Surf Brasil Pro

Douglas e Tainá fazem a festa

Ídolo local, Douglas Silva fatura o bi em casa e Tainá Hinckel amplia recorde de vitórias em Porto de Galinhas.
Surf Brasil Pro 2026, Praia do Borete, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE)

O ipojucano Douglas Silva é bicampeão em casa e a catarinense Tainá Hinckel aumenta seu recorde de vitórias no Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, no domingo com a Praia do Borete lotada em Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. O bicampeão brasileiro é o primeiro a ganhar três etapas desde 2022 na categoria masculina e a surfista olímpica da Guarda do Embaú, festejou o seu sétimo título em oito finais disputadas. As decisões foram só entre campeões brasileiros, contra os líderes no ranking das duas etapas de 2026, o paulista Weslley Dantas e a cearense Juliana dos Santos. O próximo desafio dos melhores surfistas do Brasil, vai ser na casa do Weslley, a Reserva Nacional de Surf na Praia de Itamambuca, de 16 a 28 de julho em Ubatuba, litoral norte de São Paulo.

“Primeiramente, quero dizer que Deus é o condutor de todas as coisas e eu só sou um navegante no barco Dele. Estou muito feliz com essa vitória em casa e toda honra e toda glória seja dada a Deus”, foram as primeiras palavras do bicampeão brasileiro e agora bicampeão da etapa na sua casa, Douglas Silva. “É uma felicidade imensa estar ganhando esse evento mais uma vez. Aqui foi o início do bicampeonato brasileiro no ano passado e pode ser também o início do tri. Mas, só to vivendo um dia após o outro, dando o meu melhor e deixando acontecer. Quero agradecer, do fundo do meu coração, todo mundo que veio aqui torcer, prestigiar esse evento incrível, agradecer a Prefeitura de Ipojuca, a Secretaria de Esportes, por nos proporcionar esse evento tão gigante, com a maior estrutura que eu já vi no Campeonato Brasileiro”.

Douglas Silva chegou em Ipojuca depois de conquistar o título de campeão panamericano no Panamá e na semana retrasada, ainda ganhou a etapa do Circuito Nordestino, realizada nas mesmas ondas da Praia do Borete. Ele agora é o primeiro surfista a vencer três etapas válidas pelo título brasileiro desde 2022, na gestão do presidente Teco Padaratz na Confederação Brasileira de Surf. A recordista absoluta é Tainá Hinckel, que aumentou de 6 para 7, o número de vitórias em sua primeira vez competindo na Praia do Borete. A final do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, foi uma reedição da sua sexta conquista, na última etapa de 2025 também contra Juliana dos Santos na Praia Mole de Florianópolis, Santa Catarina.

“Foi muita emoção essa bateria, do início até o final. Eu sabia que eu precisava acreditar em mim, para poder vencer, porque as condições ficaram bem desafiadoras nessa bateria”, destacou Tainá Hinckel. “Foi um campeonato que deu bastante onda, mas tinha que se conectar com o mar para pegar as certas que proporcionavam as notas boas. Eu sabia que eu tinha que dar o meu melhor contra a Jujú (Juliana dos Santos), a gente já fez várias baterias, finais, então to amarradona em ter ganho esse campeonato. Era o meu objetivo e estou orgulhosa de mim por ter vencido. É um momento incrível pra mim e agora é correr pra organizar tudo, porque eu tenho um voo daqui a pouco”.

Surf Brasil Pro Porto De Galinhas foi um sucesso de recordes – O Surf Brasil Pro Porto de Galinhas foi um sucesso total, com boas ondas todos os dias na Praia do Borete, que ficou lotada no domingo de Sol em Ipojuca, recorde de audiência na transmissão ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no Youtube, recorde de participação feminina com 58 inscritas e recordes também sendo batidos nas inéditas decisões só entre surfistas com títulos brasileiros no currículo. Além de aumentar para 7 o número de etapas vencidas, Tainá Hinckel igualou as 8 finais disputadas pela hexacampeã brasileira Silvana Lima. A líder do ranking 2026, Juliana dos Santos, decidiu o título em Ipojuca no ano passado e foi também vice-campeã na final contra outra catarinense, Laura Raupp. Mas Jujú agora dispara na liderança do ranking, pois começou a temporada com vitória em casa no Surf Brasil Pro da Praia da Taíba, no Ceará.

“Estou feliz demais por ter feito mais uma final com a Tainá. A gente sempre tá se encontrando e fazendo boas baterias, boas notas e foi um bom resultado para se firmar na liderança do ranking”, disse Juliana dos Santos. “O foco é esse, de manter a constância de bons resultados e vamo pra cima com tudo na próxima etapa. Agora é se dedicar ainda mais, para chegar bem em Ubatuba e fazer mais um bom resultado lá. Foi a minha segunda final seguida esse ano, minha segunda final seguida aqui em Porto de Galinhas e os resultados falam por si só, o quanto a gente é dedicada, focada, com muita fé em Deus. Estou muito feliz por tudo que vem acontecendo, para manter essa constância de bons resultados”.

Três surfistas na busca do bicampeonato brasileiro em 2026 – Juliana dos Santos foi campeã brasileira em 2024, um ano depois da Tainá Hinckel também festejar o seu primeiro título em 2023. A cearense lidera o ranking do Surf Brasil Pro 2026, agora com a catarinense em segundo lugar, seguida pela vice-campeã da primeira etapa no Ceará, a paraibana Analu Silva. As duas buscam o bicampeonato brasileiro esse ano, assim como o paulista Weslley Dantas. No ranking masculino, o bicampeão brasileiro em 2024 e 2025, Douglas Silva, não competiu no Ceará e já aparece em 12º lugar, com os 10.000 pontos do bicampeonato em casa. O paulista Weslley Dantas foi campeão brasileiro em 2023 e assumiu a ponta do ranking quando passou para a final, tirando a primeira posição do baiano Bino Lopes, derrotado pelo Dodô na primeira semifinal.

“Abriu uma porta muito grande para mim e acho que vai dar tudo certo, porque a próxima etapa é em Ubatuba né”, destacou o ubatubense Weslley Dantas, que agora deseja igualar o bicampeonato da sua irmã, Suelen Naraisa. “Agora estou na disputa do título, líder do ranking e todos sabem que,quando deixam o Weslley chegar, é difícil tirar de lá e eu pretendo manter isso aí. A minha irmã é bicampeã brasileira e quero fazer o mesmo feito dela esse ano, com certeza. A próxima etapa é em casa, mais tranquilo pra fazer boas baterias, sem pressão, mandar os aéreos, as manobras e é isso. É fazer o surf com seriedade, que vem a final, vem o resultado e em casa vai ter mais ondas pra mim, do que faltou aqui”.

Troca da liderança do ranking sacramentada nas semifinais – A decisão masculina aconteceu quando a maré já estava cheia na Praia do Borete, com as séries demorando mais para entrar do que nas semifinais, quando Weslley Dantas pegou 15 ondas para derrotar o potiguar Alan Jhones por 13.86 a 12.50 pontos. Essa vitória garantiu a liderança do ranking para King Dantas, porque o baiano Bino Lopes estava na frente e já havia sido eliminado por Douglas Silva, também por uma pequena vantagem de 13.27 a 12.03 pontos. As classificações para a grande final foram conquistadas com manobras aéreas, especialmente nas esquerdas da Praia do Borete.

Douglas Silva também acertou um full rotation de frontside na final do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, que valeu a maior nota da bateria, 6.90 pontos. Logo ele achou outra esquerda, que abriu a parede para fazer uma série de batidas e rasgadas com pressão e velocidade, até cravar as quilhas na areia. A torcida explodiu na praia e a nota 5.03 confirmou o bicampeonato em casa, por 11.93 a 10.33 pontos. O campeão e a campeã no circuito nacional mais rico do mundo, único que oferece meio milhão de reais a cada etapa, ganham o mesmo prêmio de 50 mil reais, com os vice-campeões recebendo 25 mil reais no masculino e no feminino.

Próximas etapas do Surf Brasil Pro 2026 na casa dos finalistas – As outras duas etapas já confirmadas, serão na casa do paulista Weslley Dantas e da catarinense Tainá Hinckel. A próxima é em Ubatuba, de 18 a 26 de julho na Reserva Nacional de Surf da Praia de Itamambuca. E o palco da decisão dos títulos brasileiros, será na única Reserva Mundial de Surf do Brasil, na paradisíaca Guarda do Embaú, nos dias 7 a 15 de novembro no município de Palhoça, em Santa Catarina. Essa praia recebeu a última etapa da Taça Brasil no ano passado e Tainá Hinckel fez as honras da casa com vitória. Agora, ela pode conquistar o segundo título brasileiro em casa, na grande final do Surf Brasil Pro 2026.

“O foco principal agora é o bicampeonato brasileiro, mas tem muita coisa pra acontecer ainda e, realmente, esse evento em casa, na Guarda do Embaú, vai ser muito legal”, disse Tainá Hinckel. “Mas, eu só quero continuar evoluindo o meu surf. Eu vim com esse objetivo de vencer aqui em Porto de Galinhas, é a minha primeira vez aqui, então estou muito feliz por esse lugar me proporcionar uma vitória tão especial. Quero mandar um beijo pra minha mãe, meu irmão, meu namorado e todos que tão torcendo por mim. Eu fico feliz em saber que outras pessoas acreditam em mim e quero parabenizar também a Jujú, que tá surfando muito, venceu o campeonato lá na Taíba, fez outra final aqui e vamos com tudo pro próximo”.

O bicampeão do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, agradeceu por também ter uma etapa em casa para competir: “Obrigado ao Surf Brasil por acreditar no projeto do nosso município, trazendo essa etapa pra cá e to felizão com o resultado. Estou bem comigo mesmo, só deixando as coisas acontecerem e quero agradecer também todos os meus patrocinadores e apoiadores. Cada um de vocês têm uma construção gigante no meu sonho, foi mais um passo dado e Deus fez as coisas acontecerem aqui hoje. Então obrigado mais uma vez a Prefeitura de Ipojuca e a todo mundo que veio torcer na praia, vibrando todos os dias. Vamos focar agora para quem sabe, conseguir o tricampeonato”.

Novidades na lista dos top-22 e das top-11 para a etapa de Ubatuba – O Surf Brasil Pro Porto de Galinhas provocou sete mudanças de nomes no grupo dos tops que entram na fase mais avançada de cada etapa, cinco no ranking masculino e duas no feminino. Douglas Silva saiu do zero direto para o 12.o lugar, com o bicampeonato em casa. Outro campeão brasileiro, o potiguar Israel Junior, parou nas quartas de final e também entrou no grupo dos top-22, saindo da 25ª para a oitava posição. Ainda teve o paulista Renan Pulga, vice-campeão brasileiro em 2026, assumindo a 18ª colocação, o potiguar Alan Jhones pegando a vigésima e o alagoano Amando Tenorio indo para o 21º e penúltimo lugar nessa lista.

No ranking feminino, as novidades entre as Top-11 são dois grandes talentos da novíssima geração do surf brasileiro, que só foram derrotadas pela campeã brasileira de 2024 e líder do ranking 2026, Juliana dos Santos. Uma delas, a catarinense Kauanny de Souza, de apenas 15 anos, subiu no pódio do Surf Brasil Pro pela primeira vez, dividindo o terceiro lugar com a gaúcha Alexia Monteiro, que pela terceira vez seguida parou nas semifinais da etapa pernambucana em Ipojuca. Kauanny subiu da 31ª para a oitava posição e a outra novidade é a paulista Carol Bastides, que ficou nas quartas de final e assumiu a nona colocação.

As duas tiraram das Top-11, a paulista Kemily Sampaio e a baiana Potira Castaman, que mora em Florianópolis. No ranking masculino, saíram dos Top-22 os cearenses Janninfer de Sousa e Mathias Ramos, o potiguar Paulo Henrique Grilo, o paulista Luan Carvalho e o paraibano Samuel Igo. Estes perderam o privilégio que tiveram em Porto de Galinhas, de entrar na fase mais avançada da terceira etapa do Surf Brasil Pro 2026 em Ubatuba, já com o prêmio mínimo de 3.000 reais garantido e direito a repescagem, caso não vençam a sua primeira bateria na Praia de Itamambuca.

Novo formato abre chance para mais surfistas participarem – O novo formato que o Surf Brasil está inaugurando esse ano no Campeonato Brasileiro de Surf, já vem cumprindo seu objetivo de proporcionar chances para que mais surfistas possam disputar a premiação de meio milhão de reais oferecida em cada etapa e o título brasileiro da temporada. Em Porto de Galinhas, 63 participantes – 48 homens e 15 mulheres – marcaram seus primeiros pontos no ranking de 2026, pois não competiram na primeira etapa no Ceará. Destes 63, mais da metade estreou em etapas válidas pelo título brasileiro profissional desde 2022, na gestão do presidente Teco Padaratz na Confederação Brasileira de Surf. Foram 41 aproveitando a oportunidade em Ipojuca, 31 na competição masculina e 10 na feminina.

O Surf Brasil Pro 2026 é uma realização de Surf Brasil, em conjunto com a Federação Pernambucana de Surf nesta segunda etapa em Porto de Galinhas, que contou com patrocínio da Prefeitura Municipal do Ipojuca através da Secretaria Especial de Esportes, CAIXA Esportes, Monster Energy e Surf Telecom; apoio local da marca JISK e parceria de Suntech, Brazilian Tiger Balm, Sococo, Shopee, Chandon, Restaurante Chicama, Cerveja Praya, apoio ambiental de La Mondo en Ekvilibro e apoio institucional do COB – Comitê Olímpico do Brasil. Todas as etapas do Surf Brasil Pro 2026 são transmitidas pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e nos canais Woohoo na TV fechada e XSports na TV aberta, com o último dia também passando ao vivo no canal Time Brasil TV do COB no YouTube.

Último dia do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas

(entre parênteses o estado que representa na competição)

Decisão do título masculino

Bicampeão Douglas Silva (PE) por 11,93 pts (6,90+5,03) – R$ 50.000 e 10.000 pontos

2º lugar Weslley Dantas (SP) com 10,33 pts (5,50+4,83) – R$ 25.000 e 8.600 pontos

Semifinais
3º lugar com R$ 13.500 e 7.300 pontos

1ª Douglas Silva (PE) 13,27 x 12,03 Bino Lopes (BA)

2ª Weslley Dantas (SP) 13,86 x 12,50 Alan Jhones (RN)

Decisão do título feminino

Campeã Tainá Hinckel (SC) por 13,23 pts (6,73+6,50) – R$ 50.000 e 10.000 pontos

2º lugar Juliana dos Santos (CE) com 10,26 pts (5,33+4,93) – R$ 25.000 e 8.600 pontos

Semifinais
3º lugar com R$ 13.500 e 7.300 pontos

1ª Tainá Hinckel (SC) 12,77 x 12,37 Alexia Monteiro (RS)

2ª Juliana dos Santos (CE) 10,87 x 8,60 Kauanny de Souza (SC)

Rankings do Surf Brasil Pro 2026 – 2 Etapas
Top-22 da categoria Masculina

1º- Weslley Dantas (SP) – 13.600 pontos

2º- Bino Lopes (BA) – 13.400

3º- Michael Rodrigues (CE) – 12.800

4º- Wesley Leite (SP) – 12.600

5º- Rafael Venuto (CE) – 11.300

6º- Cauã Costa (CE) – 11.100

7º- Santiago dos Santos (CE) – 10.100

8º- Israel Junior (RN) – 10.100

9º- Cauã Gonçalves (SP) – 10.100

10º- Gabriel Klaussner (SP) – 10.100

11º- Alex Ribeiro (SP) – 10.100

12º- Douglas Silva (PE) – 10.000

13º- Marcos Correa (SP) – 10.000

14º- Samuel Joca (RN) – 10.000

15º- Jadson André (RN) – 10.000

16º- Yuri Gabryel (SC) – 10.000

17º- Jonathan Freitas (RN) – 9.000

18º- Renan Pulga (SP) – 9.000

19º- Rafael Santos (CE) – 9.000

20º- Alan Jhones (RN) – 8.740

21º- Amando Tenorio (AL) – 8.500

22º- Deyvson Santos (RN) – 8.200

Top-11 da categoria Feminina

1ª- Juliana dos Santos (CE) – 18.600 pontos

2ª- Tainá Hinckel (SC) – 16.100

3ª- Analu Silva (PB) – 12.600

4ª- Larissa dos Santos (CE) – 11.300

5ª- Sarah Ozorio (RJ) – 11.300

6ª- Juliana Meneguel (SP) – 11.100

7ª- Kiany Hyakutake (SC) – 11.100

8ª- Kauanny de Souza (SC) – 10.600

9ª- Carol Bastides (SP) – 10.100

10ª- Mariana Areno (RJ) – 10.100

11ª- Ariane Gomes (CE) – 10.000

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.