Evandro Bonservizi

Shaper raiz

Confira entrevista exclusiva com Evandro Bonservizi, que se dedica à arte de shapear há mais de 30 anos.
Evandro Bonservizi - Guia de Pranchas 2024.

Entrevistamos o renomado shaper da Pro Ilha, Evandro Bonservizi, 42 anos, profissional que conta com uma jornada de 30 anos no mundo das pranchas de surfe, marcada por experiências singulares e evolução constante. Essa é a história de alguém cuja ligação com o surfe foi selada ao ganhar uma prancha do irmão durante um período de férias na paradisíaca Bertioga (SP). Inspirado pelas páginas das revistas de surfe, em especial o saudoso Guia de Pranchas encartado na extinta revista Fluir, nosso entrevistado mergulhou de cabeça na arte de shapear.

Seu primeiro contato com a construção de pranchas envolveu materiais improvisados, como ralador de queijo e templates feitos à mão com cartolina, entre outros materiais improvisados. Sua trajetória tomou um rumo decisivo quando, após esse período inicial de trabalho, teve a oportunidade de estagiar na lendária fábrica Da Hui.

Em 1998, o destino o trouxe definitivamente para o sul do Brasil, mais precisamente para Piçarras (SC), onde estabeleceu sua pequena fábrica e, em 2000, deu um passo significativo ao se unir à equipe da Pro Ilha. Nesta entrevista, exploramos os elementos fundamentais que moldaram sua jornada, desde suas preferências quanto à configuração de quilhas, até a sua visão sobre a influência das piscinas de ondas artificiais no design futuro das pranchas.

Ao longo das perguntas, desvendamos sua inspiração, seus modelos de sucesso e a importância crucial do feedback da equipe no refinamento constante de seus designs. Acompanhe esta entrevista exclusiva para conhecer mais sobre a trajetória e os insights de um shaper raiz que segue evoluindo, pesquisando e produzindo.

Como começou a shapear? Houve algum momento ou pessoa que foi decisiva para você começar?
Na verdade, eu sempre ia passar férias em Bertioga, litoral norte de São Paulo. Meu pai já comprava revistas de surfe e aquilo ali me bateu aquele amor pelo esporte. Nessa época meu irmão me deu uma prancha. E através dos antigos guias da Fluir, tive minha primeira inspiração. Aí eu fui lá e comprei material pra fazer prancha, fiz com ralador de queijo, fiz os primeiros templates com cartolina. Fui fazendo no olho. Eu era de São Bernardo, interior de SP, e achei um anuncio da antiga fábrica da Da Hui. Aí eu pedi a eles para fazer um estágio. Comecei fazendo consertos e fui aprendendo todos os processos da prancha. Eu faço desde a quilha até o shape. Vim para o sul em 1992 para surfar e conhecer. Depois, em 1998 migrei em definitivo. Aí montei minha fabriquinha onde fazia a prancha toda e mandava as pranchas para a Da Hui. Chegou um tempo em que eles precisavam ter uma fábrica grande. Ai, em 2000, 2001, a Pro Ilha começou a fazer a pranchas Da Hui. Eles já tinham uma equipe eu entrei como shaper. Os donos gostaram do meu trabalho e acabou que eu me tornei shaper da Pro Ilha e desde 2001 estou na família.

Como você vê a evolução do seu trabalho ao longo dos anos?
A principal evolução foi a máquina computadorizada. Eu comecei com o ralador, passei pela plaina e hoje temos a grande ferramenta que é a máquina. Isso foi um salto grande. A evolução da tecnologia permitiu que a gente aumentasse a produção. Atualmente podemos replicar uma prancha com bastante fidelidade, mesmo que ela não funcione exatamente como a sua matriz. Na época da plaina a gente não conseguia com tanta perfeição. Com máquina temos o mesmo arquivo e ela aplica as medidas com precisão. Outro ponto importante foi o intercâmbio que tive com outros shapers fora do Brasil, e nesse quesito destaco o shaper havaiano Wade Tokoro (faz a pranchas do Gabriel Medina para o Havaí), com quem já trabalhei e aprendi muito.

Além do Tokoro, quais shapers inspiram seu trabalho e com quais marcas você já trabalhou?
Começando com o primeiro, meu professor e mestre Victor Banys. Ele foi o cara que mais me inspirou, sempre muito crítico e perfeccionista. Banys é um sujeito muito criterioso e competente que faz altas pranchas. Uma outra inspiração foi o Ricardo Martins, que considero como referência máxima. Outro é o Joca Secco que também faz altos foguetes. E depois Al Merrick. Esses foram os principais. O Wade Tokoro, que é um amigo meu, também influenciou e influencia bastante meu trabalho. Eu trabalhei com ele. Mas antes, em 2007, a Pro Ilha junto com a Silver Bay fechou uma parceria e trouxeram ele para o Brasil para começar a distribuir suas pranchas. Eu o conheci e ele me chamou para finalizar as pranchas dele aqui no Brasil. Inclusive nessa ocasião o John Cabianca estava com ele. O Cabianca era o cara que desenhava as pranchas do Tokoro no Havaí pois tinha mais intimidade com a máquina utilizada por ele. Fui para o Havaí fiquei um tempo lá estreitamos bastante nossa amizade. Voltando do Havaí, o Pedro Bataglin passou a Rusty para a Pro Ilha e acabou que também fiquei responsável pelas pranchas dele aqui. Em 2015 o Chilly veio ao Brasil, e em 2019 comecei a finalizar as pranchas dele.

Qual configuração de quilhas você prefere para seu uso atualmente: single, tri, quad, ou twin e por quê?
Eu só estou usando praticamente biquilha, que é uma prancha divertida e fácil de surfar. O cara vai ganhando uma idade, muitas atividades na vida, e às vezes não consegue manter o rip, mas quer entrar na água e se divertir. Eu represento mais a galera que surfa nos finais de semana e precisa de uma ferramenta para compensarem a falta de rip.

Como você vê a evolução das biquilhas hi-performance?
As biquilhas alta performance estão saindo muito. Todo mundo quer ter uma prancha com boa remada porque o cara chega no pico e tem aquela molecada, com muita remada e fome de ondas. E se você não chegar preparado, não vai pegar onda. A maioria dos clientes – principalmente os que surfam só nos finais de semana –  reclamam da mesma coisa: tem muita gente na água não consigo acompanhar a molecada. Com essas pranchas que tem mais volume e são mais larguinhas, é bem mais fácil de você entrar na onda. Outro tipo de pranchas que tem sido uma ótima opção são as midlength, cada vez mais refinadas. Elas são pranchas que têm em média de 7 a 8 pés, com um bico nem tão estreito quando os das pranchinhas, nem tão largo como os dos funboards. Esse tipo de prancha é bastante indicado para aquele cara que sabe pisar, mas está acima do peso e fora do rip. Tenho visto muitos competidores usando no freesurf. Essas pranchinhas, com os elementos certos, estão cada vez mais lapidadas o que as torna cada vez mais alta performance. Hoje alguns atletas pedem quadriquilhas por exemplo. Elas funcionam muito bem em algumas situações nas quais mostram que têm mais drive e mais projeção: são muito boas em ondas tubulares por exemplo. Esse é uma estilo de configuração de quilha que foi criado lá atrás com o Ricardo Bocão, contudo os créditos ficaram para o Kelly Slater. As linhas alternativas, que são pranchas mais largas, mais bolachinhas, são muito procuradas.

Na sua opinião, quais são as principais diferenças no desempenho entre pranchas de epóxi e PU (poliuretano) e em quais condições você recomendaria cada uma?
A procura pelo epóxi hoje em dia tem sido muito alta, tendo um crescente exorbitante. Minha produção atual é cerca de meio a meio em termos de epóxi e pu. Talvez seja até seja um pouco mais de epóxi, que eu adoro, principalmente nas pranchas pequenas por conta de sua flexibilidade e resistência. Mas não podemos esquecer o pu. Quando o cara quer surfar em todas as condições o pu é mais indicado, principalmente se ele vai pegar uma onda forte, como Indonésia, Hawaii, Taiti, Maldivas, Peru. Hoje a gente tem a full carbon, outra ótima opção. Ela não é não é tão flexível como epóxi e chega mais próxima do pu em termos densidade e resistência. Esse tipo de prancha te permite ter uma resposta rápida sem perder o drive e ainda é muito resistente.

Como você se inspira para criar novos modelos? Existe algum processo criativo ou rotina que você segue para inovar em seus designs?
Eu tenho uma base de modelos que já funcionam. Alguns atletas se adaptaram bem a esses modelos, mas têm necessidades especificas. O processo consiste em pegar a prancha do atleta, aprimorar, estudar, e nesse contexto nasce um modelo novo. Esse arquivo vai para teste, a gente aprova ou não, e caso passe no teste de qualidade, batizamos e vai para a produção.

Quais são os principais fatores que você considera ao personalizar uma prancha para um cliente específico?
Primeiramente peso, altura e tamanho do pé, que é essencial pra podermos ter uma noção de área de rabeta. O grau de experiencia também é muito importante. Se já sabia surfar e estava parado. E depois vem detalhes como qual o tipo de onda que ele vai surfar. Temos muitas variáveis para atuar. A gente acaba fazendo uma entrevista com o cliente. O restante são segredinhos.

Quais seus modelos que mais fazem sucesso?
Modelos performance:
The Wolf/ Performance: modelo desenvolvido em parceria com Santigo Muniz ( competidor do QS e irmão de Alejo Muniz), que é uma prancha de alta performance.

Weapon: modelo que foi desenvolvido comigo e Alex Lima, que foi o cara principal nesse processo. Essa é alta performance e atualmente quem vem usando é nosso atleta Adriano de Souza ( campeão mundial de 2015).

Float: uma prancha com alta performance, mas é indicada tanto para surfistas medianos quanto para os avançados. Têm muitos competidores da nossa equipe que a utilizam. Ela lembra muito as pranchas que o Ítalo Ferreira usa, são largas e com performance.

Modelos das linhas alternativas/fishs:
Black Eye: prancha que sai muito e tem uma boa aceitação para quem surfa nos finais de semana e para quem está no rip. Serve para todo tipo de surfistas. É uma prancha bem bolachudinha, triquilha, bem bojuda. Os coroas que surfam bem adoram essas pranchas.

Monstra: modelo de biquilha, estilo a biquilha do Rob Machado. Essa prancha é bem versátil. Indico para quem busca diversão e quer pegar muitas ondas.

Extra Large XXL: essa é uma das que mais sai. Ela é um mix das pranchas dos anos 1980, bem distribuída com a ponta da rabeta não tão larga, com o bico um pouco mais largo. É uma prancha que desenvolvi para caras maiores e pesados. Esse modelo é ideal para quem está fora do rip, ou está surfando de longboard e quer voltar para pranchinha. Nós aqui na Pro Ilha queremos ver o cara evoluir, se sentir bem. Quero ter a sensação de ver o cara surfando bem, pegando altas ondas. Você pode até tentar usar uma prancha de alta performance sem estar no rip ou ter habilidade pra isso. Mas se você pilota um carro popular, provavelmente, não vai conseguir pilotar um F-1.

O que você acha das piscinas de ondas artificiais no que concerne à influencia no design de pranchas de surfe nos próximos anos?
Eu acho fantástico as piscinas apesar de ser uma grande polêmica. Acho fantástico para o mercado do surfe em geral. Não dependemos de condição natureza, ali você tem onda com qualidade, com tamanho. Será excelente para aprimorar detalhes, curvas, densidades e acho que estamos em plena evolução. Sem contar que como estão rolando piscinas, o público de surfistas aumenta e nosso mercado vai crescer ainda mais. Eu desenvolvo pranchas de Wake Surf para um pessoal de Brasília, e inclusive eu faço um trabalho com o Marcos Protta líder com campeonato brasileiro de Wake Surf. Eu não tinha ideia da qualidade de surfistas que tem no Cerrado. No DF temos surfistas que surfam no mundo todo e realmente pegam bem. Imagina com a piscinas de ondas?! Teremos surfistas de alto nível em cidades do interior de São Paulo, por exemplo, onde o PIB é bem alto. E isso acaba que fortalece o esporte como um todo. Tenho visto caras fazendo mix diferentes para a piscina e estamos em plena evolução. Isso não só no ramo das pranchas, mas do life style do surfe como um todo.

Mesmo com os modelos prontos, ainda há clientes que buscam pranchas, digamos, mais customizadas?
Existem, mas são minoria. A maioria bate o olho naquele modelo e fecha. Mas ainda tem o cara mais conservador. Nesse caso a gente customiza para o cliente. Criamos um modelo exclusivo pra ele. O cara pensa que nenhuma dessa encaixou pra mim e tal. A partir daí, eu crio um shape exclusivo para o cliente.

Como você integra o feedback da sua equipe no processo de design das pranchas
Cada atleta passa um feedback em cima daquele modelo que ele está usando. Tento captar o máximo possível e materializar isso em um shape. Nem todos atletas entendem de pranchas, mas alguns entendem e conseguem me passar informações mais técnicas. Outros me passam informações mais no feeling, que eu tento transformar em medidas. É um trabalho minucioso e detalhado, mas essencial. A evolução do design depende muito da evolução do atleta e com um trabalho a longo prazo você vê os resultados aparecerem. O cara tem que testar, viajar bastante, pra gente chegar a um consenso.

Em sua opinião, as próximas inovações em pranchas de surfe caminham na direção de novos materiais de laminação (a exemplo do que está acontecendo com as pranchas feitas inteiramente com fibra de carbono), ou ainda há espaço para mudanças significativas em termos de design?
Em questão de design sempre há variações mas a base tem sido a mesma. Mas as tendências mudam constantemente, às vezes as pranchas alargam, às vezes estreitam de novo. Depois aumentam, diminuem. Na realidade acredito que o que teremos serão ajustes finos no design, mas nada muito significativo. A evolução segue mais no caminho do material. Temos experiências a fazer pois a própria fibra está mudando: gramatura diferente, pesos diferentes, resinas diferentes, e nesse contexto ainda temos muito a explorar.

Como é trabalhar em uma fábrica grande como a Pro Ilha?
Pra mim é uma honra. Já conhecia a Pro Ilha de nome e quando comecei a trabalhar com eles fiquei muito feliz ao perceber que é uma empresa nos dá todo suporte. Temos uma equipe para tudo e então fica fácil para eu me dedicar à minha atividade, que é o shape e o design. Cada pedacinho da prancha é feito por um funcionário. São 40 funcionários e produzimos cerca de 600 pranchas por mês. Pra você ter uma ideia, são três máquinas computadorizadas. Durante a pandemia – quando a produção aumentou – foram 1200 pranchas mês. Nós exportamos para a América do Sul, América Central, América do Norte e Europa. Estar atrelado a uma fábrica desse porte me ajuda bastante a evoluir como shape, pois lido com shapers globais. Acompanho a tendência internacional. Hoje trabalhamos com a Sharp Eye, Johnny Cabianca, shaper de Gabriel Medina (parte das pranchas do Medina são feitas na Pro Ilha), as Rusty da Califórnia, Simmon, Snappy entre outros. São Chico é uma cidade muito pequena, sendo a terceira cidade mais antiga do Brasil. Assim como Jean da silva, Pato, entre outros, são motivo de orgulho para a cidade, a Pro Ilha também o é.


Quem são seus test riders?
Santiago Muniz, Adriano de Souza, Noah Machado, Murilo Brandt, Iuri Gabriel, Iasmim Dias, Mirna Boelsma (holandesa), Susan Leal, Gustavo Ramos (disputa o circuito CBSURF); Gabriel Castigliolla; Alexia Monteiro (sétima colocada no ISA World Surfing Games 2023), Rafael Imhof, Kaylane e Kyara, Miguel e Matheus Amaral, Marcos Protta (Equipe Mormaii Wakesurf em Brasília) e Henrique “Surf boy” Cavilha.

Clique aqui para obter mais informaões no site Pro Ilha.

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    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).