Johnny Cabianca

Os foguetes de Gabriel Medina

Confira entrevista exclusiva com Johnny Cabianca, shaper responsável pelas pranchas do tricampeão mundial Gabriel Medina.
Johnny Cabianca, sala de shape, Cabianca Surfboards

João Carlos de Abreu Cabianca, ou somente Johnny Cabianca, renomado shaper brasileiro é uma figura icônica no cenário atual do surfe mundial. Nascido em São Paulo, ele iniciou sua jornada na fabricação de pranchas em 1978, quando começou a fazer reparos. Seu talento e paixão pelo esporte o levaram a trabalhar na fábrica Summer Boards em 1980, onde desempenhou múltiplas funções em uma época em que não havia divisão clara entre shapers, laminadores, lixadores e pintores.

Atualmente residindo em Zarautz, País Basco, Espanha, ele recorda que os anos 1980 foram desafiadores, sem acesso à internet e com poucas referências. As pranchas da época eram polidas, com quilhas fixas e pintadas, exigindo muito trabalho manual e criatividade.  Cabianca descreve aquele período como os “alquimistas dos anos 1980”, experimentando e aprendendo na prática.

Em 2009 Johnny teve um divisor de águas em sua carreira ao começar a trabalhar com o tricampeão mundial de surfe, Gabriel Medina, um dos maiores talentos do surfe mundial, que à época era mais um jovem de Maresias, aspirante ao sucesso no surfe. Essa parceria impulsionou o shaper a criar modelos específicos, catálogos e a amadurecer sua abordagem frente ao mercado e à mídia.

Atualmente o shaper possui sua própria fábrica em Zarautz, na Espanha, e trabalha com diversos parceiros ao redor do mundo, como a Pró-Ilha, uma das maiores fábricas brasileiras, além de estar prestes a inaugurar uma loja na Indonésia. Na entrevista exclusiva concedida ao Waves Cabianca fala de sua relação com Gabriel Medina, assédio de outros shapers, produção, tendências, entre outros assuntos.

Fale sobre seu início na fabricação de pranchas:
Meu início profissional foi em 1978, fazendo reparos em pranchas. Dois anos depois comecei a trabalhar na Summer Boards. Nessa época eu era uma espécie de faz tudo, não tinha essa divisão entre ser shaper ou laminador. Todo mundo fazia tudo. Era uma época bem complicada porque não havia Google, não tínhamos tutorial de nada e as pranchas, praticamente todas, eram polidas, com quilhas fixas e pintadas, o que demandava ainda mais trabalho.

E como não tínhamos muitas referencias, fazíamos na raça mesmo, éramos os alquimistas dos anos 1980: era misturar e ver o que acontece. Fui levando nessa toada até o início dos anos 1990, quando comecei a fazer minhas primeiras experimentações como shaper. Fui fazendo, aprendendo, pesquisando e em 1993 comecei a trabalhar para o célebre Luciano Leão, shaper brasileiro que criou a máquina computadorizada DSD.

Trabalhei com ele até o ano 2000, quando recebi um convite para trabalhar na Europa, e daí eu comecei a ficar meio nômade na profissão, sempre mostrando meu trabalho, minha técnica e aprendendo muito sobre produção.

E foi assim que desenvolvi mais a parte do desenho e do shape em si. Depois comecei a trabalhar em grandes produções, grandes mesmo, o que me trouxe muita tarimba. Aliás, eu sempre fui um cara de produções com muito volume de pranchas, inclusive tenho alguns recordes de produção mas isso não vem ao caso. Essa fase serviu para afinar todo o meu conceito.

E no meio disso tudo, conheci grandes profissionais, pessoas que eu admirava muito, e acabaram virando amigos. Até hoje trocamos muita informação. No meio disso tudo vieram os atletas, pois acredito que é essencial trabalhar com atletas.  Em 2009 foi o meu grande divisor de águas, quando comecei um trabalho sério com o Gabriel Medina. A partir desse trabalho, comecei a criar modelos específicos, catálogos, além de entrar em um processo de amadurecimento frente ao mercado, mídia etc.

Hoje estou com a minha própria fábrica aqui em Zarautz, na Espanha, divisa com França. Minha fábrica é relativamente nova, estamos com sete anos. Hoje tenho vários parceiros ao redor do mundo, entre eles a Pró-Ilha, que é minha segunda casa.  Nesse momento estou com viagem marcada para Austrália onde irei visitar meu distribuidor. Também iremos inaugurar uma loja Cabianca em Bali.

Você é o cara que faz as pranchas para o atual melhor surfista do mundo e já fez pranchas para vários outros atletas. Como você lida com a dedicação a um cara tão especial como o Gabriel e ao mesmo tempo cuida da sua projeção como shaper?
Antes de vir pra cá eu morava em Maresias e já era amigo dos pais dele. Eu vi o Gabriel crescer, lembro dele com 3…4 anos, um menino normal da praia. Eu era fabricante de pranchas e já criava um certo desejo junto à molecada por conta de eu sempre estar com pranchinhas novas, testando, surfando, eles sempre curtiam ficar ali ao meu lado.

O meninos sempre me visitavam, ficavam vendo eu trabalhar, olhando as pranchas novas que eu chegava na praia. Maresias tem isso, é um lugar do surfe e hoje do jiu-jitsu também (rs). Até hoje tenho grandes amigos dessa época como o Caixa D´água, o Gilmarzinho Pulga, entre outros.

A casa dos meus pais é no Guaecá e eu vi o Charles (padrasto de Gabriel Medina) adolescente. Sobre o Gabriel especificamente, lembro que tivemos grandes nomes como o Danilo Grilo, Alemão de Maresias, Eduardo Bueno, Oscar de Souza, entre outros vários talentosos surfistas que surgiram no Litoral Norte de São Paulo.

Essa molecada toda tinha potencial para serem grandes competidores, mas o Gabriel teve um diferencial.  Não sei se podemos considerar que foi o trabalho do Charles, que sem dúvidas teve um grande papel em sua carreira, ou o próprio Gabriel, que explodiu repentinamente.

Como se deu esse reencontro?
Eu fiquei muito tempo fora do Brasil até que a gente se reencontrasse em 2009. Quando ele ganhou o WQS na Praia Mole e depois veio fazer a perna europeia do WQS o Charles me ligou e eu os convidei para ficar na minha casa. Fizemos umas pranchas, na época eu não tinha muita grana, mas fui investindo e a coisa foi rolando naturalmente.

Mas eu não acreditava ainda que ia sair dali do Litoral Norte esse fenômeno.Eu era um cara que já fazia pranchas par grandes surfistas, entre eles o Leo Neves, Sunny Garcia, Simão Romão, entre outros.

Confesso que na época eu pensava: será que vai ser mais uma emoção de momento, mais um lampejo de talento? Um evento que foi decisivo nesse processo foi o King Of Groms, no qual ele fez cinco notas 10 durante a competição.

A partir dai grandes resultados foram aparecendo, como o ISA Games que ele venceu na Nova Zelândia, seguiu competindo no WQS, ganhando etapas, até que em 2011 ele se classificou para o Tour. Nesse momento comecei a ver alguma coisa diferenciada naquilo, em tudo que estava em volta.

Na postura da mãe, na postura do Charles e tudo que estava ao redor do Gabriel. Eu falei assim:  pera aí isso ai tá diferente! Inclusive penso que muita coisa que está acontecendo atualmente no circuito é uma imitação do que o Charles fazia naquela época.

Então você detectou um talento bruto no Medina, e como conseguiu fazer as pranchas ideais pra ele?
Tinha muita coisa além do talento do Gabriel. Eu fui fazendo meu trabalho de tentar ler o corpo dele, seu biotipo: quanto ele precisava de volume, de área de bico, enfim, suas demandas como atleta de ponta. Uma história interessante foi quando criei o modelo famoso que é o DFK (Da Freak Kid) que nasceu no King Of Groms.

Na época o Martin Potter fazia os comentários do evento e sempre que o Gabriel pegava uma onda ele ficava histérico, descontrolado (rs) e mandava “da freak kid is coming again”. Aí eu pensei: modelo do Gabriel irá se chamar DFK. Desse modelo surgiram outros como o The Game, o Mega e fui diferenciando curvas, foils, posição de quilhas, para cada situação.

Tem algum outro atleta com potencial de CT que você está trabalhando atualmente?
Atualmente eu estou trabalhando com um moleque que é brasileiro que também tem nacionalidade francesa e compete pela França, o Tiago Carrique. Ele mora na Costa Rica, e compete no Challenger Series. Venho desenvolvendo um trabalho bem sólido com ele. Comecei a fazer pranchas com mais curva, com menos curva, entre outras experimentações.

Eu explicava: essa é para onda boa, essa é para onda fraca e no final ele usa só o modelo DFK: uma um pouquinho maior e mais estreita e outra que é menor e mais larga. Além do Tiago, estamos ai com atletas do Brasil, do Japão, da Indonésia.

Como você lidou e lida com o assédio de outros shapers ao Medina?
Quando eu comecei a trabalhar com o Gabriel não existia essa relação de patrocínio, o que existia e existe até hoje era uma amizade. E nessa relação a minha máxima sempre foi: precisou, tô dentro! Precisa de cinco pranchas, tá aqui. Precisa de dez pranchas, feito. Tá indo pra África do Sul, tô mandando oito.

Vai pra San Clemente, vou enviar mais dez. Mas era uma época em que eu trabalhava como back shaper para alguns grandes shapers como o Matt Biolos (Lost), o (Wade) Tokoro, entre outros porque a Pukas (tradicional fábrica de pranchas espanhola) tinha licença de muitas marcas internacionais e eu era o responsável pela área de shape.

Eu pensava: pô, o que é patrocinar um atleta, como isso realmente funciona? Nessa relação o ideal é que você crie uma afinidade e o atleta se sinta à vontade para escolher se realmente quer surfar com suas pranchas. Ele pode gostar do seu trabalho, mas pode acontecer uma série de fatores nos quais o atleta deixe de gostar.

E se você tem um contrato assinado, mas ele não estiver curtindo as pranchas,  tudo que você fizer,  nunca estará bom. E caso você insista em algo por vias legais, vai carregar a culpa de estar estragando a carreira dele naquele momento. Comparando: se o time está perdendo a primeira cabeça que cai é a do técnico. No caso do surfe, é a do shaper.

Você exige exclusividade do Gabriel?
Houve ocasiões nas quais o Gabriel viajou e eu encomendei pranchas com outros shapers. Como na vez que ele foi para a Austrália e fizemos um quiver com o Darren Handley da DHD, ou quando atualmente ele vai para o Havaí e faz guns com o Tokoro. Em San Clemente já fizemos com o Biolos em uma ocasião. Não forço a barra por exclusividade porque confio em nosso trabalho.

Além disso, tenho um problema de logística até hoje com alguns lugares e o Havaí é um deles. Quando você tem uma caixa de pranchas com uma certa medida, talvez até 6’3” mais ou menos, custa um preço. Se ela sobe uma polegada, o preço sobe consideravelmente e ainda há a questão do extravio. Então procuramos pensar de forma prática e produtiva. Então por quê eu vou fazer 6’4”, 6’6” ? Chama o Tokoro e resolvemos.

Atualmente a final do CT é em Trestles, lugar onde provavelmente ele surfará de Cabianca, mas antes era em Pipe. Como você lidou com o fato de não ter suas pranchas aparecendo no “Dia D”?
Por azar meu, os dois primeiros títulos do Gabriel foram conquistados em Pipe, com pranchas do Tokoro e as fotos que ficaram marcadas foram feitas com essas pranchas. Nesses anos eles surfou o circuito todo com minhas pranchas, mas no final as principais fotos foram de Tokoro. Mas aí entra o lado amigo à frente do shaper: eu queria que ele fosse campeão, ficava na torcida e nem olhava a prancha que ele estava usando.

É o caso de se preocupar com a pessoa, e não com o atleta. Esse ano ele caiu em Pipe com minhas pranchas e infelizmente não avançou muito. Conseguimos aprimorar nossa parceria e chegamos juntos à conclusão de que os melhores resultados foram conseguidos com minhas pranchas. A partir dai o trabalho se solidificou ainda mais.

Atualmente atletas de 12 anos já são tratados como profissionais e são assediados constantemente, como você se posiciona quanto a isso?
A história de cada atleta não mente.  Alguns pais de “atletas”, chamam de atletas mas são crianças. Eles me procuram e falam do suposto potencial de seus filhos. Todo mundo quer ser o novo Medina. Principalmente no Brasil, onde eles aparecem como uma solução de vida para a família.

Já aqui na Europa existe aquela emoção do momento, o moleque está ganhando campeonato e já tem uma marca grande colocando adesivo no bico dando duas camisas e um chinelo por mês. Nessa fase a diferença técnica e muito grande. Você tem um muito bom, dez mais ou menos, e um monte de outros que estão tentando.

Só que quando começa a chegar aos 15 anos, esse que era muito bom segue o sendo, os que eram mais ou menos vão se nivelando e muitos outros desistem. A partir daí começa a haver uma bifurcação em suas vidas. Nesse caso, a motivação dele para enfrentar a derrota é um divisor de águas em sua carreira pois ele vai ver que competir é muito mais que ganhar. Aqui na Europa não são poucas as vezes que já ouvi: esse é promessa! Esse será o novo Kelly Slater!


Então você acha que o caminho para uma carreira no surfe deve ser o mais natural possível?
Sim. Os pais me passam mensagem pelo Instagram falando: olha o que meu filho faz com oito anos. Pô brother, leva a criança pra praia, deixa ela brincar, deixa ele ficar oito horas dentro da água se divertindo. Esquece campeonato, se tiver uma competição, leva ele pra se divertir, pra soltar pipa.

Lembro do Gabriel quando era pequeno, ele ficava na areia brincando, jogava futebol, dando cambalhota, jogando capoeira, e quando dava a hora da bateria o Charles o chamava e ele ia para bateria e quebrava, mas sempre se divertindo. Hoje os pais colocam a criança com 12 anos no psicólogo terapeuta esportivo pensando em competição.

Você faz algum modelo para essa molecada miúda?
Eu tenho um modelo que batizei de Muleke. Aqui na Europa a molecada anda muito de skate e com 6…7 anos já estão entrando no half pipe e fazendo coisas que você não acredita. Entretanto, eles querem ir pra água também, mas e na hora que eles querem surfar os pais pensam em fazer uma 5’8”.

Mas o menino (a) não tem nem 5 pés de altura; então ele tenta fazer o que ele faz no skate em um “barco”. Ele não consegue, claro. Desenvolvi algumas umas pranchas 3’10” e aperfeiçoei esse modelo que vai até 5’2”, 5’3” a prancha funciona muito. Tanto os meninos quanto as meninas se dão muito bem com a Muleke.

Falando sobre materiais da pranchas do Gabriel, ele usa PU e Epóxi?
O epóxi entrou forte, melhorou muito a qualidade da resina, os blocos de EPS também melhoraram bastante e temos uma resina mais fácil de laminar. As pranchas de epóxi se aprimoram a cada dia e podemos dizer que temos uma construção muito boa para certas situações. Falo isso porque todos atletas que tenho usam muito EPS.

Porém o Gabriel compete no CT, circuito em que e as ondas são de consequência e potentes. A competição começa em Pipe, depois segue para Sunset e você não vai ver ninguém surfando essas ondas super potentes com epóxi. Depois eles seguem para Supertubos, em Portugal, onde pode ser que você veja alguém surfando com esse tipo de prancha, que flutua mais e são mais leves e sensíveis.

No CT o Gabriel não leva nenhuma prancha de epóxi, mas na casa dele temos algumas coisas diferentes. Pranchas em carbono, a vácuo, biquilhas, entre outras que ele usa amarradão quando está se divertindo. Já os atletas que competem no QS e no Challenger Series, que podem cair em condições desfavoráveis, usam epóxi.

As pranchas do Gabriel estão mais refinadas ou seguem na mesma linha?
Desde que eu estou com a fábrica nova, tenho variado muito pouca coisa nos modelos do Gabriel. Mexo no caimento de borda dependendo de como está seu peso. Uma mudança significativa não diz respeito ao shape em si. No caso, quando eu comecei a fábrica, decidimos que iríamos laminar as pranchas com as sedas dos patrocinadores ao invés de adesivos.

Lembro que uma vez eu e Charles passamos uma noite adesivando um quiver. A partir dai eu falei pra ele: vou passar esse trabalho para o laminador, que inclusive era eu (rs). O Gabriel amou, porque colar adesivo no fundo da prancha pode fazer com que ele  comece a sair no meio da bateria, deixando aquela “língua” pra fora.

Isso deixa o atleta louco. Eu comecei com essa configuração para tentar amenizar aquele carnaval de logotipo. Ele gosta sempre de uma bordinha preta, e a prancha fica com um visual bem clean. Ano passado fizemos um quiver muito bonito para Teahupoo. Fiz umas pranchas com um azul exclusivo de uma fábrica de pintura que tem aqui na Espanha. Mas na parte de shape a prancha mudou muito pouco.

Para onde caminha a evolução das pranchas: material ou design?
Participei de uma espécie de seminário com alguns fabricantes na França no qual disse que o material de hoje não está acompanhando o design. Tem pranchas que duram apenas um campeonato, ou mesmo uma bateria.

O surfista quer uma prancha leve, com bastante flexibilidade. Ou seja, a prancha tem estar moldada ao seu pé, e ele quer sentir o funcionamento dela digamos, elegante. O material que se trabalha melhor hoje é o poliuretano, o poliéster e a fibra de vibra de vidro, que evoluiu mas ainda pode evoluir muito mais. Os blocos também evoluíram bastante.

Contudo, maneira de fazer a prancha segue igual: shaper, laminador e lixador. As quilhas têm ajudado pois temos vários tipos com materiais e formatos diferentes. Mas como eu disse antes, as pranchas não duram. Comecei a surfar no final dos anos 1970 época que as pranchas duravam.

Eu e meus irmãos tínhamos pranchas que duravam cerca de quatro anos e depois se bobear ainda eram vendidas para outras pessoas usarem. Em termos de desenho, se você pensar em termos de performance, as pranchas estão difíceis de sair dessa combinação atual. Tem um ou outro fazendo um quick tail mais elaborado e tal, mas nada muito significativo.

Então você acha que há muito pouco espaço para evolução em termos de medidas/design?
O que vem evoluído muito é toda essa parte de pranchas que não são necessariamente de performance. As mid lengths, biquilhas modernas entre outros tipos que funcionam muito bem.  Ou seja é uma evolução do antigo que vem conquistando cada vez mais gente. Essas pranchas estão entrando muito bem no mercado. Eu sinceramente vejo poucos detalhes diferentes nas pranchas performances.

Por incrível que pareça,  percebo muita habilidade hoje ainda nas mãos de laminadores e lixadores. Você pega as principais fábricas como a do (Marcio) Zouvi, que tem profissionais que são mestres na lixa e  só eles que metem a mão nas pranchas dos atletas. Ou mesmo os laminadores que que conseguem equilibrar o peso da resina com a tela. Pra mudar isso só se inventarem uma máquina que a gente apertasse um botão e a prancha saísse inteira.

Como você faz suas pesquisas?
Eu procuro acompanhar as pranchas do circuito pra ver o que está acontecendo. Confiro o que os colegas de profissão estão fazendo e percebo que não estou muito distante.  Vejo que eles também observam o que eu estou fazendo. Então eu não vejo muitas mudanças em termos de design nos próximos dez anos.

Tenho um amigo na Austrália que diz que a prancha tem que ser sexy e eu pergunto a ele: o que determina isso e ele não sabe responder. Mas é a realidade, você tem que tentar fazer algo que o cara tenha tesão, que tenha vontade de colocar embaixo do braço.

Quem são os caras que lhe causaram essa sensação de prancha sexy?
De 2000 a 2003 eu estava trabalhando com o consagrado shaper havaiano Jeff Bushman. Para mim foi como se eu tivesse um HD limpo e começasse a colocar informações novas. Foi realmente muito, muito intenso.

Eu acreditava que aquilo que eu estava vendo era o mais bonito de curvas. Eu tive aulas de pin line, tive aulas de corte de tela…Eu pensava: “Meu, eu não fazia prancha antes”. Mas aí você observa o cenário atual de pranchas no Havaí e percebe que eles perderam posições no que concerne ao mercado mundial. Antigamente a representação dos shapers havaianos era bem maior.

Atualmente temos o Jon Pyzel, que inclusive trabalhei com ele, um cara moderno, que viaja muito e está sempre com bons atletas e evoluindo muito. Mas aonde eu mais vejo mudanças, com detalhes sensuais, é na prancha dos shapers australianos como um todo.

O australiano é um consumidor de pranchas, não tão compulsivo como os americanos, mas consome muita prancha. E eu vejo uma linha muito limpa, moderna e as pranchas funcionam. O outro que admiro muito é o Matt Biolos. Vejo como ele trabalha e percebo algumas nuances que me surpreendem. Ele é um cara muito amigo, trocamos muita informação e um grande shaper.

Em sua opinião, qual o papel das piscinas no desenvolvimento das pranchas atuais?
As piscinas chegaram mesmo para fazer uma mudança porque existe um nível de investimento bem grande. Nos anos 1980 tivemos piscinas no Japão, Texas, com ondas consideradas ruins a medíocres e mesmo assim tinham campeonatos. O Fabinho Gouveia chegou a vencer em uma delas.

Hoje em dia as ondas já estão ganhando mais espaço são mega piscinas com trabalho de engenharia mais elaborado com ondas incríveis. As ondas são de alta performance mas também podem ser utilizados por pessoas que querem aprender. Em meu ponto de vista as piscinas são muito bem vindas. Isso faz com que o esporte ganhe mais consistência e acredito que em pouco tempo pode surgir circuitos exclusivos.

Aqui no norte da Europa, em países como Alemanha e Bélgica, por exemplo, estão rolando competições em onda estáticas. Já existe todo um mercado, com atletas, campeonatos, roupas. Para o esporte como massificação é bem positivo.

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    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).

    A Praia de Paúba, na Costa Sul de São Sebastião (SP), recebe neste sábado (3) a nona edição do Paúba Super Tubos. A competição reúne 56 surfistas convidados em um dos picos mais técnicos do Litoral Norte paulista, com transmissão ao vivo durante todo o dia. Conhecida pelas ondas fortes, rápidas e tubulares que quebram próximas à faixa de areia, Paúba deve oferecer condições de alto nível para os competidores. A previsão divulgada pela organização indica ondas com mais de 1 metro de altura. A disputa acontece em categoria única e exclusivamente para convidados, selecionados pelo nível técnico necessário para enfrentar as características da onda. O formato conta com seis fases e começou com 40 atletas no Round 1. Os 16 classificados avançam e encontram outros competidores já posicionados na chave. As semifinais e a grande final estão previstas para o período da tarde, com os horários sujeitos a alterações de acordo com as condições do mar. A lista de participantes ainda pode receber nomes que disputam o Challenger Series da WSL em Maresias. Segundo a organização, atletas eliminados antes das finais da competição internacional poderão participar do Paúba Super Tubos. Além das disputas dentro d’água, o evento movimenta a Praia de Paúba e a Costa Sul de São Sebastião, com a presença de atletas, equipes e público. A competição conta com apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Esportes.

    Nona edição do Paúba Super Tubos reúne 56 surfistas neste sábado (3), nas ondas tubulares da Costa Sul de São Sebastião; acompanhe a transmissão ao vivo.