orcas também se alimentam em um degrau mais alto da cadeia alimentar, de forma que elas comem peixes maiores e outros mamíferos marinhos que também contêm contaminantes.

Deaville explica que os POPs são armazenados na gordura. Quando o estado nutricional de um animal se deteriora, seja sazonalmente ou por consequência de doenças, esses contaminantes tóxicos são liberados para o sangue à medida que a camada de gordura diminui.

Substâncias tóxicas também são transmitidas para os filhotes através do leite. Por isso, a mãe pode inadvertidamente descarregar sua poluição tóxica para o primeiro filhote, às vezes causando sua morte.

A toxicóloga Rosie Williams, que trabalha com Deaville, descobriu em um estudo de 2021 que altos níveis de PCBs em amostras de gordura de 267 toninhas-comuns encalhadas foram associados à redução do tamanho dos testículos em animais machos. Esses poluentes têm impacto direto sobre a fertilidade e podem afetar o sucesso futuro na reprodução da espécie.

As PCBs também são conhecidas por suprimirem o sistema imunológico, de forma que animais com níveis mais altos de contaminantes também apresentam maior propensão a morrer de doenças infecciosas.

É claro que os mamíferos marinhos não são expostos a uma única substância de cada vez. Desde o seu início, em 1990, o Programa de Pesquisa de Encalhes de Cetáceos do Reino Unido realizou mais de 4 mil necropsias de botos, golfinhos e baleias e examinou uma ampla variedade de poluentes, desde o pesticida proibido DDT, amplamente conhecido, até resíduos de tintas anti-incrustantes e retardantes de chama acrescentados a tecidos.

“Um animal pode viver em uma área de pesca intensiva, com alto nível de captura acidental, com menos oferta de caça, altamente contaminada, com muito ruído e tudo isso acontecendo em conjunto ao mesmo tempo – é assim que o animal passa sua vida”, afirma Deaville. “O impacto é cumulativo. É algo complexo a ser enfrentado.”

No caso dos botos encalhados e dissecados em laboratório, a poluição química pode ter influenciado. Em alguns meses, os relatórios toxicológicos mostrarão mais sobre seu ônus químico específico. A questão, para Deaville e Williams, é observar mudanças de tendências que possam informar os políticos e alterar a forma de gestão dos poluentes.

Os plásticos também estão no alto da lista – um estudo de 2019 da Universidade de Exeter, na Inglaterra, estudou 50 mamíferos marinhos encalhados no litoral do Reino Unido e encontrou microplásticos em todos eles. Até o momento, os estudos sobre o impacto real dessas partículas de plástico sobre a sobrevivência dos cetáceos permanecem inconclusivos.

Especialistas afirmam que, em vez de lidar com uma ameaça de cada vez, os animais sofrem a pressão combinada de diversas formas de poluição no ambiente marinho.

Os mamíferos marinhos estão vivendo em uma “sopa de poluição”, segundo Deaville. Ele acrescenta que os efeitos são diferentes, dependendo da localização, profundidade, da estação ou do estágio de vida dos animais.

Grande parte dos danos e incômodos causados pela atividade humana é acidental e pode ser evitada, segundo o cineasta e escritor Tom Mustill, autor de um novo livro chamado How to Speak Whale (“Como falar ‘baleiês'”, em tradução livre).

Ele afirma que, com projetos diferentes e examinando como algo poderá prejudicar outros animais – especialmente baleias e golfinhos, que fazem uso de métodos sofisticados de comunicação -, podemos reduzir drasticamente essas consequências negativas.

Estabelecer limites de velocidade dos navios, por exemplo, pode reduzir drasticamente as colisões. Na costa leste dos Estados Unidos, propostas de introdução de “zonas de velocidade dinâmica” poderiam ajudar a proteger as ameaçadas baleias-francas-do-atlântico-norte em regiões onde esses mamíferos marinhos forem detectados.

Reduzir a velocidade dos navios faz com que os animais tenham mais tempo para adaptar sua navegação e reduzir o risco de serem atingidos pelos navios.

“Essa ciência que descobre como são as vidas sensoriais desses animais, como eles percebem o mundo e como eles se comunicam nos permite compreender como podemos afetá-los e alterar o nosso impacto. Isso pode ser transformador”, afirma Mustill.

Por mais angustiante que seja o exame post-mortem de um boto, cada encalhe evidentemente fornece aos cientistas informações valiosas sobre o modo de vida e a morte desses cetáceos e como nossas ações os prejudicam. A etapa seguinte é adaptar nossas estratégias e políticas, de forma a reduzir a poluição e proteger melhor a vida marinha e a saúde dos oceanos.

Fonte Anna Turs / BBC Future

 

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    Gabriel Medina voltou ao lugar mais alto do pódio nesta terça-feira (3), ao conquistar o Philippines Pro 2026, em Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas. O tricampeão mundial derrotou o australiano Jack Robinson por 16,93 a 14,50 e encerrou um jejum de mais de três anos sem vitórias no Championship Tour (CT). Sua última conquista havia sido em Margaret River, na Austrália, em abril de 2023. Depois de três vice-campeonatos na temporada, Medina aproveitou sua quarta final do ano para levantar a taça. O resultado também levou o brasileiro da quarta para a segunda colocação do ranking mundial, atrás do compatriota Yago Dora, a uma etapa do encerramento do circuito. A decisão foi disputada em boas ondas, com tubos profundos na bancada de Cloud 9. Jack Robinson abriu a bateria com 6,17 pontos, mas Medina respondeu com 7,50. Na metade do confronto, o brasileiro encontrou um tubo espetacular, recebeu 9,43 e deixou o australiano precisando de uma combinação de notas para assumir a liderança. Robinson reagiu e conseguiu sair da combinação, chegando a 14,50 pontos. Com a prioridade nos minutos finais, Medina administrou a vantagem e confirmou a vitória com 16,93 pontos, somando 9,43 e 7,50. O título também teve sabor de recuperação. Na etapa anterior, em Peniche, Portugal, Medina liderava a final até o último minuto, quando Griffin Colapinto conseguiu a virada e ficou com a vitória. Duelo brasileiro na semifinal Antes de enfrentar Robinson, Medina precisou superar Yago Dora em uma semifinal inteiramente brasileira. O tricampeão mundial começou forte, com uma nota 8,83, mas Yago respondeu com 7,00 e 6,50, chegando a assumir a liderança. Medina recuperou a primeira colocação ao somar 6,93 e fechou a bateria com 15,76 contra 13,50. Na outra semifinal, Jack Robinson derrotou Ethan Ewing por uma diferença de apenas 0,63 ponto. Apesar da eliminação, Yago segue na liderança do ranking mundial. Medina assume a segunda posição, enquanto Italo Ferreira, Griffin Colapinto e Miguel Pupo completam os cinco primeiros colocados. Caitlin Simmers conquista título feminino Na categoria feminina, a norte-americana Caitlin Simmers venceu o Philippines Pro ao superar a australiana Isabella Nichols por 12,00 a 10,77 na final. Simmers chegou à decisão depois de uma semifinal movimentada contra Carissa Moore. A havaiana sofreu uma penalidade por interferência, decisiva para o resultado de 9,43 a 5,67 favorável à norte-americana. Na outra semifinal, Isabella Nichols derrotou Tyler Wright por 10,17 a 7,00. Com o título, Simmers sobe para a terceira colocação do ranking feminino. Molly Picklum permanece na liderança, seguida por Carissa Moore. Decisão mundial em Pipeline A temporada 2026 do Championship Tour será encerrada em Pipeline, no Havaí, entre os dias 8 e 20 de dezembro. A etapa terá pontuação ampliada, com 15 mil pontos para os vencedores, e definirá os campeões mundiais masculino e feminino. Yago Dora chegará ao Havaí na liderança, mas terá Gabriel Medina como um de seus principais adversários na disputa pelo título. Depois de três vice-campeonatos e da vitória nas Filipinas, o tricampeão mundial mantém viva a possibilidade de conquistar sua quarta coroa. Confira mais informações em nossas próximas atualizações. Baterias do Philippines Pro Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 13,13 x 9,90 Callum Robson (AUS)2 – Seth Moniz (HAV) 12,66 x 10,33 Marco Mignot (FRA)3 – Filipe Toledo (BRA) 10,67 x 9,53 Cole Houshmand (EUA)4 – Liam O’Brien (AUS) 14,33 x 13,33 João Chianca (BRA)5 – Jack Robinson (AUS) 14,83 x 10,00 Bronson Meydi (IND)6 – George Pittar (AUS) 10,33 x 6,67 Noah Arkfeld (FIL)7 – John Mark Tokong (FIL) 16,60 x 11,00 Samuel Pupo (BRA)8 – Jayuard Alciso (FIL) 12,93 x 12,17 Kauli Vaast (FRA) Round 2 1 – Seth Moniz (HAV) 14,43 x 13,67 Italo Ferreira (BRA)2 – Jack Robinson (AUS) 13,23 x 12,60 Miguel Pupo (BRA)3 – Filipe Toledo (BRA) 14,00 x 12,33 Griffin Colapinto (EUA)4 – Ethan Ewing (AUS) 14,50 x 11,54 John Mark Tokong (FIL)5 – Yago Dora (BRA) 14,00 x 12,14 Connor O’Leary (JAP)6 – Kanoa Igarashi (JAP) 12,90 x 11,84 Jayuard Alciso (FIL)7 – Gabriel Medina (BRA) 15,23 x 14,50 Liam O’Brien (AUS)8 – George Pittar (AUS) 14,63 x 13,83 Leonardo Fioravanti (ITA) Quartas de Final 1 – Jack Robinson (AUS) 14,17 x 10,50 Seth Moniz (HAV)2 – Ethan Ewing (AUS) 17,17 x 14,93 Filipe Toledo (BRA)3 – Yago Dora (BRA) 17,37 x 9,60 Kanoa Igarashi (JAP)4 – Gabriel Medina (BRA) 12,33 x 9,17 George Pittar (AUS) Semifinais 1 – Jack Robinson (AUS) 16,63 x 16,00 Ethan Ewing (AUS)2 – Gabriel Medina (BRA) 15,76 x 13,50 Yago Dora (BRA) Final 1 – Gabriel Medina (BRA) 16,93 x 14,50 Jack Robinson (AUS) Feminino Round 1 1 – Caitlin Simmers (EUA) 15,17 x 9,00 Caroline Marks (EUA)2 – Yolanda Hopkins (POR) 10,10 x 7,00 Gabriela Bryan (HAV)3 – Luana Silva (BRA) 10,63 x 9,66 Bettylou Sakura Johnson (HAV)4 – Carissa Moore (HAV) 14,33 x 6,07 Sierra Kerr (AUS)5 – Molly Picklum (AUS) 11,50 x 4,50 Mara Lopez (FIL)6 – Isabella Nichols (AUS) 9,67 x 9,47 Lakey Peterson (EUA)7 – Tyler Wright (AUS) 11,93 x 10,64 Erin Brooks (CAN)8 – Nadia Erostarbe (ESP) 10,04 x 9,57 Sawyer Lindblad (EUA) Quartas de Final 1 – Caitlin Simmers (EUA) 10,34 x 8,33 Yolanda Hopkins (POR)2 – Carissa Moore (HAV) 13,57 x 7,83 Luana Silva (BRA)3 – Isabella Nichols (AUS) 13,50 x 2,57 Molly Picklum (AUS)4 – Tyler Wright (AUS) 13,67 x 7,93 Nadia Erostarbe (ESP) Semifinais 1 – Caitlin Simmers (EUA) 9,43 x 5,67 Carissa Moore (HAV)2 – Isabella Nichols (AUS) 10,17 x 7,00 Tyler Wright (AUS) Final 1 – Caitlin Simmers (EUA) 12,00 x 10,77 Isabella Nichols (AUS) Ranking masculino da WSL 2026 Após 11 etapas 1 – Yago Dora (BRA) – 54.950 pontos2 – Gabriel Medina (BRA) – 53.210 pontos3 – Italo Ferreira (BRA) – 49.335 pontos4 – Griffin Colapinto (EUA) – 46.195 pontos5 – Miguel Pupo (BRA) – 45.270 pontos6 – Leonardo Fioravanti (ITA) – 45.015 pontos7 – Ethan Ewing (AUS) – 41.725 pontos8 – Kanoa Igarashi (JAP) – 39.155 pontos9 – Jack Robinson (AUS) – 34.965 pontos10 –

    Gabriel Medina encerra jejum de mais de três anos sem vitórias no Circuito Mundial, conquista o Philippines Pro e chega à última etapa da temporada na segunda posição do ranking.

    A Praia de Carcavelos, em Portugal, volta a receber os melhores especialistas em tubos do mundo. A partir deste domingo (1º), começa uma nova janela de espera do Capítulo Perfeito, competição que reúne 16 surfistas convidados e será realizada em um único dia, quando as condições de mar e vento estiverem ideais. Inicialmente programada para o começo de 2026, a 12ª edição foi adiada depois que sucessivas tempestades impediram a formação das ondas desejadas pela organização. Mesmo com a extensão do prazo até 31 de março, a competição não aconteceu. Agora, a expectativa é encontrar as condições perfeitas até 15 de dezembro, com a chamada oficial anunciada 72 horas antes do evento. “Este é um evento único, marcado pela imprevisibilidade do mar e por um compromisso inegociável com a perfeição. Continuamos determinados a esperar pelo dia perfeito, que acreditamos que chegará entre novembro e dezembro”, afirma Rui Costa, organizador do Capítulo Perfeito. Brasileiros entre os convidados O Brasil terá dois representantes na competição principal. Bruno Santos, campeão do Capítulo Perfeito em 2015, retorna a Carcavelos ao lado de Anne dos Santos, primeira mulher a integrar a lista de convidados internacionais do evento. O grupo também reúne nomes consagrados do surfe mundial, como os ex-campeões mundiais Joel Parkinson e Rob Machado, além de Balaram Stack, Noah Beschen, Soli Bailey, Torrey Meister e Tosh Tudor. O norte-americano Cam Richards, vencedor da edição de 2025, retorna para defender o título. Entre os portugueses estão Nic von Rupp, Miguel Blanco e João Maria Mendonça. A última das 16 vagas será preenchida pelo Wildcard Performance, convite reservado a um surfista internacional que terá seu nome anunciado às vésperas da competição. A programação também inclui o Women Special Heat, bateria especial feminina com Camila Cardoso, Gabriela Dinis, Mafalda Lopes e Maria Salgado. Novo formato de competição Uma das principais novidades da edição de 2026 será o formato de disputa. Todos os 16 participantes competirão em duas rodadas iniciais sem eliminações, com pelo menos três participações garantidas ao longo do evento. Após as duas primeiras rodadas, os oito melhores avançam diretamente para a quarta fase. Os outros oito disputam uma repescagem, que classificará mais quatro surfistas. Na quarta rodada, os quatro melhores avançam à final, na qual o campeão será definido pela soma das duas melhores ondas. O objetivo é permitir que os participantes enfrentem diferentes condições de maré ao longo do dia, reduzindo o impacto de eventuais mudanças nas ondas. Outra novidade é que os quatro finalistas de 2026 garantirão vagas na edição de 2027. Até então, apenas o campeão recebia esse benefício. Capítulo Perfeito também chegou à Indonésia A temporada de 2026 marcou a expansão internacional do evento. Em setembro, o Capítulo Perfeito realizou uma edição em Desert Point, na ilha de Lombok, na Indonésia. O havaiano Makana Pang conquistou o título com uma nota 10 na final e 17,57 pontos no somatório, superando os brasileiros Bruno Santos e Ícaro Ronchi, além do indonésio Usman Trioko. Com a vitória, Pang garantiu um convite para disputar o Capítulo Perfeito de Carcavelos em 2027. Convidados do Capítulo Perfeito 2026 Internacionais Anne dos Santos (BRA)Balaram StackBruno Santos (BRA)Joel ParkinsonNoah BeschenRob MachadoSoli BaileyTorrey MeisterTosh Tudor Portugueses João Maria MendonçaMiguel BlancoNic von Rupp Convidados especiais Cam Richards (campeão de 2025)Pedro Boonman (escolhido pelo público)Tomás Valente (vencedor dos Trials)Wildcard Performance (a definir) Women Special Heat Camila CardosoGabriela DinisMafalda LopesMaria Salgado O Capítulo Perfeito tem como característica realizar a competição apenas quando o mar apresenta ondas grandes e tubulares, com os tubos sendo a única manobra considerada na pontuação. A organização divulgará a chamada oficial em seus canais e no site capituloperfeito.com.

    Capítulo Perfeito reúne 16 surfistas em Portugal entre 1º de novembro e 15 de dezembro. Brasileiros Bruno Santos e Anne dos Santos estão entre os convidados da 12ª edição, que estreia novo formato.

    A organização do Eddie Aikau Big Wave Invitational uma das competições mais tradicionais e prestigiadas do surfe de ondas gigantes, anunciou nesta quinta-feira (29) os convidados para a temporada 2026/27. A lista reúne 32 atletas, entre eles John John Florence, Kai Lenny, Landon McNamara, Grant Baker e Luke Shepardson. O brasileiro Lucas Chumbo Chianca está entre os alternates. Chumbo, que integrou a lista principal na temporada passada, aparece agora na nona posição entre os 20 suplentes masculinos. Caso algum dos convidados não possa participar, o brasileiro poderá ser convocado conforme a ordem de substituição estabelecida pela organização. A janela de espera do evento começa em 6 de dezembro de 2026 e segue até 4 de março de 2027, em Waimea Bay, na costa norte da ilha de Oahu, no Havaí. A tradicional cerimônia de abertura está marcada para 3 de dezembro. A tradição do The Eddie Criado em homenagem ao lendário surfista e salva-vidas havaiano Eddie Aikau, o campeonato é conhecido por suas exigências extremas. A competição só acontece quando as ondas atingem consistentemente 40 pés de face, aproximadamente 12 metros, e as condições permitem realizar todas as baterias em um único dia. Desde sua primeira edição, em 1985, o The Eddie aconteceu apenas 11 vezes. Naquele ano, a competição foi realizada em Sunset Beach, com vitória de Denton Miyamura. Em 1986, o evento passou para Waimea Bay, onde Clyde Aikau, irmão de Eddie, conquistou o título. As duas últimas edições aconteceram em dezembro de 2023 e 2024, vencidas pelos havaianos Luke Shepardson e Landon McNamara, respectivamente. Na temporada 2025/26, a organização encerrou a janela sem realizar a competição por falta de condições adequadas. A seletividade faz parte da identidade do The Eddie. Diferentemente dos campeonatos convencionais, que seguem um calendário de baterias previamente estabelecido, o evento depende inteiramente da chegada de uma ondulação excepcional a Waimea Bay. Entre os convidados desta temporada estão campeões históricos, como Bruce Irons, John John Florence e Ross Clarke-Jones, além de nomes consagrados do surfe de ondas grandes, como Billy Kemper, Mark Healey, Jamie Mitchell e Nathan Florence. O atual campeão, Landon McNamara, também está confirmado. Em dezembro de 2024, ele conquistou o título com uma apresentação que incluiu uma onda de 50 pontos, nota máxima na competição. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) O legado de Eddie Aikau Mais do que uma competição, o The Eddie celebra a memória de um dos personagens mais importantes da cultura havaiana. Eddie Aikau foi o primeiro salva-vidas de Waimea Bay e de toda a costa norte de Oahu. Ao longo de sua carreira, participou do salvamento de mais de 500 pessoas e ficou conhecido pela coragem com que enfrentava o mar em condições extremas. Em 1978, aos 31 anos, Eddie desapareceu no oceano ao sair remando em busca de ajuda para os tripulantes da canoa tradicional Hokule’a, que enfrentava dificuldades durante uma travessia entre o Havaí e o Taiti. Sua história deu origem à expressão “Eddie Would Go” (“Eddie iria”), que se tornou um símbolo de coragem, solidariedade e respeito ao oceano. A cerimônia de abertura do campeonato preserva essa tradição, reunindo familiares de Eddie Aikau, surfistas, líderes espirituais e membros da comunidade havaiana. O ritual inclui homenagens, bênçãos e um paddle out coletivo em Waimea Bay. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Convidados do Eddie Aikau Big Wave Invitational 2026/27 Aaron Gold (HAV)Annie Reickert (HAV)Ben Wilkinson (AUS)Billy Kemper (HAV)Bruce Irons (HAV)Chad Keaulana (HAV)Eala Stewart (HAV)Eli Olson (HAV)Emily Erickson (HAV)Ezekiel Lau (HAV)Felicity Palmateer (AUS)Grant Twiggy Baker (AFS)Ha’a Aikau (HAV)Ian Walsh (HAV)Jake Maki (HAV)Jamie Mitchell (AUS)Jamie O’Brien (HAV)Joey Cadiz (HAV)John John Florence (HAV)Kai Lenny (HAV)Koa Rothman (HAV)Landon McNamara (HAV)Luke Shepardson (HAV)Makua Rothman (HAV)Mark Healey (HAV)Mason Ho (HAV)Matahi Drollet (TAH)Nathan Florence (HAV)Paige Alms (HAV)Ross Clarke-Jones (AUS)Seth Moniz (HAV)Tom Lowe (ING) Suplentes masculinos (ordem de convocação) 1 – Torrey Meister (HAV)2 – Kala Grace (HAV)3 – Cliff Kapono (HAV)4 – Kaiwi Berry (HAV)5 – Russell Bierke (AUS)6 – Josh Moniz (HAV)7 – Tyler Larronde (HAV)8 – Ivan Florence (HAV)9 – Lucas Chumbo Chianca (BRA)10 – Tiger Doerner (HAV)11 – Mikey O’Shaughnessy (HAV)12 – Barron Mamiya (HAV)13 – Nic von Rupp (POR)14 – Francisco Porcella (HAV)15 – Mitch Sanborn (HAV)16 – Steve Roberson (HAV)17 – Kipp Caddy (AUS)18 – Koa Smith (HAV)19 – Isamu Sumi (JAP)20 – Jojo Roper (EUA) Suplentes femininas (ordem de convocação) 1 – Laura Enever (AUS)2 – Bianca Valenti (EUA)3 – Tiare Lawrence (HAV)4 – Makani Adric (HAV)5 – Justine Dupont (FRA) Os 11 campeões da história 1985 – Denton Miyamura (HAV)1986 – Clyde Aikau (HAV)1990 – Keone Downing (HAV)1999 – Noah Johnson (HAV)2001 – Ross Clarke-Jones (AUS)2002 – Kelly Slater (EUA)2004 – Bruce Irons (HAV)2009 – Greg Long (EUA)2016 – John John Florence (HAV)2023 – Luke Shepardson (HAV)2024 – Landon McNamara (HAV)

    Eddie Aikau Invitational divulga lista de 32 convidados para a temporada 2026/27 em Waimea Bay, no Havaí. Brasileiro Lucas Chumbo Chianca aparece entre os alternates.

    A estreia de Cloud 9 no Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL) pode acontecer em condições excepcionais, se as previsões se confirmarem. O Philippines Pro abre sua janela neste sábado (31), na ilha de Siargao, nas Filipinas, com previsão de ondas fortes e tubulares geradas pelo tufão In-fa, que atua no Pacífico, ao norte do arquipélago filipino. Clique aqui para assistir ao vivo A primeira chamada está marcada para as 20h30 desta sexta-feira (30), pelo horário de Brasília, quando já serão 7h30 de sábado nas Filipinas. A competição poderá começar meia hora depois, caso as condições sejam favoráveis. A janela segue até 10 de novembro. O tufão In-fa vem gerando ondulações de diferentes períodos e direções, com potencial para proporcionar dois pulsos de swell ao longo da primeira semana da etapa. A previsão aponta boas condições já no início da competição, seguidas por um segundo aumento mais expressivo entre terça (3) e quarta-feira (4). Tubos e ondulação em alta A expectativa é de ondas entre 1,2 e 1,5 metro de face na abertura, com aumento gradual ao longo do fim de semana. No domingo (1º), o swell de período mais longo deve favorecer a formação dos tubos que tornaram Cloud 9 mundialmente conhecida. Após uma redução temporária na segunda-feira (2), uma nova entrada de ondulação de nordeste deve ganhar força na terça (3). As maiores séries podem atingir aproximadamente 3 metros de face entre o fim de terça e as primeiras horas de quarta-feira (4). Apesar do tamanho, os dias de maior ondulação não necessariamente serão os melhores para os tubos. Cloud 9 costuma apresentar seu funcionamento mais clássico com ondas na faixa de 1,5 metro. Quando o mar cresce além disso, as ondas podem quebrar mais afastadas da bancada, reduzindo a frequência dos tubos mais profundos e constantes. O vento também será determinante. A previsão indica condições mais favoráveis no início da janela, com vento terral fraco e oportunidades de tubos limpos. Já na terça-feira, o vento maral de nordeste poderá comprometer a qualidade das ondas, justamente durante o pico da ondulação. Como a trajetória e a intensidade do tufão ainda podem mudar, a previsão permanece sujeita a alterações. Mesmo assim, o cenário é promissor para a estreia de Cloud 9 na elite mundial. Brasileiros disputam a liderança Além da expectativa pelas ondas, o Philippines Pro terá peso importante na corrida pelo título mundial de 2026. Penúltima das 12 etapas da temporada, a competição pode alterar a liderança do ranking antes da decisão em Pipeline, no Havaí. Atual campeão mundial e líder do ranking, Yago Dora chega às Filipinas com a lycra amarela e boas expectativas para sua primeira experiência em Cloud 9. O brasileiro ainda não encontrou a onda em suas melhores condições, mas já se mostrou impressionado com o potencial do pico. “É minha primeira vez aqui, mas já acho que pode se tornar um dos meus lugares favoritos. Chegamos há poucos dias, então ainda não vimos a onda em todo o seu potencial, mas dá para perceber o que ela pode oferecer. Sinto que é uma onda que combina com meu estilo de surfe, então estou confiante”, afirma Yago Dora. O brasileiro lidera o ranking, seguido por Italo Ferreira, em segundo, Griffin Colapinto, em terceiro, Gabriel Medina, em quarto, e Miguel Pupo, em quinto. O italiano Leonardo Fioravanti ocupa a sexta posição e também tem chances de assumir a liderança. O resultado nas Filipinas será especialmente importante porque a última etapa, em Pipeline, distribuirá pontuação 50% maior que as anteriores. Uma vitória em Cloud 9 vale 10 mil pontos, enquanto o campeão no Havaí receberá 15 mil. Yago fará sua estreia diretamente no Round 2, assim como Italo Ferreira, Miguel Pupo e Gabriel Medina. Filipe Toledo, João Chianca e Samuel Pupo começam a disputa no Round 1. Entre as mulheres, Luana Silva será a única representante brasileira. Atual sétima colocada do ranking, ela enfrenta a havaiana Bettylou Sakura Johnson na primeira rodada. Filipe Toledo busca resultado Bicampeão mundial, Filipe Toledo já demonstrou bom desempenho nos treinos e não esconde o entusiasmo com a estreia em Siargao. O brasileiro destacou a qualidade da onda, a receptividade dos moradores e a possibilidade de proporcionar um espetáculo ao público. Segundo Filipe, os atletas chegaram a brincar sobre a quantidade de notas 10 que poderiam surgir durante a competição, diante do potencial de Cloud 9. O brasileiro também falou abertamente sobre as dificuldades enfrentadas nesta temporada. Depois de muitos anos no circuito, reconheceu que nem sempre é fácil encontrar motivação, especialmente diante dos resultados abaixo das expectativas. A descoberta de um pico como Cloud 9, porém, trouxe um novo estímulo. “Lugares como este reacendem a chama em mim”, afirma Filipe, em declaração na coletiva de imprensa. Estrelas e convidados locais A estreia do CT em Siargao também reúne alguns dos maiores nomes do surfe mundial, como os atuais campeões Yago Dora e Molly Picklum, além de Filipe Toledo, Gabriel Medina, Caroline Marks e Carissa Moore. Os convidados locais prometem dificultar a vida dos favoritos. O filipino John Mark Tokong, especialista em Cloud 9, venceu quatro competições em nove participações no pico e enfrentará Samuel Pupo na primeira rodada. Outro destaque é o indonésio Bronson Meydi, convocado para substituir o lesionado Jake Marshall. Conhecido por seu repertório de manobras e tubos, ele estreia contra o australiano Jack Robinson. Na chave feminina, a australiana Sierra Kerr, já classificada para o CT de 2027, enfrenta a pentacampeã mundial Carissa Moore. Baterias do Philippines Pro Round 1 Masculino 1 – Connor O’Leary (JAP) x Callum Robson (AUS)2 – Marco Mignot (FRA) x Seth Moniz (HAV)3 – Cole Houshmand (EUA) x Filipe Toledo (BRA)4 – Liam O’Brien (AUS) x João Chianca (BRA)5 – Jack Robinson (AUS) x Bronson Meydi (IND)6 – George Pittar (AUS) x Noah Arkfeld (FIL)7 – Samuel Pupo (BRA) x John Mark Tokong (FIL)8 – Kauli Vaast (FRA) x Jayuard Alciso (FIL) Round 2 Masculino 1 – Italo Ferreira (BRA) x Marco Mignot (FRA) ou Seth Moniz (HAV)2 –

    Philippines Pro abre janela nas Filipinas, com previsão de ondas de até 3 metros impulsionadas pelo tufão In-fa. Confira ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    O surfe brasileiro se despede de um de seus personagens mais originais. Dávio Correia Figueiredo, o Dadá Figueiredo, morreu no último sábado (24), aos 61 anos, deixando um legado que ultrapassa as conquistas nas competições. O carioca ajudou a transformar não apenas a maneira de surfar, mas também o comportamento e a identidade de uma geração. Segundo informações de amigos próximos e familiares, Dadá estava internado para tratar uma infecção pulmonar. Reportagens posteriores apontaram complicações de uma pneumonia, mas detalhes médicos sobre as circunstâncias da morte não foram oficialmente esclarecidos. Rebelde, provocador e dono de um estilo explosivo, Dadá surgiu em uma época em que o surfe brasileiro ainda construía sua identidade competitiva. Nas décadas de 1980 e 1990, suas batidas verticais, rasgadas potentes e manobras inspiradas no skate surpreendiam o público e, muitas vezes, os próprios juízes. Enquanto muitos surfistas seguiam linhas tradicionais, Dadá buscava explorar os limites das ondas. Sua postura radical e sua personalidade irreverente fizeram dele uma referência dentro e fora da água. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Um revolucionário nas ondas Nascido no Rio de Janeiro, Dadá cresceu na Tijuca e desenvolveu uma ligação intensa com o skate antes de transportar parte dessa influência para o mar. A combinação de velocidade, explosão e movimentos verticais ajudou a antecipar características que se tornariam comuns no surfe profissional anos depois. Em janeiro de 2005, o jornalista Fabrício Fernandes publicou no Waves a reportagem “Dadá, o anti-moda”, um retrato de sua personalidade e de sua importância para o esporte. Na matéria, Fernandes descreveu como Dadá executava manobras que só ganhariam espaço no circuito mundial anos depois, citando movimentos como laybacks, re-entries e off-the-tops verticais. O jornalista também apontou sua influência sobre surfistas como Neco Padaratz, Léo Neves, Binho Nunes e Raoni Monteiro, representantes de uma geração que ajudou a consolidar o surfe brasileiro no cenário internacional. Dadá era uma atração à parte nos campeonatos. Sua presença nas baterias despertava expectativa entre os espectadores, que acompanhavam suas manobras com entusiasmo, mesmo quando o julgamento não refletia o impacto de suas apresentações. O carioca conquistou o título estadual em 1989 e venceu o Sea Club Final Heat, realizado em Saquarema, no mesmo ano. Em 1993, foi escolhido pelos leitores de uma revista especializada como o melhor freesurfer do Brasil, reconhecimento que demonstrava sua popularidade para além das competições. Embora nunca tenha conquistado o título brasileiro profissional, esteve durante cinco temporadas consecutivas entre os 16 melhores do ranking da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional). A final histórica contra Picuruta Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira aconteceu em maio de 1988, durante a final do Niasi/Tribuna FM, disputada no Canto do Maluf, na praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Dadá enfrentou Picuruta Salazar em uma bateria marcada por manobras radicais e uma decisão apertada dos cinco juízes. O santista venceu por 3 a 2, mas o resultado provocou discussões sobre os critérios de julgamento. Décadas depois, em março de 2023, o jornalista e editor Alceu Toledo Junior recuperou a história na reportagem “Picuruta 3 X 2 Dadá”, publicada no Waves. Alceu, que acompanhou a bateria da areia, contou que o equilíbrio entre os dois surfistas era tão grande que considerava o empate um resultado justo. Seu relato destaca a potência das manobras de Picuruta e a capacidade de Dadá de aproveitar as ondas desde o outside até a beira. A reportagem inclui imagens da final e preserva um capítulo importante da história do surfe brasileiro, contado por quem testemunhou a disputa. Punk, anti-moda e contracultura Fora da água, Dadá também desafiava convenções. Influenciado pelo punk rock e pelo hardcore, adotou uma estética que contrastava com o visual tradicional do universo do surfe. Cabelos ousados, roupas escuras, atitudes provocadoras e críticas ao comportamento da indústria fizeram parte de sua identidade. Dadá rejeitava padrões e fazia questão de demonstrar sua independência. Essa personalidade também se manifestou na música. Foi baixista da banda punk Os Normais e participou da criação de marcas como Anti-Fashion e Necrose Social, levando sua visão alternativa para o vestuário. Em um período de crescente profissionalização do surfe, Dadá representava uma forma diferente de viver o esporte. Suas atitudes despertavam admiração e controvérsia, mas dificilmente passavam despercebidas. Seu impacto também chegou aos novos talentos. Alexandre Almeida, o Dadazinho, recebeu uma prancha de Dadá no início da carreira e adotou o apelido em homenagem ao ídolo. O episódio foi registrado pelo Waves na reportagem “Dadazinho Almeida busca o bi no Carioca 2004”. Os desafios e a reconstrução A trajetória de Dadá também foi marcada por períodos difíceis. O abuso de álcool e drogas comprometeu sua carreira e trouxe consequências pessoais e profissionais. O próprio surfista falou abertamente sobre esses episódios em entrevistas, reconhecendo que a dependência química prejudicou seu desempenho nas competições e afastou oportunidades importantes. Em maio de 2003, o jornalista Fernando Gaspar publicou no Waves a reportagem “A luz no fim do tubo”, que acompanhou uma fase de reconstrução da vida de Dadá. O texto apresentou depoimentos sobre sua recuperação, a importância do apoio familiar e sua aproximação com a religião evangélica, que se tornou parte fundamental de sua vida. Na época, Dadá havia criado uma escola de surfe na Barra da Tijuca, com apoio de integrantes da igreja Sara Nossa Terra. O projeto começou com algumas pranchas e, segundo a reportagem de 2003, chegou a reunir cerca de 300 alunos e 12 professores. O mesmo espírito de liderança que havia marcado sua carreira competitiva passou a encontrar espaço no ensino do esporte e no trabalho com jovens. Em junho de 2007, a jornalista Monique Arruda voltou a contar parte dessa trajetória na reportagem “Dadá no comando”, quando ele assumiu a vice-presidência da Associação de Surf da Barra da Tijuca, entidade da qual havia sido um dos fundadores. Dadá defendia a valorização dos veteranos e o retorno das categorias Master aos campeonatos. Para ele, preservar a memória dos pioneiros era uma maneira de aproximar as novas gerações da história do surfe.

    Pioneiro do surf progressivo e símbolo da contracultura, carioca Dadá Figueiredo morreu no último sábado (24), ao enfrentar uma pneumonia. Sua trajetória foi marcada por talento, rebeldia e superação.

    O Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS) recebe, a partir das 15h deste sábado (31), o primeiro encontro do Naborda Film Festival – Melhores do Ano 2026. A abertura terá uma exposição com 60 fotografias de surfe produzidas por profissionais de diferentes regiões do Brasil, além de sessões de curtas-metragens documentais, exposição de pranchas e apresentações musicais. Idealizado por Bruno Espósito e Dêmi Viola, o festival promove três meses de atividades dedicadas à cultura do surfe e do oceano, reunindo fotógrafos, cineastas, artistas e apaixonados pelo esporte. A proposta é dar visibilidade à produção artística ligada ao mar e reconhecer os melhores trabalhos do ano. A edição de 2026 contará com quatro encontros em diferentes espaços culturais de Santos. Cada etapa dará destaque a uma linguagem artística, começando pela fotografia em outubro, passando pelas artes visuais em novembro e chegando ao cinema em dezembro. Programação do Naborda 2026 31 de outubro – Fotografia: A abertura acontece no MISS, localizado no térreo do Teatro Municipal Brás Cubas, com exposição de 60 fotografias de surfe, exibição de curtas-metragens, mostra de pranchas e música ao vivo. 29 de novembro – Artes: O Cine Arte Posto 4, cinema localizado em frente ao mar, recebe uma exposição com trabalhos dos artistas inscritos, além de sessões de curtas, mostra de pranchas e apresentações musicais. 11 de dezembro – Curtas-metragens: O Cine Roxy será palco da exibição dos filmes finalistas em uma tela de 15 metros, acompanhada de exposições de fotografia e artes no hall do cinema. 12 de dezembro – Premiação: O encerramento acontece na Frontaria Azulejada, com a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das diferentes categorias, exposições e apresentações musicais. O Naborda Film Festival é apresentado pela Cerveja Praya, com patrocínio da South to South e Surfmappers. O evento conta com apoio do Waves, RTL FM – A Rádio Rock, Empório Bolshoi, Óculos Mandalla, Future Fins, Fuwax, Arakawa, Santa Areia Beachwear, Instituto Ecosurf e Prefeitura Municipal de Santos. Serviço – Abertura do Naborda Film Festival 2026 Data: 31 de outubro (sábado) Horário: a partir das 15h Local: Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), Teatro Municipal Brás Cubas, Santos (SP) Entrada: gratuita Instagram: @naborda_film_festival Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Naborda (@naborda_film_festival)

    Naborda Film Festival começa neste sábado (31), em Santos (SP), com entrada gratuita, exposições de fotografia, filmes e música ao vivo; programação segue até dezembro.

    Das praias ancestrais da Polinésia aos campeonatos que movimentam milhões de fãs ao redor do mundo, o surfe percorreu um longo caminho até se consolidar como um dos esportes mais populares da atualidade. No Brasil, a modalidade vive um momento de expansão impulsionado por conquistas internacionais, pelo surgimento de novos talentos e por investimentos que contribuem para o fortalecimento de toda a cadeia esportiva. Embora hoje seja um esporte global, foi no Havaí que o surfe ganhou maior notoriedade e passou a ser difundido para o restante do mundo a partir do início do século XX. A modalidade, no Brasil, começou a se popularizar entre as décadas de 1960 e 1970 e, desde então, passou por uma evolução que transformou o país em uma das principais potências da modalidade. Ao longo dos anos, o país revelou atletas capazes de conquistar títulos nas maiores competições do mundo, consolidando o movimento conhecido como “Brazilian Storm”, geração que projetou o país no circuito internacional e inspirou uma nova leva de praticantes. Dados da World Surf League (WSL) mostram que a temporada de 2025 alcançou 80 milhões de espectadores em plataformas lineares e digitais, um crescimento de 39% em relação ao ano anterior. E em 2026 os números também reforçam a consolidação do surfe profissional como um produto esportivo de alcance global. Apenas na etapa de abertura do Championship Tour, em Bells Beach, o Brasil respondeu por 43% da audiência ao vivo nos canais próprios da liga durante o Finals Day, mesmo com o fuso horário desfavorável. Os resultados acompanham uma tendência de crescimento da modalidade em escala internacional. Os títulos conquistados por atletas brasileiros refletem em como essa maré de vitória influencia no consumo do público ao surfe, posicionando cada vez mais a modalidade no mainstream esportivo. Em maio deste ano, por exemplo, Italo Ferreira conquistou o título da etapa em Raglan, na Nova Zelândia, válida pelo Championship Tour (CT) da WSL, reforçando o protagonismo brasileiro no circuito mundial e mantendo o país entre os principais candidatos aos títulos da temporada. Já Tatiana Weston-Webb, um dos principais destaques no surfe feminino, segue em uma crescente significativa. Em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, a atleta voltou com uma medalha de prata no peito e sagrou-se a primeira brasileira a receber uma medalha olímpica na modalidade. “O surfe mudou bastante e continua mudando. Atualmente as mulheres têm muito mais espaço, visibilidade e respeito dentro do esporte. Temos mulheres competindo nos mesmos palcos, com a mesma premiação, e mostrando cada vez mais que podemos estar em ondas grandes e competir em alto nível. Isso é muito importante”, explica a atleta Tatiana Weston-Webb. Nesse cenário, o apoio do Banco do Brasil tem sido um dos pilares para a evolução da modalidade no país. O BB é um dos parceiros que impulsionam esse movimento ao patrocinar atletas de destaque no circuito mundial, como Luana Silva, Tatiana Weston-Webb e Italo Ferreira, além de apoiar ações voltadas ao desenvolvimento do esporte e ao incentivo de surfistas que estão iniciando suas trajetórias nas competições. “O sucesso do surfe brasileiro é resultado de talento, dedicação e da construção de um ecossistema cada vez mais forte. O apoio de marcas, entidades esportivas e parceiros tem papel importante nesse processo, criando condições para que atletas possam se desenvolver e competir em alto nível. O Banco do Brasil acredita no esporte como ferramenta de transformação e vê no surfe uma modalidade capaz de gerar impacto positivo, promover inclusão, inspirar pessoas e fortalecer comunidades. Por isso, buscamos contribuir para o crescimento sustentável do esporte em diferentes frentes, do incentivo a atletas à realização de competições que ajudam a ampliar o alcance da modalidade no país”, afirma Larissa Novais, diretora de marketing e comunicação do Banco do Brasil. Para a empresa, investir no surfe significa contribuir para o desenvolvimento de um esporte que reúne valores como superação, disciplina, conexão com a natureza e inclusão. Além do apoio aos atletas profissionais, a marca busca incentivar a formação de novos talentos e fortalecer a comunidade do surfe brasileiro. Na Onda Com BB Mastercard Além do patrocínio aos atletas, o Banco do Brasil incentiva o público a consumir o esporte por meio de campanhas. Na promoção vigente, em parceiria com a Mastercard, o consumidor concorre a uma viagem para acompanhar a etapa de Pipeline, no Havaí, durante o Championship Tour da World Surf League (WSL), em dezembro de 2026 e a ida a uma etapa do CT 2027 que será revelada após a divulgação do calendário oficial da WSL. O regulamento completo da campanha, critérios de participação e demais informações estarão disponíveis na página oficial da campanha.

    Ascensão da Brazilian Storm marca uma nova era para modalidade e mostra como o incentivo ao esporte é fundamental para ampliar oportunidades dentro e fora das competições.

    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.