De competidor a shaper

Exclusivo: as pranchas do Fia

Fábio Gouveia, ídolo do surfe nacional, concede entrevista exclusiva para falar do seu início, carreira competitiva na elite mundial e atual fase como shaper.
Fabinho Gouveia Maldivas 2011.

Escrever sobre Fábio Gouveia não é tarefa fácil. Ao recordar que o paraibano foi o primeiro brasileiro a conquistar o título de Campeão Mundial Amador, em Porto Rico 1988, podemos seguir enfileirando os feitos do Fia. Entre eles, destacam-se a primeira vitória de um brasileiro em Sunset, o pioneirismo ao tornar-se Top 16 da ASP e seu protagonismo e irreverência registrados com maestria no documentário Fábio Fabuloso, um clássico da filmografia do surfe nacional.

 

Após uma carreira sem precedentes no surfe brasileiro, Gouveia, que desde jovem tinha intimidade com o universo das pranchas e sua construção, empreendeu na carreira discreta, ao melhor estilo Fia, mas ao mesmo tempo produtiva, de shaper. Antes de começar a desenvolver modelos no computador, o paraibano que hoje reside em Floripa, estabeleceu como meta fabricar mil pranchas à mão, algo característico de Fabinho.

 

“Se os shaper ralaram, eu também tenho que ralar”, diz ele.

Durante sua trajetória como shaper, embora relativamente curta em termos oficiais, mas longa na experiência em si ele já colocou à prova alguns de seus modelos:

 

“Fiz quarenta e cinco pranchas e com algumas delas fiz finais, venci campeonatos. Mas depois, com o casamento ainda jovem, e a chegada dos filhos, precisei parar e me dedicar às competições”, relembra.

 

Gouveia produziu pranchas campeãs, patrocinou alguns atletas e atualmente dedica-se a desenvolver seus próprios modelos, além de firmar parcerias,= como a mais recente com a Magic Surf, responsável pela fabricação da linha de pranchas Power Light.

 

De acordo com informações da empresa, a Magic Surf e empresa será responsável pela produção das pranchas em carbono, madeira, bem como carbono e madeira, projetadas por Fabinho.

 

 

“Fabinho é um ícone do surfe brasileiro, e conseguimos absorver as peculiaridades de cada cliente, produzindo a prancha ideal para suas necessidades”, afirma Fábio Duarte, CEO da Magic Surf.

 

Confira abaixo uma entrevista exclusiva na qual Fabinho fala sobre seu atual momento como shaper, planos para o futuro, experimentos, planejamento, pranchas, entre outros temas. Vale muito o drop!

 

Como você vê essa sua transição de surfista profissional para shaper?
Desde que me envolvi com o universo do surfe, sempre tive afinidade com as oficinas de pranchas e os consertos. Na época, precisava me virar para ter meu equipamento, já que meu pai me deu minha primeira prancha, mas depois tive que me virar sozinho. Comecei a consertar pranchas e aprendi muito com o Paulo Bala, que infelizmente não está mais entre nós. Ele me ensinou a consertar, lixar e eu o via shapeando. A parte de shaping, por sua vez, aprendi com o Rogério Bastos, da Custom Surfboards.

 

 

Com ele, o processo era mais profissional, e ele me levava para a sala de shape, onde eu observava e debatíamos as mudanças, eu passava feedback para ele. Foi aí que meu interesse real por pranchas começou. Cheguei a fazer muitas pranchas em miniatura, como chaveiros. Fazia todo o processo, só que em miniatura. Vendia na escola e ia tocando, surfando nas praias locais, competindo. Quando a Teccel foi criada no Brasil, que era a Surf Blanks com matriz australiana, por volta de 1991, coincidiu de eu ter o patrocínio e estar de mudança para Recife.

 

 

 

Meu cunhado tinha uma fábrica de surfe perto da do Rogério Bastos, então eu vivia nas fábricas de pranchas. Aliado a esse patrocínio, me ajudou bastante porque eu tinha os blocos, as oficinas, a assessoria do Rogério, e aí comecei, por volta de 1991. Cheguei a fazer 45 pranchas nessa época. Lembro que cheguei a ficar em terceiro na etapa brasileira do CT, o Alternativa Pro em 1992, acho que perdi para o Damien Hardman. Surfei em algumas etapas da Europa, surfei em eventos no Japão, inclusive em um que fui campeão na piscina.

 

Mas chegou um momento em que precisei parar, pois casei cedo, tinha os filhos, tinha que treinar, minha carreira estava crescendo. Eu morava em Recife, tinha que ir para Porto de Galinhas para surfar, e perdia pelo menos duas horas no trânsito. E não estava fluindo. Mas sempre curti prancha, sempre olhando o material de um competidor de outro. Em determinado momento, comecei a trabalhar com vários shapers do mundo todo. Chegava no Havaí, por exemplo, e era super importante ter o feedback de um shaper havaiano, que sabe fazer pranchas grandes.

 

Depois ia para a Austrália e fazia o mesmo processo. Então, fui fazendo prancha com muita gente. Parei de shapear naquela época, mas o processo ficou dentro de mim. Nesse contexto, eu ia guardando as pranchas. Guardei pranchas diferentes, que funcionavam, e ia tirando outlines, sempre visitando as fábricas no Havaí, na Austrália, na Califórnia, Europa. Sempre tive em mente que quando parasse de competir, voltaria a shapear. No final da minha época como competidor, em 2008, com a máquina entrando forte, comecei a me interessar de novo por prancha.

 

Consertar prancha, sempre tive oficina em casa, pois sempre cuidei das minhas pranchas. Nunca abandonei a resina, nunca abandonei o bloco, e sempre fazia um experimento ou outro. Em 2008, fiz o curso para saber desenvolver o design na máquina, mas de imediato não curti porque a máquina às vezes deixava uma diferença muito grande.

 

Eu fazia na máquina e depois tinha que medir, e saía um lado maior que o outro, dava diferença às vezes de meia polegada porque às vezes tinha a longarina que estava torta.Aí, depois disso, continuei shapeando na mão, até porque queria resgatar um processo que vivi lá atrás e queria readquirir aquilo.

 

Além disso, eu pensava que tinha que ralar, pois todo shaper ralou fazendo pranchas à mão, porque eu não vou ralar? Eu curtia. Então, minha meta era fazer mil shapes manualmente para depois focar na máquina, e foi isso que fiz. Mil shapes na plaina, e depois segui com a máquina porque comecei a evoluir, a galera começou a procurar, alguns competidores também.

 

 

Alguns caras surfavam bem e queriam pranchas repetidas, e repetir prancha na mão é difícil, é muito mais fácil na máquina. E aí começou a correria. Eu pensei que fosse parar, mas a correria das viagens em alguns momentos até aumentou. Então, tive que ir para a máquina. Hoje, 95% das pranchas que faço, que não são muitas, são feitas na máquina. E algumas poucas na mão, mas quando quero fazer um experimento e fica difícil na máquina, eu faço à mão.

 

Passamos por um período de pranchas cada vez mais high-performance, e hoje estamos tendo uma redescoberta das pranchas alternativas como biquilhas, assimétricas, mini-simmons. O que você pensa desse momento?
Quando eu competia, sempre admirei muito essa vertente. Eu ia para Austrália, África do Sul, Estados Unidos, e a gente sempre via muita gente surfando com pranchas diferentes, o que para eles sempre foi normal, os gringos sempre surfaram também com esses tipos de pranchas diferenciadas. Lembro que tinha uma galera que trabalhava no Tour: fotógrafos, juízes, dirigentes, jornalistas, e os caras carregavam essas pranchinhas diferentes com eles, e a gente surfava lado a lado.

 

 

Lembro do Derek Hynd, do Jesse Faen, e eles surfavam com fishes, e eu sempre ficava amarradão. Mas, se você saísse do nicho das pranchas de competição, você perdia o foco e o pé das pranchas. Então, eu sempre ficava pensando: quando parar de competir, vou usar todos os tipos de pranchas, fishes, mini simmons, longboards, etc. E no Brasil demorou para chegar essa tendência, eram poucos que usavam pranchas diferenciadas. Lembro que quando parei de competir, passei praticamente 1 ano surfando só de fish.

 

Engraçado que lembro até de uns fotógrafos amigos chegarem pra mim falando: “pô cara, você só está surfando com essas pranchas agora? Elas não têm bico!” Então você não via praticamente ninguém surfando com essas pranchas.

 

Aqui no Sul acho que só o Machucho. Acho que isso demorou pra pegar aqui no Brasil. Talvez tenha começado em São Paulo, talvez Rio, depois veio para o sul, agora no Nordeste está entrando forte também, mas a região demorou a aceitar essa vertente.

 

Hoje, com o surfe crescendo, todo mundo assiste tudo nas mídias sociais, sites, e a galera vê que é legal ter outras formas de se divertir com pranchas diferentes. Vou até citar uma frase que não sei de quem é: “não existe prancha ruim, existe a prancha errada para aquele tipo de mar.” Hoje eu me divirto em qualquer tipo de onda: uma marola mexida com vento, fraca, você pega uma fish. Quando está pequeno demais, gosto de pegar o pranchão.

 

 

Eu até gosto de pranchão em onda boa, gosto de fish em onda boa, gosto de SUP também. Mas são brinquedos para me ajudarem a fazer com que aquele momento que seria ruim em termos de condições, se torne bom. Então dificilmente eu me sinto entediado no mar, até porque meu tempo não é fácil, não surfo como gostaria de estar surfando, não permaneço na água pelo tempo que queria. Então todo tempo na água é precioso e eu saio procurando os brinquedinhos para me divertir corretamente.

 

Sobre Epóxi e PU, como é sua relação com os materiais, nas suas pranchas e nas dos clientes?
Sempre achei o epóxi muito interessante e, lá no passado, em 1988, eu já tinha uma prancha de epóxi. Fui apresentado à fábrica da Surf Project, que era em Biarritz, na França. Quem me mostrou essa fábrica foi um dos meus ídolos, o Felipe Dantas, que me levou lá quando eu estava ingressando no Circuito Mundial. Ele já competia e usava essas pranchas lá. Eu usei uma prancha de epóxi, com carbono e kevlar. Lembro que eram pranchas extremamente fortes e leves, por volta de 1,800 Kg.

 

 

Eu usava essas pranchas nas marolas, eram minhas maroleiras. Inclusive, tive ótimos resultados na época. O que era difícil nesse tempo era que não tinha material para consertar. Hoje, mesmo não sendo tão simples assim consertar epóxi, você vai para um lugar inóspito, quebra algo na prancha e não consegue consertar. Para levar no avião não é tão fácil, pois é inflamável. Então, basicamente, parei de usar esse tipo de prancha pela dificuldade em fazer reparos.

 

Para você ter uma ideia, eu levava Araldite (cola especial) e com ele eu cobria parte do isopor e conseguia remendar com resina poliéster normal. Quando começou essa nova era do epóxi, acho que há dez anos, voltei a surfar com epóxi e no primeiro dia que surfei na marola curti bastante. Mas lembro que no segundo dia, que fui usar em um mar mexido de um metro, com vento, eu não gostei da prancha, odiei. E odiei ainda mais em uma vez que fui para um campeonato em Porto de Galinhas.

 

 

Comecei surfando com minha prancha de PU, mas como eu tinha essa prancha de epóxi que flutuava bem, era mais cheinha, eu decidi trocar para correr a bateria. Estava um vento muito forte. Entrei na bateria e me dei mal. Lembro que eu precisava de dois e pouco para passar e não consegui porque eu errava o tempo da manobra, ia bater e caía para trás, enfim, me arrasei e pensei: “meu irmão, não quero mais saber dessa porcaria de epóxi” (risos).

 

Aí encostei essa prancha, mas depois fui fazendo pranchas de epóxi para os clientes, tendo um bom retorno. Acabei voltando a usar e hoje em dia estou bem adaptado com esse material. Surfo com elas de meio a dois metros. Mas prefiro o desempenho do epóxi nas marolas. Por exemplo, fiz algumas viagens para Maldivas, México, Indonésia e lembro que em alguma ocasião levei só pranchas de epóxi por ter vendido todas as de PU e naquela hora era o que tinha.

 

 

Em mar grande, com vento terral forte, eu via que faltava prancha, que ficava fofa. Então, geralmente, hoje em dia, basicamente as maroleiras do quiver são epóxi e em ondas maiores eu prefiro PU. Parece que o epóxi, em uma onda mais forte, com vento terral principalmente, ela fica fofa, ela não vai. Mas é um material que veio para ficar, ao que parece. Sempre temos tendências, modas, etc. A competição dita muito esse ritmo. Mas o legal é você experimentar as coisas e ter sua percepção. Sempre falo para os clientes: eu acho isso, mas você tem que pegar a prancha e sentir.

 

Quais são os shapers que influenciaram seu trabalho?
Foi o Paulo Bala, lá atrás, dono da Swell, em João Pessoa, na Paraíba. Ele foi o cara que me levou para as fábricas. Na época, era comum os caras descascarem a prancha e reshapear, e foi assim que tive minha primeira prancha nova. Mas a influência de shape mesmo, forte, foi a de Rogério Bastos, da Custom, Realce Nordeste, em Recife. Eu ia para a sala de shape com ele e aprendi muito. Um pouco de influência também veio do Ronaldo Barreto, da Radical.

 

 

Depois, com as viagens, fiz pranchas com muita gente e sempre admirava o trabalho de diferentes shapers. Quando estava na Xanadu, tive um contato constante com ele, apesar de não entrar na sala de shape porque ele mora na Califórnia e eu estava sempre viajando. Cheguei a entrar algumas vezes, mas não para ficar olhando os shapes e sim para trocarmos informações. Ele foi importante na minha evolução porque, na época que entrei na Xanadu, o Kelly Slater estava em plena ascensão, chegando no circuito com aquelas pranchas muito estreitas.

 

 

Você via o Kelly surfar e se empolgava, queria surfar como ele, o cara tinha uma forma totalmente diferente de surfar, com pranchas totalmente diferentes. Então, na época que entrei na Xanadu, estava na época das pranchas palito, finas, estreitas, com bico aladim, e não me dei bem no início com essas pranchas. Ele percebeu isso e eu comecei a ter as minhas pranchas boas, e comecei a não ter problemas de pranchas. Porque você, como profissional, passa por várias fases. Tem a fase da pranchofobia, em que você não gosta de nenhuma prancha, fica naquela indecisão de qual é a melhor.

 

 

E o Xanadu, quando percebeu que eu estava tendo dificuldades com essas pranchas mais estreitas, ele criou uma prancha mais cheinha, mais gordinha. No começo foi um pouco difícil de eu me acostumar: eu tinha uma prancha gordinha, para marola, boa; mas não tinha uma prancha suficientemente boa para ondas acima de 1 metro.

 

Porque eu tinha medo de fazer esse tipo de prancha com mais volume para ondas maiores. Então nesse tipo de mar eu permanecia surfando com pranchas mais finas. E eu só comecei a melhorar mesmo quando colocamos volume também nas pranchas maiores. Então esse lance de volume de pranchas, que na época nem era uma medida, eu descobri ali com esse trabalho junto ao Xanadu. Nessa época o Kelly andava muito com os espetinhos, mas poucos caras conseguiam andar com aquele tipo de prancha.

 

 

Como você se inspira para criar seus modelos?
Eu tenho muitas pranchas antigas que guardei e tirava muitos outlines delas. Mas hoje em dia, depois desse tempo experimental, eu vou surfando e criando. Faço a prancha, vou viajar, surfo aqui em Santa Catarina, um lugar com várias ondas diferentes, onde você pode testar pranchas em ondas grandes, beach break, fundo de pedra… e vou criando a partir das minhas percepções.

 

Também quando faço prancha para um competidor, para um grommet, que está almejando surf de competição, vou me inspirando ali naquela troca. Teve um momento em que fiquei focado em shapear gunzeiras para pegar ondas maiores.

 

 

Parei um pouco porque comecei a me machucar e dei um tempo do big surf, mas espero voltar. Então, fiquei um bom tempo fazendo muita gunzeira, o que me deu um know-how muito grande nesse tipo de prancha.

 

Tem a época da fish… sei lá, estou ali, faço uma fish, as ideias vão fluindo… Trabalho muito nas coisas que vêm à minha cabeça. Não tenho muito tempo para olhar tudo no trabalho dos outros shapers, eu vou criando minhas coisas e o trabalho acaba fluindo do meu jeito. Mas é isso, as criações vêm muito do momento.

 

Às vezes vêm à noite e eu estou na cama, levanto, vou no computador. Às vezes o cara acorda, está com insônia na madrugada, e já está pensando naquele boi lá e já cria para não esquecer…

 

 

Pra onde você acha que caminha a evolução das pranchas: design ou material?
No design, as pranchas estão evoluindo sempre, principalmente no que diz respeito a fundos e quilhas. Sobre os outlines em si, penso que ainda há espaço para ajustes finos. Eu nunca mais acompanhei o circuito mundial de perto como acompanhava, faz uns cinco anos que não tenho muito contato, e não tenho olhado tanto as pranchas, mas é claro que vejo uma ou outra.

 

E não vejo tanta diferença assim de design grotesca como a gente viu a criação do concave utilizado como conhecemos hoje, pranchas com bastante curva, com concaves fundos. Acho que hoje em dia é o material que puxa a evolução. Teve essa mudança da inclusão do volume nas medidas de uma década e meia pra cá, mas acho que essa questão do material em si, do epóxi, do carbono, das quilhas, é o que mais está evoluindo e o que vai mais evoluir.

 

 

Sempre aparecem materiais diferentes, mais sustentáveis, mais leves, mas não necessariamente são coisas que ficam. Às vezes é mais aquele lance de propaganda.

Qual é o seu modelo que faz mais sucesso?
Eu gosto muito de fish, sempre gostei. E acho que passo isso, pois surfo bastante com esse tipo de prancha. É aquela coisa, quando você começa a pegar onda de fish, se você não é competidor brother, focado, putz, já era. Porque é muito bom e muito difícil o cara não gostar. Só aqueles puristas mesmo, que o cara quer sempre, pra vida inteira, o espetinho. E não descobre outra forma de se divertir.

 

 

Mas, claro, eu respeito o gosto de todo mundo. Então, respondendo, acho que são as fish e as semi fish, que é o modelo future twin, que é um modelo bem versátil e eu acabo usando a plataforma dele pra usar com quad, com tri. Então eu sigo competindo e gosto de usar quilhas diferentes como a S Wings, da França, que são quilhas interessantíssimas. Você vê o Tom Curren usando um skimboard, taca essas quilhas doidas, e sai surfando, testando.

 

 

Você ganhou campeonatos na Piscina. Fale sobre o que representa o surfe em piscinas em termos de evolução de equipamentos:
No Japão, eu ganhei dois campeonatos e fiquei em segundo em outro. Na Flórida, fiquei em terceiro no Tyfon Lagoon. Quando eu competi no Japão, a gente achava que tudo seria muito rápido, que o futuro das piscinas estava logo ali. Porém, a tecnologia era muito cara, e hoje em dia essa tecnologia foi barateada e tem sido mais fácil de ser comercializada. Mas é um laboratório muito bom, tanto para a evolução do esporte em termos de manobras quanto para as pranchas.

 

Ali você tem a possibilidade de testar uma prancha, sair, trocar de quilhas, em uma mesma onda. Esse lance de densidade da água, doce ou salgada, eu não sinto, é um negócio que passa despercebido pra mim. Não sei se é porque eu surfo com pranchas mais volumosas e elas, tanto faz epóxi ou PU, flutuam bem. Mas claro, na piscina a gente tem vários artifícios, porque às vezes você faz uma prancha volumosa pra remar melhor no mar, pra disputar onda, pra entrar na onda mais no fundo.

 

 

Na piscina, como a onda está ali no lugar exato, não tem crowd, é tudo com hora marcada, você não tem necessidade de usar uma litragem maior, você pode até usar uma prancha com menos litragem porque a onda pode ser cavada, em pé. Às vezes você tem força, mas não tem explosão. Enfim, são vários tipos de ondas e você pode escolher a que mais se encaixa com seu momento e seu equipamento. Então, é um laboratório incrível, a piscina veio para ficar e, como falei, com essa facilidade em termos de custo, a tendência é democratizar cada vez mais.

 

 

Vejamos a Wave Garden, que tem lançado várias piscinas ao redor do mundo, mas as tecnologias não param de evoluir, a todo momento surgem novas ideias. E com o custo baixando cada vez mais, ainda temos muito que evoluir nas ondas artificiais. Surfei na onda da Perfect Wave, na Fazenda Boa Vista, uma onda incrível, uma diferença grande das que eu surfei no Japão (risos), que aliás já eram boas e tiveram evolução depois.

 

Lembro que retornei ao Japão, três, quatro anos depois, e a onda já tinha melhorado, e é isso. Ainda não surfei na onda do Kelly, mas estou com uma barca para Maldivas e tentando ver se consigo dar uma fugida e surfar naquela de Abu Dhabi, mas não está liberada ainda, mas eu estou tentando.

 

 

Você acredita que haverá um momento no qual pranchas alternativas serão usadas na elite do surfe mundial?
Acho que já teve esse espaço em um passado recente. Acho que Kelly Slater e Dane Reynolds, na época que o Dane competia ainda, que ele começou a parar, ele já usava uns modelos diferenciados e quebrava, e não tinha como os caras não darem nota. Acho que o Kelly também fez a parte dele ali quando começou a diminuir o tamanho das pranchas, usar quad.

 

 

Mas nos anos 1990, se você chegasse com uma prancha sem bico, você não passava bateria, era outra parada, os caras queriam ver bico. Hoje em dia os caras querem ver rabeta (risos)… rabeta passando. Se o cara performar, a mente da galera está bem aberta, e acho que está mais para pranchas performance. Mas depois dessa virada aí, por volta de 2009, 2010… lembro até de um evento que o Kelly venceu em Pipeline, Backdoor, com a água marrom.

 

Ele estava com uma prancha pequena, se não me engano 5’9″ ou 5’8″… Mas enfim, hoje eu acho que os juízes estão com a cabeça muito mais aberta e se o cara quebrar, eles vão soltar a nota. Pode até ter um outro com esse pensamento, mas bem menos que no passado.

 

Quais atletas fazem parte da sua equipe?
Como eu te falei, eu não sou um fabricante de pranchas. Eu shapeio pranchas, e eu não fabrico muitas pranchas. Já tiveram mais atletas usando minhas pranchas, mas atualmente só o Junior Lagosta, que foi o primeiro e hoje o único. Mas eu fiz pranchas para a Monik dos Santos, outras para o Gabriel Sampaio, big rider de Itacoatiara. Faço pranchas esporádicas, para alguns atletas e para freesurfers também.

 

 

Mas meu foco é mais a galera que quer se divertir mesmo. Já apoiei alguns atletas, mas é difícil, porque geralmente o atleta que está em busca de apoio não tem grana, e como não sou um fabricante de pranchas, não tenho grana pra reinvestir. O que eu consigo fazer é dar minha mão de obra e o cara paga o material. Mas atletas em início de carreira nem sempre têm um patrocínio que pague as pranchas.

 

Porque na real o fabricante de pranchas é o que menos ganha. Mas eu sempre estou aberto quando a galera precisa de uma força. Mas no momento, equipe só o Junior Lagosta mesmo. Eu cheguei a apoiar cinco, seis atletas, e às vezes coincidia de todos eles estarem precisando de pranchas ao mesmo tempo, e eram quatro ou cinco pranchas para cada um.

 

 

Então eu ficava na correria pra atender a galera e perdia uma sessão de surfe importante, ou deixava de ir para fisioterapia, pra academia (porque eu to sempre ferrado… risos), pra não deixar o cara na mão. Era sempre muito difícil. Pra esse tipo de relação fluir bem, você tem que ter uma equipe na fábrica. Eu sou o shaper solo.

 

Qual a primeira coisa que você olha quando pega uma prancha?
Geralmente, eu olho a curva, o posicionamento das quilhas. Se for para mim, vou olhar também a flutuação. Mas, em geral, observo a curva, o outline, as quilhas e o material também. O lance é dar aquela escaneada.

 

 

Já aconteceu de você olhar uma prancha linda, toda certinha, e quando ela entra na água, não funciona?
Já aconteceu! Inclusive, eu estava falando sobre isso com o Picuruta hoje… rs. Eu fiz uma prancha para ele recentemente, porque ele está fazendo um quiver de biquilha, e ele me mandou os feedbacks da prancha hoje. Eu estava falando exatamente sobre isso. Uma vez, eu fiz uma prancha com Greg Webber na Austrália, que a princípio era para ser uma cópia de uma prancha minha.

 

 

Quando a prancha chegou, achei alucinante. Mas, quando coloquei na água, ficou ruim pra caramba. Mas essa mesma prancha, que ficou ruim naquele dia, eu guardei e fui usar seis meses depois. Cara, a prancha ficou mágica e acabei parcialmente vencendo um evento no Japão com ela. Acabei não ganhando o evento porque a parti na semifinal, mas acabei ganhando lá com a prancha do mesmo shaper, que comprei do atleta do cara, Shane Hering, que tinha abandonado a prancha na fábrica.

 

Resumindo: ganhei do Hering na semifinal e do Michael Romelse na final, ambos atletas da Insight, marca do Greg Webber. Eu estava até debatendo isso hoje com o Picuruta, que é um fera e tem o Almir Salazar ao lado dele, ou seja, entende tudo de prancha. Mas eu estava falando que às vezes você pega uma prancha que achava ruim, troca as quilhas e a prancha muda totalmente. Muita gente não tem a paciência de esperar um pouco, de usar a prancha no mar certo, são muitas vertentes que o cara precisa investir um tempo para entender melhor a prancha.

 

 

Você acha que hoje o shaper brasileiro é reconhecido internacionalmente?
Sim, claro. E isso não vem de hoje. Mesmo antes da ascensão do Xanadu, do Marcio Zouvi, inclusive, eu usei muita prancha do Marcio e hoje meu filho Ian usa. Antes desses caras, eu via os shapers brasileiros arrebentarem no Havaí. Nosso amigo que está no Céu, Jorge Vicente, por exemplo, teve o título mundial com o Derek Ho.

 

Ele também ajudou no título do Sunny Garcia, que usava muito suas pranchas. Ele fazia pranchas para vários havaianos locais, como o Pancho Sulivan. Além dele, havia o Heitor Fernandes, Manuel Fernandez, além dos nossos lixadores, laminadores como o Horácio Seixas, o Murilão (falecido). Brasileiros rodaram mundo afora: Japão, Austrália, EUA, Europa. Acho que o que pegava para a gente era a questão do material nacional, que era sempre inferior ao gringo.

 

 

Mas hoje a turma exporta material brasileiro, temos a Teccel, por exemplo, que exporta bloco para o mundo inteiro. Essa ascensão da Brazilian Storm tem muito também dos shapers brasileiros. Temos que citar o Joca Secco, Ricardo Martins, Avelino Bastos, entre vários outros. Para mim, os shapers do Brasil sempre foram top shapers mundiais, posso falar isso com propriedade porque fiz prancha com Deus e o Mundo, ganhei campeonatos com pranchas estrangeiras, com pranchas nacionais, e fiz minha carreira com grande participação de shapers brasileiros. Agora, estamos na ponta e é mais que justo.

 

 

E Fábio Gouveia, vai passar um tempo viajando, shapeando?
Quando comecei a shapear, minha ideia era exatamente essa, ser um shaper freelancer e viajar o mundo fazendo pranchas. Mas aí veio a Pandemia e precisei adiar esses planos. No início de 2020, fui para uma feira de esportes com pranchas no Japão a convite da Teccel. Na época, tinha Teccel no Japão. A ideia seria eu voltar para lá, fazer umas pranchas, depois partir para a Indonésia.

 

Mas a pandemia atrapalhou tudo, depois rompi ligamento de joelho, agora já tô com problema de quadril. Mas depois que eu melhorar, pretendo fazer uma temporada na Indonésia. Porque acho que shapear é isso, você viajar, aprender. Eu também queria usar o artifício do shape para voltar aos lugares que eu ia como competidor: Austrália, Japão, América, ficar no Havaí dois, três meses fazendo pranchas.

 

 

Essa é uma nova perspectiva para no Havaí porque hoje em dia, sou um freesurfer. Tenho meus patrocínios ainda, mas não tenho aquele compromisso de ficar o dia inteiro na praia, fazer fotos. Eu procuro outras coisas para procurar dar retorno de outra forma. Quero ingressar em alguma fábrica, pegar onda, curtir, aprender cada vez mais sobre prancha porque eu aprendendo vou satisfazer muita gente e principalmente a mim. Porque não tem instiga melhor do que você fabricar a prancha e ficar doido pra colocar ela na água.

 

Pra finalizar, queria que você falasse a respeito das polêmicas relacionadas ao julgamento do CT. Você acha que existe má vontade no julgamento dos brasileiros?
Acho que muitas vezes a gente presta mais atenção nos nossos surfistas do que nos gringos. Mas falando da bateria do Leo contra o Gabriel, ali o bicho pegou, ele surfou muito. Tinha onda ali que o cara merecia mais nota, mas se der mais nota, o cara vem de novo e faz melhor e vai ficar faltando espaço pra dar nota… Então acho que às vezes quando o cara surfa muito, quando ele é excepcional, acaba que atrapalha, porque os juízes ficam esperando mais e mais, e o cara já faz mais pra caramba só que quem tá julgando não dá a nota porque espera mais ainda!

 

 

Na bateria contra o Colapinto saíram dois scores ali que atrapalharam a bateria. Não estou dizendo que os caras roubaram, eles erraram. Aí eu fiquei imaginando: se o Colapinto pegasse aquela onda que o Gabriel pegou, quanto os caras não iriam dar? Será que os caras não iriam dar acima de oito? No meu feeling eu acho que sim. Então acho que naquela bateria os caras julgaram errado. Beleza, o Colapinto venceu ali, apertado, mas os caras erraram. Talvez se eles tivessem dado a nota correta para o Griffin nas duas ondas, não falo a primeira, mas a terceira e a quarta.

 

Aquela que ele deu uma primeira rasgada agarrada e depois deu uma batida na junção totalmente desconcertada, com os braços todos trocados, deram um seis alto. Jamais seria essa nota. Na outra ele caiu na terceira manobra… as duas primeiras foram boas, mas aquela terceira ele caiu e tecnicamente deixaria de ganhar um escore maior. Tem também o lance de você estar assistindo na Internet ou ao vivo. Eu sempre fico muito cuidadoso em falar algo nas minhas mídias sociais porque você não está na praia vendo… Sempre tem dez por cento a mais em tamanho de onda a mais.

 

 

E aquela onda do Gabriel na final era grande, pode até ter sido julgada certa, mas as duas do Colapinto não. E aí você vê direto os caras mudarem o critério. Por exemplo, diversificação de manobras, o Gabriel vai lá, dá uma batida que inverte, dá um 360 no meio da batida, dá uma escorada boa que joga água… ou seja, muita variação de manobras. Mesma coisa o Ítalo na piscina, ano passado.

 

O cara fez uma variação de manobras incrível, ficou em tubo mais deep, e perdeu a bateria. Não existe isso. Então no critério tem variação, e não se julga bem a variação de manobra. Aí fica difícil. Penso que se você surfa uma onda ruim bem, é passível de mais nota. Agora, se você surfar uma onda clássica, fácil e arrebentar, lógico, merece uma boa nota. Mas como naquela final que o Gabriel perdeu para o Julian Wilson no ano que ele foi campeão mundial.

 

 

Na última onda do Gabriel ele fabricou a onda e o Julian veio na onda perfeita. Mas eu acho que a galera erra mesmo. E quando tem um cara que está muito em evidência, a parada vai ser derrubar esse cara. Eu via isso com o Kelly Slater. Eu vi o Kelly no passado perder uma bateria para o Shane Beschen em Huntington Beach que ele não perdeu de jeito nenhum. Não perdia nem com o cão, meu irmão. Ele precisava de uma onda alta, não sei se era um 10. Mas se ele precisasse de um 10, a onda era 10.

 

Porque ele pegou a onda, pegou um tubo, deu um rasgadão, e completou com uma muito forte na junção. Ou seja, o cara fez o impossível, era nota máxima e com certeza ele levou com certeza, mas deram pro Beschen. Mas eu tenho muita fé que o Brasil vai manter esse título. Infelizmente aconteceram coisas como o acidente do Chumbo, essa fase sabática do Filipe que entendo está cansado. É aquilo cara, os meros mortais que somos quando estão no circuito cansam. E quando o cara está no circuito cansado ele cai e quando ele cai vai ter um ano diferente, para recuperar a energia e voltar.

 

 

Acho justo a WSL dar o wildcard para o ano seguinte, porque realmente cansa muito. Senão a carreira dele pode ir para outro rumo e penso que a entidade é que perde. Porque você tem um superstar, no caso o Filipe, Medina, ou qualquer outro desse quilate e no final a WSL sairia enfraquecida sem esses nomes. Mas a gente comenta dos erros e tals e no passado tinha muito.

 

Mas hoje com o advento da internet que tem tudo registrado é muito mais difícil o cara dar uma nota ali absurda, fica feio. A galera que está lá é profissional, o que tem são erros e sei lá, às vezes a gente dá azar pois está vendo sempre pro nosso lado… Mas é isso, quando está o bicho na frente, os outros querem tomar o lugar.

 

Canais citados na matéria WSL, Pepe Cezar, Magic Surf, Fabio Gouveia, Surf Radio 5513

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    Uma das esquerdas tubulares mais desejadas do planeta é palco de um evento pela primeira vez. O Capítulo Perfeito desembarca em Desert Point, na ilha de Lombok, Indonésia, para uma edição histórica, com oito tube riders convidados e apenas um dia de competição. Início de competição programado para às 23h (de Brasília) desta terça-feira (8). Clique aqui para acompanhar as notas ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre o evento Como manda a tradição do Capítulo Perfeito, o evento só entra na água quando as condições oferecem tubos de classe mundial, com oito tube riders, entre eles os brasileiros Pedro Calado, Bruno Santos e Ícaro Ronchi. Além de marcar a chegada do evento à Indonésia, a edição entra para a história de Desert Point. Conhecida mundialmente pelas longas esquerdas tubulares, a bancada de coral de Lombok jamais recebeu uma competição de surfe. “Realizar o Capítulo Perfeito em Desert Point é o culminar de um sonho, mas é sobretudo o arranque da fase 2.0 do evento, que anunciamos em janeiro ao incluir Moçambique e Indonésia no nosso calendário. Em Moçambique não tivemos o swell esperado mas, desta vez, temos toda a convicção de que teremos as ondulações de que precisamos”, afirma Rui Costa, idealizador do Capítulo Perfeito.

    Início de competição programado para às 23h (de Brasília) desta terça-feira (8). Capítulo Perfeito estreia na Indonésia com oito tube riders, entre eles três brasileiros. Confira ao vivo.

    A etapa Guarapari do Circuito Bando do Brasil chegou ao fim neste domingo na Praia d’Ulé, no Espírito Santo, reunindo alguns dos principais nomes do surfe sul-americano em disputas válidas pelo QS 4.000 da World Surf League (WSL). A etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as semifinais nas duas categorias, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral catarinense. Tainá Hinckel (BRA) e Jadson André (BRA) levaram os troféus de campeões para casa, somando importantes pontos na corrida pelo título sul-americano e pela vaga no Challenger Series (CS) de 2027/28. Além disso, os vencedores embolsaram 8 mil dólares de premiação. Luan Wood (BRA) assumiu a liderança do ranking do QS após a etapa. Daniella Rosas (PER) toma a frente de Sophia Medina (BRA) na lista e também assume a ponta. Tainá Hinckel arrasadora na decisão  Em um duelo internacional inédito em finais, Tainá Hinckel (BRA) venceu a experiente Daniella Rosas (PER) e conquistou o título feminino do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Guarapari. As duas já haviam se enfrentado seis vezes em etapas do Qualifying Series, com três vitórias para cada lado, mas esta foi a primeira decisão entre elas.  Tainá chega à sua primeira final do Circuito Banco do Brasil em 2026, depois de bater na trave em duas semifinais, em Ubatuba e Natal, e se coloca novamente na briga pelo bicampeonato. A catarinense da Guarda do Embaú também disputa o Challenger Series e chega à terceira posição do ranking do QS na América do Sul após esta etapa, em uma temporada que pode marcar mais um salto importante na carreira da atleta olímpica e integrante do squad BB. A final foi marcada por uma disputa de alto nível e pelo duelo de backside, uma das principais características do surfe de Tainá. A brasileira abriu vantagem com uma onda de 8 pontos, construída com três fortes pancadas, deixando Daniella precisando de 10 pontos para virar. Na sequência, Tainá encontrou uma esquerda mais longa e arrancou 7 pontos dos juízes, ampliando a pressão sobre a peruana. Com apenas quatro ondas surfadas durante toda a bateria, Tainá garantiu o título na Praia d’Ulé e o maior somatório do evento: 15,50 pontos, o mesmo alcançado por Dani nas semifinais.  “Estou muito feliz com essa vitória e muito rouca, porque berrei com tudo o que estava aqui dentro nas minhas duas melhores ondas. Foi uma bateria muito disputada. O surfe feminino está evoluindo muito na América do Sul e estamos caminhando para mostrar nosso potencial mundo afora. Vencer aqui é muito especial para mim. Acreditei do início ao final e sabia que precisava acreditar”, celebra a campeã. “Estou muito feliz e sei o quanto é importante para mim estar com essa garra, mostrar meu surfe em qualquer campeonato. Não é só a onda, mas a conexão que existe dentro de mim. Foi super disputada do início ao final, mas eu sabia que seria minha porque planejei tudo desde o começo. Deus tinha escrito isso para mim”, comemorou Tainá. Jadson é bicampeão na Praia d’Ulé Aos 36 anos, Jadson André escreveu mais um capítulo de superação na Praia d’Ulé. Mesmo competindo durante toda a etapa com uma lesão no pé que chegou a colocar sua participação em dúvida, o potiguar venceu Luan Wood na final masculina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Guarapari e conquistou o título pelo segundo ano consecutivo. O confronto foi o segundo entre os dois na temporada. Em Imbituba, Jadson e Luan haviam se encontrado na semifinal, com vantagem para o catarinense. Desta vez, porém, o potiguar levou a melhor no duelo decisivo. Em uma bateria com as condições do mar alteradas pela entrada do vento logo após a final do feminino, Jadson apostou em seu forte surfe de frontside e nos aéreos para abrir vantagem, enquanto Luan, de backside para as esquerdas e com um surfe mais de linha, lutou até o fim, encaixando boas combinações de manobras para reduzir a diferença entre eles no somatório final. Apesar de encontrar um 7,27 pontos, Luan não conseguiu trocar sua onda de backup e acabou sendo batido na matemática final por 12,60 (7,27 + 5,33) contra 13,33 (6,83 + 6,5) de Jadson.  “Mais uma vez, toda honra e toda glória sejam dadas a Deus. Sem Ele, seria impossível chegar até aqui e vencer esse campeonato. Eu realmente não conseguia pisar no chão direito e chegou a passar pela minha cabeça abandonar a competição. Mas, como alguém que confia nos planos de Deus, decidi pensar em um dia de cada vez e as coisas foram acontecendo”, contou o campeão. Jadson também revelou que uma série de coincidências durante a etapa o fizeram lembrar da conquista de 2025.  “Durante a competição, várias coisinhas foram trazendo boas lembranças e alguns sinais. No ano passado, competi com a cordinha do meu colega de quarto. Este ano, eu estava competindo com o leash de outro moleque e tinha quebrado a minha única quilha que eu conseguia surfar. Cheguei na praia e encontrei o Rickson (Falcão), que me emprestou uma quilha da prancha reserva dele. Ontem, uma pessoa me perguntou: ‘Vai ganhar de novo?’. E eu respondi: ‘Vou ganhar de novo’. Na minha segunda onda da bateria, foi a primeira vez que consegui pisar na prancha direito. Parece até que estou vivendo o ano passado de novo.”  Emocionado, Jadson ainda mandou um recado para a família: “Estou muito feliz. Mando um beijo para minha esposa, meu filho e toda a minha família. Vou levar essa tartaruga (mascote da etapa) para o meu filho. Estou muito feliz e embalado para a próxima semana, porque já temos outro evento muito importante do ano pela frente.” O caminho dos campeões até a final Traçando o retrospecto até as finais, a manhã

    Jadson André e Tainá Hinckel vencem etapa do Circuito Banco do Brasil em Guarapari (ES), em prova válida pelo QS 4000, enquanto Luan Wood assume a liderança do ranking sul-americano.

    Uma das esquerdas tubulares mais desejadas do planeta será palco de um evento pela primeira vez. O Capítulo Perfeito desembarca em Desert Point, na ilha de Lombok, Indonésia, para uma edição histórica, com oito tube riders convidados e apenas um dia de competição. A janela começou na última terça-feira (1) e segue até 15 de setembro. Como manda a tradição do Capítulo Perfeito, o evento só entra na água quando as condições oferecem tubos de classe mundial. A organização acompanha as previsões e fará o call oficial com 72 horas de antecedência. A expectativa agora está voltada para uma ondulação prevista para chegar no próximo dia 8 de setembro. Além de marcar a chegada do evento à Indonésia, a edição entra para a história de Desert Point. Conhecida mundialmente pelas longas esquerdas tubulares, a bancada de coral de Lombok jamais recebeu uma competição de surfe. “Realizar o Capítulo Perfeito em Desert Point é o culminar de um sonho, mas é sobretudo o arranque da fase 2.0 do evento, que anunciamos em janeiro ao incluir Moçambique e Indonésia no nosso calendário. Em Moçambique não tivemos o swell esperado mas, desta vez, temos toda a convicção de que teremos as ondulações de que precisamos”, afirma Rui Costa, idealizador do Capítulo Perfeito. Tubos e mais tubos Desert Point exige uma combinação bastante específica de ondulação, vento e maré. A longa esquerda quebra sobre uma bancada de coral extremamente rasa e afiada, característica que ajudou a transformar o pico em uma das ondas mais exigentes do planeta. O cenário combina perfeitamente com a proposta do Capítulo Perfeito. Criado em 2012, o evento tem como essência esperar pelas melhores condições possíveis e colocar especialistas em tubos na água. Somente tubos são pontuados. Serão oito convidados divididos em duas baterias de quatro surfistas. As duas primeiras fases não são eliminatórias, portanto todos entram na água duas vezes. Ao final dos dois rounds, os quatro maiores pontuadores avançam diretamente à decisão. Todas as baterias têm duração de 45 minutos. O campeão em Desert Point também garante uma vaga direta no Capítulo Perfeito de 2027, em Carcavelos, Portugal. A edição indonésia distribui ainda 10 mil euros em premiação. Dois brasileiros em Desert Point O Brasil já tem dois representantes confirmados. Pedro Calado conquistou sua vaga depois de chegar à final da edição de 2025, em Carcavelos. Ele estará ao lado de Balaram Stack, Cam Richards e Nic von Rupp entre os quatro classificados a partir do resultado do último evento. Von Rupp herdou a vaga de Noah Beschen, que não viajará à Indonésia por compromissos profissionais. O segundo brasileiro é Bruno Santos, anunciado como o primeiro wildcard global. Campeão do Capítulo Perfeito em 2015, Bruninho passa boa parte do ano na Indonésia e acumula enorme experiência em Desert Point. “Para mim, é uma honra enorme receber este convite. Ser um de apenas dois surfistas internacionais convidados torna tudo ainda mais especial. Existe uma ansiedade muito grande, porque é uma novidade e também porque, desde que o evento foi anunciado, muita gente sonhou com esta vaga e procurou esta oportunidade. Tenho um carinho muito grande por Desert Point, dediquei muito tempo da minha vida àquela onda e conheço bem as condições de lá. Estou muito ansioso e, acima de tudo, muito feliz por viver este momento”, comenta Bruninho Santos. Rui Costa vai além ao falar da experiência do brasileiro na bancada. “O Bruno Santos é provavelmente o surfista com mais horas de tubo em Desert Point. Foi campeão do Capítulo Perfeito em 2015 e acompanhou toda a evolução do evento. Para nós, era uma opção lógica”, afirma. Quem será o último convidado? Sete dos oito nomes estão definidos. Além de Pedro Calado, Bruno Santos, Balaram Stack, Cam Richards e Nic Von Rupp, o evento terá os wildcards locais Sulaiman e Usman Trioko. Resta apenas um wildcard global, mantido em segredo pela organização. E os próprios competidores já começaram a fazer suas apostas. Cam Richards e Bruno Santos apontam Tosh Tudor. Balaram Stack aposta em Craig Anderson, enquanto Usman Trioko acredita que será um brasileiro chamado Leandro. Nic von Rupp foi ainda mais longe e escolheu Kelly Slater. A organização divulgou três pistas sobre o convidado: ele é descendente de uma figura lendária do surfe havaiano, aparece no filme PIPELINE (2026), de Peter King, e já foi candidato diversas vezes ao Wave of the Winter (WOTW). O nome será revelado antes do call para o evento. Primeira temporada internacional A passagem por Desert Point faz parte de uma nova fase do Capítulo Perfeito. Pela primeira vez desde sua criação, em 2012, o evento ampliou seu calendário para fora de Portugal em 2026, com Moçambique e Indonésia. Ao longo de sua história, o evento já passou por Supertubos, em Peniche; Praia do Norte, em Nazaré; e Carcavelos, em Cascais. A etapa de Moçambique prevista para este ano não foi realizada porque a ondulação esperada não chegou durante a janela. Agora, todas as atenções estão voltadas para Desert Point. Os surfistas permanecem em stand-by e a organização acompanha o oceano à espera das condições que justificam colocar na água o primeiro evento da história da famosa esquerda de Lombok. Confirmados no Capítulo Perfeito de Desert Point Classificados por Carcavelos 2025 Balaram Stack (EUA)Cam Richards (EUA)Nic von Rupp (POR)Pedro Calado (BRA) Wildcards locais Sulaiman (IND)Usman Trioko (IND) Wildcards globais Bruno Santos (BRA) A definir

    Capítulo Perfeito estreia na Indonésia com oito tube riders, entre eles os brasileiros Pedro Calado e Bruno Santos; janela vai até 15 de setembro e organização monitora swell previsto para o dia 8.

    Gabriel Medina foi vice-campeão do Fiji Pro 2026, encerrado nesta quinta-feira (3), em Cloudbreak. O tricampeão mundial chegou à decisão depois de uma grande campanha nas ondas pesadas da etapa, mas foi superado pelo norte-americano Cole Houshmand. O resultado marca uma forte recuperação do brasileiro, que vinha de eliminações na primeira fase nas duas etapas anteriores, no Brasil e no Taiti, e agora sobe para a quarta colocação no ranking mundial. A final ganhou emoção na segunda metade. Houshmand abriu vantagem e chegou a 16,87 pontos, deixando Medina em combinação. O brasileiro respondeu com a melhor onda da decisão: entubou com profundidade, acelerou por dentro, atravessou diferentes seções e saiu limpo para receber nota 10. Medina voltou à disputa, mas Houshmand, com a prioridade, controlou os cinco minutos finais e garantiu o terceiro título de sua carreira no Championship Tour. “Sair daquele tubo na final foi a melhor sensação. Eu estava esperando por aquela onda e estou muito feliz por ter conseguido o 10. Me sinto bem por ter chegado à final com o Cole. Ele é um bom amigo e vem surfando muito. Estou muito feliz de estar aqui e feliz pelo Cole também. Hoje foi incrível”, disse Medina. Medina, bicampeão em Fiji, buscava a terceira vitória em sua quarta final no evento. No dia decisivo, marcou 9,33 nas quartas, somou duas notas acima de 9 para chegar a 19,04 pontos na semifinal e fechou a campanha com o 10 na decisão. No feminino, Erin Brooks conquistou o título sem entrar na água na final, depois que Isabella Nichols desistiu da disputa por causa de uma lesão no tornozelo sofrida na semifinal. A canadense de 19 anos, que também venceu no Taiti, chegou ao segundo triunfo consecutivo no CT e à segunda vitória da carreira em Fiji. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por People On Tour (@peopleontour) Baterias do Fiji Pro 2026 Masculino Round 1 1 – Matthew McGillivray (AFS) 5.33 x 1.43 Luke Thompson (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) 12.00 x 8.33 Teo Degei (FIJ)3 – Mateus Herdy (BRA) 12.16 x 11.23 Jarvis Earle (AUS)4 – Ramzi Boukhiam (MAR) 11.50 x 6.10 Oscar Berry (AUS) Round 2 1 – Seth Moniz (HAV) 12.67 x 11.80 Marco Mignot (FRA)2 – Cole Houshmand (EUA) 15.17 x 12.70 Ethan Ewing (AUS)3 – Yago Dora (BRA) 15.40 x 13.67 Mateus Herdy (BRA)4 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.27 x 11.66 Alan Cleland (MEX)5 – Morgan Cibilic (AUS) 14.34 x 13.17 João Chianca (BRA)6 – Leonardo Fioravanti (ITA) 11.06 x 9.17 Eli Hanneman (HAV)7 – Callum Robson (AUS) 9.10 x 8.94 Liam O’Brien (AUS)8 – Jake Marshall (EUA) 13.17 x 7.33 George Pittar (AUS)9 – Italo Ferreira (BRA) 12.70 x 10.56 Matthew McGillivray (AFS)10 – Connor O’Leary (JAP) 16.40 x 16.00 Filipe Toledo (BRA)11 – Samuel Pupo (BRA) 13.50 x 12.73 Alejo Muniz (BRA)12 – Griffin Colapinto (EUA) 15.17 x 9.73 Rio Waida (INA)13 – Miguel Pupo (BRA) 12.26 x 10.70 Ramzi Boukhiam (MAR)14 – Kauli Vaast (FRA) 16.17 x 10.43 Crosby Colapinto (EUA)15 – Barron Mamiya (HAV) 13.87 x 10.50 Jack Robinson (AUS)16 – Gabriel Medina (BRA) 13.94 x 9.83 Joel Vaughan (AUS) Round 3 1 – Cole Houshmand (EUA) 10.17 x 4.00 Seth Moniz (HAV)2 – Yago Dora (BRA) 14.40 x 6.83 Kanoa Igarashi (JAP)3 – Leonardo Fioravanti (ITA) 14.33 x 10.43 Morgan Cibilic (AUS)4 – Callum Robson (AUS) 10.50 x 8.77 Jake Marshall (EUA)5 – Connor O’Leary (JAP) 14.33 x 7.27 Italo Ferreira (BRA)6 – Griffin Colapinto (EUA) 14.00 x 12.60 Samuel Pupo (BRA)7 – Kauli Vaast (FRA) 19.07 x 11.17 Miguel Pupo (BRA)8 – Gabriel Medina (BRA) 13.77 x 13.33 Barron Mamiya (HAV) Quartas de final 1 – Cole Houshmand (EUA) 16.13 x 13.27 Yago Dora (BRA)2 – Leonardo Fioravanti (ITA) 14.10 x 10.94 Callum Robson (AUS)3 – Griffin Colapinto (EUA) 13.00 x 10.50 Connor O’Leary (JAP)4 – Gabriel Medina (BRA) 15.66 x 7.33 Kauli Vaast (FRA) Semifinais 1 – Cole Houshmand (EUA) 17.10 x 11.33 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 19.04 x 14.57 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 – Cole Houshmand (EUA) 16.87 x 15.17 Gabriel Medina (BRA) Feminino Round 1 1 – Yolanda Hopkins (POR) 9.77 x 9.57 Tya Zebrowski (FRA)2 – Sally Fitzgibbons (AUS) 9.97 x 8.37 Stephanie Gilmore (AUS)3 – Vahine Fierro (FRA) 14.17 x 6.66 Alyssa Spencer (EUA)4 – Brisa Hennessy (CRC) 10.66 x 4.60 Anat Lelior (ISR)5 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 9.73 x 8.50 Bella Kenworthy (EUA)6 – Francisca Veselko (POR) 12.17 x 12.00 Tyler Wright (AUS)7 – Erin Brooks (CAN) 18.00 x 3.06 Sophie McCulloch (AUS)8 – Isabella Nichols (AUS) 9.33 x 3.80 Ulukilupetea Kurop (FIJ) Round 2 1 – Carissa Moore (HAV) 12.13 x 11.50 Sally Fitzgibbons (AUS)2 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 14.60 x 9.00 Luana Silva (BRA)3 – Vahine Fierro (FRA) 11.67 x 10.43 Sawyer Lindblad (EUA)4 – Erin Brooks (CAN) 10.83 x 6.00 Caroline Marks (EUA)5 – Yolanda Hopkins (POR) 10.17 x 9.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Isabella Nichols (AUS) 11.60 x 8.93 Nadia Erostarbe (ESP)7 – Brisa Hennessy (CRC) 8.57 x 5.67 Molly Picklum (AUS)8 – Lakey Peterson (EUA) 13.10 x 8.04 Francisca Veselko (POR) Quartas de final 1 – Carissa Moore (HAV) 14.34 x 11.00 Bettylou Sakura Johnson (HAV)2 – Erin Brooks (CAN) 11.10 x 10.67 Vahine Fierro (FRA)3 – Isabella Nichols (AUS) 9.67 x 6.77 Yolanda Hopkins (POR)4 – Brisa Hennessy (CRC) 10.83 x 7.47 Lakey Peterson (EUA) Semifinais 1 – Erin Brooks (CAN) 11.84 x 9.97 Carissa Moore (HAV)2 – Isabella Nichols (AUS) 10.67 x 10.50 Brisa Hennessy (CRC) Final 1 – Erin Brooks (CAN) vence Isabella Nichols (AUS) por lesão

    Com nota 10 na final, tricampeão mundial Gabriel Medina fica com o vice em Fiji, sobe para quarto no ranking e retoma protagonismo no circuito. Cole Houshmand e Erin Brooks vencem o campeonato.

    Oito anos depois de entrar para a história do surfe de ondas gigantes, Rodrigo Koxa volta a viver a expectativa de alcançar o topo. O brasileiro é o protagonista de DÉJÀ VU, curta-metragem documental que acompanha o período de espera por mais um possível momento histórico de sua carreira. Finalista do Big Wave Challenge 2026 na categoria Maior Onda Masculina, Koxa disputa o prêmio depois de surfar uma onda em Nazaré, Portugal, cuja medição preliminar chegou a 29,15 metros. O resultado oficial será apresentado no dia 19 de setembro, durante a cerimônia da premiação no Lido Theatre, em Newport Beach, Califórnia, nos Estados Unidos. Mais do que acompanhar a disputa por um título, DÉJÀ VU mergulha justamente no período de espera que antecede a definição. Entre ansiedade, memórias, preparação e expectativa, o filme mostra Koxa novamente diante da possibilidade de alcançar um lugar que já ocupou. Em 2018, o brasileiro recebeu o reconhecimento do Guinness World Records pela maior onda já surfada, depois de descer uma onda de 80 pés (24,38 metros) em Nazaré. A marca permaneceu como recorde mundial até ser superada, em 2022, pelo alemão Sebastian Steudtner, que surfou uma onda de 86 pés (26,21 metros). Agora, a nova onda de Koxa pode colocá-lo novamente na disputa pelo posto. Caso a medição oficial confirme os 29,15 metros registrados preliminarmente e sejam atendidos os critérios aplicáveis, o brasileiro poderá conquistar o título de maior onda da temporada e voltar a disputar o recorde mundial. “Estava muito na expectativa de ver minha onda nessa final. Vou trazer de volta esse título de maior da temporada. Foi uma onda diferente em dezembro, surfada do pico até a base, até o final eu estava na adrenalina e na dúvida se conseguiria completar pelo nível de dificuldade.” Rodrigo Koxa Na disputa pelo prêmio também estão outros dois nomes que surfaram ondas em Nazaré: o brasileiro Lucas Chumbo e o francês Clement Roseyro. Por dentro de Déjà Vu Produzido por Rodrigo Koxa e Maskavo Filmes, DÉJÀ VU tem direção de Fábio Webber e edição assinada por Koxa e Webber. O documentário reúne relatos de pessoas que acompanham de perto a trajetória do surfista. Participam do filme Aline Cacozzi, esposa de Koxa; Vitor Faria, parceiro de ondas gigantes; Thiago Jacaré, coordenador do Big Wave Brasil; e Paulo Vinícius, designer. “Estou muito confiante em ter essa medição homologada e recuperar também esse recorde mundial. Agradeço a torcida da galera e peço a todos boas energias, que isso faz toda a diferença!” Rodrigo Koxa Aos 46 anos, Koxa se vê novamente diante da possibilidade de viver uma conquista que já fez parte de sua história. Oito anos depois de entrar para a história, a expectativa está de volta. A pressão também. E é justamente essa sensação que dá nome ao filme: DÉJÀ VU. Um déjà vu que pode terminar com um novo capítulo na história do surfe de ondas gigantes.

    Documentário acompanha Rodrigo Koxa nos bastidores da expectativa por um novo recorde mundial após o brasileiro surfar uma onda de 29,15 metros em Nazaré.

    A oitava etapa do Championship Tour (CT) 2026 desembarca em um dos palcos mais desejados do surfe mundial. O Fiji Pro chega com Italo Ferreira na liderança do ranking, dez brasileiros na disputa e uma previsão que pode colocar a famosa esquerda de Cloudbreak em boas condições ao longo dos próximos dias. Clique aqui para ver ao vivo A primeira chamada acontece às 16h30 desta segunda-feira (24), no horário de Brasília, com possível início da competição às 17h. Em Fiji, onde o calendário já estará na terça-feira (25), a chamada será às 7h30, com possível início às 8h. A janela segue até 4 de setembro. A etapa marca o retorno do elenco completo do CT a Cloudbreak pela primeira vez desde 2017. Em 2024, Fiji voltou ao calendário e, no ano passado, recebeu o WSL Finals, quando Yago Dora e Molly Picklum conquistaram seus primeiros títulos mundiais. Swell a caminho A previsão aponta poucas ondas logo no início da janela, com Cloudbreak pequeno ou praticamente flat durante boa parte do primeiro dia da janela em Fiji. Mas o swell começa a ganhar força ao longo do dia e pode chegar ao fim da tarde com ondas de 1,5 metros de face. A grande mudança aparece já no segundo dia de janelta. Um swell mais consistente deve colocar Cloudbreak na faixa de 3 metros de face durante todo o dia, com séries maiores. A previsão também indica ventos favoráveis, formando o primeiro cenário realmente forte para a realização da competição. Com ondas consistentes, existe ainda a possibilidade de a organização recorrer às baterias no sistema dual heat, com duas disputas acontecendo simultaneamente, para acelerar o cronograma e aproveitar a sequência de boas condições. No terceiro dia de janela, o swell já começa a perder força, mas a parte da manhã ainda pode apresentar quase 3 metros de face, com séries ocasionais maiores. A tendência é de redução gradual durante a tarde, ainda com condições favoráveis. Na sequência, um novo reforço de sudoeste pode manter Cloudbreak na faixa de 2,5 metros pés de face pela manhã do dia seguinte, sem necessariamente provocar novo aumento significativo de tamanho, mas trazendo mais energia e ajudando a prolongar o período de boas ondas. E o maior swell pode ainda estar por vir A também melhora de cenário para os dias 30 e 31 de agosto. Dois sistemas aparecem com potencial para produzir ondas da altura da cabeça até alguns pés acima, possivelmente acompanhadas por vento leve. Mas é a reta final da janela que começa a chamar mais atenção. Entre 2 e 4 de setembro, cresce a possibilidade da chegada de um swell forte e de longo período em Cloudbreak. A previsão aponta a presença de um sistema sólido. A confiança também vem aumentando na possibilidade de que as maiores ondas de toda a janela aconteçam justamente no início de setembro. Por se tratar de uma previsão de longo prazo, o cenário ainda pode mudar nos próximos dias. Cloudbreak para todos os tamanhos Considerada uma das melhores esquerdas do planeta, Cloudbreak quebra sobre um extenso recife de coral e muda completamente de personalidade dependendo do tamanho do swell. Em condições menores, oferece paredes longas e oportunidades para um surfe de alta performance. Quando o Pacífico Sul ganha força, a onda se transforma e passa a produzir tubos grandes, rápidos e extremamente pesados. O amplo campo de competição também reúne diferentes seções e exige leitura precisa do lineup. Depois de receber uma etapa pós-corte em 2024 e o WSL Finals em 2025, Cloudbreak volta agora a colocar todo o elenco do Championship Tour dentro d’água. É a primeira vez que isso acontece desde 2017. Italo chega de amarelo Entre os brasileiros, os olhos estarão principalmente sobre Italo Ferreira. Depois da semifinal em Teahupoo, o potiguar recuperou a lycra amarela e chega a Fiji isolado na liderança do ranking mundial. O campeão mundial de 2019 soma uma vitória, um vice-campeonato e dois terceiros lugares na temporada. Apesar de seu surfe de frontside e da capacidade nos tubos combinarem com Cloudbreak, Italo ainda busca um grande resultado no pico fijiano. A etapa também tem peso especial para Yago Dora. Foi justamente em Cloudbreak que o brasileiro conquistou seu primeiro título mundial, no WSL Finals de 2025. Atual terceiro colocado no ranking, Yago chega ao Fiji Pro buscando recuperar terreno na disputa pelo bicampeonato. Gabriel Medina completa outro capítulo importante da presença brasileira. Bicampeão da etapa, com vitórias em 2014 e 2016, o tricampeão mundial é, ao lado de Yago, um dos únicos brasileiros que já venceram em Cloudbreak. Dez brasileiros em Fiji O Brasil terá nove representantes no masculino e Luana Silva no feminino. Italo Ferreira, Yago Dora, Gabriel Medina, Miguel Pupo, Samuel Pupo, João Chianca, Filipe Toledo, Alejo Muniz e Mateus Herdy formam o contingente brasileiro entre os homens. Mateus é o único brasileiro escalado para o Round 1 masculino e enfrenta o australiano Jarvis Earle na terceira bateria. Os demais brasileiros entram posteriormente na competição. Além dos principais nomes do Tour, Fiji terá três wildcards: os locais Teo Degei e Ulukilupetea “Tea” Kurop, vencedores das seletivas fijianas, e o australiano Jarvis Earle, campeão mundial júnior de 2022. Kurop faz história como a primeira mulher de Fiji a disputar uma etapa do Championship Tour. Com o líder mundial de amarelo, um campeão mundial retornando ao palco onde conquistou seu título, dez brasileiros na disputa e diferentes pulsos de swell previstos ao longo dos próximos dias, Fiji abre uma das janelas mais promissoras da temporada. E, se os modelos de previsão realmente confirmarem o que começam a indicar para o início de setembro, o melhor de Cloudbreak pode ficar justamente para o final. Baterias do Fiji Pro 2026 Masculino Round 1 1 – Luke Thompson (AFS) x Matthew McGillivray (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) x Teo Degei (FIJ)3 – Mateus Herdy (BRA) x Jarvis Earle (AUS)4 – Ramzi Boukhiam (MAR) x Oscar Berry (AUS) Round 2 1 – Marco Mignot (FRA) x Seth Moniz (HAV)2 – Ethan

    Com dez brasileiros na disputa, janela do Fiji Pro abre nesta segunda-feira (24), com primeira chamada às 16h30 (de Brasília). Previsão indica swell a caminho para os primeiros dias em Cloudbreak.

    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.