Leitura de Onda

Um Filipe consciente

Tulio Brandão conversa com Filipe Toledo sobre os altos e baixos de 2019 e a expectativa para mais uma temporada no Championship Tour.

“Em Pipe, eu percebi o que estava faltando.”
Começo a entrevista com uma afirmação tão segura quanto óbvia: Filipe Toledo é um dos mais talentosos surfistas da história do esporte. Está, nesta geração, no seleto grupo dos atletas que podem ser campeões do mundo a qualquer momento.
E isso não é pouco.
Ao mesmo tempo, entre os brasileiros candidatos imediatos ao título, é o único ainda sem um caneco da WSL na estante de casa. Isso motivou, claro, meu interesse particular na história de Filipe para esta temporada. Por todas as circunstâncias de sua carreira, por todos os dramas e conquistas, 2020 pode, sim, ser o ano deste filho de Ubatuba.
Em 2019, ele chegou mais uma vez a Pipeline vivo na disputa do título, apesar dos tombos e obstáculos vividos na temporada. Surfou em pelo menos três etapas fortemente contundido nas costas. Em uma delas, o Rancho, chegou ao vice, depois de atravessar o evento entre sucessivas sessões de quiropraxia. Na França, deixou a água a 10 minutos do fim do round 1 e, na fase seguinte, mal conseguia se mover. Em Portugal, conseguiu surfar com a dor e alcançar o quinto posto.
Passou, ainda, por tombos emocionais, alguns de ordem particular e outros públicos, como a derrota para Jack Robinson no dia em que The Box, a onda assustadora de Margaret River, mostrou seus dentes.
Mas, em 2020, o tempo está a seu lado, e a energia, ao que parece, também.
Filipe tem uma equipe fiel. Além da companheira Ananda Marçal, que, segundo o próprio, “desacelera um pouco as coisas”, o surfista conta, nesta temporada, com o técnico e pai Ricardo Toledo, que estará presente em algumas etapas, e, agora, com o apoio extra do manager Luiz “Pinga” Campos, que revelou dois dos três campeões mundiais nascidos no Brasil – Adriano de Souza e Italo Ferreira. Completam o time Toledo o shaper Márcio Zouvi, videomaker Bruno Baroni, o assessor de imprensa Fabio Maradei e a equipe multidisciplinar liderada pelo preparador físico Eduardo Takeuchi, da Personal Boards.
Um Filipe consciente do que precisa fazer para vencer, como revela a entrevista, é um novo surfista – mais próximo que nunca de um título mundial. Confiram.

A temporada de 2019 foi de altos e baixos. Quais foram os grandes momentos?

Sem dúvida, a minha vitória em Saquarema, que foi marcante para mim e o vice em Bells, que é um evento histórico e todos querem chegar lá. Acho que também Pipeline, apesar de não ter sido um dos meus melhores resultados. Foi um campeonato que me fez parar, pensar e ver o que não pode acontecer neste novo ano.

Você inclui a etapa de Pipe como um grande momento?

Sim, um momento bom. Porque em Pipe eu percebi o que estava faltando, o que eu precisava para ser campeão mundial.

O que você identificou?

Aquele momento me fez parar e pensar, entender que foi um ano bem difícil para mim, psicologicamente, emocionalmente. Pensei, cara, eu tenho tudo o que eu preciso, tenho família, tenho patrocinadores, eu sei o que está me direcionando a fazer o que mais amo, então eu vou depositar meus 110% agora para ser campeão.

Já houve outros momentos em que você não surfou muito bem ondas de consequência. Mas, em Pipe, ano passado, você não estava mal. O mar estava difícil, e seu adversário acabou ficando deep num tubo depois de um erro no drop e, com isso, conseguiu a nota que precisava. Talvez você não estivesse entre os três melhores do evento, mas estava no trilho da onda certa. O que faltou?

Eu estava realmente me sentindo bem, à vontade, tranquilo. Como tinha sido um ano com bastante turbulência para mim, foi um dos campeonatos em que eu mais me senti tranquilo. A mãe natureza, a gente não consegue controlar. Fiquei 14 minutos com a prioridade e não consegui pegar a onda. Ela até veio no final mas não foi boa. O que estava no meu controle, eu consegui fazer. O que está fora, não tenho como dominar.

Ali, em Pipe, foi mais uma questão pessoal, um momento que me fez parar e pensar, para refletir sobre tudo o que eu tenho, sobre quantas pessoas gostariam de estar no meu lugar. Sem dúvida, foi um ano em que eu não depositei 100% em várias etapas. Parei e entendi que tinha que fazer isso, tenho tudo o que sempre sonhei e que preciso.

Então foi mais uma reflexão em torno do ano, e não da etapa…

Sim, exatamente.

Nas duas primeiras etapas do ano, você perdeu para o John John Florence. Na primeira, nas oitavas da Gold Coast, faltou uma onda; e, na segunda, na final de Bells. Você considerou, no início de 2019, que a distância do havaiano para os demais no ranking refletia a diferença do surfe dele para os demais competidores?

Para mim, o John John é o melhor surfista do mundo. Claro que, lidando com lesões, às vezes fica um pouco a desejar. Mas, no auge, ele é o melhor surfista do mundo, o mais completo. Em algumas etapas, sim, teve muito mais surfe do que qualquer outra coisa, ele foi nitidamente o surfista que mais se destacou.

Quais?

Em Margaret River, ele dispensa comentários, para mim é o melhor surfista daquela onda. Todo mundo sabe disso. Na Gold Coast, ele estava apresentando um nível de surfe muito alto também, apesar de nossa bateria ter sido bem apertada. No Rio, ele estava surfando bem também, mas para mim ele em Margaret River ele está acima de todos.

Então, de volta, em forma, ele é o favorito destacado? Ou está no bolo?

Acho que todo mundo está no bolo, não dá para isolar o John John. Mas, sem dúvida, ele está no bolo.

Para você, o bolo inclui você e mais quantos? É uma lista restrita?

Um parâmetro bom são os top 5 deste ano. O Italo, o Gabriel, o Jordy… o Kolohe também estará brigando… Esse grupo vai continuar na briga por mais alguns anos, sim.

Sobre Margaret, este ano você fez um dos seus descartes. Não sei se você concorda, mas acho que ali você tem amplo potencial de vitória, com um surfe que pode vir a se encaixar muito bem naquele pico. Em 2019, você perdeu num dia de “The Box” e houve críticas por conta do tamanho de sua derrota, mesmo considerando que Jack Robinson é um local do pico e venceria todas as outras baterias daquela fase com o somatório. Você consegue identificar aquele momento como algo a ser melhorado, como lacuna?

Sem dúvida, foi uma falta de experiência naquele tipo de onda. É uma onda muito difícil, sem dúvida, não tenho desculpas de falar foi isso ou aquilo. Não. Realmente perdi por falta de experiência numa onda que ele surfa desde os 10 anos. Foi falta de experiência em saber escolher a onda certa e usar bem a prioridade. É uma onda no meio do oceano, e você tem que tomar decisões em segundos.

E você pretende compensar essa falta de experiência com mais treino em The Box ou em outras ondas mais pesadas?

Um treino nesse tipo de onda já fará com que seja mais fácil. Claro que um treino específico naquela onda pode fazer mais diferença. Mas, como você sabe, o ano é corrido, é complicado. Tirar uma semana só para The Box é difícil, mas enquanto estivermos lá, posso treinar e evoluir.

Mas está no planejamento do ano um treino específico para essas condições (mais pesadas)?

Sim, sim, sem dúvida.

Já escolheram os picos?

Não temos um local já definido, mas esse treino está no nosso planejamento anual, para buscar esta evolução.

Você mais uma vez venceu Saquarema surfando muito bem. Ali, aparece para os torcedores, o Filipinho pleno, imbatível. Qual é a mágica?

A torcida tem grande parte nisso, sem dúvida, mas também o fato de eu poder me sentir em casa, de certa forma. Vou a Saquarema desde moleque, nas categorias de base, dos Hang Loose e dos Grom Search, além do Brasileiro Amador, e conheço todos os locais. Então, é um lugar em que me sinto confortável, tranquilo.

A onda da Barrinha, que é relativamente nova, foi bem recebida pela WSL. E você parece ter se adaptado muito bem ao formato da onda. A Barrinha te favorece?

De certa forma, sim. É uma direita rápida, que pede manobras rápidas. É muito doido porque aquela onda é quase uma “man made wave”, é recente, e muitos gringos também gostam. Posso dizer que é uma de minhas ondas favoritas no tour.

Vamos falar sobre o rancho. Lá, você fez vice em todas as provas realizadas, o que não deixa de ser um grande resultado. É uma onda interessante pela possibilidade de uma medição de evolução. Você acha que em 2020 veremos algo novo na piscina? É possível alterar a rotina de manobras, a linha de onda, um novo limite?

A cada ano, a evolução ali é nítida. A gente nunca sabe o que esperar do evento. Para mim, o grande ponto é poder acertar a esquerda e poder finalizá-la do jeito que eu quero. Ano passado, tive muitos problemas físicos lá, surfei com muitas dores nas costas.

Sua direita, de fato, está resolvida. Você é das poucas pessoas que realiza várias manobras de rotação na onda. O que falta na esquerda?

Acho que uma variação de manobra no meio da onda e uma finalização forte, como um aéreo ou manobra rodando. Já está no planejamento deste ano um treino específico no rancho, antes de a etapa ser realizada lá.

Em J-Bay, você também surfou muito bem. Já venceu a etapa duas vezes e, ano passado, ficou por uma onda com o Italo. Aquela derrota foi importante para a temporada? Te afetou?

Não houve um problema de confiança ali, não tive problema nenhum. Em questão de pontos e direcionamento do ranking, aquele resultado fez diferença. A partir dessa etapa, todos os resultados fazem toda a diferença (para a disputa do título mundial).

Na perna europeia, muita gente diz que você é favorito, por ser um grande surfista de manobras progressivas. Num ano de disputa de título, você fez um décimo-sétimo e um quinto lugar, assim como Gabriel não foi bem. Sabemos também que a Europa é perigosa, porque as condições do mar variam muito e, às vezes, deixam os tops mais expostos a derrotas prematuras. O que aconteceu?

Na França, eu ainda estava com muita dor nas costas. Isso me limitou bastante.

Você estava sentindo muita dor na água?

Muita, muita dor. Na primeira bateria, eu saí faltando dez minutos para o fim.

E em Portugal?

Eu já estava me sentindo melhor, com menos dor, mais tranquilo, mas limitado, sem conseguir dar meus 100%, mas consegui fazer um quinto lugar, com muito treinamento e dedicação. Consegui o resultado. A Europa sem dúvida é um lugar em que eu gosto muito de estar, gosto muito de competir. Acho que, em 2020, vai ser uma perna diferente.

Para além da perna europeia, como você está avaliando toda a temporada de 2020?

A expectativa é a melhor possível. Começamos o ano com o pé direito, estou me sentindo muito bem, fazendo um trabalho de base em São Paulo com o Eduardo Takeuchi, da Personal Boards. Este ano será bem exigente no calendário e na agenda, então eu vou dar meu máximo nos treinamentos para que os resultados que eu estou esperando venham. Eduardo trabalha junto à equipe da Personal Boards. Faço exames, tenho ortopedista, otorrino, dentista. Estamos fazendo de tudo.

Como será a sua relação com Ricardo Toledo?

Ele segue sendo meu técnico. Deu uma parada em viagens, deixou de ir a alguns campeonatos, minha mãe estava ficando muito tempo sozinha em casa, e ela estava precisando, na parte médica, de cuidados especiais, então neste último ano ele se dedicou bastante a ela. Neste ano, a gente vai selecionar algumas etapas para que ele me acompanhe, de modo que ele não fique tanto tempo também longe de casa.

Então ele vai a algumas etapas este ano?

Sim, a gente só vai planejar quais serão as etapas.

Para as que ele não for, o Pinga (Luiz Campos, novo manager do Filipe no Brasil) fará um papel de substituto?

Não será transferido assim, como se agora ele fosse meu técnico, até porque ele ajuda a outros atletas. Ele vai estar presente, até por conta dos outros surfistas, e o auxílio com certeza vai rolar, com um toque aqui, e outro ali, enfim, mas nada muito dedicado a isso. Na verdade, o trabalho do Pinga com a gente é cuidar da minha imagem no Brasil e colher mais patrocinadores.

Então, para todos os efeitos, o Pinga será seu manager no Brasil e o Ricardo segue sendo o treinador.

Isso.

Quais é a sua prancha mais usada na temporada?

Eu não mudo muito. A mesma prancha que eu usaria na Gold Coast serve ao beach break da Europa. Normalmente, é uma 5’10”, 18 1/4 e 2 1/4. Claro, quando o mar aumenta eu coloco um pouco mais de massa, uma prancha maior, mas esse é o padrão com o Márcio (Márcio Zouvi, da Sharp Eye, shaper de Filipe).

Você pretende ganhar mais peso na preparação física ou a ideia é manter o peso?

A gente está trabalhando para que eu possa ganhar um pouco de massa este ano, nada muito exagerado e radical, mas vamos dar uma mudada nisso.

Como estão os treinos de pré-temporada? Viagens?

A gente tem algumas opções, tem um planejamento traçado, e os locais serão definidos.

Você já surfou em G-land?

Nunca surfei em G-land.

Sobre a Hurley, houve rumores de que a equipe de surfe seria reduzida. Isso te afeta de alguma forma ou você segue firme com a marca?

Apesar dos rumores, estou bem colocado, meu contrato foi renovado ano passado até 2024, então eu estou bem tranquilo quanto a isso.

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    O MEO Rip Curl Pro Portugal começa nesta sexta-feira (16), em Supertubos, Peniche. A primeira chamada está marcada para 3h30 da manhã (de Brasília), com possibilidade de início das baterias às 4h, se a neblina não atrapalhar. Yago Dora chega de amarelo, na liderança do ranking, e também defende o título conquistado no pico português em 2025. 👉 Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta swell consistente e vento do quadrante norte para os primeiros dias da janela. Sexta-feira e sábado aparecem como boas oportunidades para avançar com a competição, enquanto domingo deve ter vento mais alinhado como terral, mas com perda de força da ondulação. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Transmissão ao vivo em inglês:

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Confira vídeo dos treinos com Medina, Yago, Italo e Miguel em Peniche, Portugal.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.