Espêice Fia

Conhecendo a Urca

Fabio Gouveia fala sobre a primeira experiência nas bombas da Urca do Minhoto (RN).

Há muito tempo escutei falar sobre a Urca, em alguns papos antigos com Armando Diniz e outros surfistas locais do Rio Grande do Norte. As primeiras imagens que havia visto eram apenas da onda em si, e não lembro ao certo o ano, talvez 2010.

Mas, acho que foi em 2013 que fizeram uma expedição pra valer, e foi quando realmente vi que era pura verdade, realidade. 

De lá pra cá, principalmente depois do último swell, onde feras do big surf brasileiro e o canal Off foram aproveitar, foi que a vontade de conhecer, que já era uma certeza, ficou ainda mais latente em minha mente.

Mesmo com os chamados e pilhas para aquele swell vindos do amigo e ídolo paraibano Chicó Moura, não pude ir. 

E foi incrível como no curto espaço de tempo, uma outra “bomba” havia se formado. De início, estava prestes a embarcar direto para Noronha, onde teria a possibilidade de pegar a Cacimba do Padre gigante, mas, aos 45 do segundo tempo, fui pilhado pelo amigo de longas datas Eduardo Fernandes a embarcar com uma galera boa de Recife rumo à Urca.

Pronto, a partir daquele dia (dois dias de antecedência), uma ansiedade enorme bateu, a ponto de estar o dia inteiro pensando como seria a empreitada. Gunzeiras não saíam da minha cabeça, pois todos diziam que o swell realmente seria big e maior que o anterior, já que a lua cheia movimentaria a maior maré do ano e tudo se encaixaria. 

Alertas já estavam sendo feitos para toda aquela costa, desde Noronha.

Voei de Floripa em uma quarta, chegando a Recife na madrugada da quinta para dormir pouco e acordar cedo para encontrarmos o resto da turma. Ao acordar na casa do meu amigo Rato Fernandes, constatei que, ligeiro que só ele mesmo, já havia arrumado a carreta com o jet e as pranchas, pois não queria perder tempo, pois logo outro legend local, Rogerio Soares, passaria por ali para na sequência buscarmos o fotógrafo Clemente Coutinho e o big wave rider Alexandre Ferraz, que, juntamente com Guto, iria em outro carro de apoio. 

Aliás, Guto iria gravar toda a session com seu drone.

Já no bairro de Boa Viagem, encontramos com alguns repórteres da TV Globo local, pois o Globo Esporte iria acompanhar nossa empreitada. Roger Cazé e seu cameraman Marcos e o assistente Careca, bem como Marcelinho, do Globoesporte.com. Que massa, estava muito amarradão que tudo aquilo estivesse acontecendo. Era uma ansiedade da gota serena para pegar a estrada. Acho que às nove da manha estávamos fazendo uma leve revisão na carreta do jet e partimos rumo às nossas 7 horas de estrada com destino ao Rio Grande do Norte.

Chegamos à cidadezinha praiana de Caiçara do Norte no fim da tarde, a ponto de já observar a força das ondas. Uma lagoa já havia se formado em parte da estrada que ligava a vila à Pousada Urca do Minhoto, local de nossa hospedagem.

Ali, avistamos um belo point break, e sua direita que enroscava nos lembrou uma mini Barra de La Cruz, no México. Que visual! Marolas de meio metro faziam a festa de uma galerinha local e suas pranchas merrequeiras.

Arrumar todo o material para o embarque às 8 da noite era a função do momento, pois tínhamos que preparar tudo para o horário da maré seca, já que acordaríamos às 2 da matina para embarcar rumo à Urca.

Às 2:30 da manhã nos deparamos com o primeiro problema. Nosso bote de apoio encontrava-se com falha no motor (já havia sido testado no dia anterior e estava ok, mas…). Rogerinho Soares, que já manja um pouco dessas máquinas, mexeu pra cá, mexeu pra lá e botou o bicho pra funcionar.

Botamos o jet na água para que Rato Fernandes fosse ao encontro da nossa embarcação de pesca, afim de nos esperar lá no ancoradouro. Mas ali já dava pra sentir a potência do swell. Ele havia chegado e com muita força.

Já na vila e com nossas mochilas e parte dos equipamentos, constatamos que não seria possível embarcarmos ali, já que um forte quebra côco de um metrão estava constante e seria muito arriscado para os repórteres e câmeras da TV. 

E no momento que que decidíamos o que fazer, uma série entrou encavalando e escalando a beira da praia, levando canoas que ali estavam rumo à rua paralela por trás das casas da beira-mar. Com um cenário de filme e de tensão, alguns moradores iam acordando para ver e agir diante daquele fenômeno da natureza.

Um certo caos havia se instalado e dei mole de não fazer o registro com o meu celular. Na real, acho que a adrenalina não me deixou tirá-lo da bolsa à prova d’água naquele momento, mas até porque também tivemos de partir para o plano B, que era embarcar em frente à nossa pousada, já que no point break as linhas eram mais demoradas e com um quebra côco menor.

Só aí já foi um grande embaço, até porque outras duas embarcações que esperavam, cada uma com no mínimo 8 pessoas, se dirigiram para ali afim de receber as tripulações. Mas ambas estavam despreparadas, sem um jet ou bote de apoio. E nessa, Eduardo Fernandes bravamente foi dando carona um a um rumo ao outside.

Bom, esse embaço todo durou cerca de duas horas e só conseguimos começar a navegar com o sol começando a raiar. Mas beleza, todo mundo bem e ainda sem enjoo, fomos nos divertindo, batendo fotos, filmando e contemplando o espetáculo da natureza, sol nascendo e lua cheia, para a nossa alegria, pois o astro havia nos iluminado muito durante as escuras para toda a nossa função. Que o diga Rato Fernandes… Não foi fácil.

Três horas de navegação quando cruzávamos o outside. Naquele momento, a turma entrou em êxtase quando Rato veio acelerando o jet e falando sobre as primeiras ações que viu. Galera, tá animal! Tem uns tubos animais! A turma tá quebrando no tow In e vi o Douglas José pegar duas morras na remada! O moleque tá sinistro!

Não demorou pra nos impressionarmos com a quantidade de barcos ancorados no canal. Havia pelo menos uns 7. E logo vimos Cauli Seadi, Rodrigo Monster Resende, Aldemir Calunga e Pedro Calado, sendo os quatro primeiros no reboque e Calado na remada.

Já remando em minha “Bixigun” 10’0” e munido de roupa com flutuadores, claro, fui calmamente fazendo o reconhecimento do pico, já que entrar pelo outside requer certos cuidados, pois fica difícil se posicionar e saber qual o real tamanho do mar. E logo de cara já vi que o “barco” (gunzeira) ali seria complicado, pois em minhas primeiras tentativas em ondas menores, notei o quanto aquela onda era cavada e rápida.

Pedro Calado e Douglas remavam sem parar, já que existia uma corrente. E nessa, logo vi um cara com uma gun azul tendo dificuldades para encaixar no drop. Constatei depois que era Ruclécio, um brother de longas datas que fazia tempos que não o via. Que legal o encontra-lo ali. E em pouco tempo fui batendo papos com Pedro Calado, enquanto as ondas que entravam eram quase todas surfadas pela turma do tow.

Rato botou Rogerinho em algumas lindas, Cauli também deixava Resende no lugar certo. O que era aquilo! Tubos quadrados e ligeiros. Que coisa sinistra! E as duplas foram se invertendo: Calunga veio em altas e Rato pegou um de seus tubos de sua vida. Mas só o vi no final, de braços erguidos em meio a um spray. Acho que o menino estava estocando vento… (risos). 

A onda era perfeita para o tow in!

Constatei, logo de início, o que Calado reforçava. E nós, na remada, não estávamos tendo vida fácil. Remava com uma gun 10 e com todas as minhas forças, e só entrava atrasado, sempre meio despencando. Vi Calado com uma 7’6, mais embaixo, botar pra dentro de uns dois tubos, mas sem sucesso na saída. 

Meu atleta Junior Lagosta se encontrava em outro barco e o chamei para testar pela primeira vez uma gunzeira. “Que barco é esse?”, indagou ele, em risos.

Peguei uma 9’6 que também havia levado, gunzeira essa que havia feito para o ex-atleta do CT Marco Polo e confisquei no dia anterior à minha partida. 

Passei a investir em uma maneira lateral, dropando na diagonal, mas não obtive sucesso. Foram duas das piores vacas que já levei.

Não consegui encaixar a gun no “quadrado” oco. Inclusive, em uma delas, a pancada foi tão violenta que subi cuspindo sangue. 

Ao tossir fortemente, creio que alguma veia ou sei la o quê, acabou rompendo-se e o sangueiro foi forte, a ponto de me preocupar e tentar interromper as cuspidas, afinal, estava no meio do oceano e não sei que tipo de peixe tinha por ali (risos!).

Mas aos poucos fui me recuperando, quando, remando de volta, vejo Alexandre Ferraz despencando em uma morra! Não consegui ver a base da onda, pois havia uma ondulação na frente. Só depois vi que ele havia quebrado sua gun e aguardava para ser rebocado.

Alguns outros surfistas potiguares estavam no pico e remando, no entanto, a maioria de prancha pequena e tendo dificuldades. Se precisávamos de uma gun para a remada, não queríamos ter uma gun para a hora do quadrado. Porém, pranchas sem remada pouco adiantavam, pois a correnteza era forte.

Neste momento, Calunga estava remando, como também o Almeida Junior. Ruclécio pegou uma morra, e quando pensei que havia vacado, aparece longe, no canal, remando de volta e amarradão. Onda linda! E lindas estavam as que a turma vinha no reboque. Uns tubos monstros, cada salão que cabia um fusca! Era uma mistura de Nias com talvez P-Pass (nunca fui), ou sei la o quê. 

Olhava aquilo incrédulo, pois estávamos no Brasil, no Nordeste. Quando que no passado iria imaginar em uma onda daquelas? Nunca!

Consegui me divertir vendo também o Lagosta dropar algumas grandes e amarradão no pranchão. Ao sair pra um descanso, pois a empreitada até o pico por si só ja havia me deixado cansado, e depois das vacas era prudente tomar um liquido e repor as energias.

Já no barco, vi que alguns amigos se encontravam por perto. Não cheguei a ver Bernardo Pigmeu na água, pois nossa embarcação só havia chegado às oito e ele estava ali desde que havia clareado. Mas tava lá um bicho cabeludo e barbado. Demorou pra que o reconhecesse.

Rodrigo Jorge e Danilo Costa reforçavam o time de peso entre os locais potiguares. Que vibe! E durante o descanso, observava uma bela, grande e potente esquerda no outro lado do canal. Aquilo realmente parecia um sonho!

Naquele momento, já tinha uma galera enjoada. Marcelo do Globoesporte.com, passava mal, quando disse-lhe para que ficar boiando um pouco em minha gun, mas em meia hora, já troquei o posto com ele e remei rumo ao outside, pois tinha que aproveitar aquele momento.

Chegando lá, tive uma certa dificuldade de chegar perto do pico desejado, pois a maré enchente já havia mudado a corrente para o lado oposto. 

Passei por Rodrigo Jorge e outros brothers que lá estavam e já peço desculpas aqui por não saber ou lembrar os nomes de todos. O fato é que busquei remar mais para o outside quando uma sério enorme veio clean e translúcida.

E Danilo Costa, com seu power surf, vinha nela, aliás, aquilo mais parecia mais uma locomotiva desenfreada e parecia também com Rifles, nas Mentawai. Não era mera coincidência. 

O bicho botou lá atrás no tubo e passou a toda velocidade ao meu lado. Por algum segundo, pensei que ele não chegaria ter sucesso, tamanha a turbulência, mas logo escutei gritos vindo do canal. Foi uma das mais belas ondas que já vi no Brasil. Que pintura!

Nessa queda, peguei uma das maiores ondas, mas ainda, sim, dropando atrasado, mesmo mais ao canal. E atrasado era sinônimo de não conseguir passar a seção, e tome-lhe caldo! Naquele momento, voltei ao barco pra me preservar para uma última sessão no tow in, afinal, mesmo o meu foco sendo a remada, levei minha prancha de tow e estava disposto também a colocar os amigos nas ondas. Mas, para a minha infelicidade e do Xandinho Ferraz, nosso jet havia quebrado, perdido a potência. E tendo visto todo aquele show de surfe de todos, ficamos de certa forma chateados.

Pedi ajuda ao parceiro do Danilo Costa, Leo, e ele me levou ao outside para me rebocar em um par de ondas. Com prudência, pedi que me jogasse com pouca velocidade e em uma onda menor. A primeira foi boa, ótima para o que eu queria: botar a prancha no pé. Mas, a partir dali, e sem referência no oceano, pois só mais uma dupla e dois caras remando se encontravam na água naquele momento, não conseguimos sucesso e a parceria não funcionou. 

Acabei tomando alguns caldos e fiquei sem jeito de alongar a session, afinal, os parceiros de Leo também esperavam por sua vez e não queria abusar da boa vontade. Mas acontece…

Leo havia colocado o Danilo na onda da vida, mas senti que precisaríamos de um treino para nos alinhar. 

Agradeci muito pela oportunidade e boa vontade de me ajudar. Fica pra uma próxima! Às vezes, o que parece simples não é tão fácil, e tudo serve de aprendizado.

Saí dessa session com muita vontade de expandir meus conceitos de equipamentos, treinos no tow in e limites. Já passavam das duas quando alguns barcos deixavam o pico e outros continuavam ancorados para a intensa tarde que ainda começava. 

Sem jet e sem bote de apoio, nossa barca estava em parte de cabeça feita, no entanto, um pouco desanimada. Gostaria de ter ficado, talvez tentado remar na esquerda também, mas parte dos meus planos era também pegar o swell baixando em Fernando de Noronha na tarde seguinte.

Bom, creio que, no fim das contas, foi prudente, mesmo sem ter pensado em nenhuma hipótese dos perigos, mas ficar ali sem uma segurança de apoio não é de forma alguma a melhor das ideias.

A volta me pareceu mais rápida, no entanto, mais adrenalizante. A maré cheia nos fez ir em outro trajeto. Trajeto esse que grandes ondulações nos acompanhavam. Outras urcas, crôas e outras denominações de fundos faziam parte do cardápio em nosso caminho.

Nosso capitão era muito experiente, mas estava muito cuidadoso, pois chegou a relatar que em seus 58 anos de vida, nunca tinha presenciado um mar daqueles. De fato, a qualquer momento sentimos que uma grande espuma podia quebrar no nosso caminho, na frente, lateralmente ou atrás. E dá-lhe adrenalina aos menos familiarizados com aquelas situações.

Mas, uma grande dificuldade nos esperava: o desembarque. Com mar grande e sem jet e bote funcionando, como levaríamos todo o material para a praia?

Com alguns solavancos no motor do bote, o bicho pegou, mas sem força o suficiente para rebocar o jet até a praia, já que o motor do mesmo havia morrido por completo.

A solução foi sair rebocando na remada, afim de pegar um jacaré. Imaginem a situação, pois as ondas estavam maiores que na madrugada. Foi difícil. Alguns remaram em pranchas com equipamentos em sacolas à prova d’agua, mas outros usaram apenas sacos plásticos.

Deixei minha gun na beira da praia e fui nadando junto com Rogério, visando ajudar os repórteres Roger Casé e Marcelo. Marcelo conseguiu sair-se bem, mas Roger, ao pular da embarcação, machucou o ombro e não conseguia remar, logo a correnteza o arrastava e complicava ainda mais. A saída foi pegarmos uma onda, o caba grande na frente, com colete salva-vidas, e eu atrás, segurando com todas as minhas forças, próximo às quilhas.

Mas tudo deu certo e no fim já estávamos arrumando toda a tralha para despertarmos na madrugada e seguirmos rumo a Recife.

Gostaria de ter ficado para aproveitar o segundo dia do swell, mas, com passagem Recife – Noronha marcada, lá estava eu despertando às três da matina para concluir meu objetivo, que era fazer duas trips em uma. Noronha, aí vou eu!

Veja mais fotos do swell:

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    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).