Diversos setores da sociedade do mundo inteiro estão pesquisando e debatendo sobre o aquecimento global e seus efeitos no planeta.
Pesquisadores, cientistas, geógrafos, ecologistas, governantes, estudantes, jornalistas, todos pesquisam sobre o assunto e apontam situações alarmantes para os próximos anos e o pior: não são só os países poluentes que pagarão por isso, e sim o mundo inteiro.
Mas, e nós surfistas? O que temos a ver com isso? O mundo inteiro está ?esquentando? e eu estou aqui na minha, por que devo me preocupar? Por que temos que fazer algo?
Aquecimento Global é um fenômeno de larga extensão ? atinge o mundo inteiro, independente de onde vêm as causas ? e provoca o aumento da temperatura média na superfície do planeta e interfere diretamente no comportamento climático, gerando grandes catástrofes pelo mundo.
Diversas são as causas, quase 100% são provocadas por ações humanas, e o principal vilão é a emissão de gás carbônico (CO2), principalmente por desmatamento, queimadas e processos industriais, e outros gases responsáveis pelo efeito estufa, como metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).
Nos últimos cem anos, a Terra ficou 0,7º C mais quente, parece pouco, mas não é. Se as emissões desses gases fossem congeladas nos níveis atuais, até 2200 a temperatura teria um aumento entre 0,4 e 0,8º C.
Porém, não é isso que está acontecendo. As emissões desses gases aumentam. No pior dos cenários, estudos apontam que a temperatura pode subir 5,4º C até o final desse século.
Esse aumento de temperatura já causou e vem causando diversas alterações, e os principais ecossistemas atingidos são as florestas tropicais e no nosso ambiente de diversão, os oceanos e suas bancadas de corais.
Isso significa que diversas praias e picos paradisíacos podem sumir do mapa em alguns anos, e no Brasil, já são cerca de 18 praias na lista correndo o risco de serem engolidas pelos oceanos.
As praias estão desaparecendo principalmente devido ao derretimento de geleiras e dos pólos, que nos próximos 50 anos contribuirão para um aumento de 30 a 80 cm no nível dos oceanos, e das tempestades tropicais irregulares, que movimentam as correntes e geram ressacas fortes fora de seus períodos e intensidades regulares.
Nas últimas décadas, o aumento da temperatura dos oceanos vem causando o ?branqueamento? dos corais em escala global, colocando em risco diversos recifes em todo o mundo.
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A temperatura nos trópicos aumentou cerca de 1º C nos últimos cem anos, levando os corais a viverem próximo do seu ?limite térmico?.
Corais são muitos sensíveis a variações climáticas, por isso só crescem onde há poucas variações na temperatura.
Acreditem, os corais desaparecem muito mais rapidamente do que as florestas, mas como ficam embaixo d?água, as pessoas não vêem, e muitos não sabem que os oceanos são o berço da vida no planeta, toda vida depende dele.
Se esse aumento de temperatura continuar, adeus Tavarua, Teahupoo, diversos picos na Indonésia, Austrália, Hawaii, entre outros. Ou seja, muitos picos e muitas praias perfeitas para nosso surf de cada dia irão sumir.
Por isso, nós surfistas, devemos sim nos preocupar e nos informar sobre o assunto, tomando medidas para contribuir para reversão desse cenário. Surfista de alma cuida da sua casa, respeita a natureza e não deixa que destruam o que é seu, principalmente quando o que está em questão é importante não só para o surf, mas para a vida de muitas pessoas que dependem dos oceanos para viver.
Se não sabe o que fazer, comece com pequenas ações:
– Não jogue lixo nenhum na rua, nas praias e no mar. Além de não poluir, você demonstra respeito e sabedoria;
– Não consuma produtos de países que não e preocupam com o aquecimento global, e acredite, esse boicote funciona se cada um faz a sua parte;
– Dê preferência a produtos reciclados, e recicle o lixo produzido na sua casa, separando vidro, plástico, papel, metais e orgânicos, encaminhando para empresas de coleta seletiva;
– Dê preferência a fontes recicláveis de energia, como solar, que tem custo menor do que a elétrica e é totalmente limpa, e a eólica;
– Não compre móveis de madeiras amazônicas, pois independente de terem o selo de ?madeira legal?, essa madeira saiu da floresta amazônica e provavelmente ficou um buraco no seu lugar, ou então a área foi reflorestada com eucaliptos, que são árvores que crescem rapidamente, mas retiram todos os nutrientes do solo e são inúteis para o ecossistema local;
– Escolha produtos que contribuem com ações de preservação do meio ambiente, geralmente nos rótulos das embalagens há informação sobre essas ações;
– Informe-se sobre o assunto e, se possível, filie-se ou seja voluntário de alguma ong que lute pelo meio ambiente, como Sea Shepherd, WWF, Greenpeace. Essas ongs fazem grandes ações para preservação do meio ambiente e seus sites oferecem muitas informações sobre o que fazer pela natureza;
– Repasse notícias sobre o assunto para todos que dependem direta e indiretamente dos oceanos de alguma forma, seja para sobrevivência ou por lazer;
– Exija dos governantes atitudes para preservar os ecossistemas, e antes de elegê-los, conheça o posicionamento de cada um quando o assunto é o meio ambiente;
Nós surfistas temos um papel muito importante na preservação dos oceanos e dos ecossistemas vizinhos (mangues, mata atlântica, rios), pois dependemos deles de alguma forma para agregar valores às nossas vidas. Atitudes simples podem mudar o mundo quando feita por todos.
O surf é um estilo de vida milenar, e não podemos deixar que essa corrente se quebre, repassando e ensinando para nossos filhos como é ser feliz em cima de uma prancha em uma onda.
Vamos preservar nossas ondas, nossas praias, assim nossos filhos poderão surfar nos mesmos picos que já fizemos a cabeça por muitas vezes. Todos têm o direito de surfar em praias limpas.
Para obter mais informações, entre em contato com Renato Ferrari pelo e-mail [email protected].
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