
Com um time de colunistas que não pára de crescer, o Waves.Terra anuncia a estréia do mais novo colaborador, e caçula da turma, Sérgio Laus.
Aos 24 anos, o surfista paranaense é um dos mais experientes em um assunto que ainda é um mistério para muitos: o surfe na onda selvagem de água doce mais longa do mundo.
Com dez temporadas na Pororoca (do tupi Poro’roka, de Poro’rog, estrondar), Laus é atualmente um dos surfistas mais entendidos do assunto e traz para os internautas suas experiências e aventuras vividas nas expedições* que fez à selva amazônica.

É com muito prazer e satisfação que inauguro, junto à equipe Vaves.Terra, a coluna Surfe na Selva. Este nome também significa muito, por se tratar de um trabalho sério e profissional que envolve exposições, expedições e palestras do maior fenômeno fluvial da Amazônia – a Pororoca.
São tantas as informações, curiosidades e histórias da onda mais longa do mundo que deu um trabalhão só de imaginar como seria o começo desta coluna. Resolvi então lembrar daquela aula de geografia que todos tiveram no primeiro grau. Nela, o professor dizia:

“A palavra Pororoca vem do termo poroc poroc, que significa ‘destruidor, grande estrondo’, no dialeto indígena do baixo Amazonas. Ocorre na mudança das fases da lua, principalmente nos equinócios (quando o dia tem a mesma duração da noite), mas intensamente nos períodos de maré viva ou de sizígia, ou seja, Lua Cheia e Lua Nova. O fenômeno começa quando as águas das marés vindas do oceano chegam até a desembocadura de um rio, formando elevações que podem chegar a dezenas de metros de comprimento e que se movem rio acima com velocidade de 30 a 50 Km/h”, dizia o careca chato diante da turma inquieta.

“O encontro entre as águas doce e salgada provoca ondas que podem alcançar até cinco metros de altura avançando rio adentro. O choque das águas tem uma força tão grande que é capaz de derrubar árvores e modificar o leito do rio. O barulho ensurdecedor pode ser ouvido com duas horas de antecedência”, mas quando falou em ondas, alguns pararam e um cenário foi se formando na imaginação, que depois seria desenhado nos cadernos da matéria.
“Alguns minutos antes de chegar, há uma calmaria, um momento de silêncio. As aves se aquietam e até o vento parece parar de soprar. É ela que se aproxima. Os caboclos já sabem e

rapidamente procuram um lugar seguro, como as enseadas, ou pontos mais profundos dos rios para aportar suas embarcações. A Pororoca manifesta-se nos Estados do Amapá, Pará e Maranhão”, concluiu o professor, que futuramente viria a presenciar grupos de surfistas desbravando a Amazônia em busca da onda perfeita.
E no ano de 1997, mais precisamente no Rio Araguari – Amapá, local da mais perigosa e temida pororoca, foi formada a primeira expedição para a tentativa de surfar a mítica onda de água doce. Assim, Guga Arruda e Eraldo Gueiros quebravam a barreira do misterioso fenômeno e marcavam seus nomes na história como os primeiros a deslizar na onda mais longa do mundo. Mas isso é assunto da próxima coluna.
Auera auara!!!
*Para saber mais sobre o surfe na Pororoca acesse Tchakatour.com.br/nacionais/Pororoca/pororoca_page.htm .
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