Montañita Open

Brasileiros avançam no Equador

Brasileiros vencem maioria das baterias da segunda fase do QS em Montañita.
Open Montañita Surf City 2021, Montañita, Equador

As ondas baixaram um pouco na quinta-feira (17), mas Montañita seguiu apresentando boas condições para realizar mais dezoito baterias do Montañita Open.

Foram realizadas as oito baterias da rodada inicial feminina, com as 32 surfistas de 7 países estreando na primeira das duas etapas seguidas da WSL Latin America no Equador. Depois, 40 competidores de 7 países, disputaram dez confrontos da segunda fase masculina.

O brasileiro Alejo Muniz e a peruana Sol Aguirre fizeram os recordes do segundo dia, mas a torcida equatoriana também vibrou com as vitórias da bicampeã sul-americana Dominic Barona e de Jonathan Zambrano, que eliminou o cabeça de chave número 1 desta etapa do WSL Qualifying Series, o brasileiro João Chianca.

A segunda fase masculina tem 16 baterias e a 11º ficou para abrir a sexta-feira (18), às 8h na Província de Santa Elena, no Sul do Equador, 10h no Brasil.

Sol Aguirre é destaque

As meninas estrearam na quinta-feira e a havaiana Summer Macedo venceu o primeiro confronto do dia. O segundo terminou com dobradinha brasileira de Isabela Saldanha e Julia Duarte sobre duas equatorianas.

Na terceira bateria, a jovem peruana Sol Aguirre, bicampeã sul-americana Pro Junior Sub 18 da WSL Latin America em 2017 e 2018, fez as marcas a serem batidas no campeonato. Ela iniciou bem com nota 5,50 e na segunda onda conseguiu 6,50. Mas, mostrou toda a potência do seu surfe na quarta direita que surfou. Sol atacou as partes mais críticas da onda com muita força para receber nota 7,50, totalizando imbatíveis 14,00 pontos entre as meninas.

“Eu estava ansiosa esperando este momento para competir e sei que esse é um campeonato importante, mas me concentrei só em surfar bem minhas ondas. Esse era o meu plano e funcionou”, diz Sol Aguirre. “Eu já vim várias vezes à Montañita e isso me dá mais confiança. Estes dois campeonatos aqui no Equador são os mais importantes para mim esse ano. Aqui se define tudo para o Challenger Series e estou super focada para conseguir bons resultados, onda por onda, bateria por bateria, para atingir meu objetivo”.

Sol Aguirre ocupa a terceira posição no ranking da WSL Latin America, que indica cinco surfistas para as etapas do Challenger Series, que vão definir as vagas para a elite do World Surf League Championship Tour de 2022. Ela agora vai enfrentar a líder do ranking, a também peruana Daniella Rosas, que ganhou o confronto seguinte. “Vou enfrentar a Daniella, a Lucia (Indurain) e a Julia (Duarte), então será uma bateria superforte. Mas, é para isso que venho treinando, para enfrentar competidoras fortes e estou pronta para a batalha”.

Atletas olímpicas

As duas melhores de cada bateria da segunda fase feminina já avançam para as quartas de final, quando o formato da competição muda para os confrontos diretos, com apenas duas surfistas se enfrentando. Daniella Rosas é a atual campeã sul-americana da WSL Latin America e também estreou com vitória, mas sem pegar ondas tão boas como Sol Aguirre.

O mesmo aconteceu com a surfista local de Montañitas, Dominic Barona, que tem dois títulos sul-americanos no currículo, de 2011 e 2018. Ela e Daniella estão classificadas para a estreia do surfe nas Olimpíadas de Tóquio.

“Estou superfeliz e emocionada em poder finalmente competir em um evento internacional do QS em minha casa”, destaca Mimi Barona. “Essa não é a melhor época de ondas do ano, mas Montañita sempre tem boas ondas e estou feliz, porque muitas amigas e amigos estão aqui conhecendo minha praia. O meu objetivo é ganhar esta etapa, mas vou me concentrar bateria por bateria, passo a passo, para tentar chegar lá”.

Dominic Barona está em sexto lugar no ranking da WSL Latin America, numa briga direta por vaga no Challenger Series com a quinta colocada, Silvana Lima. A brasileira fez parte da elite mundial da World Surf League até 2019 e também vai disputar as Olimpíadas de Tóquio. Silvana estreou depois da equatoriana e começou bem, com nota 7,00 em sua primeira onda.

Mas, a jovem campeã sul-americana Pro Junior da WSL Latin America em 2016 e 2019, Tainá Hinckel, foi precisa na escolha das ondas. A catarinense só surfou as duas que são computadas no resultado e elas abriram a parede para manobrar forte, atacando todo espaço da onda com força e fluidez, somando notas 6,25 e 5,25 para superar Silvana Lima por 11,50 a 11,25 pontos. As duas passaram para a segunda fase.

A jovem Tainá vai disputar duas vagas para as quartas de final com a experiente Dominic Barona e duas peruanas, Melanie Giunta e Arena Rodriguez Vargas. Silvana Lima foi para a última bateria, com a número 4 no ranking da WSL Latin America, Josefina Ané, a também argentina Coco Cianciarulo e a porto-riquenha Andrea Vlieg.

Alejo Muniz é recordista absoluto

Depois da abertura do QS 1000 feminino do Montañita Open, foi iniciada a segunda fase masculina, quando entram dos 32 cabeças de chave mais bem colocados no ranking mundial da World Surf League. E já começou forte, com o único participante que já fez parte da elite do Championship Tour, Alejo Muniz, se tornando o recordista absoluto no point break de direitas de Montañita.

Ele liderou a bateria desde a primeira onda que surfou e valeu 6,25. Mas, deixou o melhor para o fim, escolhendo uma boa onda que abriu a parede para fazer uma série de manobras com grandes leques de água. Os juízes deram a primeira nota no critério excelente para ele, 8,25. Com ela, totalizou 14,50 pontos, batendo os 14,00 da peruana Sol Aguirre e os 13,00 do recorde do equatoriano Santiago Garcia na quarta-feira.

“É a primeira vez que venho para cá e estou muito feliz aqui no Equador. Meu irmão Santiago (Muniz) que também compete, já tinha vindo antes, meu pai também, sempre falaram muito bem e estava com muita vontade de conhecer”, diz Alejo Muniz. “Esse é o meu primeiro campeonato depois da pandemia e estou muito feliz. Apesar de competir há muitos anos, talvez por ter ficado tanto tempo parado, fiquei um pouco nervoso no início da bateria. Mas, fiquei feliz por ter conseguido pegar boas ondas”.

No momento, Alejo está fechando a lista dos dez surfistas que o ranking da WSL Latin America indica para o Challenger Series e quer garantir seu nome, para tentar recuperar a vaga no CT esse ano. “Eu estive na elite do CT por seis anos e quero voltar, então estou muito contente por ter avançado, porque esse campeonato é muito importante. Estou na zona de corte da classificação para as etapas de 10.000 pontos (Challenger Series), então é importante eu passar o máximo de baterias que puder nestes dois eventos aqui do Equador”.

Atletas olímpicos

Um dos surfistas que ameaçam sua vaga é o argentino Leandro Usuña, que está em 16º lugar no ranking. Ele é um dos três participantes do evento classificados para as Olimpíadas de Tóquio 2020 no Japão. Os três competiram em baterias quase seguidas. O chileno Manuel Selman foi barrado na quarta, pelo brasileiro Marcos Correa e o equatoriano Snaider Parrales. O argentino entrou na quinta e estreou com vitória sobre o brasileiro Ryan Kainalo, com ambos eliminando dois surfistas do Equador.

“Há muitos anos eu venho para o Equador e só tenho boas memórias daqui”, revela Leandro Usuña. “É muito bom poder voltar a Montañita, rever grandes amigos, esse povo sempre com tanta energia, com tantas ondas boas e é lindo estar aqui correndo um evento internacional. Eu só tenho que agradecer a WSL e a todos os patrocinadores deste evento, que é importantíssimo para nós. Quero também agradecer a minha família, minha mulher, filha, amigos e meus pais, que estão assistindo o evento e torcendo por mim”.

O terceiro atleta olímpico a competir foi o peruano Lucca Mesinas, que derrotou três brasileiros na sétima bateria, Pedro Neves, Theo Fresia e Igor Moraes. Os dois últimos saíram da briga pelo título em Montañita. Lucca já foi campeão do ranking regional da WSL North America e do Panamericano de Lima em 2019 no Peru, quando garantiu sua vaga nas Olimpíadas de Tóquio.

“Estou superfeliz em estar de volta a Montañita, que é um lugar lindo, com gente muito boa e gosto muito de vir para cá”, diz Mesinas. “Eu sou de Mancora, que é perto daqui e sempre venho para cá com minha família para surfar direitas, porque no norte do Peru só tem esquerdas. Também é muito bom surfar em água quente, apesar de que hoje está até um pouco mais fria, mas estou feliz em estar aqui competindo um evento da WSL”.

Surpresa equatoriana

Na bateria seguinte, o jovem Samuel Pupo brilhou fazendo o segundo maior placar do dia entre os homens, 12,50 pontos somando uma nota 7,00 da sua melhor onda. E Pedro Bianchini completou uma dobradinha brasileira sobre dois equatorianos, Israel Barona e Adrian Dapelo. Mas, a vingança veio rápido, com Jonathan Zambrano sendo a surpresa do dia, ao eliminar o cabeça de chave número  um do campeonato, o atual campeão sul-americano João Chianca.

“Antes de tudo, quero agradecer a todos do Equador que estão nos apoiando pela transmissão ao vivo na internet e quem veio aqui na praia também”, diz Jonathan Zambrano. “Este é um campeonato incrível que há muito tempo não tínhamos no Equador e estou superfocado. Estávamos esperando por isso e é um aprendizado para nós, competir um evento de categoria mundial. Estou feliz por ter passado minha bateria, que foi bem difícil, pesada, com surfistas de alto nível, como o Chumbinho (João Chianca). Foi uma grande emoção para mim e para o público do Equador, que está aqui nos apoiando dia a dia. Minha esperança é chegar na final e estou com muita vontade, muita garra, para conseguir isso”.

Esta foi a única vitória equatoriana nas dez baterias da segunda fase. Apenas ele e Snaider Parrales se classificaram para a terceira fase e oito foram eliminados, mas ainda tem três nas baterias que ficaram para a sexta-feira. Os brasileiros ganharam a maioria dos confrontos na quinta, seis contra duas vitórias da Argentina, uma do Equador e uma do Peru. Se o Equador perdeu oito surfistas, o Brasil teve sete saindo da briga do título também.

Próximas baterias do Montañita Open 2021
Feminino

1 Summer Macedo (HAV), Jolari Carreras (PRI), Isabela Saldanha (BRA), Naire Marquez (BRA)

2 Daniella Rosas (PER), Sol Aguirre (PER), Julia Duarte (BRA), Lucia Indurain (ARG)

3 Dominic Bartona (ECU), Melanie Giunta (PER), Tainá Hinckel (BRA), Arena Rodriguez Vargas (PER)

4 Silvana Lima (BRA), Josefina Ané (ARG), Coco Cianciarulo (ARG), Andrea Vlieg (PAN)

Segunda fase

11 Victor Bernardo (BRA), Kaue Germano (BRA), Luan Carvalho (BRA), Darshan Antequera (CRI)

12 Matheus Navarro (BRA), Vitor Ferreira (BRA), Felipe Oliveira (BRA), Andy Chacon (CRI)

13 Rafael Teixeira (BRA), Luan Hanada (BRA), Raul Rios (PER), Gustavo Borges (BRA)

14 Eduardo Motta (BRA), Uriel Sposaro (BRA), Alex Suarez (ECU), João Ricardo (BRA)

15 Edgard Groggia (BRA), Santiago Muniz (ARG), Carlos Gonçalves (ECU), Jose Loor (ECU)

16 Marco Giorgi (URY), Pericles Dimitri (BRA), Luis Lopez (PAN), Gustavo Dvorquez (CHL)

Terceira fase

1 Alejo Muniz (BRA), Robson Santos (BRA), Gabriel A. Vargas (PER), Snaider Parrales (ECU)

2 Marcos Correa (BRA), Jose Gundesen (ARG), Roberto Araki (CHL), Kim Matheus (BRA)

3 Leandro Usuna (ARG), Renan Peres Pulga (BRA), Pedro Neves (BRA), Pedro Bianchini (BRA)

4 Samuel Pupo (BRA), Lucca Mesinas (PER), Guillermo Satt (CHL), Ryan Kainalo (BRA)

5 Jonathan Zambrano (ECU), Diego Aguiar (BRA), 2º da 11º e 12º baterias da segunda Fase

6 Wesley Leite (BRA), Leo Casal (BRA), 1º da 11º e 12º baterias da segunda fase

Resultados da quinta-feira

1 1 Summer Macedo (HAV), 2 Lucia Indurain (ARG), 3 Yasmin Dias (BRA), 4 Kalea Gervasi (PER)

2 1 Isabela Saldanha (BRA), 2 Julia Duarte (BRA), 3 Susana Berrezueta (ECU), 4 Xiomara Bowen (ECU)

3 Sol Aguirre (PER), 2 Jolari Carreras (PRI), 3 Marina Rezende (BRA), 4 Cristina Vargas (ECU)

4 1 Daniella Rosas (PER), 2 Naire Marquez (BRA), 3 Cristina Game (ECU), 4 Maya Karl (PRI)

5 1 Dominic Barona (ECU), 2 Andrea Vlieg (PAN), 3 Julia dos Santos (BRA), 4 Isabela Bottero (ECU)

6 1 Taina Hinckel (BRA), 2 Silvana Lima (BRA), 3 Lucia Cosoleto (ARG), 4 Fanny Villao (ECU)

7 1 Coco Cianciarulo (ARG), 2 Melanie Giunta (PER), 3 Genesis Garcia (ECU), 4 Wendy Velasquez (ECU)

8 1 Josefina Ane (ARG), 2 Arena Rodriguez Vargas (PER), 3 Sophia Medina (BRA), 4 Iliana Aguirre (ECU)

Segunda fase

1 1 Alejo Muniz (BRA), 2 Kim Matheus (BRA), 3 Jorge Sangachi (ECU), 4 Niccolas Padaratz (BRA)

2 1 Robson Santos (BRA), 2 Roberto Araki (CHL), 3 Santiago Garcia (ECU), 4 Junior Rocha (BRA)

3 1 José Gundesen (ARG), 2 Gabriel Arturo Vargas (PER), 3 Tomas Lopez Moreno (ARG), 4 Adrian Zambrano (ECU)

4 1 Marcos Correa (BRA), 2 Snaider Parrales (ECU), 3 Manuel Selman (CHL), 4 Leon De La Torre (CHL)

5 1 Leandro Usuna (ARG), 2 Ryan Kainalo (BRA), 3 Juliano Auad Klaere (ECU), 4 Juan Yanez (ECU)

6 1 Renan Peres Pulga (BRA), 2 Guillermo Satt (CHL), 3 Pedro Dib (BRA), 4 Rafael Silva (PRT)

7 1 Lucca Mesinas (PER), 2 Pedro Neves (BRA), 3 Theo Fresia (BRA), 4 Igor Moraes (BRA)

8 1 Samuel Pupo (BRA), 2 Pedro Bianchini (BRA), 3 Israel Barona (ECU), 4 Adrian Dapelo (ECU)

9 1 Jonathan Zambrano (ECU), 2 Wesley Leite (BRA), 3 Alberto Herrera (CRI), 4 João Chianca (BRA)

10 1 Diego Aguiar (BRA), 2 Leo Casal (BRA), 3 Fernando Junior (BRA), 4 Rafael Clemente (ECU)

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    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).