Na qualidade de Diretor-Presidente da Surfrider Foundation Brasil, venho, por meio desta, exercer meu direito de resposta à carta escrita pelo Sr. Antonio Fleury, publicada neste conceituado veículo no dia 28/06/07, na matéria intitulada “Inconformismo“.
Meu nome é Claudio Campello Falcão, mais conhecido como Cacau, tenho 49 anos, dos quais 35 dedicados ao surf, sou Advogado Ambientalista e trabalho como voluntário para a Surfrider Foundation Brasil desde 1998.
Fui eleito Diretor Presidente no ano passado por maioria absoluta pela Diretoria, em reconhecimento ao meu trabalho e dedicação à organização, o que me honrou muito.
Nascido e criado em São Conrado que sou, conheço e sou amigo do líder comunitário e instrutor de surf Ricardo “Bocão” Ramos há vinte anos.
Bocão é morador da Rocinha e um verdadeiro guerreiro na luta para tirar os meninos de rua da comunidade do caminho das drogas, tráfico e delinqüência através do trabalho sócio-ambiental que realiza, ensinando-os a surfar na sua Escolinha de Surfe: a “Rocinha Surfe Escola”. Lá, as crianças aprendem noções de natação, cidadania e educação ambiental, entre outras atividades.
Bocão sempre manteve a Escolinha ativa na base de doações. Nós, os amigos mais privilegiados, ajudávamos da forma que podíamos, doando pranchas usadas, roupas, neoprenes, cordinhas etc.
Contudo, sempre vislumbrava alguma maneira de conseguir algo mais, e foi assim que há dois anos atrás me veio a idéia de envolver a Surfrider para desenvolver um projeto de apoio maior a esse importante trabalho.
A partir da idéia inicial, a Surfrider começou a trabalhar para arrecadar fundos para o projeto. Nesse meio tempo ocorreu a vinda do músico-surfista Jack Johnson, que apóia a Surfrider Foundation USA, para realizar um show no Brasil.
Jack soube do nosso apoio à Rocinha Surfe Escola, pediu pra conhecer os meninos e se encantou com o projeto. Logo após sua partida do Brasil, sua assessoria entrou em contato comunicando uma doação substancial para o projeto.
Hoje em dia, graças à doação, a Surfrider Foundation Brasil dá suporte à Rocinha Surfe Escola e ao Bocão através de: salário, aluguel de um quarto, compra de equipamentos para a guarderia (espaço gentilmente cedido pela Vereadora Patrícia Amorim), computadores, mesas, cadeiras, internet, uniforme para os alunos, transporte e alimentação para atividades fora da cidade do Rio de Janeiro, dentre outras coisas.
A Surfrider Foundation Brasil é uma organização não governamental, sem fins lucrativas, que se dedica à proteção e conservação das praias, oceanos, ondas e meio ambiente costeiros em todo o mundo. Trata-se de uma organização séria e obedece critérios estabelecidos pela matriz americana quanto ao uso de sua imagem e logomarca.
Somos uma organização ?grassroots?, que preza e incentiva a soma de esforços de indivíduos e organizações por um bem comum. Por isso que eu, em momento nenhum, pedi a retirada da barraca da O´Surfe e fiquei sem entender a razão do abandono do evento pela O´Surfe.
O que pedi foi apenas para retirar ou cobrir o banner que servia de fundo para a barraca e que tinha uma grande logomarca da Spoleto. Não temos nada contra a Spoleto e reconhecemos que esta empresa é patrocinadora da O´Surfe, apenas achamos desproporcional o tamanho da propaganda que estava sendo feita, até porque este evento não foi registrado na Prefeitura e a realização de propaganda comercial na praia, sem prévia autorização, é proibida por lei.
Nossa única e exclusiva preocupação foi a de resguardar tanto a Spoleto quanto a Surfrider de possíveis problemas quanto a veiculação de marcas comerciais não autorizadas. Toda a ajuda é bem vinda, contudo, sempre respeitando critérios de cumprimento das leis e licenças existentes.
Todos nós da Surfrider Brasil temos grande admiração e respeito pelo trabalho social com crianças carentes do Terreirão e da Rocinha, (através do apoio dado a alguns alunos da Rocinha Surfe Escola) desenvolvido pela ONG O’Surfe.
Por isso ficamos profundamente consternados com a publicação da carta do Sr. Antonio Fleury, até porque achamos ser a atitude correta e cavalheiresca tentar primeiro resolver qualquer celeuma ou mal-entendido de forma particular, entre as partes, sem lavar a roupa suja em público.
Mas esperamos que este incidente já esteja superado, e que sigamos em paz lutando por um meio-ambiente mais limpo e um mundo socialmente mais justo. A disposição para quaisquer esclarecimentos.
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