Leitura de Onda

Leitura do ano 4 – As estrelas

Tulio Brandão apresenta os artistas que dominarão a elite do surfe mundial em 2018. Confira a quarta e última parte.

Na semana de início da esperada temporada de 2018, com sirene da primeira bateria prevista para tocar a partir do dia 11, publico a quarta e última parte da série “Leitura do ano”, com a análise dos seis melhores surfistas do mundo. As estrelas do circo.

O sexteto é forte. Do sexto ao primeiro, um desfile de notáveis: Owen Wright, Matt Wilkinson, Jordy Smith, Julian Wilson, Gabriel Medina e John John Florence.

A lista restrita dos seis melhores revela um claro câmbio de gerações na elite do esporte. O mais velho da turma é Jordy, que mês passado completou 30 anos; o mais novo, Gabriel, com 24 anos. Se abrirmos a lista completa do CT, Griffin Colapinto, promissor estreante americano, aparece como o caçula, na casa dos 19. Outro talento, o brasileiro Yago Dora, vem pouco depois, com 21. O mais novo na lista dos favoritos ao título em 2018, Filipe Toledo, tem apenas 22 anos.

A velha guarda, cansada mas ainda viva, anuncia aposentadoria, como Mick e Bede, ou resiste, num fôlego final, em posições intermediárias, como Parko. O ancião da elite, Kelly Slater, aos 46, é a única dúvida, já que se machucou cedo na temporada passada e entrou em vaga de contundido da WSL. Não sei do que ele seria capaz se estivesse competido ao longo do ano, mas possivelmente não estaria nesta lista restrita.

Vamos ao grupo:

Owen Wright

“Os médicos esperavam para ver, em diferentes eventos, quando eu ‘quebraria’, ou quando eles teriam que me tirar (…). (A ideia) talvez não fosse surfar todo o ano, era apenas me recuperar na parte atlética, na vida, tudo. (…) Eu terminei em sexto.”

Estar na elite, em forma, em 2018, é um presente para Owen Wright. Surfista completo, de linha refinada e clássica, ele surpreendeu até os médicos em 2017, no primeiro ano de volta ao circuito mundial após o drama que quase encerrou a sua carreira. O depoimento acima, dado ao canal de YouTube da YinYang Needling School, revela muito dessa expectativa reduzida em torno de seu retorno.

Depois de um sexto num ano tão sensível, o que esperar de um surfista imprevisível como Owen? O brilho, como o da vitória em Snapper? Ou a opacidade do do resto de 2017, quando não passou das quartas em nenhum evento?

Num ano especialmente afeito a quem surfa bem direitas, Owen pode crescer com seu backside completo – ainda hoje, o melhor entre os atletas de elite, com poucos movimentos, linha limpa, manobras precisas, fortes e no tempo certo. Uma escola. Até Medina já admitiu se inspirar no surfe do australiano de costas para a onda.

A saída de Fiji naturalmente lhe faz falta, já que foi naquela arena, em 2015, que ele fez duas baterias perfeitas, de 20 pontos, em poderosos tubos. Mas Owen brilha também em cavernas para a direita, como certa vez em “The Box”, no mesmo ano, quando fez mais uma nota dez num pico praticamente restrito a regulares.

Owen é um surfista de verdade, daqueles que sempre aparecem nas condições mais extremas. Falta-lhe algo em condições medíocres, o que acontece mesmo no circuito dos sonhos. Ele chegou a disputar título com Kelly em 2011, quando terminou a temporada em terceiro do mundo. Era, a esta época, apontado como futuro vencedor de canecos. Não aconteceu desde então, mas o australiano, aos 28, ainda tem tempo.

Pontos fortes: Excelência no backside, tuberider, brilho em condições extremas
Desafios: Ondas medíocres, constância.

Matt Wilkinson

“Se ‘Micro’ (Glenn Hall, seu técnico) não estivesse aqui, eu estaria jogando golfe.”

A pérola saiu de uma entrevista de Wilko à Stab, há um ano. O divertido australiano de Copacabana, consciente de sua histórica fragilidade competitiva, adicionou em 2016 a peça que faltava ao seu jogo: o cerebral técnico Glenn ‘Micro’ Hall. No primeiro ano ao lado do enxadrista, liderou por várias etapas; no segundo, também alcançou a liderança, depois de J-Bay, no marco de meio de temporada.

Passadas 22 provas do ‘novo’ Wilko, em 2016 e 2017, e duas temporadas finalizando como top 5 do mundo, está claro que é um surfista capaz de vencer em mais de uma onda e que, sem apagões que ainda lhe assolam, apesar do trabalho de seu técnico, ele pode se manter no grupo restrito dos melhores surfistas do mundo.

De costas para a onda, surfa de modo vertical, num base x lip sólido e muito efetivo, que lhe rendeu duas finais em Snapper Rocks (vitória em 2016 e vice em 2017) e uma vitória em Bells (2016).

Em ondas de tubo, também surfa convincentemente, sempre atrás de pontos suficientes para derrotar seu oponente. Foi assim em Fiji, onde também fez duas finais (vice em 2016 e vitória em 2017).

Em 2018, a perna australiana pode selar o seu futuro. Se for bem, tende a brigar pelos postos que ocupou nas últimas duas temporadas. Se tropeçar e não fizer um bom resultado, corre o risco de ser inapelavelmente atropelado pela nova geração com seed baixo, que vem especialmente sedenta este ano.

Pontos fortes: base x lip backside, verticalidade, tubos
Desafios: manobras progressivas, apagões

Jordy Smith

“Eu ainda não atingi todos os meus objetivos. Continuarei na estrada para alcançá-los. Não há como reduzir o ritmo neste momento, e você apenas tem que provar aos caras que é mais forte(*). Continuar se esforçando o máximo que você puder.”

O depoimento, dado dias atrás em boa entrevista a Craig Jarvis no site Magic Sea Weed, revela um surfista inconformado com a eterna posição de quase campeão. Anos atrás, ele chegou, ao lado do americano Dane Reynolds, na condição de estrela da geração. Desde o início, foi apontado como provável campeão do mundo, mas o tempo passou e, hoje, aos 30, coleciona dois vices (2010, para Kelly, e 2016, para John John Florence) e segue na busca da temporada perfeita.

Tudo levava a crer que a mágica aconteceria em 2017, quando liderou durante parte importante da temporada. Depois de um vice em Trestles, de onde saiu líder, nas últimas três etapas do ano Jordy apresentou sinais de inconstância – com três décimos-terceiros seguidos – e se distanciou do título.

Talento, força, carving, fluidez, inovação. Jordy é um super surfista, talvez o meu preferido, em determinados tipos de onda. Seu jogo de borda é, de longe, o mais poderoso do mundo, o que torna sua linha muito bonita – especialmente para quem gosta de surfe na onda, embora o sul-africano tenha também repertório de aéreos.

Ele tem uma lacuna em ondas tubulares, como Pipeline e Teahupoo. Não que não saiba surfá-las, mas claramente não exibe a mesma contundência que a de outras arenas. Nestes picos, coleciona uma incrível quantidade de décimos terceiros e vigésimos quintos, quase sempre descartes, e uma ou outra vez nas quartas-de-final.

Pouco, para um provável campeão.

Em 2018, com o novo desenho de etapas, Jordy continua forte. A ausência de Fiji lhe beneficia, mas a saída de Trestles será sentida. Se extrair o melhor das ondas que lhe beneficiam, disputará o título mundial mais uma vez. Resta saber, ao fim da temporada, quando a pressão se elevar, se ele terá fôlego para aguentar a fúria competitiva de seus principais adversários. Torço para vê-lo vivo.

Pontos fortes: Potência, carving de excelência, linha
Desafios: constância em momentos decisivos, ondas tubulares

*tradução para a gíria “throw down the hammer”

Julian Wilson

“Sei que posso reunir o que é necessário num ano para vencer um título mundial e sinto que estou me aproximando disso. Sinto que estou no topo de minha carreira, e eu realmente vou dar tudo de mim para isso.”

Julian está na fila faz tempo. Não será surpresa se descobrirmos, em 2018, que a vez dele chegou. O australiano tem o pacote completo: tubo, aéreos, carving. Compete com energia suficiente para ser algoz de super competidores, como Gabriel. A nota de ressalva – se é que há uma nota – é uma opção, em algumas circunstâncias, por abordagens conservadoras, como se esperasse notas de juízes benevolentes.

A final com o brasileiro em Teahupoo, eleita dias atrás pela WSL a bateria do ano, no entanto, é uma mostra de sua capacidade técnica, tática e competitiva.

Seu comportamento por vezes irrita – a reclamação ostensiva na disputa de onda com Gabriel, no Taiti, com as mãos para o ar, como se ele fosse uma pobre vítima do Dick Vigarista, foi infame. E só não rendeu comentários posteriores – possivelmente infelizes – porque ele virou a bateria em cima do brasileiro.

Mas não consigo fazer um mau juízo de valor de um cara que, diante de um aparente ataque de tubarão a um adversário, rema desesperadamente para salvar o colega. Isso não é fácil de fazer – Mick disse recentemente ser eternamente grato a Julian por isso. Ou de um cara que manda produzir uma bermuda rosa com desenho feito pela mãe, que teve câncer de mama, para render fundos a organizações que tratam a doença.

Ele estreará a bermuda provavelmente neste fim de semana em Snapper Rocks, na etapa de abertura do CT 2018. Restam dúvidas sobre seu estado físico, já que lesionou o ombro direito no início do ano, quando andava de mountain bike. De todo modo, está listado na quarta bateria do dia, contra Joan Duru e Ian Gouveia.

A história dos títulos mundiais recentes é quase sempre precedida por um drama de recuperação de lesões. Foi assim com Gabriel, foi assim com Adriano de Souza, e num certo sentido foi assim com John John, que, em excelente texto escrito para o site “The Player’s Tribune”, revelou que uma lesão séria nas costas, que o deixou de molho por quatro meses, modificou completamente a sua mentalidade para a competição.

Não duvide dessa construção também com Julian Wilson.

Pontos fortes: Borda, aéreo, tubos, linha clássica
Desafios: constância para o título

Gabriel Medina

“Eu quero ser tricampeão mundial.”

O depoimento, que encerra o livro sobre a trajetória até o título de 2014, foi repetido ao fim da temporada do ano passado. A frase revela a ambição de um surfista que hoje tem a exata noção de seu potencial nos próximos anos. A conta de três títulos tem uma dupla função: elevar o sarrafo além da medida esperada (Gabriel incorporou a cultura competitiva de Charles desde garoto) e mostrar ao mundo que ele não está satisfeito com as conquistas passadas. Ele sabe exatamente em que lugar pode chegar.

Gabriel vem construindo a carreira entre muitos fãs e alguns haters, mas sem se importar muito com isso. Ano passado, depois de um bom início em Snapper Rocks, onde fez semifinal, arrumou apenas um nono (em Saquarema) nas quatro etapas seguintes. Havia uma crise evidente de resultados. Mas, como diz um amigo, citando Otto Glória, “se ele ganha, é bestial; se perde, é uma besta.”

O paulista de Maresias foi tachado de subcelebridade. Enterraram técnico, exigiram a cabeça do shaper, desconfiaram de seu preparador físico; condenaram seus amigos e seus hábitos. “Como pode um surfista gostar de pagode?”, diziam.

Aí, como tem acontecido sempre que o enterram, ele ressurge com uma série de resultados excelentes, entre os quais duas vitórias seguidas, e chega em Pipeline fungando no cangote do líder John John Florence. Perdeu o título, mas não a moral.

Em 2018, chega à sua oitava temporada na elite (a primeira, pela metade), o que não é pouca coisa. A esta altura, conhece muito todos os picos, a lógica da competição, a dinâmica nem sempre equilibrada da WSL e a maioria de seus adversários. Na pré-temporada, decidiu treinar no North Shore, mesmo lugar do ano em que foi campeão mundial. E, desta vez, foi cedo para a Austrália.

Um vídeo recente dele em Duranbah, pico perto de Snapper onde, anos atrás, já foi realizada a etapa da Gold Coast, dá a medida de sua forma para 2018. Assustadora.

Difícil dizer que ele não está pronto para o bi. Com tanto nome forte no páreo, entre os quais um bicampeão mundial a caminho do auge da carreira, ele tem que começar bamburrando em Snapper, como fez em 2014.

Pontos fortes: Potência, verticalidade, excelência em aéreos, tubos, competividade
Desafios: corrigir erros estratégicos, apurar jogo de borda de frente para a onda

John John Florence

“O oceano é tudo.”

O depoimento é singelo e, ao mesmo tempo potente. Resume John John Florence, explica muito de sua abordagem desapegada, de sua serenidade em ondas críticas. Explica até seus títulos mundiais e a adoração que muitos têm por este havaiano. Muito mais que uma frase, trata-se do título de um texto, assinado pelo próprio surfista no site “The Player’s Tribune”*, que desde já é peça obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais desse reservado e fantástico surfista de Oahu.

O bicampeão, como faziam os velhos polinésios, tira o foco de si e joga todas as fichas no patrimônio natural que sempre o rodeou, e com o qual sempre teve que lidar, na alegria e na tristeza. O oceano, para quem mora no Havaí, é uma certeza. John John tem com o mar a relação simbiótica, litúrgica e reverencial do bom povo havaiano – um valor raro e essencial ao surfe, que poderia ser recuperado e tratado com mais cuidado pela WSL e pelos gestores públicos do arquipélago. A turma anda brigando em torno de questões mundanas e prazos.

Em 2016 e 2017, a despeito de polêmicas no julgamento, o hoje bom competidor havaiano foi também o melhor surfista. Venceu porque soube se impor no momento certo, porque se manteve relativamente consistente ao longo do ano. O amadurecimento é visível, não apenas na estratégia em baterias como no refinamento de cada manobra executada – o título de melhor manobra do ano, com a enterrada de borda em Margaret River, é justo. John John está pronto.

O problema de ser o bicampeão, claro, é que o mundo inteiro quer te destronar. A dúvida, em 2018, é se o havaiano, aos 25 e com dois canecos em casa, vai ter fúria para seguir segurando a ponta, resistindo aos ataques cada vez mais vigorosos de adversários como Gabriel Medina, Julian Wilson, Jordy Smith e Filipe Toledo.

Para fazer isso, ele terá que surpreender mais uma vez. A favor dele, a simpatia declarada de todo o mainstream do esporte, o talento e a abordagem vencedora.

John John construiu um estranho espaço entre o ultra competitivo, o sereno e o confiante: “Acho que será bastante divertido, nos próximos dois anos, puxar o limite do surfe”, disse o surfista, em entrevista ao site da WSL. “Eu só quero estar cada vez melhor. Quero ser o cara com quem você disputa uma bateria e parece ser imparável.”

Acho que ele não terá tanto conforto. Que soe a sirene.

*Leia o texto de John John Florence no site “The Player’s Tribune”.

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para este domingo (18) às 5h da manhã (de Brasília), com possibilidade de início das baterias às 5h, se a neblina não atrapalhar. E com chances de término do evento. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta swell consistente e vento do quadrante norte para os primeiros dias da janela. Sexta-feira e sábado aparecem como boas oportunidades para avançar com a competição, enquanto domingo deve ter vento mais alinhado como terral, mas com perda de força da ondulação. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece neste domingo (18) às 5h da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.