De competidor a shaper

Exclusivo: as pranchas do Fia

Fábio Gouveia, ídolo do surfe nacional, concede entrevista exclusiva para falar do seu início, carreira competitiva na elite mundial e atual fase como shaper.
Fabinho Gouveia Maldivas 2011.

Escrever sobre Fábio Gouveia não é tarefa fácil. Ao recordar que o paraibano foi o primeiro brasileiro a conquistar o título de Campeão Mundial Amador, em Porto Rico 1988, podemos seguir enfileirando os feitos do Fia. Entre eles, destacam-se a primeira vitória de um brasileiro em Sunset, o pioneirismo ao tornar-se Top 16 da ASP e seu protagonismo e irreverência registrados com maestria no documentário Fábio Fabuloso, um clássico da filmografia do surfe nacional.

 

Após uma carreira sem precedentes no surfe brasileiro, Gouveia, que desde jovem tinha intimidade com o universo das pranchas e sua construção, empreendeu na carreira discreta, ao melhor estilo Fia, mas ao mesmo tempo produtiva, de shaper. Antes de começar a desenvolver modelos no computador, o paraibano que hoje reside em Floripa, estabeleceu como meta fabricar mil pranchas à mão, algo característico de Fabinho.

 

“Se os shaper ralaram, eu também tenho que ralar”, diz ele.

Durante sua trajetória como shaper, embora relativamente curta em termos oficiais, mas longa na experiência em si ele já colocou à prova alguns de seus modelos:

 

“Fiz quarenta e cinco pranchas e com algumas delas fiz finais, venci campeonatos. Mas depois, com o casamento ainda jovem, e a chegada dos filhos, precisei parar e me dedicar às competições”, relembra.

 

Gouveia produziu pranchas campeãs, patrocinou alguns atletas e atualmente dedica-se a desenvolver seus próprios modelos, além de firmar parcerias,= como a mais recente com a Magic Surf, responsável pela fabricação da linha de pranchas Power Light.

 

De acordo com informações da empresa, a Magic Surf e empresa será responsável pela produção das pranchas em carbono, madeira, bem como carbono e madeira, projetadas por Fabinho.

 

 

“Fabinho é um ícone do surfe brasileiro, e conseguimos absorver as peculiaridades de cada cliente, produzindo a prancha ideal para suas necessidades”, afirma Fábio Duarte, CEO da Magic Surf.

 

Confira abaixo uma entrevista exclusiva na qual Fabinho fala sobre seu atual momento como shaper, planos para o futuro, experimentos, planejamento, pranchas, entre outros temas. Vale muito o drop!

 

Como você vê essa sua transição de surfista profissional para shaper?
Desde que me envolvi com o universo do surfe, sempre tive afinidade com as oficinas de pranchas e os consertos. Na época, precisava me virar para ter meu equipamento, já que meu pai me deu minha primeira prancha, mas depois tive que me virar sozinho. Comecei a consertar pranchas e aprendi muito com o Paulo Bala, que infelizmente não está mais entre nós. Ele me ensinou a consertar, lixar e eu o via shapeando. A parte de shaping, por sua vez, aprendi com o Rogério Bastos, da Custom Surfboards.

 

 

Com ele, o processo era mais profissional, e ele me levava para a sala de shape, onde eu observava e debatíamos as mudanças, eu passava feedback para ele. Foi aí que meu interesse real por pranchas começou. Cheguei a fazer muitas pranchas em miniatura, como chaveiros. Fazia todo o processo, só que em miniatura. Vendia na escola e ia tocando, surfando nas praias locais, competindo. Quando a Teccel foi criada no Brasil, que era a Surf Blanks com matriz australiana, por volta de 1991, coincidiu de eu ter o patrocínio e estar de mudança para Recife.

 

 

 

Meu cunhado tinha uma fábrica de surfe perto da do Rogério Bastos, então eu vivia nas fábricas de pranchas. Aliado a esse patrocínio, me ajudou bastante porque eu tinha os blocos, as oficinas, a assessoria do Rogério, e aí comecei, por volta de 1991. Cheguei a fazer 45 pranchas nessa época. Lembro que cheguei a ficar em terceiro na etapa brasileira do CT, o Alternativa Pro em 1992, acho que perdi para o Damien Hardman. Surfei em algumas etapas da Europa, surfei em eventos no Japão, inclusive em um que fui campeão na piscina.

 

Mas chegou um momento em que precisei parar, pois casei cedo, tinha os filhos, tinha que treinar, minha carreira estava crescendo. Eu morava em Recife, tinha que ir para Porto de Galinhas para surfar, e perdia pelo menos duas horas no trânsito. E não estava fluindo. Mas sempre curti prancha, sempre olhando o material de um competidor de outro. Em determinado momento, comecei a trabalhar com vários shapers do mundo todo. Chegava no Havaí, por exemplo, e era super importante ter o feedback de um shaper havaiano, que sabe fazer pranchas grandes.

 

Depois ia para a Austrália e fazia o mesmo processo. Então, fui fazendo prancha com muita gente. Parei de shapear naquela época, mas o processo ficou dentro de mim. Nesse contexto, eu ia guardando as pranchas. Guardei pranchas diferentes, que funcionavam, e ia tirando outlines, sempre visitando as fábricas no Havaí, na Austrália, na Califórnia, Europa. Sempre tive em mente que quando parasse de competir, voltaria a shapear. No final da minha época como competidor, em 2008, com a máquina entrando forte, comecei a me interessar de novo por prancha.

 

Consertar prancha, sempre tive oficina em casa, pois sempre cuidei das minhas pranchas. Nunca abandonei a resina, nunca abandonei o bloco, e sempre fazia um experimento ou outro. Em 2008, fiz o curso para saber desenvolver o design na máquina, mas de imediato não curti porque a máquina às vezes deixava uma diferença muito grande.

 

Eu fazia na máquina e depois tinha que medir, e saía um lado maior que o outro, dava diferença às vezes de meia polegada porque às vezes tinha a longarina que estava torta.Aí, depois disso, continuei shapeando na mão, até porque queria resgatar um processo que vivi lá atrás e queria readquirir aquilo.

 

Além disso, eu pensava que tinha que ralar, pois todo shaper ralou fazendo pranchas à mão, porque eu não vou ralar? Eu curtia. Então, minha meta era fazer mil shapes manualmente para depois focar na máquina, e foi isso que fiz. Mil shapes na plaina, e depois segui com a máquina porque comecei a evoluir, a galera começou a procurar, alguns competidores também.

 

 

Alguns caras surfavam bem e queriam pranchas repetidas, e repetir prancha na mão é difícil, é muito mais fácil na máquina. E aí começou a correria. Eu pensei que fosse parar, mas a correria das viagens em alguns momentos até aumentou. Então, tive que ir para a máquina. Hoje, 95% das pranchas que faço, que não são muitas, são feitas na máquina. E algumas poucas na mão, mas quando quero fazer um experimento e fica difícil na máquina, eu faço à mão.

 

Passamos por um período de pranchas cada vez mais high-performance, e hoje estamos tendo uma redescoberta das pranchas alternativas como biquilhas, assimétricas, mini-simmons. O que você pensa desse momento?
Quando eu competia, sempre admirei muito essa vertente. Eu ia para Austrália, África do Sul, Estados Unidos, e a gente sempre via muita gente surfando com pranchas diferentes, o que para eles sempre foi normal, os gringos sempre surfaram também com esses tipos de pranchas diferenciadas. Lembro que tinha uma galera que trabalhava no Tour: fotógrafos, juízes, dirigentes, jornalistas, e os caras carregavam essas pranchinhas diferentes com eles, e a gente surfava lado a lado.

 

 

Lembro do Derek Hynd, do Jesse Faen, e eles surfavam com fishes, e eu sempre ficava amarradão. Mas, se você saísse do nicho das pranchas de competição, você perdia o foco e o pé das pranchas. Então, eu sempre ficava pensando: quando parar de competir, vou usar todos os tipos de pranchas, fishes, mini simmons, longboards, etc. E no Brasil demorou para chegar essa tendência, eram poucos que usavam pranchas diferenciadas. Lembro que quando parei de competir, passei praticamente 1 ano surfando só de fish.

 

Engraçado que lembro até de uns fotógrafos amigos chegarem pra mim falando: “pô cara, você só está surfando com essas pranchas agora? Elas não têm bico!” Então você não via praticamente ninguém surfando com essas pranchas.

 

Aqui no Sul acho que só o Machucho. Acho que isso demorou pra pegar aqui no Brasil. Talvez tenha começado em São Paulo, talvez Rio, depois veio para o sul, agora no Nordeste está entrando forte também, mas a região demorou a aceitar essa vertente.

 

Hoje, com o surfe crescendo, todo mundo assiste tudo nas mídias sociais, sites, e a galera vê que é legal ter outras formas de se divertir com pranchas diferentes. Vou até citar uma frase que não sei de quem é: “não existe prancha ruim, existe a prancha errada para aquele tipo de mar.” Hoje eu me divirto em qualquer tipo de onda: uma marola mexida com vento, fraca, você pega uma fish. Quando está pequeno demais, gosto de pegar o pranchão.

 

 

Eu até gosto de pranchão em onda boa, gosto de fish em onda boa, gosto de SUP também. Mas são brinquedos para me ajudarem a fazer com que aquele momento que seria ruim em termos de condições, se torne bom. Então dificilmente eu me sinto entediado no mar, até porque meu tempo não é fácil, não surfo como gostaria de estar surfando, não permaneço na água pelo tempo que queria. Então todo tempo na água é precioso e eu saio procurando os brinquedinhos para me divertir corretamente.

 

Sobre Epóxi e PU, como é sua relação com os materiais, nas suas pranchas e nas dos clientes?
Sempre achei o epóxi muito interessante e, lá no passado, em 1988, eu já tinha uma prancha de epóxi. Fui apresentado à fábrica da Surf Project, que era em Biarritz, na França. Quem me mostrou essa fábrica foi um dos meus ídolos, o Felipe Dantas, que me levou lá quando eu estava ingressando no Circuito Mundial. Ele já competia e usava essas pranchas lá. Eu usei uma prancha de epóxi, com carbono e kevlar. Lembro que eram pranchas extremamente fortes e leves, por volta de 1,800 Kg.

 

 

Eu usava essas pranchas nas marolas, eram minhas maroleiras. Inclusive, tive ótimos resultados na época. O que era difícil nesse tempo era que não tinha material para consertar. Hoje, mesmo não sendo tão simples assim consertar epóxi, você vai para um lugar inóspito, quebra algo na prancha e não consegue consertar. Para levar no avião não é tão fácil, pois é inflamável. Então, basicamente, parei de usar esse tipo de prancha pela dificuldade em fazer reparos.

 

Para você ter uma ideia, eu levava Araldite (cola especial) e com ele eu cobria parte do isopor e conseguia remendar com resina poliéster normal. Quando começou essa nova era do epóxi, acho que há dez anos, voltei a surfar com epóxi e no primeiro dia que surfei na marola curti bastante. Mas lembro que no segundo dia, que fui usar em um mar mexido de um metro, com vento, eu não gostei da prancha, odiei. E odiei ainda mais em uma vez que fui para um campeonato em Porto de Galinhas.

 

 

Comecei surfando com minha prancha de PU, mas como eu tinha essa prancha de epóxi que flutuava bem, era mais cheinha, eu decidi trocar para correr a bateria. Estava um vento muito forte. Entrei na bateria e me dei mal. Lembro que eu precisava de dois e pouco para passar e não consegui porque eu errava o tempo da manobra, ia bater e caía para trás, enfim, me arrasei e pensei: “meu irmão, não quero mais saber dessa porcaria de epóxi” (risos).

 

Aí encostei essa prancha, mas depois fui fazendo pranchas de epóxi para os clientes, tendo um bom retorno. Acabei voltando a usar e hoje em dia estou bem adaptado com esse material. Surfo com elas de meio a dois metros. Mas prefiro o desempenho do epóxi nas marolas. Por exemplo, fiz algumas viagens para Maldivas, México, Indonésia e lembro que em alguma ocasião levei só pranchas de epóxi por ter vendido todas as de PU e naquela hora era o que tinha.

 

 

Em mar grande, com vento terral forte, eu via que faltava prancha, que ficava fofa. Então, geralmente, hoje em dia, basicamente as maroleiras do quiver são epóxi e em ondas maiores eu prefiro PU. Parece que o epóxi, em uma onda mais forte, com vento terral principalmente, ela fica fofa, ela não vai. Mas é um material que veio para ficar, ao que parece. Sempre temos tendências, modas, etc. A competição dita muito esse ritmo. Mas o legal é você experimentar as coisas e ter sua percepção. Sempre falo para os clientes: eu acho isso, mas você tem que pegar a prancha e sentir.

 

Quais são os shapers que influenciaram seu trabalho?
Foi o Paulo Bala, lá atrás, dono da Swell, em João Pessoa, na Paraíba. Ele foi o cara que me levou para as fábricas. Na época, era comum os caras descascarem a prancha e reshapear, e foi assim que tive minha primeira prancha nova. Mas a influência de shape mesmo, forte, foi a de Rogério Bastos, da Custom, Realce Nordeste, em Recife. Eu ia para a sala de shape com ele e aprendi muito. Um pouco de influência também veio do Ronaldo Barreto, da Radical.

 

 

Depois, com as viagens, fiz pranchas com muita gente e sempre admirava o trabalho de diferentes shapers. Quando estava na Xanadu, tive um contato constante com ele, apesar de não entrar na sala de shape porque ele mora na Califórnia e eu estava sempre viajando. Cheguei a entrar algumas vezes, mas não para ficar olhando os shapes e sim para trocarmos informações. Ele foi importante na minha evolução porque, na época que entrei na Xanadu, o Kelly Slater estava em plena ascensão, chegando no circuito com aquelas pranchas muito estreitas.

 

 

Você via o Kelly surfar e se empolgava, queria surfar como ele, o cara tinha uma forma totalmente diferente de surfar, com pranchas totalmente diferentes. Então, na época que entrei na Xanadu, estava na época das pranchas palito, finas, estreitas, com bico aladim, e não me dei bem no início com essas pranchas. Ele percebeu isso e eu comecei a ter as minhas pranchas boas, e comecei a não ter problemas de pranchas. Porque você, como profissional, passa por várias fases. Tem a fase da pranchofobia, em que você não gosta de nenhuma prancha, fica naquela indecisão de qual é a melhor.

 

 

E o Xanadu, quando percebeu que eu estava tendo dificuldades com essas pranchas mais estreitas, ele criou uma prancha mais cheinha, mais gordinha. No começo foi um pouco difícil de eu me acostumar: eu tinha uma prancha gordinha, para marola, boa; mas não tinha uma prancha suficientemente boa para ondas acima de 1 metro.

 

Porque eu tinha medo de fazer esse tipo de prancha com mais volume para ondas maiores. Então nesse tipo de mar eu permanecia surfando com pranchas mais finas. E eu só comecei a melhorar mesmo quando colocamos volume também nas pranchas maiores. Então esse lance de volume de pranchas, que na época nem era uma medida, eu descobri ali com esse trabalho junto ao Xanadu. Nessa época o Kelly andava muito com os espetinhos, mas poucos caras conseguiam andar com aquele tipo de prancha.

 

 

Como você se inspira para criar seus modelos?
Eu tenho muitas pranchas antigas que guardei e tirava muitos outlines delas. Mas hoje em dia, depois desse tempo experimental, eu vou surfando e criando. Faço a prancha, vou viajar, surfo aqui em Santa Catarina, um lugar com várias ondas diferentes, onde você pode testar pranchas em ondas grandes, beach break, fundo de pedra… e vou criando a partir das minhas percepções.

 

Também quando faço prancha para um competidor, para um grommet, que está almejando surf de competição, vou me inspirando ali naquela troca. Teve um momento em que fiquei focado em shapear gunzeiras para pegar ondas maiores.

 

 

Parei um pouco porque comecei a me machucar e dei um tempo do big surf, mas espero voltar. Então, fiquei um bom tempo fazendo muita gunzeira, o que me deu um know-how muito grande nesse tipo de prancha.

 

Tem a época da fish… sei lá, estou ali, faço uma fish, as ideias vão fluindo… Trabalho muito nas coisas que vêm à minha cabeça. Não tenho muito tempo para olhar tudo no trabalho dos outros shapers, eu vou criando minhas coisas e o trabalho acaba fluindo do meu jeito. Mas é isso, as criações vêm muito do momento.

 

Às vezes vêm à noite e eu estou na cama, levanto, vou no computador. Às vezes o cara acorda, está com insônia na madrugada, e já está pensando naquele boi lá e já cria para não esquecer…

 

 

Pra onde você acha que caminha a evolução das pranchas: design ou material?
No design, as pranchas estão evoluindo sempre, principalmente no que diz respeito a fundos e quilhas. Sobre os outlines em si, penso que ainda há espaço para ajustes finos. Eu nunca mais acompanhei o circuito mundial de perto como acompanhava, faz uns cinco anos que não tenho muito contato, e não tenho olhado tanto as pranchas, mas é claro que vejo uma ou outra.

 

E não vejo tanta diferença assim de design grotesca como a gente viu a criação do concave utilizado como conhecemos hoje, pranchas com bastante curva, com concaves fundos. Acho que hoje em dia é o material que puxa a evolução. Teve essa mudança da inclusão do volume nas medidas de uma década e meia pra cá, mas acho que essa questão do material em si, do epóxi, do carbono, das quilhas, é o que mais está evoluindo e o que vai mais evoluir.

 

 

Sempre aparecem materiais diferentes, mais sustentáveis, mais leves, mas não necessariamente são coisas que ficam. Às vezes é mais aquele lance de propaganda.

Qual é o seu modelo que faz mais sucesso?
Eu gosto muito de fish, sempre gostei. E acho que passo isso, pois surfo bastante com esse tipo de prancha. É aquela coisa, quando você começa a pegar onda de fish, se você não é competidor brother, focado, putz, já era. Porque é muito bom e muito difícil o cara não gostar. Só aqueles puristas mesmo, que o cara quer sempre, pra vida inteira, o espetinho. E não descobre outra forma de se divertir.

 

 

Mas, claro, eu respeito o gosto de todo mundo. Então, respondendo, acho que são as fish e as semi fish, que é o modelo future twin, que é um modelo bem versátil e eu acabo usando a plataforma dele pra usar com quad, com tri. Então eu sigo competindo e gosto de usar quilhas diferentes como a S Wings, da França, que são quilhas interessantíssimas. Você vê o Tom Curren usando um skimboard, taca essas quilhas doidas, e sai surfando, testando.

 

 

Você ganhou campeonatos na Piscina. Fale sobre o que representa o surfe em piscinas em termos de evolução de equipamentos:
No Japão, eu ganhei dois campeonatos e fiquei em segundo em outro. Na Flórida, fiquei em terceiro no Tyfon Lagoon. Quando eu competi no Japão, a gente achava que tudo seria muito rápido, que o futuro das piscinas estava logo ali. Porém, a tecnologia era muito cara, e hoje em dia essa tecnologia foi barateada e tem sido mais fácil de ser comercializada. Mas é um laboratório muito bom, tanto para a evolução do esporte em termos de manobras quanto para as pranchas.

 

Ali você tem a possibilidade de testar uma prancha, sair, trocar de quilhas, em uma mesma onda. Esse lance de densidade da água, doce ou salgada, eu não sinto, é um negócio que passa despercebido pra mim. Não sei se é porque eu surfo com pranchas mais volumosas e elas, tanto faz epóxi ou PU, flutuam bem. Mas claro, na piscina a gente tem vários artifícios, porque às vezes você faz uma prancha volumosa pra remar melhor no mar, pra disputar onda, pra entrar na onda mais no fundo.

 

 

Na piscina, como a onda está ali no lugar exato, não tem crowd, é tudo com hora marcada, você não tem necessidade de usar uma litragem maior, você pode até usar uma prancha com menos litragem porque a onda pode ser cavada, em pé. Às vezes você tem força, mas não tem explosão. Enfim, são vários tipos de ondas e você pode escolher a que mais se encaixa com seu momento e seu equipamento. Então, é um laboratório incrível, a piscina veio para ficar e, como falei, com essa facilidade em termos de custo, a tendência é democratizar cada vez mais.

 

 

Vejamos a Wave Garden, que tem lançado várias piscinas ao redor do mundo, mas as tecnologias não param de evoluir, a todo momento surgem novas ideias. E com o custo baixando cada vez mais, ainda temos muito que evoluir nas ondas artificiais. Surfei na onda da Perfect Wave, na Fazenda Boa Vista, uma onda incrível, uma diferença grande das que eu surfei no Japão (risos), que aliás já eram boas e tiveram evolução depois.

 

Lembro que retornei ao Japão, três, quatro anos depois, e a onda já tinha melhorado, e é isso. Ainda não surfei na onda do Kelly, mas estou com uma barca para Maldivas e tentando ver se consigo dar uma fugida e surfar naquela de Abu Dhabi, mas não está liberada ainda, mas eu estou tentando.

 

 

Você acredita que haverá um momento no qual pranchas alternativas serão usadas na elite do surfe mundial?
Acho que já teve esse espaço em um passado recente. Acho que Kelly Slater e Dane Reynolds, na época que o Dane competia ainda, que ele começou a parar, ele já usava uns modelos diferenciados e quebrava, e não tinha como os caras não darem nota. Acho que o Kelly também fez a parte dele ali quando começou a diminuir o tamanho das pranchas, usar quad.

 

 

Mas nos anos 1990, se você chegasse com uma prancha sem bico, você não passava bateria, era outra parada, os caras queriam ver bico. Hoje em dia os caras querem ver rabeta (risos)… rabeta passando. Se o cara performar, a mente da galera está bem aberta, e acho que está mais para pranchas performance. Mas depois dessa virada aí, por volta de 2009, 2010… lembro até de um evento que o Kelly venceu em Pipeline, Backdoor, com a água marrom.

 

Ele estava com uma prancha pequena, se não me engano 5’9″ ou 5’8″… Mas enfim, hoje eu acho que os juízes estão com a cabeça muito mais aberta e se o cara quebrar, eles vão soltar a nota. Pode até ter um outro com esse pensamento, mas bem menos que no passado.

 

Quais atletas fazem parte da sua equipe?
Como eu te falei, eu não sou um fabricante de pranchas. Eu shapeio pranchas, e eu não fabrico muitas pranchas. Já tiveram mais atletas usando minhas pranchas, mas atualmente só o Junior Lagosta, que foi o primeiro e hoje o único. Mas eu fiz pranchas para a Monik dos Santos, outras para o Gabriel Sampaio, big rider de Itacoatiara. Faço pranchas esporádicas, para alguns atletas e para freesurfers também.

 

 

Mas meu foco é mais a galera que quer se divertir mesmo. Já apoiei alguns atletas, mas é difícil, porque geralmente o atleta que está em busca de apoio não tem grana, e como não sou um fabricante de pranchas, não tenho grana pra reinvestir. O que eu consigo fazer é dar minha mão de obra e o cara paga o material. Mas atletas em início de carreira nem sempre têm um patrocínio que pague as pranchas.

 

Porque na real o fabricante de pranchas é o que menos ganha. Mas eu sempre estou aberto quando a galera precisa de uma força. Mas no momento, equipe só o Junior Lagosta mesmo. Eu cheguei a apoiar cinco, seis atletas, e às vezes coincidia de todos eles estarem precisando de pranchas ao mesmo tempo, e eram quatro ou cinco pranchas para cada um.

 

 

Então eu ficava na correria pra atender a galera e perdia uma sessão de surfe importante, ou deixava de ir para fisioterapia, pra academia (porque eu to sempre ferrado… risos), pra não deixar o cara na mão. Era sempre muito difícil. Pra esse tipo de relação fluir bem, você tem que ter uma equipe na fábrica. Eu sou o shaper solo.

 

Qual a primeira coisa que você olha quando pega uma prancha?
Geralmente, eu olho a curva, o posicionamento das quilhas. Se for para mim, vou olhar também a flutuação. Mas, em geral, observo a curva, o outline, as quilhas e o material também. O lance é dar aquela escaneada.

 

 

Já aconteceu de você olhar uma prancha linda, toda certinha, e quando ela entra na água, não funciona?
Já aconteceu! Inclusive, eu estava falando sobre isso com o Picuruta hoje… rs. Eu fiz uma prancha para ele recentemente, porque ele está fazendo um quiver de biquilha, e ele me mandou os feedbacks da prancha hoje. Eu estava falando exatamente sobre isso. Uma vez, eu fiz uma prancha com Greg Webber na Austrália, que a princípio era para ser uma cópia de uma prancha minha.

 

 

Quando a prancha chegou, achei alucinante. Mas, quando coloquei na água, ficou ruim pra caramba. Mas essa mesma prancha, que ficou ruim naquele dia, eu guardei e fui usar seis meses depois. Cara, a prancha ficou mágica e acabei parcialmente vencendo um evento no Japão com ela. Acabei não ganhando o evento porque a parti na semifinal, mas acabei ganhando lá com a prancha do mesmo shaper, que comprei do atleta do cara, Shane Hering, que tinha abandonado a prancha na fábrica.

 

Resumindo: ganhei do Hering na semifinal e do Michael Romelse na final, ambos atletas da Insight, marca do Greg Webber. Eu estava até debatendo isso hoje com o Picuruta, que é um fera e tem o Almir Salazar ao lado dele, ou seja, entende tudo de prancha. Mas eu estava falando que às vezes você pega uma prancha que achava ruim, troca as quilhas e a prancha muda totalmente. Muita gente não tem a paciência de esperar um pouco, de usar a prancha no mar certo, são muitas vertentes que o cara precisa investir um tempo para entender melhor a prancha.

 

 

Você acha que hoje o shaper brasileiro é reconhecido internacionalmente?
Sim, claro. E isso não vem de hoje. Mesmo antes da ascensão do Xanadu, do Marcio Zouvi, inclusive, eu usei muita prancha do Marcio e hoje meu filho Ian usa. Antes desses caras, eu via os shapers brasileiros arrebentarem no Havaí. Nosso amigo que está no Céu, Jorge Vicente, por exemplo, teve o título mundial com o Derek Ho.

 

Ele também ajudou no título do Sunny Garcia, que usava muito suas pranchas. Ele fazia pranchas para vários havaianos locais, como o Pancho Sulivan. Além dele, havia o Heitor Fernandes, Manuel Fernandez, além dos nossos lixadores, laminadores como o Horácio Seixas, o Murilão (falecido). Brasileiros rodaram mundo afora: Japão, Austrália, EUA, Europa. Acho que o que pegava para a gente era a questão do material nacional, que era sempre inferior ao gringo.

 

 

Mas hoje a turma exporta material brasileiro, temos a Teccel, por exemplo, que exporta bloco para o mundo inteiro. Essa ascensão da Brazilian Storm tem muito também dos shapers brasileiros. Temos que citar o Joca Secco, Ricardo Martins, Avelino Bastos, entre vários outros. Para mim, os shapers do Brasil sempre foram top shapers mundiais, posso falar isso com propriedade porque fiz prancha com Deus e o Mundo, ganhei campeonatos com pranchas estrangeiras, com pranchas nacionais, e fiz minha carreira com grande participação de shapers brasileiros. Agora, estamos na ponta e é mais que justo.

 

 

E Fábio Gouveia, vai passar um tempo viajando, shapeando?
Quando comecei a shapear, minha ideia era exatamente essa, ser um shaper freelancer e viajar o mundo fazendo pranchas. Mas aí veio a Pandemia e precisei adiar esses planos. No início de 2020, fui para uma feira de esportes com pranchas no Japão a convite da Teccel. Na época, tinha Teccel no Japão. A ideia seria eu voltar para lá, fazer umas pranchas, depois partir para a Indonésia.

 

Mas a pandemia atrapalhou tudo, depois rompi ligamento de joelho, agora já tô com problema de quadril. Mas depois que eu melhorar, pretendo fazer uma temporada na Indonésia. Porque acho que shapear é isso, você viajar, aprender. Eu também queria usar o artifício do shape para voltar aos lugares que eu ia como competidor: Austrália, Japão, América, ficar no Havaí dois, três meses fazendo pranchas.

 

 

Essa é uma nova perspectiva para no Havaí porque hoje em dia, sou um freesurfer. Tenho meus patrocínios ainda, mas não tenho aquele compromisso de ficar o dia inteiro na praia, fazer fotos. Eu procuro outras coisas para procurar dar retorno de outra forma. Quero ingressar em alguma fábrica, pegar onda, curtir, aprender cada vez mais sobre prancha porque eu aprendendo vou satisfazer muita gente e principalmente a mim. Porque não tem instiga melhor do que você fabricar a prancha e ficar doido pra colocar ela na água.

 

Pra finalizar, queria que você falasse a respeito das polêmicas relacionadas ao julgamento do CT. Você acha que existe má vontade no julgamento dos brasileiros?
Acho que muitas vezes a gente presta mais atenção nos nossos surfistas do que nos gringos. Mas falando da bateria do Leo contra o Gabriel, ali o bicho pegou, ele surfou muito. Tinha onda ali que o cara merecia mais nota, mas se der mais nota, o cara vem de novo e faz melhor e vai ficar faltando espaço pra dar nota… Então acho que às vezes quando o cara surfa muito, quando ele é excepcional, acaba que atrapalha, porque os juízes ficam esperando mais e mais, e o cara já faz mais pra caramba só que quem tá julgando não dá a nota porque espera mais ainda!

 

 

Na bateria contra o Colapinto saíram dois scores ali que atrapalharam a bateria. Não estou dizendo que os caras roubaram, eles erraram. Aí eu fiquei imaginando: se o Colapinto pegasse aquela onda que o Gabriel pegou, quanto os caras não iriam dar? Será que os caras não iriam dar acima de oito? No meu feeling eu acho que sim. Então acho que naquela bateria os caras julgaram errado. Beleza, o Colapinto venceu ali, apertado, mas os caras erraram. Talvez se eles tivessem dado a nota correta para o Griffin nas duas ondas, não falo a primeira, mas a terceira e a quarta.

 

Aquela que ele deu uma primeira rasgada agarrada e depois deu uma batida na junção totalmente desconcertada, com os braços todos trocados, deram um seis alto. Jamais seria essa nota. Na outra ele caiu na terceira manobra… as duas primeiras foram boas, mas aquela terceira ele caiu e tecnicamente deixaria de ganhar um escore maior. Tem também o lance de você estar assistindo na Internet ou ao vivo. Eu sempre fico muito cuidadoso em falar algo nas minhas mídias sociais porque você não está na praia vendo… Sempre tem dez por cento a mais em tamanho de onda a mais.

 

 

E aquela onda do Gabriel na final era grande, pode até ter sido julgada certa, mas as duas do Colapinto não. E aí você vê direto os caras mudarem o critério. Por exemplo, diversificação de manobras, o Gabriel vai lá, dá uma batida que inverte, dá um 360 no meio da batida, dá uma escorada boa que joga água… ou seja, muita variação de manobras. Mesma coisa o Ítalo na piscina, ano passado.

 

O cara fez uma variação de manobras incrível, ficou em tubo mais deep, e perdeu a bateria. Não existe isso. Então no critério tem variação, e não se julga bem a variação de manobra. Aí fica difícil. Penso que se você surfa uma onda ruim bem, é passível de mais nota. Agora, se você surfar uma onda clássica, fácil e arrebentar, lógico, merece uma boa nota. Mas como naquela final que o Gabriel perdeu para o Julian Wilson no ano que ele foi campeão mundial.

 

 

Na última onda do Gabriel ele fabricou a onda e o Julian veio na onda perfeita. Mas eu acho que a galera erra mesmo. E quando tem um cara que está muito em evidência, a parada vai ser derrubar esse cara. Eu via isso com o Kelly Slater. Eu vi o Kelly no passado perder uma bateria para o Shane Beschen em Huntington Beach que ele não perdeu de jeito nenhum. Não perdia nem com o cão, meu irmão. Ele precisava de uma onda alta, não sei se era um 10. Mas se ele precisasse de um 10, a onda era 10.

 

Porque ele pegou a onda, pegou um tubo, deu um rasgadão, e completou com uma muito forte na junção. Ou seja, o cara fez o impossível, era nota máxima e com certeza ele levou com certeza, mas deram pro Beschen. Mas eu tenho muita fé que o Brasil vai manter esse título. Infelizmente aconteceram coisas como o acidente do Chumbo, essa fase sabática do Filipe que entendo está cansado. É aquilo cara, os meros mortais que somos quando estão no circuito cansam. E quando o cara está no circuito cansado ele cai e quando ele cai vai ter um ano diferente, para recuperar a energia e voltar.

 

 

Acho justo a WSL dar o wildcard para o ano seguinte, porque realmente cansa muito. Senão a carreira dele pode ir para outro rumo e penso que a entidade é que perde. Porque você tem um superstar, no caso o Filipe, Medina, ou qualquer outro desse quilate e no final a WSL sairia enfraquecida sem esses nomes. Mas a gente comenta dos erros e tals e no passado tinha muito.

 

Mas hoje com o advento da internet que tem tudo registrado é muito mais difícil o cara dar uma nota ali absurda, fica feio. A galera que está lá é profissional, o que tem são erros e sei lá, às vezes a gente dá azar pois está vendo sempre pro nosso lado… Mas é isso, quando está o bicho na frente, os outros querem tomar o lugar.

 

Canais citados na matéria WSL, Pepe Cezar, Magic Surf, Fabio Gouveia, Surf Radio 5513

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.