O tiranossauro do surf brasileiro

Tinguinha e Marcela na Joaquina, durante o SuperSurf 2002. Foto: Ricardo Macario.

Tinguinha é o surfista mais velho do circuito brasileiro e continua arrepiando. Foto: Ricardo Macario.

O ainda garoto Tinguinha em 78, no primeiro campeonato. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Estilo e pressão. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Desde pequeno surgiu a vocação para voar. Foto: Bruno Alves/Reprodução Fluir 3.

Beto Fernandes e Tinguinha a caminho das ondas em Maresias (SP). Foto: Ricardo Macario.

Surf total no Hawaii durante o Monster Much, em 89. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Tinguinha em Pipeline, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Tinguinha e Paulo Rabello. Foto: Alexandre Andreatta/Reprodução Fluir 3.

Revista Fluir. Foto: Reprodução Fluir.

Os aéreos fazem parte do repertório do atleta desde o início. Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Tinguinha cumprimenta Wagner Pupo ao final de mais uma disputa: companheiros e veteranos de circuito. Foto: Ricardo Macario.

Tinguinha conversa com Jojó de Olivença, outro veterano do surf brasileiro, em Itacaré (BA). Foto: Ricardo Macario.

Caminhada com a esposa em Camburi, onde vive. Foto: Dodô.

Sequência em Ubatuba. Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Revista Trip. Foto: Reprodução.

Tinga posa para campanha de um antigo patrocinador. Foto: Reprodução Fluir.

Orelhinha, Almir, Tinguinha e Feio em Ubatuba, durante o brasileiro de 79. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Ano: 82. Local: Joaquina, Florianópolis (SC). Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Tinga cheio de jinga. Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Batida vertical em Ubatuba. Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Tinguinha na praia do Félix, Ubatuba (SP). Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Emoção em mais uma vitória, com Jojó à esquerda. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

O velho Tinga costuma dar trabalho em qualquer tipo de mar. Foto: Ricardo Macario.

Tinguinha em Bananas Point, São Sebastião. Foto: Dodô.

Aqui ele vira com força num mar de responsa em Saquarema (RJ). Foto: Ricardo Macario.

Tinguinha em 78. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Entocado em preto e branco. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Tinga rasga a parede com força. Foto: Bruno Alves/Reprodução Fluir 3.

Tinguinha comemora o primeiro título paulista profissional, em 78, com Picuruta, Orelhinha e Neno no palanque. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Cavada em Itamambuca, Ubatuba (SP). Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Cutback em Camburi, quintal de casa. Foto: Dodô.

Mais um título para a coleção, cercado pelos irmãos Amaro e Neno Matos, com Taiu à esquerda e Elton Preiss à direita. Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Radicalidade desde cedo. Foto: Alberto Sodré/Reprodução Fluir 3.

Mesmo depois dos 30, Tinguinha continua com surf de grommet. Foto: Arquivo pessoal Tinguinha.

Tubão em Maresias. Foto: Dodô.

Tinguinha em seu escritório de trabalho: a praia. Foto: Dodô.

Alguém conhece maneira melhor de se referir a um “coroa” de 38 anos que ainda compete e dá trabalho à afiada nova geração do surf brasileiro? Com certeza não. O nome dele é Carlos Gonçalves de Lima, mais conhecido como Tinguinha Lima, apelido que herdou do pai, Tinga. Eterno garoto, sempre cheio de energia e modernidade no estilo polido e radical de surfar, ele possui o verdadeiro espírito de Peter Pan e hoje é o surfista mais velho do circuito brasileiro profissional.

 

Nascido em 19 de fevereiro de 64, na cidade de Jacarezinho, Paraná, Tinguinha veio para São Paulo aos 2 anos com os pais, Carmelino Lima e Maria Mendes Lima, para a cidade do Guarujá, litoral do Estado, onde morou até os 30. Foi lá que o garoto franzino começou a praticar o esporte que iria mudar a vida dele e o próprio surf no Brasil. Com 28 anos de surf nas costas, ele foi um dos maiores precurssores do que se conhece por surf moderno.

 

O que a garotada mais radical faz hoje, como dar três aéreos numa onda, aéreo 360 e desgarradas de rabetas, Tinguinha já fazia há vinte anos. Os títulos também acompanham a carreira do atleta desde o início. Em 75 ele começou a pegar as primeiras ondas e, já em 77, ficou em quinto no primeiro campeonato que participou. Começou a competir profissionalmente em 78 e, no ano seguinte, aos 14 anos, se tornou vice-campeão brasileiro. O mesmo aconteceu em 80. Ainda em 78 e 79 foi campeão paulista profissional. Em 82 se tornou campeão brasileiro profissional.

 

Repetiu o feito nos dois anos seguintes – época em que nem havia um circuito nacional -, depois de novo em 90 e 93, quando se tornou o mais velho campeão da história, aos 29 anos, ambos já pela ABRASP (Associação Brasileira de Surf Profissional). Também já integrou a elite mundial, em 94, quando ainda eram os Top 44 da ASP (Association ofSurfing Professionals), mas teve de abandonar tudo devido à problemas particulares.

Quando jovem, Tinguinha tinha fama de rebelde e também ficou conhecido pela difícil relação com os patrocinadores, tendo passado por diversas marcas nos mais de 20 anos de carreira. Além disso, é uma pessoa que possui forte ligação com a natureza – suas caçadas no mato se tornaram famosas na década de 90. Uma das explicações para isso pode ser a descendência indígena herdada da avó, uma representante da tribo Guarani.

 

Sujeito simples e tímido, dono de um sotaque quase caipira, Tinguinha também é duro nas críticas quando o assunto é surf profissional. Para ele, o cenário atual precisa de mudanças urgentes, e é isso que ele pretende fazer no caso de ser eleito o novo presidente da ABRASP, cargo que disputará nas próximas eleições da entidade, ao término da última etapa do circuito, em novembro, na Prainha (RJ).

 

Casado pela segunda vez, há quatro anos com Marcela Gagulim, ele é pai de três filhos, sendo que a mais velha já possui 15 anos. A entrevista a seguir foi feita durante a etapa de Florianópolis (SC) do SuperSurf 2002, entre os dias 28 de agosto e 1 de setembro na praia da Joaquina.

 

Como começou seu envolvimento com o surf?

Comecei pegando onda na praia das Astúrias, no Guarujá, com uma pranchinha de isopor. Depois de alguns anos ganhei uma prancha de fibra de um amigo, que também me ensinou os primeiros passos no esporte, o Zé Roberto “Caiçara”. Na seqüência ele fez minhas sete primeiras pranchas e dois anos depois eu já estava competindo. Ele fazia minhas pranchas, inscrições e atuava como técnico, acompanhando minha carreira.

 

Em quem você buscava inspiração?

 

Na década de 80 eu me inspirei muito no Mark Richards, depois o Paulo Rabello, que era também um amigasso. Ele foi um cara que me espelhei muito. Tinha vezes que eu tava treinando nas Astúrias e meus amigos falavam que ele tava surfando no Tombo. Eu saía da água, ia pro Tombo e passava o dia todo observando ele surfar, porque as manobras, a linha dele era diferente de todo mundo na época. Ele era minha principal referência e é uma pessoa que admiro até hoje e surfa muito ainda, não compete porque não quer. E tenho ele como exemplo de pessoa também fora da água, como atleta. Nunca usou drogas, é uma pessoa íntegra.

 

Como você entrou para as competições?

 

Quando corri os primeiros campeonatos eu era bastante tímido, tinha vergonha de me expor ao público. O Zé Roberto (Rangel, ex-proprietário da Town & Country, falecido há alguns anos)foi quem fez a inscrição no meu primeiro evento, em 77, e fiquei em quinto, como Junior. No seguinte, em 78, era o paulista profissional… Não, acho que corri na Master. Aí ele me colocou pra competir contra os veteranos e venci, fui campeão paulista pela primeira vez em 78. Na seqüência fui vice-campeão brasileiro, em 79, com o Rabello vencendo. E aí foi, nunca programei nada, as coisas foram acontecendo na minha vida. E o mais legal é que nunca almejei o que sou hoje, os títulos, as coisas foram fluindo e eu acompanhei.

 

No final dos anos 70 e meados dos 80 você surfava de uma maneira que ninguém tinha visto antes, fazendo manobras de vanguarda como aéreos 360, desgarradas. De onde você tirava tudo isso?

 

É como eu falei, as coisas foram acontecendo na minha vida, inclusive as manobras. Eu entrava na água às 7 horas da manhã e saía 3, 4 horas da tarde. A prancha fazia parte da minha vida, era uma extensão do meu corpo, minha alma. E eu fazia o que queria em cima dela. Aéreo 360 eu dou até hoje, mas não em competição. Uma vez um juiz disse que eu fazia palhaçada, que aquilo que eu fazia era ridículo. Aí o Kelly Slater foi campeão mundial fazendo exatamente isso, 15 anos depois, com as manobras que o palhaço aqui fazia. Agora eu pergunto: quem era o palhaço, eu ou o juiz? Agora, o que mais me indigna é que esse juiz atua até hoje, trabalha nos eventos do SuperSurf e tá em todas.

 

Mas você se inspirava em alguém?

Não… Eu cheguei até a inventar manobra, mas era uma coisa minha, que vinha de dentro mesmo. À noite, na cama antes de dormir, eu ficava imaginando o que poderia fazer de diferente, pensava na onda… E era incrível, porque muitas vezes eu pensava nisso e no dia seguinte eu tentava executar e conseguia, mas às vezes eu nem queria fazer. Tinha um parceiro meu, o Luis Neguinho, que era chamado de “mister aéreo”, mas ele só fazia aéreo. Eu também dava aéreo, mas criei o “cut-tinga”, que no final do cut-back eu chutava a rabeta e invertia o sentido da prancha. A primeira vez que fiz essa manobra foi em 79, em Saquarema (RJ). O floater, que na época não tinha nome, eu chamava de corridinha no lip. Tinha outra que chamava “slalon”, que era uma batida no lip, aí eu jogava a rabeta e corria de borda na onda, acho que hoje chama “rock-slide”. E também o “lay-back”, uma batida na junção onde eu girava o tronco e inclinava as costas na água, coisas que a gente não vê o pessoal fazendo hoje em dia.

 

Faz um retrospecto da sua carreira, títulos e conquistas.

Fui campeão paulista profissional a primeira vez em 78 e 79 de novo. Aí fui vice-campeão brasileiro em 79 e 80. Nessa época tinham dois campeonatos: em Ubatuba e Guarujá, onde fui vice. Aí em 81 eu sofri um acidente de moto no Guarujá… Bati num ônibus e fui direto com a cabeça, me quebrei inteiro. Fiquei três meses em coma, pouca gente sabe disso… No total foram seis meses me recuperando. Aí voltei a competir e fui campeão brasileiro em 82, 83 e 84. Depois fui de novo em 90 e 93, já pela ABRASP. Em 94 eu fui Top 44 do circuito mundial, mas acabei abandonando por falta de estrutura.

 

Como foi essa fase?

Acabei desistindo porque, na época, eu tinha patrocínio de pranchas do Joca Secco, tinha sido campeão brasileiro no ano anterior, campeão paulista e top 44. Aí, em 94, perdi meu patrocínio, me separei da mulher do meu primeiro casamento e o cara não entregava minhas pranchas, tava competindo há um ano e meio com a mesma, uma 6 pés. Então não tinha condição, tava com a cabeça bem bagunçada e parei de competir em 94, mas voltei em 96.

 

Você ainda tem alguma pretensão de voltar pro WCT?

Vou falar pra você: se eu tivesse um patrocinador que me bancasse no WQS, com certeza em um ano eu estava entre os Top 46. Do que eu estou vendo no circuito, dava pra voltar fácil…

 

Você casou de novo há quanto tempo?

Eu estou casado pela segunda vez já há quatro anos, com a Marcela. Do primeiro casamento tenho três filhos, duas meninas e um menino. Agora eles estão com 15, 12 e 11 anos respectivamente. Mas nenhum pega onda, minha ex-mulher é evangélica e não gosta dessas coisas. Aliás, por conta disso, das brigas e etc, já faz um ano que não vejo meus filhos, resolvi deixar eles quietos lá com a mãe.

 

Sua esposa atual é argentina, certo? Como vocês se conheceram?

Essa é uma história muito interessante. Eu a conheci num campeonato em Mar Del Plata, em 96. Aí ela veio pra cá em 96 mesmo e ficou dois meses. Depois eu fui pra lá e conheci a família dela. Namoramos uns dois anos, ficamos noivos e casamos. Mas teve uma passagem que me marcou muito. Quando ainda estávamos namorando, brigamos e ficamos separados por seis meses, sem ver nem falar um com o outro. Aí fui correr um campeonato na Argentina e fiquei em segundo. Quando uma mulher lá veio me entregar o prêmio, ela tomou o troféu da mão dela e veio entregar pra mim, foi demais, todo mundo aplaudiu (rs). Depois disso a gente voltou e não separou mais. Pretendo ter filhos de novo, até porque não curti a fase legal dos meus filhos, pois estava sempre viajando, competindo… Minha segunda filha nasceu, eu tava na Europa e só fui vê-la depois de 25 dias…

 

Quem são seus amigos pessoais?

Olha, eu tenho poucos amigos de confiança mesmo, dá pra contar em uma mão e sobra dedo… Tem o Zé Roberto (Caiçara), que me ensinou a surfar, tem o João, um amigo que mora perto de casa, e o Pit, um cara de Santos que, quando eu morava no Guarujá, a gente ficava se mordendo, um queria pegar o outro… Aquela rixa Santos e Guarujá, sabe? E hoje o cara é um puta amigo meu, tá sempre junto, pega onda junto…

 

E no circuito, tem alguém?

Não, não… Meu, é difícil… A gente tem companheirismo, não amizade. Existe muita concorrência, a gente viaja junto, fica no mesmo hotel, mas não tem amizade, entendeu? A menos que eu não saiba o que é amizade, mas, pra mim, é o que eu sinto por essas pessoas que citei acima. É quando um deles me liga pra contar de um problema, eu saio da minha casa e vou ajudar, ou quando o cara pede tua opinião sobre um lance importante na vida dele, essas coisas… E vice-versa. Isso eu acho legal, isso é amizade.

 

E a caça, você continua fazendo? Como é essa tua relação com o mato?

Putz, eu parei com isso faz tempo, sabia? Tenho feito muita trilha, levado o pessoal da Florestal pra conhecer o mato, que eles não sabem andar no mato, não sabem nada… Mas isso é um lance muito louco, muito bom. A minha avó é índia da tribo Guarani, sabe, vive no interior do Paraná. Hoje ela vive em casa, mas tem a tribo que ela vai direto. Eu já fui lá com o meu tio, mas saiu todo mundo correndo (rs). Eles não estão acostumados com estranhos. Então eu sou descendente direto, minha mãe ainda é mais… Toda minha família tem essa relação com o mato. Tive várias experiências legais no mato… Hoje, se eu precisar disso pra salvar minha vida, numa guerra, ou algo assim, ta tranqüilo.

 

E como era sua rotina de caçador? Você ia pra caçar mesmo ou tinha outro propósito?

Na verdade eu ia pro mato pra meditar, adquirir paciência. Porque bateria de campeonato nada mais é do que um jogo de paciência. Você tem de vinte a trinta minutos pra pegar quatro ou cinco ondas boas. Então tudo isso era uma terapia pra mim, ficar em cima da árvore, concentrado, esperando o bicho… Muitas vezes o bicho vinha e eu deixava ir embora, porque era uma terapia mesmo. Mas já faz uns cinco anos que não vou mais pro mato caçar. Mas ali eu conheço tudo. Se me largar em Bertioga saio lá em Caraguatatuba.

 

Qual é sua comida favorita? E a que menos gosta?

Gosto muito de churrasco e feijoada, mas como de tudo. Na verdade, não tenho muito o costume de comer frutas, o que acabo substituindo por legumes, nem de beber água. Bebo pouquíssima água no dia-a-dia, às vezes fico até uma semana sem beber um copo de água. Minha mulher inclusive começou a me forçar a tomar chimarrão, pra compensar um pouco. Tamo sempre lá na praia e ela fala: toma, toma um pouco. Ah, e não gosto de comer quiabo, isso eu não me amarro.
 
Qual tipo de som você curte pra relaxar, ou pra ouvir antes de competir?

Gosto muito de sons tipo Enia, Enigma, bons pra relaxar… Mas também me amarro em coisas mais pesadas, como Raimundos, Dazaranha (banda do Sul), e reggaes como Tribo de Jah e vários outros. Mas antes de competir prefiro ficar concentrado, sem música.
 
Você faz algum tipo de preparo físico e/ou dieta alimentar para manter a forma?

Não tenho nenhuma dieta especial, apenas o que como no dia-a-dia… Atualmente pratico caça-submarina e capoeira, que já faço há um tempo, além de surfar sempre que tem onda… Também costumo nadar quando está flat e fazer bastante abdominal, em casa mesmo, pois o abdômen é o lugar que concentra boa parte das necessidades do físico em relação ao surf.

 

O que gosta de fazer quando não está no mar, como forma de lazer?

Quando não tem onda gosto de ficar em casa vendo TV com a mulher, ir ao cinema em Santos… Programas bem família mesmo. Às vezes vamos meio que ‘escondidos’ à São Paulo para passear, pegar um teatro e coisas do tipo.

 

Pratica outros esportes que não o surf?

Eu comecei a fazer snowboard há um ano, na Argentina, graças a minha mulher. Ficamos 25 dias numa estação em Ushuaia, onde uma amiga dela tem uma pousada. A sensação é demais, em alguns momentos é quase como pegar um tubão surfando. Ainda não tenho a base, mas já estou pegando o jeito. Quero praticar mais e evoluir. Também fiz jiu-jitsu durante oito meses e me amarrei. Só que não tem professor em Camburi, temos essa carência lá. Não dava pra ir todo dia pra Santos treinar, então acabei desencanando e estou parado.

 

Qual é sua disposição para pegar ondas grandes? Gosta ou apenas cai em campeonatos? E o Tow-in, já praticou?

Olha, eu realmente gosto de pegar mares grandes. Teve uma época que inclusive pensei em parar de competir para me de dedicar às ondas grandes. A última barca que peguei grande foi para o México, tinhas uns 10, 12 pés. Mas não estou bem preparado para isso agora. Porque para competir tem de ser leve, rápido, né. Já para ondas grandes precisa estar mais sarado, com as pernas mais fortes. Quando começaram a aparecer caras como o Burle, Eraldo, o Resende, falei pra minha mulher: olha aí, posso me dar bem nisso. Mas ela não gostou da idéia (rs). Também não tenho condições de me bancar, pois é um esporte caro, um jet-ski custa cerca de 17 mil dólares. Mas se pintar um patrocínio, posso pensar no caso. O Romeu (Bruno) me convidou pra fazer Tow-in, há uns anos. Teve até uma barca com a equipe dele pra uma laje em São Sebastião que tem uma onda animal, um tubão cabuloso. Eles tavam de jet e todos os equipamentos. Ele chegou a me oferecer a prancha dele, mas preferi ir na remada mesmo. Ali é um bom local pra treinar. Digo isso porque aqui no Brasil só podemos nos preparar para praticar em outros lugares. Infelizmente aqui não existem ondas ideais para Tow-in.

 

E qual foi a maior onda que você já pegou?

Foi no Hawaii, em 89. Peguei um mar em Phanton’s com uns 18 pés. Tava bem grande. Tava o Marcus Brasa, Léo Chinês, Kias de Souza e Eric Miyakawa. Eles caíram e eu fui um tempo depois. Perguntei: pegaram onda? Eles disseram que não, então falei para entrarmos de novo, fiquei botando pilha. Aí caímos e peguei logo uma bem grande, de uns 18 pés. Depois todos se deram bem, foi muito legal. Não vou ao Hawaii desde 94. Depois que tive alguns problemas pessoais, dei um tempo. Mas quero ir em breve, é importante estar no Hawaii. É lá que o surfista projeta seu plano de marketing para o próximo ano.

 

Cite algumas de suas ondas preferidas.

Jeffrey’s Bay, na África do Sul, Winkipop, na Austrália, Puerto Escondido, no México, Backdoor, no Hawaii, Maresias, Camburi e Montão do Trigo, em São Sebastião, Pitangueiras e praia do Tombo, no Guarujá. No Brasil, as mais pesadas são Paúba e Maresias.

 

Um fato marcante na carreira.

Bem, por incrível que pareça foi em fevereiro deste ano, em Camburi, onde moro há dez anos. Já viajei por muitos lugares do mundo, peguei Sunset grande, México grande, mas nunca imaginei que ia passar o sufoco que passei em Camburi. Tomei um caldo nervoso e fiquei quatro ondas embaixo da água… Quando saí, minha língua estava dormente, o corpo todo formigando, vendo estrelinhas… (rs). Pô, eu acho que só agüentei porque estou fazendo treinos de apnéia, senão acho que tinha apagado.

 

Na sua opinião, o que representou a mudança do circuito brasileiro com a entrada do SuperSurf?

Olha, no começo eu gostei da mudança, mas depois cheguei à conclusão de que o Brasil é um celeiro muito grande de talentos, e fechar o circuito para 44 atletas é desperdício. Tem muita gente boa que não está na elite e teria condição de ser campeão brasileiro. Acho que pro ano que vem já pode acontecer de abrir. Pra mim seria bom manter assim, venho aqui, passo duas baterias e tô garantido pro ano que vem. Mas não acho justo. Nem disputo as provas do SuperTrials para dar chance pra galera que ta lá ralando. Teve até uma reunião da ABRASP no começo do ano e falei que achava que quem estava garantido pelo SuperSurf tinha que correr a triagem desde o início, e quem corre o Trials e não tem pontuação teria os pré-classificados pra dar oportunidade pro pessoal. No conselho acharam que eu estava louco.

 

Em quem da nova geração brasileira você apostaria suas fichas como um futuro campeão mundial?

Dos que competem aqui, no SuperSurf, eu aposto no Trekinho. Acredito que ele seja o melhor surfista carioca no momento. Ele ainda é novo, falta experiência de competição, tem que amadurecer. O Bernardo Pigmeu também é muito bom, além do Jihad (Kohdr). E tem uma garotada no sul, entre 8 e 12 anos, que arrebenta. Quando essa molecada crescer, vai ser difícil segurar. Só não fomos campeões mundiais ainda porque os juizes não deixam. Mas uma hora “eles vão ter que nos engolir”.

 

Como você avalia o julgamento dos eventos atualmente?

Esse é um ponto delicado. Eu acho que deve haver uma reformulação geral na forma de julgamento. O que acontece hoje em termos de circuito mundial… Na década de 80 o julgamento mudou por causa do Martin Potter, ele era super prejudicado. Tinha o Dave Macaulay, que fazia a onda certinha, enquanto o Potter era explosivo, dava aéreo e outras manobras radicais e ninguém dava nota pra ele. Então, o que adianta ser um surfista inovador, um talento, e não ter nota? Aí vem o outro, no esquema batida/cutback, batida/cutback, e ganha de você…

 

A que você atribui isso? Acha que os juizes não acompanharam a evolução natural do esporte?

O problema é que não houve uma renovação no quadro de juizes. Os que estão atuando hoje são os mesmos que estavam na minha época de garoto. E se eu sair, se o Jojó e o Pedro (Muller) saírem, eles ainda vão ficar por muito tempo. Então a gente está lutando por uma chapa nova pra mudar isso aí.

 

Explica melhor essa história. É pra concorrer à eleição da ABRASP, no final do ano?

Essa chapa ainda não está totalmente definida, estamos conversando pra definir quem ocuparia os cargos e etc. Mas estamos a fim de fazer uma renovação benigna pro esporte de uma forma geral. Os envolvidos são, além de mim, o Guga Arruda, o Falcão (Pedro) seria uma pessoa, mas parece que não tem tempo, o Bira (Schauffer), aqui do Sul, uma pessoa super organizada e responsável pelos melhores circuitos já realizados no Brasil, o catarinense. Aí o presidente e o vice indicariam os outros cargos… A eleição rola no final do circuito, no Rio de Janeiro, depois da última etapa, na Prainha, acho que no dia 7 de novembro.

 

Quem vota nessa eleição?

O conselho dos surfistas vota, as federações – catarinense, paulista, gaúcha e carioca votam. Quem faz campeonato tem direito de voto, paga taxa pra ABRASP, essas coisas… A gente quer fazer uma mudança no esporte para melhor, tirar essa situação de comodismo. Existem pessoas novas querendo trabalhar, com boas idéias…  Tá bem legal o negócio.

 

E vocês manteriam alguém da atual diretoria no caso de uma vitória?

Algumas pessoas sim, que são influentes e conhecem bastante o esquema, como o Klaus Kaiser, por exemplo. O Pedro Muller também, só depende dele. Precisamos saber se ele quer continuar, quais são os planos dele para o futuro. Entre os juizes ficariam o Papel (irmão do Binho Nunes) e o Paulo Mota. Mas pra fazer essa renovação dos juizes é preciso mudar a atual diretoria da ABRASP, pois são eles que mantém os que estão aí, e há um comodismo generalizado de ambas as partes.

 

O que a nova chapa pretende fazer pra retomar os circuitos regionais do país, que estão falidos e servem de base para o brasileiro e mundial?

Eles realmente são a base para a renovação dos surfistas nos circuitos brasileiro e mundial. Pretendemos dar nova vida à tudo isso, valorizar o surf do jeito que ele merece. Eu chamo isso de incompetência de vender um produto alucinante, no caso o surf. Hoje existe uma pessoa na federação que ninguém aceita, e foi eleita por unanimidade pelas associações locais porque manipulou a votação na Federação Paulista. E essas mesmas pessoas pertencem à APS (Associação Paulista de Surf). Então, eles não têm aceitação no mercado de surfwear e não conseguem elaborar um projeto para vender para outras empresas. Aí ficam batendo de porta em porta e recebem não atrás de não. Enquanto não houver uma modificação nessa diretoria não vai haver campeonato…

 

Você acha que a Abril vai renovar o SuperSurf pra o próximo ano?

Bom, é uma coisa difícil de dizer, porque eu não sei quais são os planos da Abril… Eu acredito que a Volkswagen vai pressionar, porque está lançando um modelo de carro com o nome do circuito (a Saveiro SuperSurf), tem a SunCoast que acabou de entrar como patrocinadora. Mas eu acho que ainda tem muito o que melhorar no circuito. No primeiro ano tava demais, eu melhoraria um pouco a premiação apenas. Eu acho que se você vende um circuito rico, ele será sempre rico, e a recíproca também é verdadeira. Então eles estão vendendo uma coisa pobre e estão enriquecendo sozinhos. Se estivessem vendendo uma coisa rica, ficariam milionários…

 

Mas vender um circuito rico significa vender mais caro?

Sim, mais caro… Suponhamos que a premiação por campeonato fosse em torno de R$ 1 milhão. Ficaria muito mais fácil vender um pacote por R$ 5 milhões. Quanto mais renda de premiação, maior o ganho… Isso é óbvio, se um produto é rico, ele vai valorizar todos os envolvidos. Eu elaborei e estou vendendo um projeto por um milhão e meio, e já existem várias empresas interessadas… E fora do surfwear, é um projeto totalmente desvinculado das empresas de surfwear.

 

Como é esse projeto?

É um campeonato brasileiro de seleções, que aconteceria paralelo ao SuperSurf, com quatro etapas e totalmente independente. Cada Estado entra com dez atletas e um técnico. Acredito que a partir de janeiro já teremos algo em termos de calendário. Na minha opinião, o grande problema da ABRASP é que eles se acostumaram com os patrocínios sempre caindo no colo, mas nunca duraram muito, as marcas acabam sempre caindo fora, não há uma continuidade. Eles nunca foram à uma agencia de propaganda, ou de repente licenciar a marca ABRASP, que é alucinante, pra vender um produto, ter um ganho financeiro em cima disso… Tem tantas coisas a serem feitas, eu não entendo porque não fazem. Eu acho a sede da entidade deve estar em São Paulo e no Rio de Janeiro, que é onde estão a mídia e o dinheiro. Aqui no Sul é tudo muito bonito, bacana, mas falta alguma coisa.

 

Tinga, você já está quase na casa dos “enta”. De onde tira motivação para continuar competindo?

Acho que o amor pelo esporte faz com que você prolongue por muito tempo a carreira, principalmente se você vive do esporte, se é sua profissão. E se você tem êxito, se corre atrás dos seus objetivos, sua vida vai longe.

 

O que pretende fazer quando parar de competir?

É difícil dizer. Eu e minha esposa temos alguns negócios imobiliários em São Sebastião, e também costumo investir em terrenos. Mas não dá pra prever, às vezes a gente planeja uma coisa e acontece tudo diferente. Até 95 tudo o que eu planejei se concretizou, mas de lá pra cá foi rolando tudo ao contrário, então decidi deixar rolar. Tudo vai depender também do que acontecer após as eleições da ABRASP. Mas eu tenho vários planos, e não vou me afastar do surf, isso é o que eu sei fazer melhor. Eu sou presidente da Liga Brasileira, pouca gente sabe que a liga existe, mas ela ta aí. Se não me engano é o único órgão nivelado às federações registrado na Receita Federal, é uma empresa, sem fins lucrativos…

 

Quem integra e o que faz a Liga?

A Liga é como a ABRASP, só que eu não posso fazer circuito brasileiro porque a ABRASP faz. Estou organizando as coisas e pretendo fazer esse circuito (seleções) pro ano que vem, que seria feito pela Liga. Depois quero fazer um campeonato de Masters e, se a Federação Paulista continuar ruim, quero fazer o circuito Paulista pela Liga também. A Marcela, minha esposa, é a secretária, o Renan (Rocha) é o vice-presidente, o Jojó (Olivença) é o tesoureiro e o Guga Arruda é o diretor-técnico.

 

Quero falar de um ponto delicado com você, sobre teus patrocinadores ao longo da carreira. Você nunca parou em lugar nenhum e muita gente te chama de mercenário. O que você tem a dizer?

Cara, você me fez uma pergunta que nunca ninguém fez e eu queria muito esclarecer isso. Vamos começar pelo início. Meu primeiro patrocinador, a OP, foi onde fiquei mais tempo, foram oito anos. Mas acabei tendo que sair porque a marca, do Sidão (Tenucci), de quem sou amigo, tava meio mal. Na seqüência fechei com a Wrangler, fiquei um tempo, aí o Sidão melhorou e voltei pra ele e fiquei mais dois anos. Aí ele quebrou de novo e saí fora, fui pra Sundek, isso em 89. Fiquei quatro anos lá, fui campeão paulista e brasileiro em 90. Na época eu tinha um técnico que sabia tudo o que rolava na equipe, inclusive foi ele que me levou pra equipe. Aí eu tava indo negociar meu salário e fui conversar com ele. Falei: olha, vou pedir tanto, você acha que é muito? Ele disse: não, acho que é ideal, vamos fechar. Aí cheguei na empresa, fomos pra reunião e falei com os donos. Eles concordaram com o valor que eu pedi. Não é que o técnico vira e fala: eu acho que é muito. Isso no meio da reunião. Pô, se os donos concordaram, como é que ele vira e fala isso? Foi uma situação muito constrangedora, porque eu era o patrocinado, ele era o técnico e me levou pra equipe. E eu tava vendo que a gente podia sair na porrada a qualquer momento. Ele era meu amigo, desde 79 viajávamos juntos. Depois de um mês e meio pedi para sair antes que acontecesse isso. Eles chegaram a pedir pra eu ficar, dizendo que desmanchariam a equipe e ficariam apenas comigo, mas não topei. Então saí e fechei com a 775. Tinha um patrocínio alucinante, o dono era uma excelente pessoa. Só que ele contratou um cara chamado Alex, um alemão. Na época eu ganhava um ótimo salário, e esse cara começou a me “tisorar”. Depois de ser campeão brasileiro pela 775, ganhar um carro da marca, eu tava no WCT e tinha que viajar e tal. Aí falei pra ele que o visto pra Austrália demorava pra sair, pra ele agilizar isso pra mim. No dia do embarque, meu passaporte tava na gaveta dele, sem o visto. Não acreditei, e a situação só piorou depois. Um dia, começamos a falar da vida pessoal, falei que ganhava muito bem, e ele não se conformou que um surfista que passava o dia na praia ganhasse dez mil dólares, enquanto ele, que era formado em Nova Iorque, ganhava mil e quinhentos (na época). Começamos a nos estranhar, e como ele ficava doze horas por dia com o proprietário falava o que queria sobre mim, me queimou na empresa. Saí mais uma vez e fechei com a Onbongo depois de um tempo. Depois de um ano e meio lá, me mandaram embora sem nenhum motivo. Eles me pagaram viagens pra Europa, pra tudo quanto é lugar. Quando voltei, fui conversar com o dono, agradecer, dizer como tinha sido e ele nem quis me receber, me deixou três horas esperando e outro cara veio me dizer que ele não ia me atender, que eu tava despedido. Três meses depois, fui pra um campeonato em Recife e vi um pôster gigante com foto minha, camisetas com quadricomia minha… Isso foi em 97. Em 2000, três anos depois, comprei em Santos uma camisa da Onbongo com foto minha. Entrei com processo na Justiça. Aí ele começou a ligar pra todo mundo e queimar meu filme. Teve uma vez que eu tava praticamente fechado com o Álfio (Lagnado), depois de um vice num campeonato Hang-Loose, ele ligou lá e não fechamos, começou a perseguição. Não sei qual é o problema comigo, não fui eu que quis as coisas assim. Fiquei um ano correndo pela The Realm sem receber nada, sabe por quê? Ele falou que não tinha como pagar, eu falei: não tem problema, nós vamos trabalhando, eu te ajudo e quando as coisas melhorarem a gente acerta. É difícil, cara… Isso é uma coisa que eu queria muito esclarecer. Eu nunca tive ninguém, nenhum patrocinador que investisse na minha imagem, que me pegasse e fizesse um trabalho sério, profissional. Tudo o que eu consegui até hoje, os títulos, as vitórias, foi sempre graças ao meu próprio esforço.

 

E como está o patrocínio atual, com a The Realm?

Tá meio complicado. Eles já passaram pro Guga (Arruda) que talvez não renovem pro ano que vem, não sei. Eles me pagam um salário pra fazer free-surf, não querem que eu esteja competindo. Mas também não pagam viagem, então vou ficar em casa fazendo o quê? Pego o dinheiro e venho competir… Preciso arrumar outro patrocínio forte pra ficar estabilizado. E eu me amarro em estar aqui, não consigo ficar em casa. Mas hoje são  poucas as empresas do surfwear que investem em atletas, tirando o Álfio, né. Eles preferem fazer páginas de anúncio, essas coisas. Mas isso acontece porque não se investe em ídolos. E porque não existe uma emissora como a Globo envolvida no negócio, tá faltando isso. Nas reuniões eu sempre falo: tá gastando quatrocentos mil em algum canto? Pega esse dinheiro e paga pra Globo cobrir no Esporte Espetacular, por exemplo.

 

Pra encerrar, tem algum lugar no mundo que você ainda gostaria de conhecer?

Tem, em 27 anos de surf eu nunca fui pra Indonésia nem pro Tahiti (rs). Gostaria muito de conhecer esses lugares, são alucinantes, parques de diversões pra todos os tipos de manobra. Tá faltando um patrocinador pra dizer: vai, vai e se diverte, faz a mala (rs).

 

Algum nome pra levar o SuperSurf esse ano?

Acredito que o Wagner Pupo pode se dar bem. Ele tá bem consistente esse ano, tem bons resultados, está focado e merece.

 

Deixe um recado pra galera.

Acho importante dizer que com dedicação e amor pode se conseguir tudo na vida. E paz de espírito também, isso é fundamental para ser feliz. Se você estiver em paz com você mesmo, com Deus, tudo é possível, e o universo acaba conspirando a seu favor.

 

 

*Colaborou: Salvador Anselmi Neto, Dodô.

 

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    Próxima chamada para o possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) 10.00 x 10.60 Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) 12.83 x 6.84 Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) 15.84 x 3.00 Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) 14.17 x 14.50 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 – Gabriel Medina (BRA) x Italo Ferreira (BRA)2 – Yago Dora (BRA) x Griffin Colapinto (EUA) Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) 5.10 x 10.00 Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) 11.33 x 6.83 Erin Brooks (CAN) 1 – Caitlin Simmers (EUA) 11.33 x 10.26 Bettylou Sakura Johnson (HAV)2 – Molly Picklum (AUS) 8.63 x 7.40 Lakey Peterson (EUA) Final 1 – Caitlin Simmers (EUA) x Molly Picklum (AUS)

    Próxima chamada para possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta sexta-feira (23) às 5h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.