Entrevista imaginária

Três décadas sem Xandinho

Em homenagem a Xandinho, Rodrigo Monteiro publica entrevista fictícia com um dos maiores bodyboarders brasileiros. Dia 25 de agosto completam-se 30 anos da partida do atleta.

No próximo dia 25 de agosto completam-se 30 anos da partida do bodyboarder Alexandre de Pontes, conhecido pelos gringos como Alex de Pontes. Xandinho, para os mais próximos, foi um ídolo do esporte e até hoje é lembrado pelos seus feitos.

Ele foi finalista inúmeras vezes do campeonato mundial de Pipeline (na época que não existia circuito e o título era decidido em uma única etapa) e top nacional por diversos anos.

Em uma entrevista fictícia, Rodrigo Monteiro presta homenagem a Xandinho. “Resolvemos republicar a entrevista, para enaltecer sua memória e seus feitos. Esse projeto só foi possível, pela colaboração/contribuição de alguns de seus melhores amigos”, diz.

Operação resgate – Especial Xandinho 
Xandinho, como foi seu início no esporte? Quando e quem te deu a primeira prancha? Antes do bodyboarding, você praticava outros esportes?

Ganhei minha primeira prancha do meu amigo Robertinho, no inicio dos anos 80. Antes, pegávamos onda de peito e isopor no Leblon, no Posto 11.

Naquela época, quem eram suas referências no esporte (no Brasil e lá fora)?

Aqui ainda tinha pouca gente surfando de bodyboarding. Minhas referências eram Kiko Pacheco, meu irmão de coração, Billy Portinari, Claudio e Heraldo Marques, Guto de Oliveira e Salgado. Depois conheci o Kung, Kiko Ebert, Ugo Corti e começamos a ver fotos e alguns (e raros) vídeos de bodyboarding com os gringos. Os que mais me inspiraram foram Mike Stewart, Ben Severson e Jack “The Ripper”.

E as primeiras competições? Quando e como foram?

Foram as etapas do circuito carioca da AMBERJ, em 1984.

E como surgiram os primeiros patrocinadores?

Foi nesta época, com os bons resultados nas competições, com a Quebra-Mar.

Quando o bodyboarding se tornou sua profissão?

Logo no início do esporte no Rio de Janeiro, com a organização da AMBERJ e depois a ABBERJ, o esporte atraiu muitos praticantes e patrocinadores e a galera que se destacava na época não teve muitas dificuldades em arrumar bons patrocínios. Sempre consegui negociar bem com os empresários do esporte e consegui ótimos patrocínios, que me pagavam um salário, equipamentos, viagens para competir pelo Brasil e no exterior.

Você fez parte da primeira equipe brasileira a competir o Mundial de Pipeline, em 1986 (Naquela época, o campeão mundial era definido em apenas uma etapa). Qual foi o critério de seleção daquela equipe?

Foi pelo ranking da ABBERJ e para quem tinha condições de viajar com as despesas pagas pelo patrocinador. Naquela época, final de 85, ainda não tinha um circuito nacional, que pudesse selecionar outros atletas e os melhores estavam mesmo no Rio de Janeiro. O Kung conseguiu os convites para participarmos e fomos eu, Claudio Marques, Kung, Guto e Salgado.

Qual foi a sensação de pisar pela primeira vez na Ilha (Havaí)? Como foi aquela temporada para você?

Eu ria o tempo todo, de felicidade…em êxtase total. Já estava nervoso no avião, e quando avistamos a ilha, gritei muito alto: ‘Uuhuu, galera, é o bicho! Olha lá! Cadê Pipeline? Uhuuu! Caraca, é o Havaí! Olha lá! Olha lá!’ (Isso porque não posso falar os palavrões…rs)… E o avião inteiro ria muito. Não me contive. Quando pisamos no Aeroporto de Honolulu, o ar era diferente, a atmosfera, sei lá. Energia grande, muita adrenalina.

Tirando Guilherme Tâmega, você foi o brasileiro mais bem sucedido em Pipeline, com 3 finais (88 – 4º lugar, 90 – 3º lugar e 92 – 4º lugar) e mais outras finais de Consolação (87- 8º lugar e 89 – 9º lugar). Morando no Brasil e treinando em condições tão diferentes, como você conseguia ficar tão a vontade naquela onda?

Estava no sangue. Treinei muito no Leblon e São Conrado e quando entrava em Pipe, era como se estivesse em casa (um pouquinho maior e mais cabuloso… risos). Sabia o que tinha que fazer, o que não podia fazer e deixava meu extinto fazer o resto.

Dentre as etapas que disputou em Pipe, na sua opinião, qual foi a melhor e por quê? E como foi disputar uma final com seu “pupilo” Guilherme Tâmega em 92, onde ele ficou em 3º e você em 4º?

Considero o Mundial de 1990, onde deu altas ondas também e fiquei em 3º lugar, perdendo para Mike Stewart (campeão) e Ben Severson (vice). Chegar na final com o Guilherme em 1992 foi emoção em dobro. Para chegar na final do mundial naquela época já era uma senhora conquista e chegando lá com o GT (Guilherme Tâmega) foi ainda mais especial.

Com exceção das etapas do Mundial, quais foram seus melhores resultados em competições nacionais e internacionais?

Ganhei várias etapas da ABBERJ, o Bliss International em 89, contra Mike Stewart, e fui campeão de um evento no Chile.

Aquela final do Bliss International em 89, contra Mike Stewart ficou na memória. Simplesmente inesquecível. Praia lotada, todas as redes de TV e jornais presentes, atletas de alto nível… Esse foi seu momento mais marcante no esporte?

Aqui no Brasil, com certeza, pois o Mike era um ídolo imbatível e diante de todos na praia, das câmeras de TV, a galera viu o ídolo ser derrotado pelo galego (risos). Tudo conspirou a meu favor, até aquele helicóptero, que estava filmando para a TV Globo, quando se aproximou da água na final, o vento das hélices fez um terral para minha onda e eu tirei um tubo naquele marzinho de 0,5m. Foi incrível. E o Mike reconheceu minha vitória, me levantando no pódio, diante da galera enlouquecida na praia.

Como era sua relação com o Mr. Pipeline, Mike Stewart?

Nos dávamos muito bem. Ele era uma referência para mim em Pipe e procurava ficar sempre perto dele, pois as melhores ondas sempre vinham para ele e algumas boas sempre sobravam para mim. Ele me respeitava muito, acho que reconhecia minha performance em Pipe, que era o quintal de sua casa.

Você estudou inglês para se comunicar com essa turma ou aprendeu nas viagens?

Meu primeiro ano no Havaí não sabia nada de inglês. O Kung era meu porta voz e daí para frente fui aprendendo, ouvindo os gringos, falando do meu jeito até que depois de algumas viagens já arranhava um inglês que todos entendiam e conseguia falar tudo que queria. Dava meu recado para os gringos e entendia tudo que eles falavam.

Você sempre teve bons patrocinadores, mas quais foram seus melhores patrocínios, aqueles que mais investiram e acreditaram em você?

A Quebra-Mar foi meu primeiro patrocínio, que bancou minha primeira viagem pro Havaí, mas os que mais investiram em mim foram a Redley e a BZ, que bancaram minhas principais viagens pelo mundo e me pagavam um salário que me permitia viver do esporte e ainda ajudar nas despesas em casa. O Tico também foi muito importante. Sempre me acompanhou, além de ser um grande amigo. Um excelente surfista que sempre incentivou e respeitou a galera do bodyboarding.

Você foi o primeiro bodyboarder empresário a investir em uma “bodyboard shop” no Brasil. Como era o nome da loja e como foi essa época para você?

Foi a Xandinho Bodyboarding Shop. Ficava em uma galeria no Leblon. Foi a realização de um sonho, de me tornar empresário do esporte e viver ligado ao que eu mais amava fazer.

O pé de pato Redley Vacuum foi uma concepção sua e do José Caedro. Em que se inspiraram (objeto, animal…) e quais as principais vantagens que viam nesse desenho em relação ao formato anterior?

A Redley queria exportar os pés de pato e o formato anterior tinha problemas com patentes mundiais, pois ele era cópia do Churchill e foi aí que pensei em fazer algo diferente e melhor. Levei a idéia para o Peter da Redley e partimos para a execução, com a ajuda do Caedro, que era fera em engenharia e design. Fiz algumas modificações que achava importante em termos de hidrodinâmica e performance e após 4 ou 5 protótipos, chegamos ao modelo final. Deu bastante trabalho, mas o resultado agradou.

Como é olhar para o cenário agora e ver vários atletas, excelentes, “mendigando” um apoio?

É muito triste, mas cada um colhe aquilo que plantou. Não adianta os atletas ficarem reclamando sem fazer nada. Na nossa época era muito mais difícil, não tinha internet, as notícias demoravam muito a aparecer na mídia e o esporte não era conhecido. Construímos tudo do zero, com muito trabalho, dedicação e amor ao esporte. Atropelamos todos os obstáculos e todos que queriam jogar areia nos nossos sonhos. Por isso quando vejo hoje os atletas reclamando, dá vontade de descer e dar um esporro em todo mundo e sacudir a galera que não se mexe e fica sentada esperando que alguém faça alguma coisa.

Galera, levanta a bunda e parte para dentro. Se vocês não fizerem, ninguém vai fazer por vocês. O bodyboarding tem que ser tocado por bodyboarders.

Você foi um dos que mais lutaram para termos um circuito mundial, com várias etapas, em diversos países. Felizmente, seu projeto foi a frente. Se fosse o presidente da IBC, o que faria diferente?

Faria exatamente o que fazíamos na nossa época: 100% de dedicação ao esporte, decidindo sempre a favor dos atletas e do bodyboarding. O resto é consequência desta dedicação e determinação, acreditando e agindo de acordo com o que é melhor para todos e não em detrimento de uns e outros. Sempre que deixamos a direção do esporte nas mãos de pessoas que não são ligadas a ele pela prática e/ou pela paixão, os interesses serão voltados primeiro para o retorno financeiro que possa trazer para si próprio, e por último, serão considerados os interesses dos atletas. É assim que funciona.

Teve aquela situação do naufrágio, quando estava indo do Recife para Noronha, que o barco afundou e vocês ficaram a deriva, em plena madrugada. Nos conte um pouco como foi essa experiência e quem estava contigo nessa “roubada”?

O fotógrafo Rick Werneck estava indo para Noronha com vários tops do surfe nacional e o havaiano Marty Thomas, e botou “pilha” para ir também, para produzirmos umas fotos. Consegui ir até Recife e estava na espera de um avião da FAB ou dos Correios para chegar na ilha, junto com o Marcello Pedro e seu primo, Rafael. Como não conseguimos o avião, resolvemos comprar o bilhete para irmos em um barco que estava levando carga para Noronha. Por volta de meia noite, acordei com uma gritaria.

A bomba d’água do barco tinha pifado e estava entrando muito água na embarcação. Começamos a jogar toda a carga no mar, inclusive engradados de cerveja e até um freezer de bar. Mesmo assim, não adiantou. O comandante inflou um bote salva vidas em formato de “igloo”, amarrado numa lancha com um pequeno motor que havia a bordo. Durante toda a operação de embarque, o comandante tentava pedir socorro pelo rádio, mas ninguém respondia. No último “mayday”, quando todos já estavam nos botes e o barco estava prestes a afundar, o comandante do super petroleiro Amazonas captou nossa mensagem e disse que iria nos procurar.

O mar estava batido, com cerca de dois metros, e muita gente começou a passar mal, inclusive eu. Depois de cerca de quatro horas, vimos as luzes se aproximando. O navio era enorme. Como iríamos encostar dois pequenos botes naquele navio sem sermos atropelados? Achamos que eles não tinham nos visto, porque o navio passou pela gente, mas alguém gritou num megafone que eles tinham nos visto e iriam manobrar para nos socorrer.

Eles atravessaram o navio na direção das ondulações e de repente o mar ficou “flat”. Encostamos os botes e fomos resgatados. O navio teve que seguir sua rota e voltamos para Salvador. Enquanto isso, Rick estava no Hotel em Noronha, jantando e assistindo o Jornal Nacional e ansioso porque não conseguia falar comigo… de repente, ele me vê na TV Globo, falando, com as veias do pescoço saltando, indignado com o “comandante” e o excesso de peso daquele barco que quase nos matou.

Dizem que você era um zoador de marca maior, mas quando te zoavam você ficava bravo. Isso é verdade ou é intriga da oposição?

É tudo junto ao mesmo tempo. É verdade, mas é intriga da oposição (risos).

Abra o baú do Xandinho e nos conte algumas histórias engraçadas (ou tragicômicas), que rolaram nas trips, nos campeonatos, nas festas… e que o grande publico não sabe, mas que serão reveladas hoje.

Tem muita história para contar… Na casa da Miss Milly, no Havaí, rolava de tudo: porradaria, sacanagem com os novatos de primeira viagem… era muito divertido. Teve um dia que estávamos andando de ônibus em Honolulu e o Cabra (Kiko Pacheco) que estava do meu lado me perguntou o que dizia aquela placa que ficava abaixo da janela em todos os assentos do ônibus “keep head and arms in”. Como já estava dominando o inglês eu traduzi a frase para ele: “é proibido portar armas no ônibus”.

A merda toda é que o Kiko Ebert e o Claudio que estavam do outro lado do corredor ouviram a minha tradução e caíram na gargalhada e ficaram me zoando até descermos do ônibus. Tremendo exagero deles, por um deslize tão pequeno na minha tradução (risos). Não tinham nada que ficar prestando atenção na minha conversa com o Cabrinha, muito menos contar isso depois pra toda a galera na casa da Miss Milly… (risos).

Quais o som que você mais curte? Quais são seus cantores/conjuntos prediletos? E as músicas tops do seu playlist?

Gosto muito de AC/DC, Bob Marley, Burnning Spear, Peter Tosh, Simple Minds, Duran Duran, Men at work, U2, Australian Crown, entre outros surf music dos anos 80. As tops do meu playlist: Bob Marley – Natural Mistic e War; Peter Tosh – Mistic Man; Simple Minds – Don’t you forget about me e AC/DC – Sin City.

Como sabe, estamos organizando encontros Masters, a fim de resgatar a essência, a história do nosso esporte e dos nossos ídolos. O que você acha deste movimento e como é ver vários de seus amigos na água novamente?

Acho irado rever a galera toda reunida na areia, como fazíamos antigamente. Esse clima da galera nas competições não tem igual e acho que dificilmente voltará a acontecer nos circuitos atuais.

Jogo Rápido: Amigos (as) inesquecíveis que fez no esporte? Robertinho, Rick Werneck, Kiko Pacheco, Kiko Ebert, Paulo Esteves, Claudio Marques, Kung, Ugo Corti, Guilherme Tâmega e muitos outros.

Melhor parceiro de trip? Sem dúvida, meu irmão de alma, Rick Werneck.

Quem era o mais alto astral? Kiko Ebert.

O mais pilhado, que puxava o limite da galera? Kiko Pacheco e Guilher Tâmega.

Melhor onda que surfou no Brasil? Cacimba do Padre e São Conrado.

A melhor trip? Ilha de Páscoa.

Se tivesse que escolher algumas pessoas para agradecer, quem seriam?

Seriam muitas pessoas que passaram pela minha vida durante a minha trajetória no bodyboarding. Primeiramente a minha família que sempre me apoiou, a minha namorada Giselle, meus amigos que considero irmãos de alma, como: Rick Werneck, Luizinho “Kiko” Pacheco, Kiko Ebert, Robertinho e vários outros.

Deixe uma mensagem para seus fãs e amigos.

Seja um cara de atitude em tudo, faça a diferença. Não se acomode, não tenha medo e não desista.

Alexandre de Pontes por Alexandre de Pontes.

Sou um cara realizado, tenho muitos amigos, trabalho no que gosto, viajo o Brasil e o mundo pegando ondas, ajudo os outros e tenho sonho de ver o esporte forte e reconhecido. Amo minha família e meus amigos, sou meio bravo às vezes, e sou zoador também. Um cara que sempre lutou muito por tudo que conquistou na vida.

Agradecimento

Agradecimentos especiais aos amigos e familiares que participaram deste projeto: Kiko, Gisele, Claudio, Guilherme Tâmega, Guto, Rick, Tia Adilia, Andrea, Robertinho, Marcello, Otavio, Eduardo e Paulo.

Aviso: O Waves está implementando novas regras para os comentários postados neste fórum. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da matéria em questão. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar abaixo você concorda com nossos termos de uso.
Os comentários postados não representam a opinião do portal Waves e a responsabilidade é inteiramente do autor de cada mensagem.

0 comentários

Tem uma reclamação, sugestão ou viu algum erro? Fale direto com a equipe Waves — em vez de postar nos comentários.

    Carregando comentários…

    Próxima chamada para o possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) 10.00 x 10.60 Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) 12.83 x 6.84 Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) 15.84 x 3.00 Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) 14.17 x 14.50 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 – Gabriel Medina (BRA) x Italo Ferreira (BRA)2 – Yago Dora (BRA) x Griffin Colapinto (EUA) Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) 5.10 x 10.00 Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) 11.33 x 6.83 Erin Brooks (CAN) 1 – Caitlin Simmers (EUA) 11.33 x 10.26 Bettylou Sakura Johnson (HAV)2 – Molly Picklum (AUS) 8.63 x 7.40 Lakey Peterson (EUA) Final 1 – Caitlin Simmers (EUA) x Molly Picklum (AUS)

    Próxima chamada para possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.