Surf Brasil Pro

Segunda etapa começa neste sábado

Maior encontro do surfe nacional reúne 214 surfistas de 16 estados em Porto de Galinhas com novo recorde de 58 brasileiras competindo num campeonato.
Surf Brasil Pro 2026, Praia da Taíba, São Conçalo do Amarante (CE)

O Surf Brasil Pro abre o segundo desafio do Campeonato Brasileiro de 2026 neste sábado na Praia do Borete, em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. O maior encontro do surf nacional vai reunir 214 surfistas de 16 estados do país e registra um novo recorde de 58 brasileiras participando de um campeonato feminino. O show de surf garantido na disputa pela premiação histórica de meio milhão de reais do circuito nacional mais rico do mundo, vai até o dia 17 em Porto de Galinhas. A competição poderá ser assistida pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e vai estrear transmissão ao vivo também pelos canais Woohoo e na TV aberta pelo XSports.

O aumento significativo na quantidade de competidoras, é resultado direto do trabalho da Diretoria de Desenvolvimento Feminino implantado na gestão do presidente Teco Padaratz na Confederação Brasileira de Surf, iniciada em 2022. A vice-presidente Brigitte Mayer comandou esse projeto, com o programa Talento Feminino buscando novas surfistas por todo o litoral brasileiro nos últimos anos. Tanto que a maioria das 58 inscritas no Surf Brasil Pro de Porto de Galinhas, é de meninas da nova geração que estão tendo a oportunidade de competir na categoria profissional, graças ao novo formato inaugurado esse ano.

Nas últimas 3 temporadas, uma elite nacional com somente 48 homens e 24 mulheres, disputava os títulos brasileiros da temporada e a premiação recorde de meio milhão de reais, que passou a ser oferecida em cada etapa no ano passado. O Surf Brasil então decidiu abrir o Campeonato Brasileiro Profissional, para mais surfistas terem a mesma chance. A quantidade de participantes subiu para até 168 competidores na categoria masculina e 60 na feminina. Na primeira etapa no Ceará, já foi registrado um recorde de 49 inscritas, que agora aumentou para 58 surfistas, quase atingindo o novo limite de participantes.

Na categoria masculina, novos nomes também surgiram com o formato inaugurado no Surf Brasil Pro 2026. Um exemplo é o cearense Rafael Silva, o Tigrão, local da Praia da Taíba, que aproveitou o fato de poder competir em casa na primeira etapa e foi até as quartas de final. Ele trabalha no Porto de Pecém em São Gonçalo do Amarante, ganhou uma bolada de 8 mil reais pelo quinto lugar e se animou para seguir competindo. Com o ranking dinâmico atualizado a cada etapa, Rafael chega em Pernambuco já no seleto grupo dos Top-22 que estreiam somente na quarta fase em Porto de Galinhas, com premiação mínima de 3 mil reais garantida e direito a repescagem, se não vencer sua primeira bateria na Praia do Borete.

Convidados do Surf Brasil com o mesmo privilégio dos tops do ranking – Quem também desfruta desse privilégio, são os convidados pela Diretoria de Esportes da Confederação Brasileira de Surf. Nesta segunda etapa, os escolhidos foram os vencedores das duas etapas do antigo Dream Tour realizadas em Porto de Galinhas, o paulista Edgard Groggia em 2024 e o atual bicampeão brasileiro de 2024 e 2025, Douglas Silva. Os dois não participaram da primeira etapa e teriam que entrar na primeira fase, se não recebessem os convites. O pernambucano vem embalado com o título de campeão panamericano de 2026, conquistado no domingo no Panamá, onde o Surf Brasil festejou o tetracampeonato em 5 anos da gestão Teco Padaratz na entidade máxima do esporte no país.

“Estou numa expectativa muito boa, porque é a minha primeira etapa do Brasileiro esse ano. Infelizmente, não consegui ir lá na Praia da Taíba e tô muito feliz em poder competir em casa de novo, com toda minha família, meus amigos, no lugar onde eu cresci surfando”, disse Douglas Silva. “Pra mim vai ser incrível começar aqui, onde no ano passado iniciei a busca do bicampeonato brasileiro ganhando essa etapa daqui. Quero agradecer ao Surf Brasil, pelo convite de me juntar aos tops na quarta fase, pois acabei de voltar do Panamá. Mas já me sinto preparado pra competir, a expectativa tá lá em cima e vamo com tudo, simbora”.

Campeões no Ceará defendem a liderança do ranking em Ipojuca – Quem também fez parte do Time Brasil tetracampeão nos Jogos Pan-Americanos de Surf Panamá 2026, foram os cearenses que ganharam a primeira etapa do Surf Brasil Pro 2026 em casa na Praia da Taíba, Michael Rodrigues e Juliana dos Santos. Michael acabou perdendo numa hora ruim do mar na Playa Venao, mas a Juliana trouxe uma medalha de bronze, ficando na semifinal cearense contra a agora bicampeã panamericana Silvana Lima. Juliana e Michael vão defender a liderança do ranking em Ipojuca.

“É uma felicidade gigantesca estar de volta a Porto de Galinhas, dessa vez com um suporte maior ainda da Neuronha”, contou Michael Rodrigues. “No ano passado, a gente fechou patrocínio aqui e estamos completando 1 ano de parceria. A Neuronha pegou uma casa de frente ao evento, na beira da praia. É uma etapa superimportante na busca do título brasileiro e estou feliz da vida com esse suporte gigantesco do time da Neuronha aqui. Esse lugar eu realmente gosto de vir, com muito Sol, muito calor, condições que me favorecem e estou bem feliz de estar de volta”.

Michael Rodrigues há muitos anos mora em Florianópolis (SC), mas iniciou sua carreira competindo pelo Nordeste. No ano passado, ele ficou em terceiro lugar na Praia do Borete, perdendo nas semifinais para o baiano Yage Araujo, vice-campeão na final com o ipojucano Douglas Silva. Michael já fez parte da elite do surf mundial e vem chegando bem perto do título brasileiro nos últimos anos. Ele acabou ficando em terceiro lugar no ranking final de 2022, em quarto no de 2024 e em terceiro novamente no ano passado. Agora, largou na frente do Surf Brasil Pro 2026 e quer o desejado título brasileiro esse ano.

O maior encontro do surfe nacional com 214 surfistas de 16 estados – Entre os 16 estados representados no maior encontro do surf nacional, o número de participantes nascidos no Ceará forma o segundo maior pelotão em Porto de Galinhas e os líderes dos rankings, Michael Rodrigues e Juliana dos Santos, encabeçam a lista de 44 cearenses, 33 homens e 11 mulheres. Só fica abaixo de São Paulo, que tem 54 inscritos e maioria também nas duas categorias, com 37 na masculina e 17 na feminina. Aproveitando o fato de competir em casa, Pernambuco participa com o terceiro maior contingente, 25 surfistas, sendo 22 homens e 3 mulheres.

Na sequência, vem o Rio Grande do Norte com 23 competidores no Surf Brasil Pro de Porto de Galinhas, 22 na categoria masculina e 1 na feminina. A lista prossegue com Santa Catarina com 18 surfistas (12 homens+6 mulheres), Rio de Janeiro com 15 (8+7), Bahia com 9 (7+2), Paraíba com 7 (3+4), Paraná com 6 (1+5), Alagoas com 4 homens, Espírito Santo com 3 (2+1), Rio Grande do Sul com 2 (1+1) e mais quatro estados têm 1 representante no masculino, Sergipe, Piauí, Maranhão e Pará. A programação é iniciar a competição masculina no sábado, com 84 surfistas divididos nas 24 baterias da primeira fase.

Outros 48 mais bem colocados no ranking da primeira etapa do Surf Brasil Pro no Ceará, entram como pré-classificados na segunda fase, também formada por 24 baterias, para enfrentar os 48 que passarem pela rodada inicial. Já os Top-22 e os 2 convidados, só estreiam na quarta fase da competição, com premiação mínima de 3 mil reais garantida e uma segunda chance na repescagem, se não vencer sua primeira bateria. Na categoria feminina, 46 meninas foram divididas nas 12 baterias da primeira fase, com as Top-11 e a convidada Sophia Medina estreando na terceira fase, tendo as mesmas regalias do masculino.

O Surf Brasil Pro 2026 é uma realização de Surf Brasil, em conjunto com a Federação Pernambucana de Surf nesta segunda etapa em Porto de Galinhas, que conta com patrocínio da Prefeitura Municipal do Ipojuca através da Secretaria Especial de Esportes, CAIXA Esportes, Monster Energy e Surf Telecom; apoio local da marca JISK e parceria de Suntech, Brazilian Tiger Balm, Sococo, Shopee, Chandon, Restaurante Chicama, Cerveja Praya, apoio ambiental de Mondo Ekvilibro e apoio institucional do COB – Comitê Olímpico do Brasil. Todas as etapas do Surf Brasil Pro 2026 são transmitidas pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e vai estrear nos canais Woohoo na TV fechada e XSports na TV aberta, com o último dia também passando ao vivo no canal Time Brasil TV do COB no YouTube.

Baterias do Surf Brasil Pro – Porto de Galinhas
(entre parênteses o estado que representa na competição)

Primeira fase masculina
3º=121º lugar (740 pts) e 4º=145º lugar (500 pts)

1ª Denisson Santos (AL), John Muller (SP), Gustavo Ribeiro (SP)

2ª Brayner Silva (PE), Felipe Martins (CE), Gabriel Leal (BA), Rafael Barbosa (RN)

3ª Derek Souza (SP), Luan Ferreyra (PE), Pedro Rian (CE)

4ª Mateus Ribeiro (CE), Flavio de Souza (CE), Patrick Tamberg (PE), Willy Santos (AL)

5ª Junior Rocha (RN), Bryan Almeida (SP), Guilherme Fernandes (SP)

6ª Arthur Alves (RN), Igor Pereira (PE), João Victor (PE), Daniel Adisaka (SP)

7ª Pedro Dib (SP), Felipe Homsi (PB), Swell Henrique (SC)

8ª Igor Shibata (RJ), Alvimar (PE), Elton Melo (CE), Iago Bellotti (PB)

9ª Pablo Paulino (CE), Nathan Hereda (RJ), Gustavo Roberto (PA)

10: Bernardo Brizola (RN), Vicente Ferreira (RJ), Thiago Guimarães (SP), Wallace Silva (PE)

11: Rodrigo Monteiro (CE), Narciso Inacio (RN), E O Lobster (PE), Guilherme Lemos (RJ)

12: Alan Jhones (RN), Kaue Daniel (SP), Numa Liory (BA)

13: Jonatha Santos (RN), Heitor Mueller (SC), Murillo Coura (SP)

14: Kayan Medeiros (RN), Glauciano Rodrigues (CE), Felipe Bezerra (RN), Adriano de Sousa (CE)

15: Yantuir Duarte (PE), Fellipe Ximenes (SC), Felix Martins (BA), Davi Batista (PE)

16: Jean Muniz (SE), Nicolas Oliveira (SP), Antonio Vinicius (BA)

17: Keison Barbosa (CE), Armando Silva (PE), Ricardo Petry (AL), Guilherme Penha (MA)

18: Michel Roque (CE), Gabriel Farias (PE), Petrus Dantas (RJ)

19: Michel Demétrio (SC), Lucas Di Giorge (SP), Madson Costa (RN), Hiago Acioly (PE)

20: Pedro Ferreira (SP), Luan Lapolli (PE), Krystian Kymerson (ES)

21: Felipe Oliveira (SP), Ivan Silva (PE), Buday Santos (PE), Giovani da Silva (RS)

22: Gabriel Dantas (RJ), Kailani Renno (SP), Diogo Cesar (SP)

23: Eduardo Martins (SP), Itim Silva (CE), Rickson Falcão (RJ), José Claudio (PE)

24: JP Ferreira (SP), José Santos (PE), Lysandro Leandro (RN)

Segunda fase – entrada de 48 pré-classificados pelo ranking da 1ª etapa
3º=73º lugar com 1.440 pontos e 4º=97º lugar com 980 pontos

1ª Israel Junior (RN) e Messias Felix (CE) contra 2 classificados da primeira fase

2ª Adauto Sena (RN) e Isaias Silva (CE) idem em todas

3ª Igor Moraes (SP) e Cauã Nunes (PE)

4ª Lucas Bezerra (CE) e Wiggolly Dantas (SP)

5ª Deivid Silva (SP) e Pedro Neves (RJ)

6ª Jonh Jonh Alves (CE) e Derek Adriano (SC)

7ª Peterson Crisanto (PR) e Patrick Alves (PI)

8ª Walley Guimarães (SC) e Daniel Duarte (SP)

9ª Edvan Silva (CE) e Alexandre Camargo (CE)

10: Alan Donato (PE) e Flavio Nakagima (SP)

11: Gabriel André (SP) e Davi Sobrinho (CE)

12: Mateus Sena (RN) e Marcos Alves TT (CE)

13: Lucas Vicente (SC) e Hugo Bomfim (SP)

14: Lucas Haag (SC) e Jonatans Ruan (RN)

15: Ytalo Oliveira (CE) e Luã da Silveira (SC)

16: Emanoel Tobias (RN) e Charlie Brown (CE)

17: Cauet Frazão (CE) e Amando Tenorio (AL)

18: Renan Pulga (SP) e Johnny Ferreira (RN)

19: Luel Felipe (PE) e João Artur (SP)

20: Fabricio Bulhões (BA) e Kaique Timidate (SC)

21: Luan Wood (SC) e Artur Silva (CE)

22: Diego Aguiar (SP) e Anderson Silva Pikachu (RJ)

23: Leo Andrade (ES) e Marcus Cintra (CE)

24: Rafael Teixeira (ES) e Douglas Noronha (SP)

Quarta fase – entrada dos Top-22 e os 2 convidados
1º avança para a Sexta Fase e 2º e 3º vão para a Repescagem

1ª Gabriel Klaussner (SP) com 2 classificados da terceira fase

2ª Marcos Correa (SP), Janninfer de Sousa (SE) e 1 da terceira fase

3ª Rafael Santos (CE) com 2 da terceira fase

4ª Weslley Dantas (SP), Mathias Ramos (CE) e mais 1

5ª Cauã Costa (RJ), Douglas Silva (PE) e mais 1

6ª Cauã Gonçalves (SP) e mais 2

7ª Yuri Gabryel (SC), Paulo Henrique Grilo (RN) e mais 1

8ª Wesley Leite (SP) e mais 2

9ª Michael Rodrigues (CE) e mais 2

10: Deyvson Santos (RN), Santiago dos Santos (CE) e mais 1

11: Alex Ribeiro (SP) e mais 2

12: Jonathan Freitas (RN), Edgard Groggia (PE) e mais 1

13: Jadson André (RN), Luan Carvalho (SP) e mais 1

14: Bino Lopes (BA) e mais 2

15: Samuel Joca (RN), Samuel Igo (PB) e mais 1

16: Rafael Venuto (CE) e mais 2

Primeira fase feminina
3ª=37º lugar (3.000 pts) e 4ª=49º lugar (2.400 pts)

1ª Mayara Zampieri (SP), Jessica Bianca (PR), Leticia Calleia (RJ), Luara Mandelli (PR)

2ª Sophia Gonçalves (SP), Kiany Cristina (SP), Nicolly Freire (PB), Gabriely Vasque (PR)

3ª Carol Bastides (SP), Sol Carrion (SP), Luiza Savoi (SP), Maria Clara (RN)

4ª Laiz Costa (RJ), Jessica Santos (CE), Nina Stein (RJ), Valentina Zanoni (SC)

5ª Julia Duarte (RJ), Gabriely Queiroz (CE), Luana Reis (SP), Natalia Gerena (SP)

6ª Silvana Lima (CE), Nicole Santos (PE), Marina Suguimoto (SP)

7ª Julia Nicanor (SP), Duda Azamor (PR), Nalanda Carvalho (PB)

8ª Maeva Guastalla (SP), Isabelly Knut (SP), Lanay Thompson (RJ), Alexia Monteiro (RS)

9ª Yanca Costa (RJ), Samira Stephany (SP), Prislen de Sousa (CE), Maya Canônico (SP)

10: Vitória Carneiro (CE), Kauanny de Souza (SC), Aysha Ratto (RJ), Alice Pitanga (ES)

11: Alma Corgiolu (SC), Maria Autuori (SC), Nathalie Martins (PR), Rayssa Marques (PB)

12: Monik Santos (PE), Anaelya de Lima (CE), Chay Oliveira (PE), Aurora Ribeiro (SP)

Segunda fase – entrada das Top-11 e 1 convidada
1ª avança para as Oitavas de Final e 2ª e 3ª vão para a Repescagem

1ª Larissa dos Santos (CE) com 2 classificadas da segunda fase

2ª Kiany Hyakutake (SC), Potira Castaman (SC) e 1 da segunda fase

3ª Tainá Hinckel (SC), Ariane Gomes (CE) e mais 1

4ª Analu Silva (PB) e mais 2

5ª Juliana dos Santos (CE) e mais 2

6ª Mariana Areno (RJ), Juliana Meneguel (SP) e mais 1

7ª Kemily Sampaio (SP), Sophia Medina (SP) e mais 1

8ª Sarah Ozorio (RJ) e mais 2

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.