
A paulista Fabiana Nigol, 29, tem a vida dos sonhos de muitas mulheres.
Ela conheceu o marido, o atleta profissional Everaldo ?Pato? Teixeira, há quatro anos e hoje percorre o planeta registrando as melhores ondas do mundo.
Fabiana já presenciou algumas das sessões de surf mais radicais do planeta e considera Teahupoo a onda mais casca-grossa.
?É difícil ver o Pato dentro daquela onda monstra e filmar de pertinho. Essa onda é a mais radical”, garante.

Confira a seguir um papo exclusivo com a videomaker Fabiana Nigol.
Você imaginava que um dia se tornaria videomaker?
Eu nunca me imaginei virar videomaker profissional, nem antes nem depois de conhecer o Pato. Tudo aconteceu com naturalidade e confesso que hoje adoro o que faço.
Como você conheceu o Pato?
Sou paulista e conheci o Pato na minha cidade mesmo. Nessa época eu trabalhava como modelo e fui contratada pela Lui Lui para trabalhar na Surf & Beach Show em 2001.
Enquanto trabalhava, ele chamou minha atenção. Depois de um tempo, veio falar comigo e já sabia meu nome, com uma cantada meio furada. Começamos a conversar e rolou uma sintonia. Tinha uma idéia diferente dos surfistas e não conhecia nada desse mundo que vivo hoje em dia. Entre idas e vindas de Florianópolis a São Paulo, não tinha muita esperança que nossa relação tivesse futuro. Sabia que ele viajaria para um local chamado Ilhas Mentawai e sabe-se lá quando iria voltar.
Despedidas a parte, me inspirei em sua vida de viagens e resolvi cair no mundo também. Iria com uma amiga estudar inglês na Austrália. Estava tudo pronto para a viagem quando o Pato me ligou da Indonésia dizendo que iria me buscar no Brasil e que iríamos para o Hawaii. Mas, era tarde demais e foi cada um para um canto do mundo. Depois, nos encontramos novamente e desde então nunca mais nos separamos.
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Como você se tornou videomaker?
Desde pequena ia muito para São Vicente, no litoral paulista. Mas, fui crescendo, comecei a trabalhar aos 15 anos, veio faculdade e o pagamento de contas. Com isso, a praia foi ficando cada vez mais distante.
Mas, sempre gostei de estar na praia, no mar, meu sonho sempre foi morar perto do mar. A primeira sessão de filmagem foi por acaso.
Eu estava na Indonésia, em Desert Point, sem ter absolutamente nada para fazer, um sol de torrar e o Rafael Mellin filmava para um vídeo de surf.

Ele me ofereceu uma câmera extra que havia levado e eu sentei no teto do nosso carro e comecei tentar filmar com a câmera na mão mesmo, sem tripé. E as imagens ficaram boas.
O Rafael me incentivou e o Pato então, era tudo que ele queria, alguém que o acompanhasse filmando seu treino diário.
A partir dali, me dediquei, fiz cursos, li muito manual de câmera, errei muitas regulagens de cores, perdi muitas “melhores ondas” e fui conhecendo os equipamentos. Hoje trabalho com uma câmera semiprofissional Sony PD 170.
Quantos países você conhece e quais mais gostou se identificou?
Se eu fosse surfista já teria pegado onda nos melhores picos do mundo. Aliás, gostaria muito de saber surfar bem, mas ainda estou aprendendo. Já viajei para o Hawaii, Indonésia, Tahiti, África do Sul, Califórnia, Austrália, Chile e Peru. Gosto muito da Indonésia e, apesar dos perigos naturais, me sinto bem lá. As pessoas levam uma vida simples, quase miserável em algumas partes, e estão sempre felizes, sorrindo. O local e a comida são exóticos, as ondas perfeitas, e gasta-se pouco. Sem falar nas comprinhas que nenhuma mulher resiste, pratas, cangas, esculturas em madeira.
Quais sessões de surf foram inesquecíveis para você e para o Pato?
Uma sessão inesquecível para mim rolou em maio de 2005 e esta última em Teahupoo. Marcou por diversos motivos. Primeiro porque um mar naquelas condições não é brincadeira e meu marido estava preste a estar literalmente dentro daqueles monstros. Segundo porque fiquei gravando tudo dentro de um barco posicionado no bafo da onda. Éramos o primeiro barco e a cada baforada da onda nosso equipamento pedia socorro, sem contar os “vôos” que às vezes aconteciam. O risco de o barco virar parecia bem grande. Eu preferia ficar com os olhos colados no viewfinder da câmera a ver a cena daquela montanha se aproximando. E terceiro porque conseguimos cumprir nossa missão. Ele realizou seu desejo de surfar aquele mar e consegui gravar sem tremer os melhores do mundo.
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O que e onde você se amarra mais em filmar?
Gosto de filmar da terra. É bem mas seguro. Quando a fica próxima, gosto de fazer imagens bem fechadas, close total no surfista, onde gravo todos seus movimentos e ate expressões faciais. Parece que estou surfando com eles.
Tudo isso ouvindo as músicas que busco nos vídeos de surf que assisto com o Pato. Nos vídeos, aprendo um pouco sobre diferentes ângulos, conheço mais ondas, atletas, presto atenção na edição etc.
Quais seus projetos?

Meu projeto atualmente é gravar imagens para o Psicopato II. Nas viagens, sempre encontramos vários atletas, gravo toda a sessão e tenho participação em diversos vídeos de surf, principalmente nacionais, bem como programas para tv. Se tudo der certo, esta para rolar uma parceria legal de trabalho num novo canal, onde teremos um quadro semanal das nossas aventuras pelo mundo do surf.
Você já começou a surfar?
Comecei a surfar no Chile há um mês em um beach break perfeito para minhas condiçõess. A princípio estava usando um longboard, mas agora passei para uma prancha 7.6 e ganhei uma roupa feminina que não entra nada de água! O surf é um esporte difícil, em um dia você pensa que evoluiu, no outro parece que desaprendeu tudo!
Quais são as próximas trips?
Pretendemos ficar no Chile até este mês e, de repente, se quebrar um Teahupoo gigante vamos para lá, voltamos para o Brasil e seguimos para a temporada havaiana.
Como vocês lidam com o ciúmes?
Não rola tanto assédio porque não ficamos muito no Brasil. No exterior é tranqüilo, mas ouço muita história das namoradas ou esposas de surfistas. Eu percebo que existe uma idealização das mulheres em relação aos surfistas, acho que pelo fato de eles viajarem o mundo, levarem uma vida saudável e estarem sempre nas mais lindas praias.
Como você analisa o mercado de fimes de surf?
Na minha opinião, o mercado brasileiro esta cada vez crescendo mais e vem evoluindo bastante. Acho que falta um pouco para o brasileiro desse costume de assistir vídeos de surf, mas isso é uma coisa que, conforme surgem novidades, as empresas investem e a procura aumenta. Quem não gostaria de assistir um vídeo com imagens lindas, som legal e com atletas surfando bem?
Quando sai o Psicopato 2?
A previsão para o lançamento do vídeo Psicopato II é a metade de 2007. Na minha opinião, as partes mais legais são os tubos na Indonésia, ondas gigantes em Jaws e Teahupoo gigante. Alem de um roteiro surpresa e imagens para inspirar qualquer ser humano.
Deixe uma mensagem para os leitores.
Minha mensagem vai para todos os surfistas que encontramos nesse mundo que
se dedicam, treinam e querem evoluir na carreira profissional: O mar é o cenário e nossas lentes mostram apenas a trajetória que cada um escolhe seguir. Quem não é visto não é lembrado!
Aloha!
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