
O paulistano Romeu Bruno é um dos principais expoentes brasileiros em ondas grandes.
Depois de residir no Hawaii e trabalhar como salva-vidas no North Shore de Oahu durante 12 anos, Romeu voltou para casa em 2001 e tornou-se surfista profissional.
Aos 41 anos e com disposição de sobra para encarar as mais pesadas ondas do planeta, Romeu comenta sua carreira e conta o que rola em sua 19a temporada havaiana.
Como está sendo esta temporada para você?

Ótima. Estou treinando muito, tem dado várias ondas grandes, dando condição de colocar as pranchas no pé e treinar. Estou focado, numa ótima fase física, psicológica e espiritual, com todo apoio dos meus patrocinadores e estrutura completa. Para fechar com chave de ouro só falta um swell gigante.
O comportamento pelo excesso de jets em Jaws tem prejudicado a performance?
Para surpresa geral, este ano está bem calmo, só dá brasileiros e alguns gringos locais na água.
Existe um respeito dentro d’água, ou a série é de quem se posiciona melhor?
Existe um respeito ao Laird, Kalama, Doerner e sua turma. Existe também uma certa imposição de alguns locais que começaram freqüentar Jaws há pouco tempo e nem sabem surfar tão bem, mas quando entra um swell de 60 pés de face, plus, aí muda a situação! Entre a maioria da galera existe um respeito mútuo, ordem da fila.
Fale um pouco sobre a ilha de Maui, localização, alimentação, etc.
A ilha de Maui fica no arquipélago havaiano, é a segunda ilha de maior importância. A maioria dos atores e atrizes de Hollywood possui propriedades em Maui. Lahaina é a cidade turística do lado oeste da ilha onde saem todos os barcos de passeio para ver as baleias. De dezembro a março as baleias migram do Alaska para terem seus filhotes no canal entre as ilhas de Maui e Molokai.
A dez minutos de Lahaina fica a famosa onda de Honolua Bay, uma das ondas mais perfeitas do Hawaii. No lado norte da ilha, na cidade de Paia, ficam Jaws e Hookipa. Jaws é a maior, mais perfeita e melhor onda do planeta, paraíso dos tow-surfers. Já em Hookipa tem um surf alucinante de remada, quatro ondas diferentes na mesma praia. Todo dia, quando o vento aperta depois do meio-dia, Hookipa se transforma na capital mundial do Wind-surf e Kite-surf. A comida não se compara ao Brasil, mas tem bons restaurantes. Bastante peixe, comida tailandesa e mexicana.
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Fale um pouco sobre o Romeu Bruno e a adrenalina de curtir mais uma temporada de ondas grandes.
Estou vivendo uma fase muito boa. Minha mulher, a Suzana, e meu filho Tito me apóiam muito, eles sabem da necessidade que tenho de surfar ondas gigantes e da importância de meu trabalho como surfista.
Estou muito motivado pelo apoio que a South to South tem dado a mim. O Mauricio e toda galera que trabalha na South me passam confiança, acreditam no meu potencial, me valorizam, e isto tem me dado garra e confiança para treinar muito e encarar as situações de vida e morte nas ondas gigantes de Jaws.

Eu tenho a necessidade de surfar estas ondas gigantes e obter a carga de adrenalina que elas geram no meu corpo. É como um corredor que quando não corre, seu corpo não libera a endorfina que está acostumado para manter sua mente bem.
A minha geração abriu caminho ao profissionalismo dos surfistas, nós não desfrutamos tanto como a geração seguinte, que pôde fazer um patrimônio competindo. Mas, agora estamos novamente abrindo outros parâmetros no profissionalismo do surf.
Nossa geração se preparou muito bem, nos preocupamos com nossa alimentação, nosso preparo físico, talvez pelos exemplos do que vimos todos estes anos (19 temporadas) no Hawaii. Surfistas como Derek Doerner, Pete Cabrinha, Dan Moore, Ken Bradshaw, Gerry Lopez, Peter Cole (entre vários outros), com 50, 60, 70 anos, surfando Sunset 12 pés, surfando Jaws 70 pés, ganhando o prêmio XXL de maior onda surfada, arrebentando no kite surf.
Nossa geração colocou o surf no Fantástico com a série caçadores de ondas e abriu caminho para nosso circuito profissional estar em rede aberta nacional. Nós estamos estruturando a cultura brasileira do surf, respeitamos e valorizamos os guerreiros soul surfers das gerações anteriores à nossa, como Bocão, Valério, Pepê, Dany Boi, Perdigão, Bruzy, etc…
E damos esperança e incentivo aos surfistas profissionais da geração seguinte à nossa (como Renan Rocha) e da nova geração, ao estendermos nossas carreiras profissionais com o tow-in surf, mostrando que é possível estar na melhor forma física, mental e espiritual depois dos 30 anos de idade e viver profissionalmente do esporte.
Além de estarmos ainda na ativa nas maiores ondas do mundo, estamos usando todo o nosso conhecimento e experiência de vários anos de viagens e surf para trabalhar como técnico de equipe, na área de marketing, desenvolvimento de produtos, jornalismo, televisão, etc…
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Seu nome foi comentado em todas as matérias publicadas aqui no Brasil. Como está sua cabeça neste momento e o que pensa sobre isto?
Passei um período muito difícil de adaptação nos quatro últimos anos. Voltei ao Brasil em 2001, depois de morar 15 anos no Hawaii. Trabalhei 12 anos como salva-vidas e, de repente, virei surfista profissional no Brasil. Tive de aprender muita coisa, a ser profissional, a aceitar muitas coisas que para mim não pareciam justas, a entender o mercado do surf no Brasil, a conhecer as pessoas que estão envolvidas neste mercado, a reconhecer as pessoas que realmente me apóiam, quem são realmente cada uma dessas pessoas e como tudo funciona.

No final de 2002 queria sumir da cena, sem patrocínio, sem perspectiva de trabalho aos 38 anos de idade e com um filho de um ano, mas Deus me quis no meio do surf e colocou as pessoas certas em meu caminho.
Sou grato ao meu brother e parceiro Alemão de Maresias, que praticamente me colocou na South. À South to South, que reconheceu meu valor e agora está colhendo os frutos junto comigo.
Estou muito feliz e contente por dar o retorno merecido a quem acreditou em mim, acho que isto é fruto de um trabalho verdadeiro.
A verdade sempre aparece, mesmo que demore anos! Tenho muita sorte de ser patrocinado pela South to South, uma marca brasileira e feita pelo Maurício, que é um surfista de verdade, junto com toda a equipe que compõe a South.
A South to South é parte fundamental da cultura do surf brasileiro, vou fazer tudo o que posso para que todos os surfistas e simpatizantes do surf saibam da verdade, quais as marcas que realmente se preocupam com o crescimento do surf brasileiro e não apenas com o lucro que possam ter em cima do esporte, o quanto durar!
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