Pro Pipeline

John John dá espetáculo

Bicampeão mundial, John John Florence faz as maiores marcas do Pro Pipeline e garante vaga nas quartas de final. Três brasileiros seguem vivos na competição.
Pro Pipeline 2023, North Shore de Oahu, Havaí

O dono do show da terça-feira (7) no Pro Pipeline foi John John Florence. O havaiano, que mora em frente à onda sede da etapa, no Havaí, passou duas fases e deu espetáculo nas oitavas de final, quando marcou duas notas na casa dos 9 pontos, uma delas bem próxima do 10. Dia teve as 16 disputas da terceira fase, além de todas das oitavas. O formato utilizado pela WSL foi o de baterias simultâneas. Filipe Toledo, João Chianca e Caio Ibelli são os brasileiros vivos na etapa que abre o CT 2023.

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A rainha do North Shore da ilha havaiana de Oahu, Pipeline, funcionou com ondas de 1,5 metro e séries maiores, beirando os 2 metros em alguns momentos. A qualidade dos tubos variou durante o dia, porém muitos bons e profundos canudos foram surfados, sendo os dois melhores por John John na última bateria da terça-feira.

O havaiano passou pela terceira fase sem destaque, mas também sem sustos numa bateria contra o norte-americano Kolohe Andino. John John surfou sete ondas no 15º duelo do round, e suas melhores notas foram 7,83 e 5,83 pontos. A vitória foi pelo placar de 13,66 a 2,83. Nas oitavas ele subiu muito o nível.

Depois de uma onda fraca, quando não saiu de um tubo para o Backdoor, ele foi novamente para a direita, aos 18 minutos de confronto. O havaiano desapareceu dentro do tubo e demorou a sair, para espanto de muitos, inclusive do câmera da WSL que desistiu da onda. Três dos cinco juízes deram a nota máxima, e os outros dois anotaram 9,80 pontos. A nota ficou 9,93, a maior de todo o Pro Pipeline até o momento.

Oito minutos depois ele passou novamente por dentro do Backdoor para colocar mais 6,00 pontos no somatório. O adversário, Miguel Pupo, estava mal na bateria, com duas notas fracas. Então, quando restavam 11 minutos para o fim, o brasileiro surfou uma direita e marcou 7,17. Porém, logo depois, o havaiano voltou a atual com maestria de frontside, surfou um canudo e executou um aéreo reverse com perfeição. A nota foi 9,40, a segunda maior do evento. Miguel ainda pegou uma onda perto do fim (0,50), já não tinha tempo de conquistar a pontuação que precisava. John John venceu com 19,33, o maior somatório da etapa que abre o circuito da elite mundial.

“Foi emocionante e me diverti lá fora”, diz John John Florence. “Essa onda (9,93) foi interessante, ficou meio esticada, mas seguiu dando uma parede limpa, então fiz o tubo e fiquei feliz de sair. A segunda onda, parecia que ia fechar, então me inclinei para trás, passei e fiz o aéreo, então estou amarradão. Eu acho que as ondas estarão um pouco menores amanhã (quarta-feira), mas espero que dê boas ondas no Backdoor de novo, como hoje”.


Medina é eliminado – O adversário de John John nas quartas será Jack Robinson, que eliminou dois brasileiros nesta terça-feira. O primeiro foi Michael Rodrigues, na 13ª bateria da terceira fase. Jack anotou 7,83 e 6,50 pontos nas melhores performances e venceu por 14,33 a 0,97 do brasileiro. Nas quartas ele encarou Gabriel Medina.

Medina chegou nas oitavas depois de passar pelo norte-americano Jake Marshall no Round 3. A bateria foi a 14ª da fase e teve aéreo, tubo de frontside e tubo de backside. E também teve quase nota máxima. Medina fez quase de tudo no duelo e avançou com maestria para as oitavas.

O tricampeão mundial ficou ativo no início e tentou achar as rampas. Ele voou duas vezes, numa delas com um aéreo de rotação quase completa (3,83). Mas foi o adversário que completou o primeiro tubo do duelo (4,50), pro Backdoor, aos 14 minutos de disputa. Porém, um minuto depois, Medina deu o troco numa esquerda. Ele passou por dentro e ainda voou com rotação (6,17).

Gabriel Medina seguiu ativo e aos 29 minutos dropou sem as mãos na borda numa onda da série para o Backdoor. Ele sumiu no interior da direita e saiu limpo. A atuação valeu 9,33 pontos. O norte-americano passou a precisar de 9,18 pontos para vencer, e não chegou perto da nota.


Medina x Jack – Então Medina e Jack se encontraram nas oitavas de final, na sétima bateria. Os dois começaram duelando na remada, e depois pegaram ondas fracas.

A disputa ganhou corpo após a metade do tempo de 40 minutos. O australiano fez um tubo pra Pipeline, anotou 5,33 pontos e assumiu a liderança. Pouco depois Jack conquistou mais 6,17 num canudo pro Backdoor.

Medina seguiu ativo e quando restavam 12 minutos para o fim pegou um tubo longo pra Pipeline. Na saída o brasileiro ainda voou alto com rotação, porém caiu na aterrissagem. Ele precisava de 7,83 pontos para assumir a liderança e marcou 6,73.

Medina ainda fez três tentativas de conquistar os 4,77 pontos que precisava para vencer, porém as ondas foram ruins e ele acabou eliminado do Pro Pipeline.

Campeão mundial – Um dos três brasileiros que seguem de olho no troféu de campeão do Pro Pipeline é Filipe Toledo. Ele surfou bom tubo pro Backdoor, marcou 6,83 pontos e venceu com facilidade Carlos Muñoz na terceira fase. O costa-riquenho perdeu com 1,74 na soma de suas duas melhores performances na disputa.

O duelo entre eles foi o nono da terceira fase. A principal atuação da disputa aconteceu aos 7 minutos. Filipe pegou um canudo longo, limpo e profundo na direita do Backdoor. A atuação valeu 6,83 pontos. Filipe ainda surfou pra Pipe e novamente pro Backdoor, mas não completou.

Carlos Muñoz não conseguiu apresentar nada de destaque nos 40 minutos de bateria. Quando restava um minuto para o fim, quando já precisava de 7,36 pontos para vencer, o costa-riquenho botou pra dentro de um canudo pro Backdoor, mas não encontrou a saída e se despediu do evento.


Filipe x Yago – Nas oitavas o duelo de Filipe foi contra Yago Dora, brasileiro que superou o norte-americano Kelly Slater num duelo fraco de notas válido pela terceira fase.

O placar baixo de 5,66 a 2,43 pontos teve como maior nota 3,33, conquistada por Yago com um tubo rápido seguido de um aéreo reverse pra Pipeline. Kelly fez várias tentativas para o Backdoor, mas não completou nenhum canudo. O norte-americano, que defendia o título do evento, se despediu da prova com a 17ª posição.

Yago ficou ativo contra Filipinho na primeira metade da quinta bateria das oitavas, porém não conseguiu notas de destaque. As melhores atuações, ambas para Pipeline, valeram 3,50 e 3,03 pontos. Filipe não entrou em ação nos 20 minutos iniciais.

O atual campeão mundial começou a atuar logo após os 20 minutos de duelo. Ele começou indo pro Backdoor. O brasileiro estava para sair de um tubo rápido, porém optou por diminuir a velocidade da prancha para ficar mais tempo entocado e acabou caindo. Na sequência ele fez um pequeno tubo pra esquerda, marcou 3,53 e passou a necessitar de 3,00 pontos para vencer.

Yago usou a prioridade quando restavam oito minutos, porém a onda foi ruim. Logo depois Filipe foi pro Backdoor, completou o tubo, e assumiu a liderança com os 5,50 pontos recebidos. Yago voltou pro pico e pegou a prioridade. Perto do minuto final ele partiu para as manobras na esquerda, mas caiu. No último segundo Yago decolou de frontisde com rotação, mas não conseguiu os 5,53 pontos que precisava e foi eliminado.

“Eu sabia que ia ser difícil enfrentar o Yago (Dora), que sempre consegue bons resultados aqui em Pipe”, destaca Filipe Toledo. “Nós tivemos algumas trocas entre as séries e sabia que ele iria para os aéreos, então eu tinha que esperar por uma onda boa. Aí veio essa no Backdoor e o ‘foam ball’ geralmente te empurra para fora, só que nessa não, então deu tudo certo. Estou feliz por estar nas quartas de final, pois começar o ano com no mínimo um quinto lugar, é muito bom”.

João Chianca – O próximo adversário de Filipinho é João Chianca, que fez bonito nesta terça-feira. Depois de estrear no Pro Pipeline com a nota 8,50 pontos na primeira fase, o brasileiro começou ainda melhor na disputa da terceira fase. Com um tubo grosso, profundo e que teve forte baforada para a esquerda da bancada havaiana, João marcou 8,67 e pavimentou sua ida para as oitavas de final.

O 12º duelo do Round 3 foi contra Kanoa Igarashi, que ainda viu o brasileiro completar um tubo rápido pra direita e colocar mais 3,33 pontos no somatório. O japonês fez várias tentativas, porém não saiu de nenhum canudo e perdeu precisando de 12,00 pontos para vencer. Ele marcou apenas duas notas na casa de 1 pontos (1,57 e 1,30) nas suas melhores atuações. Perto do final ele ainda levou várias ondas na cabeça após mais um tubo fechado pro Backdoor.

O duelo das oitavas contra Rio Waida foi complicado. O indonésio ficou na frente do placar até os últimos nove minutos, quando o brasileiro passou por dentro do Backdoor, marcou 5,53 pontos e virou o resultado. João havia iniciado a bateria com 4,50, também com uma atuação de frontside. Rio, que tinha como melhor nota 5,27, também com uma atuação pro Backdoor, ainda fez algumas tentativas, mas não conseguiu reverter o resultado.

Ibelli supera interferência – Caio Ibelli também está nas quartas de final do Pro Pipeline. O brasileiro superou o havaiano Ezekiel Lau na sétima bateria da terceira fase, mesmo somando apenas uma onda contra duas do adversário.

Caio estava em segundo lugar até os 11 minutos finais, porém achou um tubo pra Pipeline. Ele necessitava de 4,94 pontos e anotou 5,83. Mas logo depois o brasileiro cometeu interferência. Os dois remavam juntos, então Ezekiel virou pra entrar na onda e Caio estava no caminho. Os juízes anotaram interferência, e a partir daquele momento o brazuca passou a somar apenas uma onda no placar.

Quatro minutos depois, quando restavam apenas sete, Caio achou outro tubo pro Backdoor. A onda era da série, ele ficou fundo e saiu por baixo do lip antes dela fechar totalmente. A performance valeu 7,00 pontos e o brasileiro voltou pra liderança.

Ezekiel passou a precisar de 3,51 pontos para assumir o primeiro lugar e seguir vivo na competição. Quando restavam 15 segundos ele usou a prioridade. O havaiano dropou para o Backdoor e fez um tubo fundo, porém rápido. A nota demorou a ser divulgada, mas Caio vibrou ao ouvir 3,10.

Caio x Ryan – A quarta bateria das oitavas de final, entre Caio e Ryan Callinan, estava morna até perto da metade. Naquele momento o brasileiro surfou um tubo grosso e profundo para o Backdoor, anotou 7,50 pontos e abriu boa vantagem para o adversário australiano. Porém, quando restavam 15 minutos, Ryan voltou para o jogo com um canudo para Pipeline que valeu 6.17.

O duelo entrou nos dez minutos finais com Ryan na necessidade de 4,41 pontos para vencer. Caio tinha a prioridade. Nenhuma série apareceu até o final, mas o aussie ainda fez duas tentativas, entretanto não conseguiu a virada e foi eliminado.

“Antes da bateria começar, eu tinha visto entrar altas ondas e fiquei querendo entrar logo na água”, conta Caio Ibelli. “Eu acho que tive muita sorte também, porque deixei uma onda passar achando que viria uma melhor atrás, só que isso não aconteceu. O Ryan (Callinan) pegou o tubo, mas não completou, então aí foi minha sorte. Eu estou tendo aqui um dejavu do ano passado, quando fiquei em terceiro lugar. Mas, só quero continuar fazendo o que venho fazendo. Estou feliz em estar no dia das finais de novo e espero conseguir mais um bom resultado, para começar bem a temporada”.


Baixas brasileiros – Além de Medina, Yago, Michael e Miguel, o Brasil perdeu ainda Samuel Pupo e Italo Ferreira nesta terça-feira. Samuel não conseguiu achar boas ondas na oitava bateria da terceira fase. No final ele chegou perto da virada, mas não conseguiu e ainda viu o australiano Ryan Callinan marcar 7,83 pontos num bom e profundo canudo para Pipeline.

Italo Ferreira perdeu na primeira bateria do dia, a que abriu o Round 3. O brasileiro vencia a disputa até os três minutos finais, quando o novato na elite mundial, o havaiano Ian Gentil, achou dois tubos numa onda pro Backdoor, conquistou uma nota um pouco superior a que precisava e venceu.

A primeira metade do duelo foi fraco, com os dois surfistas não conseguindo completar tubos para a esquerda. A melhor atuação até aquele momento foi com manobras. O brasileiro voou duas vezes numa onda pequena pra Pipe e anotou 2,50 pontos.

Quando a bateria chegou nos 15 minutos finais, enfim, um tubo inteiro foi surfado. Italo dropou, acelerou e entrou por trás do canudo. Ele ficou fundo na onda e na saída ainda executou um cutback e uma batida na parte pequena da esquerda. A performance valeu 5,53 pontos.

Na necessidade de 6,36 pontos para alterar o resultado, Ian Gentil segurou a prioridade. Ele entrou em ação pro Backdoor quando restavam três minutos para o fim. O havaiano botou pra dentro da direita e saiu meio embolado com a espuma, mas ainda teve tempo de acelerar e surfar outro canudo. A nota 6,50 levou o havaiano para a liderança. Italo surfou a mesma onda, mas pra esquerda, porém vacou.

O brasileiro ainda teve uma última chance nos segundos finais, porém não completou o tubo pra Pipeline e se despediu do evento.

Próxima chamada – A próxima chamada para o Pro Pipeline acontece nesta quarta-feira (8), às 14h45 (de Brasília).

Previsão das ondas – De acordo com a previsão das ondas do site MagicSeaWeed, o sweel continuará de Noroeste, e praticamente com o mesmo tamanho, porém o período cai de 15 para 14 / 13. O vento lateral / terral está previsto para soprar forte. São grandes as chances desse ser o dia das finais do Pro Pipeline.

Pro Pipeline 2023
Round 3 Masculino

1 Ian Gentil (HAV) 7,97 x 7,83 Italo Ferreira (BRA)

2 Jordy Smith (AFR) 13,00 x 1,74 Nat Young (EUA)

3 Leonardo Fioravanti (ITA) 13,00 x 1,00 Griffin Colapinto (EUA)

4 Callum Robson (AUS) 7,44 x 6,10 Jackson Baker (AUS)

5 Liam O’Brien (AUS) 10,17 x 9,83 Ethan Ewing (AUS)

6 Seth Moniz (HAV) 10,26 x 6,94 Barron Mamiya (HAV)

7 Caio Ibelli (BRA) 7,00 x 6,60 Ezekiel Lau (HAV)

8 Ryan Callinan (AUS) 13,16 x 8,76 Samuel Pupo (BRA)

9 Filipe Toledo (BRA) 7,83 x 1,74 Carlos Muñoz (CRI)

10 Yago Dora (BRA) 5,66 x 2,43 Kelly Slater (EUA)

11 Rio Waida (IDN) 13,60 x 8,03 Connor O’Leary (AUS)

12 João Chianca (BRA) 12,00 x 2,87 Kanoa Igarashi (JAP)

13 Jack Robinson (AUS) 14,33 x 0,97 Michael Rodrigues (BRA)

14 Gabriel Medina (BRA) 15,50 x 10,83 Jake Marshall (EUA)

15 John John Florence (HAV) 13,66 x 2,83 Kolohe Andino (EUA)

16 Miguel Pupo (BRA) 13,00 x 12,14 Maxime Huscenot (FRA)

Oitavas de final

1 Jordy Smith (AFR 13,50 x 9,10 Ian Gentil (HAV)

2 Leonardo Fioravanti (ITA) 10,83 x 1,86 Callum Robson (AUS)

3 Liam O’Brien (AUS) 7,53 x 3,90 Seth Moniz (HAV)

4 Caio Ibelli (BRA) 10,57 x 9,47 Ryan Callinan (AUS)

5 Filipe Toledo (BRA) 9,03 x 6,53 Yago Dora (BRA)

6 João Chianca (BRA) 10,03 x 8,20 Rio Waida (IDN)

7 Jack Robinson (AUS) 11,50 x 10,40 Gabriel Medina (BRA)

8 8 John John Florence (HAV) 19,33 x 7,67 Miguel Pupo (BRA)
Quartas de final

1 Jordy Smith (AFR x Leonardo Fioravanti (ITA)

2 Liam O’Brien (AUS) x Caio Ibelli (BRA)

3 Filipe Toledo (BRA) x João Chianca (BRA)

4 Jack Robinson (AUS) x John John Florence (HAV)

Semifinais Femininas

1 Lakey Peterson (EUA) x Tyler Wright (AUS)

2 Carissa Moore (HAV) x Bettylou Sakura Johnson (HAV)

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.