Surf Brasil Pro

Nicole Santos brilha no Borete

Pernambucana Nicole Santos ganha a maior nota da segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Surf e iguala recorde feminino da temporada 2026 na Praia do Borete.
Surf Brasil Pro 2026, Praia do Borete, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE)

A surfista local de Ipojuca, Nicole Santos, brilhou no domingo com a maior nota da segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 em Porto de Galinhas. O 7.50 que recebeu com um ataque explosivo de frontside numa direita na Praia do Borete, superou o 7.00 do potiguar Rafael Barbosa no sábado e igualou a maior nota feminina do Campeonato Brasileiro de Surf esse ano, da campeã da primeira etapa no Ceará, Juliana dos Santos. As meninas estrearam no domingo e depois foi iniciada a segunda fase masculina, que prossegue nesta segunda-feira com transmissão ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e também pelo canal Woohoo e na TV aberta pelo XSports.

A pernambucana Nicole Santos estreou na sexta bateria feminina do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, que tinha a cearense Silvana Lima como grande favorita. A hexacampeã brasileira vinha embalada pelo bicampeonato panamericano conquistado no domingo no Panamá, mas Nicole achou uma direita que formou uma junção para ela atacar forte, com uma batida explosiva que arrancou nota 7.50 dos juízes. Os 11.57 pontos que totalizou, também foram o maior placar feminino do domingo na Praia do Borete. Silvana Lima avançou junto com Nicole Santos, eliminando a jovem paulista Marina Suguimoto.

“Foi uma bateria incrível com a Silvana (Lima). Sou muito fã dela, então fiquei bem confiante agora, depois de ganhar da Silvana e vamos com tudo pras próximas baterias”, prometeu Nicole Santos, que é irmã mais jovem da campeã brasileira Monik Santos. “Eu estou bem à vontade, em casa, tem altas ondas e isso é o mais importante. Então, foi só fazer a estratégia junto com a minha irmã (Monik Santos), de trocar notas e não cair da prancha. Quero agradecer a Prefeitura de Ipojuca, por estar proporcionando esse grande evento pra gente nessa praia linda, que sempre dá boas ondas. Agradecer também a minha família, a minha irmã que é minha treinadora, minha mãe pelo Dia das Mães hoje e vamo pra cima”.

Monik Santos depois fechou a primeira fase também com vitória em sua estreia nesta segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 na sua casa. A pernambucana estava junto com Silvana Lima no Time Brasil que conquistou o tetracampeonato panamericano, em 5 anos da gestão Teco Padaratz na presidência da Confederação Brasileira de Surf. As duas e a atual líder do ranking brasileiro, Juliana dos Santos, vieram direto do Panamá para Porto de Galinhas e Monik Santos ganhou a sua primeira bateria na Praia do Borete, contra a também pernambucana Chay Oliveira, a cearense Anaelya de Lima e a paulista Aurora Ribeiro, que avançou junto com ela para a segunda fase.

“Estou muito feliz de ter a oportunidade de competir em casa. Foi aqui que eu cresci surfando e mantenho meu treino em dia, então é muito gratificante poder surfar aqui, porque a Praia do Borete sempre tem boas ondas”, destacou a experiente Monik Santos, que falou sobre o recorde de participantes da categoria feminina nesta segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026, com 58 inscritas. “Eu sou de uma geração que não tinha muita oportunidade de competir, então ver o circuito brasileiro crescendo a cada ano e o surf feminino valorizado, é sobre isso que a gente luta e cuida. Eu sempre falo desde a minha adolescência, que o Brasil tem talentos femininos, mas precisava de visibilidade, de investimento e de oportunidades”.

Monik Santos foi acompanhada pela irmã e nova recordista Nicole Santos, na entrevista da transmissão ao vivo do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. Ela também respondeu sobre a ausência da sua mãe, Dona Vera, para assistir elas competirem na Praia do Borete: “Mãinha não aguenta não vir aqui (risos). Ela fica lá em casa, assiste um pouquinho e sai, depois só vê o resultado. Mas, Feliz Dia das Mães, te amo muito mãe, eu e a Nicole aqui, a gente conseguiu passar a bateria para presentear a senhora e vamo pra cima. Te amo mãe e feliz Dia das Mães para todas as mães do Brasil”.

Três campeãs brasileiras estreiam com vitórias no domingo – Antes da Monik Santos, outras duas surfistas que já tem título de campeã brasileira no currículo, também tinham estreado com vitórias na segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 em Ipojuca, a paulista Julia Nicanor e a cearense Yanca Costa. Julia foi a primeira campeã a vencer sua bateria na Praia do Borete, logo após a hexacampeã Silvana Lima ser derrotada por Nicole Santos. Julia Nicanor enfrentou duas surfistas da nova geração e não encontrou dificuldades para vencer a paranaense Duda Azamor e a paraibana Nalanda Carvalho. Na segunda fase, ela e Silvana Lima vão competir juntas, disputando duas vagas para o evento principal com mais duas surfistas bem mais jovens, a cearense Gabriely Queiroz e a paulista Isabelly Knut.

“É muito bom começar vencendo a bateria. Nos últimos eventos eu tomei muita virada no final, mas me mantive resiliente pra ficar com a cabeça boa e busquei forças para esquecer dos momentos ruins que passaram”, disse Julia Nicanor, uma das poucas surfistas que já fazem manobras aéreas no surf feminino. “Eu to muito empolgada, com muita vontade e quero buscar a vitória aqui. Mas sei que a galera está esperando eu mandar o aéreo. Eu gosto muito desse lugar e nos treinos eu consegui botar uns aéreos, mas hoje as condições estão bem difíceis, com vento muito forte. Acho que amanhã deve melhorar e espero conseguir realizar. Vai ser um momento muito bom pra mim de fazer essa manobra na bateria”.

Segunda fase masculina iniciada com dois campeões brasileiros – Após o encerramento da rodada inicial feminina, começou a segunda fase masculina quando estreiam 48 surfistas mais bem colocados no ranking do Surf Brasil Pro 2026, contra os classificados da primeira fase. E a primeira bateria já foi em altíssimo nível, com dois campeões brasileiros que decidiram o título de 2022 na grande final na Praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Foi um verdadeiro show de aéreos que o potiguar Israel Junior tirou até nota 10, para bater o cearense já bicampeão brasileiro, Messias Felix. Israel confirmou o favoritismo na Praia do Borete e venceu de novo, mas Messias e o também cearense Felipe Martins, acabaram eliminados pelo jovem paulista John Muller.

“Estou feliz por ter passado essa bateria e avançado para a terceira fase, mas ainda tem que passar mais baterias para chegar no evento principal (quarta fase)”, disse Israel Junior, que falou sobre os aéreos que são sua especialidade. “Eu gosto de dar aéreos, tenho essa manobra no pé, mas nem sempre a oportunidade é boa para isso. O aéreo é uma manobra de risco, então acho que o mais importante é passar bateria, independente se for com aéreo. Graças a Deus, tenho também as manobras de borda que consigo encaixar de backside ou frontside, mas o aéreo tá no pé sim para usar quando tiver oportunidade”.

Ex-tops da elite mundial fazem os recordes do domingo em Ipojuca – Outro campeão brasileiro também competiu na segunda fase e Igor Moraes avançou sua primeira bateria no Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, mas em segundo lugar no confronto vencido por outro paulista, Derek Souza. Os dois barraram os pernambucanos Cauã Nunes de Ipojuca e Patrick Tamberg de Fernando de Noronha. Outra atração da segunda fase foi a estreia de duas estrelas que já representaram o Brasil na elite dos melhores surfistas do mundo. E eles foram os recordistas do domingo na competição masculina, com o paranaense Peterson Crisanto fazendo o maior somatório – 13.00 pontos – e o paulista Deivid Silva igualando a nota 7.00 do Rafael Barbosa no sábado, a maior dos homens na Praia do Borete esse ano.

“Estou muito feliz de ter começado bem esse campeonato, com uma nota 7 que me deixou um pouco mais tranquilo e deu tudo certo”, disse Deivid Silva, que estava no CT até o ano passado e agora está podendo competir no Surf Brasil Pro. “A premiação do Brasileiro está muito boa e ajuda para poder seguir no surf profissional hoje em dia. O Surf Brasil está fazendo um trabalho incrível, com boa premiação e estou amarradão de estar competindo no circuito esse ano. Consegui pegar boas ondas hoje e estou feliz de estar em Porto de Galinhas de novo. Fazia muitos anos que eu não vinha, desde os tempos de amador, então estou amarradão e vamo com tudo, bateria por bateria, para se Deus quiser, chegar no dia das finais”.

Deivid Silva derrotou o paulista Guilherme Fernandes, o carioca Pedro Neves e o potiguar Arthur Alves, por 12.17 pontos somando a nota 7.00, recorde masculino do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. Duas baterias depois, o paranaense Peterson Crisanto atingiu 13.00 pontos com a nota 6.83 da sua melhor onda, na vitória sobre dois paraibanos da nova geração, Iago Bellotti e Felipe Homsi. Os dois venceram a Seletiva Norte/Nordeste para o Surf Brasil Base, se classificando para a decisão dos títulos brasileiros em Navegantes (SC). Os 13.00 pontos do Peterson Crisanto ainda ficaram abaixo dos 13.33 do potiguar Alan Jhones, que encabeça a lista do maior somatório nas ondas da Praia do Borete esse ano.

Recordistas são as próximas atrações da segunda fase masculina – O recordista Alan Jhones vai voltar a competir na 12ª bateria da segunda fase, a terceira a entrar no mar nesta segunda-feira em Porto de Galinhas. Seus adversários serão o também potiguar Mateus Sena e os cearenses Marcos Alves TT e Guilherme Lemos, que mora na capital carioca. Também nesta segunda e última rodada de 24 baterias, tem o paulista Renan Pulga vice-campeão brasileiro do ano passado na 18ª bateria e na seguinte o pernambucano Luel Felipe, que detém o recorde de etapas vencidas na gestão Teco Padaratz iniciada em 2022. Luel, o bicampeão brasileiro Douglas Silva, o carioca Lucas Silveira e o líder do ranking 2026, Michael Rodrigues, ganharam duas etapas cada um, das 21 completadas no Ceará esse ano.

O Surf Brasil Pro 2026 é uma realização de Surf Brasil, em conjunto com a Federação Pernambucana de Surf nesta segunda etapa em Porto de Galinhas, que conta com patrocínio da Prefeitura Municipal do Ipojuca através da Secretaria Especial de Esportes, CAIXA Esportes, Monster Energy e Surf Telecom; apoio local da marca JISK e parceria de Suntech, Brazilian Tiger Balm, Sococo, Shopee, Chandon, Restaurante Chicama, Cerveja Praya, apoio ambiental de Mondo Ekvilibro e apoio institucional do COB – Comitê Olímpico do Brasil. Todas as etapas do Surf Brasil Pro 2026 são transmitidas pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e nos canais Woohoo na TV fechada e XSports na TV aberta, com o último dia também passando ao vivo no canal Time Brasil TV do COB no YouTube.

Baterias do Surf Brasil Pro – Porto De Galinhas
(entre parênteses o estado que representa na competição)

Resultados do domingo na Praia do Borete
Primeira fase masculina
3º=121º lugar (740 pts) e 4º=145º lugar (500 pts)

———–as 21 baterias foram realizadas no sábado

22 1-Kailani Renno (SP), 2-Gabriel Dantas (RJ), 3-Diogo Cesar (SP)

23 1-Rickson Falcão (RJ), 2-José Claudio (PE), 3-Eduardo Martins (SP), 4-Itim Silva (CE)

24 1-JP Ferreira (SP), 2-Lysandro Leandro (RN), 3-Messias Santos (PE)

Primeira fase feminina
3ª=37º lugar (3.000 pts) e 4ª=49º lugar (2.400 pts)

1ª 1-Luara Mandelli (PR), 2-Jessica Bianca (PR), 3-Mayara Zampieri (SP), 4-Leticia Calleia (RJ)

2ª 1-Sophia Gonçalves (SP), 2-Nicolly Freire (PB), 3-Kiany Cristina (SP), wº-Gabriely Vasque (PR)

3ª 1-Carol Bastides (SP), 2-Maria Clara (RN), 3-Sol Carrion (SP), 4-Luiza Savoi (SP)

4ª 1-Nina Stein (RJ), 2-Valentina Zanoni (SC), 3-Laiz Costa (RJ), 4-Jessica Santos (CE)

5ª 1-Gabriely Queiroz (CE), 2-Natalia Gerena (SP), 3-Julia Duarte (RJ), 4-Luana Reis (SP)

6ª 1-Nicole Santos (PE), 2-Silvana Lima (CE), 3-Marina Suguimoto (SP)

7ª 1-Julia Nicanor (SP), 2-Duda Azamor (PR), 3-Nalanda Carvalho (PB)

8ª 1-Alexia Monteiro (RS), 2-Isabelly Knut (SP), 3-Maeva Guastalla (SP), 4-Lanay Thompson (RJ)

9ª 1-Yanca Costa (RJ), 2-Samira Stephany (SP), 3-Prislen de Sousa (CE), wº-Maya Canônico (SP)

10 1-Aysha Ratto (RJ), 2-Kauanny de Souza (SC), 3-Alice Pitanga (ES), 4-Vitória Carneiro (CE)

11 1-Maria Autuori (SC), 2-Rayssa Marques (PB), 3-Alma Corgiolu (SC), 4-Nathalie Martins (PR)

12 1-Monik Santos (PE), 2-Aurora Ribeiro (SP), 3-Anaelya de Lima (CE), 4-Chay Oliveira (PE)

Segunda fase – entrada de 48 pré-classificados pelo ranking da 1ª etapa
3º=73º lugar com 1.440 pontos e 4º=97º lugar com 980 pontos

1ª 1-Israel Junior (RN), 2-John Muller (SP), 3-Felipe Martins (CE), 4-Messias Felix (CE)

2ª 1-Rafael Barbosa (RN), 2-Adauto Sena (RN), 3-Isaias Silva (CE), 4-Gustavo Ribeiro (SP)

3ª 1-Derek Souza (SP), 2-Igor Moraes (SP), 3-Cauã Nunes (PE), 4-Patrick Tamberg (PE)

4ª 1-Lucas Bezerra (CE), 2-Pedro Rian (CE), 3-Mateus Ribeiro (CE), wº-Wiggolly Dantas (SP)

5ª 1-Deivid Silva (SP), 2-Guilherme Fernandes (SP), 3-Pedro Neves (RJ), 4-Arthur Alves (RN)

6ª 1-Bryan Almeida (SP), 2-Daniel Adisaka (SP), 3-Derek Adriano (SC), 4-Jonh Jonh Alves (CE)

7ª 1-Peterson Crisanto (PR), 2-Iago Bellotti (PB), 3-Felipe Homsi (PB), wº-Patrick Alves (PI)

8ª 1-Walley Guimarães (SC), 2-Daniel Duarte (SP), 3-Pedro Dib (SP), 4-Elton Melo (CE)

9ª 1-Edvan Silva (CE), 2-Alexandre Camargo (CE), 3-Thiago Guimarães (SP), 4-Nathan Hereda (RJ)

Próximas baterias do Surf Brasil Pro em Ipojuca
Segunda Fase
3º=73º lugar (1.440 pontos) e 4º=97º lugar (980 pontos)

10 Alan Donato (PE) e Flavio Nakagima (SP), Bernardo Brizola (RN), Pablo Paulino (CE)

11 Gabriel André (SP) e Davi Sobrinho (CE), E O Lobster (PE), Kaue Daniel (SP)

12 Mateus Sena (RN) e Marcos Alves TT (CE), Alan Jhones (RN), Guilherme Lemos (RJ)

13 Lucas Vicente (SC) e Hugo Bomfim (SP), Murillo Coura (SP), Kayan Medeiros (RN)

14 Lucas Haag (SC) e Jonatans Ruan (RN), Glauciano Rodrigues (CE), Jonatha Santos (RN)

15 Ytalo Oliveira (CE) e Luã da Silveira (SC), Yantuir Duarte (PE), Nicolas Oliveira (SP)

16 Emanoel Tobias (RN) e Charlie Brown (CE), Antonio Venicius (BA), Fellipe Ximenes (SC)

17 Cauet Frazão (CE) e Amando Tenorio (AL), Cezar Aguiar (PE), Gabriel Farias (PE)

18 Renan Pulga (SP) e Johnny Ferreira (RN), Michel Roque (CE), Guilherme Penha (MA)

19 Luel Felipe (PE) e João Artur (SP), Madson Costa (RN), Luan Lapolli (PE)

20 Fabricio Bulhões (BA) e Kaique Timidate (SC), Krystian Kymerson (ES), Michel Demetrio (SC)

21 Luan Wood (SC) e Artur Silva (CE), Ivan Silva (PE), Gabriel Dantas (RJ)

22 Diego Aguiar (SP) e Anderson Silva Pikachu (RJ), Kailani Renno (SP), Felipe Oliveira (SP)

23 Leo Andrade (ES) e Marcus Cintra (CE), Rickson Falcão (RJ), Lysandro Leandro (RN)

24 Rafael Teixeira (ES) e Douglas Noronha (SP), JP Ferreira (SP), José Claudio (PE)

Segunda fase feminina
3ª=25º lugar (3.600 pontos) e 4ª=31º lugar (3.300 pts)

1ª Carol Bastides (SP), Luara Mandelli (PR), Valentina Zanoni (SC), Nicolly Freire (PB)

2ª Sophia Gonçalves (SP), Jessica Bianca (PR), Nina Stein (RJ), Maria Clara (RN)

3ª Julia Nicanor (SP), Silvana Lima (SP), Isabelly Knut (SP), Gabriely Queiroz (CE)

4ª Nicole Santos (PE), Duda Azamor (PR), Alexia Monteiro (RS), Natalia Gerena (SP)

5ª Yanca Costa (RJ), Maria Autuori (SP), Kauanny de Souza (SC), Aurora Ribeiro (SP)

6ª Monik Santos (PE), Samira Stephany (SP), Aysha Ratto (RJ), Rayssa Marques (PB)

Terceira fase masculina – 4 das 12 baterias já formadas no domingo
3º=49º lugar com 2.400 pontos e 4º=61º lugar com 1.800 pontos

1ª Israel Junior (RN), Adauto Sena (RN), Derek Souza (SP), Pedro Rian (CE)

2ª Igor Moraes (SP), Lucas Bezerra (CE), Rafael Barbosa (RN), John Muller (SP)

3ª Peterson Crisanto (PR), Deivid Silva (SP), Daniel Adisaka (SP), Daniel Duarte (SP)

4ª Walley Guimarães (SC), Guilherme Fernandes (SP), Bryan Almeida (SP), Iago Bellotti (PB)

Terceira fase feminina – entrada das Top-11 e 1 convidada
1ª avança para as Oitavas de Final e 2ª e 3ª vão para a Repescagem

1ª Larissa dos Santos (CE) com 2 classificadas da segunda fase

2ª Kiany Hyakutake (SC), Potira Castaman (SC) e 1 da segunda fase

3ª Tainá Hinckel (SC), Ariane Gomes (CE) e mais 1

4ª Analu Silva (PB) e mais 2

5ª Juliana dos Santos (CE) e mais 2

6ª Mariana Areno (RJ), Juliana Meneguel (SP) e mais 1

7ª Kemily Sampaio (SP), Sophia Medina (SP) e mais 1

8ª Sarah Ozorio (RJ) e mais 2

Quarta fase masculina – entrada dos Top-22 e os 2 convidados
1º avança para a Sexta Fase e 2º e 3º vão para a Repescagem

1ª Gabriel Klaussner (SP) com 2 classificados da terceira fase

2ª Marcos Correa (SP), Janninfer de Sousa (SE) e 1 da terceira fase

3ª Rafael Santos (CE) com 2 da terceira fase

4ª Weslley Dantas (SP), Mathias Ramos (CE) e mais 1

5ª Cauã Costa (RJ), Douglas Silva (PE) e mais 1

6ª Cauã Gonçalves (SP) e mais 2

7ª Yuri Gabryel (SC), Paulo Henrique Grilo (RN) e mais 1

8ª Wesley Leite (SP) e mais 2

9ª Michael Rodrigues (CE) e mais 2

10 Deyvson Santos (RN), Santiago dos Santos (CE) e mais 1

11 Alex Ribeiro (SP) e mais 2

12 Jonathan Freitas (RN), Edgard Groggia (PE) e mais 1

13 Jadson André (RN), Luan Carvalho (SP) e mais 1

14 Bino Lopes (BA) e mais 2

15 Samuel Joca (RN), Samuel Igo (PB) e mais 1

16 Rafael Venuto (CE) e mais 2

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.