Surf Brasil Pro

Potiguares recordistas em Ipojuca

Alan Jhones e Rafael Barbosa são destaques do dia, mas paulistas ganham maioria das 21 baterias disputadas na Praia do Borete em Porto de Galinhas.
Surf Brasil Pro 2026, Praia do Borete, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE)

O Surf Brasil Pro começou com os potiguares se destacando nas boas ondas do sábado na Praia do Borete, em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. O surfista da Praia da Pipa, Rafael Barbosa, foi o recordista de nota com o 7.00 que recebeu em sua melhor onda e Alan Jhones, de Baía Formosa, fez o maior somatório, 13.33 pontos. Mas, foram os paulistas que ganharam a maioria das 21 baterias no primeiro dia, 5 contra 4 vencidas pelos pernambucanos, os próprios potiguares e pelos cearenses. Neste domingo será iniciada a competição feminina, ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e pelo Woohoo e na TV aberta pelo XSports.

O sábado começou com um meeting técnico que o Surf Brasil sempre realiza em todos os eventos, com os juízes passando para os atletas os principais critérios na avaliação das suas performances e outras regras da competição. Na sequência, aconteceu a cerimônia de abertura da terceira edição consecutiva do circuito nacional mais rico do mundo no município do Ipojuca. A segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 com premiação de meio milhão de reais, foi iniciada com vitória paulista do John Muller e na segunda bateria, o potiguar Rafael Barbosa fez as marcas a serem batidas em Porto de Galinhas, nota 7.00 e 12.50 pontos.

“Estou bem feliz de ter avançado essa primeira bateria, pra soltar o corpo e ir ganhando confiança”, disse Rafael Barbosa, após derrotar o cearense Felipe Martins e o baiano Gabriel Leal. “Estou feliz também por ter feito uma boa bateria, uma nota 7.00 ali com duas manobras e logo em seguida um 5.50. Eu só quero soltar meu surf e poder avançar mais baterias. A primeira sempre tem aquele nervosismo, mas to feliz de ter passado e quero agradecer meus patrocinadores, minha família, minha namorada e a todo mundo que tá na torcida aí”.

Entre os 74 surfistas de 14 estados do país, que estrearam nas 21 baterias do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas no sábado, ninguém conseguiu bater a nota 7.00 dos dois ataques potentes de backside do Rafael Barbosa nas esquerdas da Praia do Borete. Mas, os 12.00 pontos do jovem surfista da Praia da Pipa, foram superados 10 baterias depois pelo experiente potiguar também, Alan Jhones. O surfista criado nas direitas do Pontal de Baía Formosa, usou as rasgadas invertendo totalmente a direção da prancha, para somar notas 6.83 e 6.00 na vitória por 13.33 pontos. O baiano Numa Liory não compareceu para competir e essa bateria foi disputada somente pelo Alan Jhones e o paulista Kaue Daniel.

“Infelizmente, o Numinha (Numa Liory) não conseguiu estar presente, então aproveitamos pra fazer uma bateria homem a homem com o Kaue (Daniel) e consegui achar boas ondas para vencer a bateria”, disse Alan Jhones. “Aqui em Porto de Galinhas sempre tem boas ondas, essa Praia do Borete é bem constante e foi uma boa bateria. Lá no Ceará, eu perdi minha primeira bateria e eu sempre fui top-20 desde meus 18, 19 anos, mas com esse novo formato do circuito, eu acabei caindo pra primeira fase aqui. Graças a Deus, eu consegui avançar essa e vamos pra próxima”.

Paulistas vencem a maioria das 21 baterias disputadas no sábado – Além dos recordistas Rafael Barbosa e Alan Jhones, mais dois potiguares estrearam com vitórias na segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 em Ipojuca, Madson Costa e Bernardo Brizola, com outros três avançando em segundo lugar nas suas baterias. Os surfistas do Ceará e de Pernambucano fizeram a mesma campanha, com quatro vitórias e três segundo lugares no sábado. As vitórias pernambucanas em casa, foram com E O Lobster na 11ª bateria do dia, Yantuir Duarte na 15ª, Armando Silva ou Cezar Aguiar como sempre competiu na 17ª e do Ivan Silva no confronto que fechou o sábado em Porto de Galinhas.

Mas, os paulistas foram os recordistas de vitórias em baterias na Praia do Borete, ganhando uma a mais do que os surfistas locais de Pernambuco, do Ceará e do Rio Grande do Norte. O Surf Brasil Pro Porto de Galinhas já começou com vitória paulista do John Muller. Depois, Derek Souza repetiu o feito na terceira bateria, Guilherme Fernandes venceu a quinta, Daniel Adisaka ganhou a seguinte, com Murillo Coura sacramentando a maioria na 13ª bateria. Os paulistas são maioria entre os 156 inscritos de 16 estados nesta segunda etapa com 37 surfistas, seguido pelo Ceará com 33 e Pernambuco com 22 participantes.

A dura batalha de um bicampeão brasileiro para conseguir competir – Na bateria anterior, a penúltima do dia, um dos nove participantes desta segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 que já tem título de campeão brasileiro no currículo, fez a sua primeira apresentação nas ondas da Praia do Borete. E o capixaba Krystian Kymerson confirmou o favoritismo, mesmo estando há muito tempo sem poder competir por falta de patrocínio, motivo que não foi participar da abertura da temporada na Praia da Taíba, no Ceará. KK mostrou que continua com os aéreos no pé e já completou um voo logo na primeira onda que surfou na vitória sobre o pernambucano Luan Lapolli e o paulista Pedro Ferreira.

“Eu tenho que agradecer muito à Deus, porque se não fosse Ele, eu nem estaria mais competindo. Ele que me deu força para estar aqui acreditando em mim, porque 3 meses atrás eu tava quase desistindo de tudo por falta de apoio”, revelou o bicampeão brasileiro de 2018 e 2021, Krystian Kymerson. “É muito difícil ser atleta aqui no Brasil e não é bom estar tendo que fazer rifa pra competir. Então, quero agradecer muito a Deus, minha família que tá me dando a maior força, meu pai, minha mãe, meus irmãos, que foram os únicos que acreditaram em mim, quando eu tava mais precisando. Mas, estou muito feliz de estar aqui competindo, soltando o meu surf depois quase 7 meses sem vestir a lycra de competição. Isso me deu uma emoção muito grande, então estou muito feliz de voltar a fazer o que eu mais amo, que é competir”.

Quatro campeãs brasileiras estreiam neste domingo em Porto de Galinhas – A programação inicial do sábado, era realizar as 24 baterias da primeira fase masculina, mas restaram 3 que ficaram para abrir o domingo. Como já é regra nos eventos promovidos pelo Surf Brasil, a igualdade de gêneros não é só na premiação, mas também nas competições, com uma rodada masculina sempre sendo seguida por uma da categoria feminina. Então, as meninas vão começar a estrear no Surf Brasil Pro Porto de Galinhas na manhã do domingo, com quatro campeãs brasileiras competindo já na primeira fase, Silvana Lima na sexta bateria, Julia Nicanor na sétima, Yanca Costa na nona e Monik Santos na 12.a e última.

O Surf Brasil Pro 2026 é uma realização de Surf Brasil, em conjunto com a Federação Pernambucana de Surf nesta segunda etapa em Porto de Galinhas, que conta com patrocínio da Prefeitura Municipal do Ipojuca através da Secretaria Especial de Esportes, CAIXA Esportes, Monster Energy e Surf Telecom; apoio local da marca JISK e parceria de Suntech, Brazilian Tiger Balm, Sococo, Shopee, Chandon, Restaurante Chicama, Cerveja Praya, apoio ambiental de Mondo Ekvilibro e apoio institucional do COB – Comitê Olímpico do Brasil. Todas as etapas do Surf Brasil Pro 2026 são transmitidas pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e vai estrear nos canais Woohoo na TV fechada e XSports na TV aberta, com o último dia também passando ao vivo no canal Time Brasil TV do COB no YouTube.

Baterias do Surf Brasil Pro – Porto de Galinhas
(entre parênteses o estado que representa na competição)

Resultados do sábado na Praia do Borete
Primeira fase Masculina
3º=121º lugar (740 pts) e 4º=145º lugar (500 pts)

1ª 1-John Muller (SP), 2-Gustavo Ribeiro (SP), 3-Denisson Santos (AL)

2ª 1-Rafael Barbosa (RN), 2-Felipe Martins (CE), 3-Gabriel Leal (BA), wº-Brayner Silva (PE)

3ª 1-Derek Souza (SP), 2-Pedro Rian (CE), 3-Luan Ferreyra (PE)

4ª 1-Mateus Ribeiro (CE), 2-Patrick Tamberg (PE), 3-Willy Santos (AL), 4-Flavio de Souza (CE)

5ª 1-Guilherme Fernandes (SP), 2-Bryan Almeida (SP), 3-Junior Rocha (RN)

6ª 1-Daniel Adisaka (SP), 2-Arthur Alves (RN), 3-Igor Pereira (PE), 4-João Victor (PE)

7ª 1-Felipe Homsi (PB), 2-Pedro Dib (SP), 3-Swell Henrique (SC)

8ª 1-Elton Melo (CE), 2-Iago Bellotti (PB), 3-Alvimar (PE), 4-Igor Shibata (RJ)

9ª 1-Nathan Hereda (RJ), 2-Pablo Paulino (CE), 3-Gustavo Roberto (PA)

10: 1-Bernardo Brizola (RN), 2-Thiago Guimarães (SP), 3-Wallace Silva (PE), wº-Vicente Ferreira (RJ)

11: 1-E O Lobster (PE), 2-Guilherme Lemos (RJ), 3-Rodrigo Monteiro (CE), 4-Narciso Inacio (RN)

12: 1-Alan Jhones (RN), 2-Kaue Daniel (SP), wº-Numa Liory (BA)

13: 1-Murillo Coura (SP), 2-Jonatha Santos (RN), 3-Heitor Mueller (SC)

14: 1-Glauciano Rodrigues (CE), 2-Kayan Medeiros (RN), 3-Felipe Bezerra (RN), 4-Adriano de Sousa (CE)

15: 1-Yantuir Duarte (PE), 2-Fellipe Ximenes (SC), 3-Felix Martins (BA), 4-Davi Batista (PE)

16: 1-Antonio Vinicius (BA), 2-Nicolas Oliveira (SP), wº-Jean Muniz (SE)

17: 1-Armando Silva (PE), 2-Guilherme Penha (MA), 3-Ricardo Petry (AL), 4-Keison Barbosa (CE)

18: 1-Michel Roque (CE), 2-Gabriel Farias (PE), 3-Petrus Dantas (RJ)

19: 1-Madson Costa (RN), 2-Michel Demétrio (SC), 3-Hiago Acioly (PE), 4-Lucas Di Giorge (SP)

20: 1-Krystian Kymerson (ES), 2-Luan Lapolli (PE), 3-Pedro Ferreira (SP)

21: 1-Ivan Silva (PE), 2-Felipe Oliveira (SP), 3-Giovani da Silva (RS), wº-Buday Santos (PE)

Próximas baterias do Surf Brasil Pro em Ipojuca
Primeira fase Masculina
3º=121º lugar (740 pts) e 4º=145º lugar (500 pts):

22: Gabriel Dantas (RJ), Kailani Renno (SP), Diogo Cesar (SP)

23: Eduardo Martins (SP), Itim Silva (CE), Rickson Falcão (RJ), José Claudio (PE)

24: JP Ferreira (SP), Messias Santos (PE), Lysandro Leandro (RN)

Primeira fase Feminina
3ª=37º lugar (3.000 pts) e 4ª=49º lugar (2.400 pts):

1ª Mayara Zampieri (SP), Jessica Bianca (PR), Leticia Calleia (RJ), Luara Mandelli (PR)

2ª Sophia Gonçalves (SP), Kiany Cristina (SP), Nicolly Freire (PB), Gabriely Vasque (PR)

3ª Carol Bastides (SP), Sol Carrion (SP), Luiza Savoi (SP), Maria Clara (RN)

4ª Laiz Costa (RJ), Jessica Santos (CE), Nina Stein (RJ), Valentina Zanoni (SC)

5ª Julia Duarte (RJ), Gabriely Queiroz (CE), Luana Reis (SP), Natalia Gerena (SP)

6ª Silvana Lima (CE), Nicole Santos (PE), Marina Suguimoto (SP)

7ª Julia Nicanor (SP), Duda Azamor (PR), Nalanda Carvalho (PB)

8ª Maeva Guastalla (SP), Isabelly Knut (SP), Lanay Thompson (RJ), Alexia Monteiro (RS)

9ª Yanca Costa (RJ), Samira Stephany (SP), Prislen de Sousa (CE), Maya Canônico (SP)

10: Vitória Carneiro (CE), Kauanny de Souza (SC), Aysha Ratto (RJ), Alice Pitanga (ES)

11: Alma Corgiolu (SC), Maria Autuori (SC), Nathalie Martins (PR), Rayssa Marques (PB)

12: Monik Santos (PE), Anaelya de Lima (CE), Chay Oliveira (PE), Aurora Ribeiro (SP)

Segunda fase – entrada de 48 pré-classificados pelo ranking da 1ª etapa
3º=73º lugar com 1.440 pontos e 4º=97º lugar com 980 pontos

1ª Israel Junior (RN) e Messias Felix (CE), John Muller (SP), Felipe Martins (CE)

2ª Adauto Sena (RN) e Isaias Silva (CE), Rafael Barbosa (RN), Gustavo Ribeiro (SP)

3ª Igor Moraes (SP) e Cauã Nunes (PE), Derek Souza (SP), Patrick Tamberg (PE)

4ª Lucas Bezerra (CE) e Wiggolly Dantas (SP), Mateus Ribeiro (CE), Pedro Rian (CE)

5ª Deivid Silva (SP) e Pedro Neves (RJ), Guilherme Fernandes (SP), Arthur Alves (RN)

6ª Jonh Jonh Alves (CE) e Derek Adriano (SC), Daniel Adisaka (SP), Bryan Almeida (SP)

7ª Peterson Crisanto (PR) e Patrick Alves (PI), Felipe Homsi (PB), Iago Bellotti (PB)

8ª Walley Guimarães (SC) e Daniel Duarte (SP), Elton Melo (CE), Pedro Dib (SP)

9ª Edvan Silva (CE) e Alexandre Camargo (CE), Nathan Hereda (RJ), Thiago Guimarães (SP)

10: Alan Donato (PE) e Flavio Nakagima (SP), Bernardo Brizola (RN), Pablo Paulino (CE)

11: Gabriel André (SP) e Davi Sobrinho (CE), E O Lobster (PE), Kaue Daniel (SP)

12: Mateus Sena (RN) e Marcos Alves TT (CE), Alan Jhones (RN), Guilherme Lemos (RJ)

13: Lucas Vicente (SC) e Hugo Bomfim (SP), Murillo Coura (SP), Kayan Medeiros (RN)

14: Lucas Haag (SC) e Jonatans Ruan (RN), Glauciano Rodrigues (CE), Jonatha Santos (RN)

15: Ytalo Oliveira (CE) e Luã da Silveira (SC), Yantuir Duarte (PE), Nicolas Oliveira (SP)

16: Emanoel Tobias (RN) e Charlie Brown (CE), Antonio Venicius (BA), Fellipe Ximenes (SC)

17: Cauet Frazão (CE) e Amando Tenorio (AL), Armando Silva (PE), Gabriel Farias (PE)

18: Renan Pulga (SP) e Johnny Ferreira (RN), Michel Roque (CE), Guilherme Penha (MA)

19: Luel Felipe (PE) e João Artur (SP), Madson Costa (RN), Luan Lapolli (PE)

20: Fabricio Bulhões (BA) e Kaique Timidate (SC), Krystian Kymerson (ES), Michel Demetrio (SC)

21: Luan Wood (SC) e Artur Silva (CE)

22: Diego Aguiar (SP) e Anderson Silva Pikachu (RJ)

23: Leo Andrade (ES) e Marcus Cintra (CE)

24: Rafael Teixeira (ES) e Douglas Noronha (SP)

Terceira fase Feminina – entrada das Top-11 e 1 convidada
1ª avança para as Oitavas de Final e 2ª e 3ª vão para a Repescagem

1ª Larissa dos Santos (CE) com 2 classificadas da segunda fase

2ª Kiany Hyakutake (SC), Potira Castaman (SC) e 1 da segunda fase

3ª Tainá Hinckel (SC), Ariane Gomes (CE) e mais 1

4ª Analu Silva (PB) e mais 2

5ª Juliana dos Santos (CE) e mais 2

6ª Mariana Areno (RJ), Juliana Meneguel (SP) e mais 1

7ª Kemily Sampaio (SP), Sophia Medina (SP) e mais 1

8ª Sarah Ozorio (RJ) e mais 2

Quarta fase Masculina – entrada dos Top-22 e os 2 convidados
1º avança para a Sexta Fase e 2º e 3º vão para a Repescagem

1ª Gabriel Klaussner (SP) com 2 classificados da terceira fase

2ª Marcos Correa (SP), Janninfer de Sousa (SE) e 1 da terceira fase

3ª Rafael Santos (CE) com 2 da terceira fase

4ª Weslley Dantas (SP), Mathias Ramos (CE) e mais 1

5ª Cauã Costa (RJ), Douglas Silva (PE) e mais 1

6ª Cauã Gonçalves (SP) e mais 2

7ª Yuri Gabryel (SC), Paulo Henrique Grilo (RN) e mais 1

8ª Wesley Leite (SP) e mais 2

9ª Michael Rodrigues (CE) e mais 2

10: Deyvson Santos (RN), Santiago dos Santos (CE) e mais 1

11: Alex Ribeiro (SP) e mais 2

12: Jonathan Freitas (RN), Edgard Groggia (PE) e mais 1

13: Jadson André (RN), Luan Carvalho (SP) e mais 1

14: Bino Lopes (BA) e mais 2

15: Samuel Joca (RN), Samuel Igo (PB) e mais 1

16: Rafael Venuto (CE) e mais 2

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.