Monster e Capilé fazem Tow-in na América do Sul

Esta entrevista foi feita em Florianópolis, durante um café da manhã na varanda de minha casa, com Rodrigo Resende e João Capilé.

 

O Monster ficou hospedado aqui uns 2 ou 3 meses deste ano, e Capilé sempre vinha tomar um café do forte, que minha cafeteira italiana faz.

 

Um dia, liguei o gravador e fiz essa matéria especial para o Waves. É um bate-papo e dividi em duas partes, a primeira trata de ondas grandes.

 

A segunda parte trata de acrobacias e aéreos que são feitos em ondas menores, que vocês vão ler depois, na próxima semana.

 

Parte 1 – Tow-in em ondas grandes

 

Capilé, quem são os membros da equipe Ocean Riders e qual a função deles?

 

Capilé – Os membros da Ocean Riders South America aqui no Brasil são Dudu Schultz e eu. Monster também participa da equipe. Estamos sempre treinando juntos. Dê da Barra é o responsável pelo resgate e pelos primeiros socorros. No Brasil somos apenas nós, juntamente com Chris Stokler, que mora no Rio de Janeiro e é a nossa big rider feminina. Acredito que na América do Sul é a única equipe que tem uma menina, e ela realmente está disposta a surfar quando o mar sobe. No Peru, tem o Luisfer, seu irmão Kiki de La Torre e Flávio Caporale.

 

A função do Caporale é de assessor de imprensa da equipe?

 

Flávio é um excelente surfista, com uma disposição absurda. Ele gosta de mares grandes. Por trabalhar no Chile e no Peru e ser uma pessoa bem relacionada, a gente tinha colocado ele como assessor de imprensa. Só que na época ele tava muito ocupado e não teve condição de fazer um bom trabalho. O tempo todo existia a cobrança da Lan Chile, que é uma companhia grande e ele é o diretor de marketing. Na verdade, quem está fazendo um bom trabalho de assessoria de imprensa na equipe é a Chris Stokler.

 

Desde quando a equipe treina?

 

A equipe na realidade está reunida desde abril, porque soubemos que ia rolar um swell no Chile. Aí, saí com o Rodrigo Resende de carro. Cruzamos o interior do Brasil, o norte da Argentina, a cordilheira e chegamos no Chile. Descansamos um dia. Se não me engano, no dia seguinte o mar já estava alucinante. Nisso, eu já tinha ligado pro Luisfer, Kike e Flávio. Eles foram de avião nos encontrar no norte do Chile. Depois eles voltaram para o Peru. Rodrigo, eu e Dê, que acabara de chegar, surfamos no outro swell alucinante que foi maior ainda em El Buey, no norte do Chile, na cidade de Arica. É uma bancada outside.

 

Que tamanho de mar vocês surfaram?

 

Mais de 15 pés em algumas séries do dia.

 

E vocês levaram o jet-ski daqui?

 

Levamos o jet-ski na caçamba da caminhonete.

 

Qual foi a dificuldade de levar um jet-ski para lá e fazer Tow-in num lugar que vocês não conheciam?

 

Na verdade não tem muito lero-lero, é o lance de botar na caçamba, encher o tanque e pegar as ondas, né, brother? Porque não adianta nada eu ter um jet-ski e ficar passeando de playboy na represa, ou tirando onda na Lagoa, de tarde com sol bonito. Não é esse o objetivo. Tem gente que tem jet-ski e que em 99% das vezes usa para isso. E a gente usa é para pegar as ondas grandes.

 

E a gente pegou, atravessamos a cordilheira em função daquele swell e daquela época específica, que ia quebrar aquelas ondas lá. E aí foi alucinante, porque Deus abençoou. No dia seguinte em que a gente botou o pé lá, o mar subiu. Aí foi pra 12 pés. O mar nem baixou direito, tinha uns 6 a 8 pés, aí subiu de novo.

 

Então vocês conseguiram executar o Tow-in em ondas gigantes?

 

Não sei se foram gigantes, mas pra América do Sul foram as maiores ondas surfadas esse ano. Ninguém pegou onda maior na América do Sul esse ano, pode ter certeza. 

Vocês foram os primeiros surfistas a fazer Tow-in na região de Arica?
Eu não sei. Tow-in é um lance que tem que ser bem feito pra poder chamar a atenção. Porque um Tow-in feito por quem não tem condição de fazer…

 

De repente, pode até ter entrado alguém de jet-ski num mar pequeno, sozinho e tal. Mas em El Buey nós fomos os primeiros. Apesar de que esse tipo de propaganda não é muito importante. O que importa é a qualidade do que nós fizemos. Eu acredito que nós pegamos todas as ondas do mar. Se não foram todas, foram quase todas, eu, Rodrigo ou o Dê, a gente tava nelas.

 

Depois dessa fase de ondas gigantes quanto tempo vocês ficaram lá?

 

Funcionou mais ou menos assim: uns iam de carro levando o jet-ski, enquanto outros iam de avião. Por exemplo, o Rodrigo foi de carro comigo e voltou de avião pra resolver as coisas dele no Rio. Nisso, chegou o Dê da Barra, que foi do Chile ao Peru comigo. Chegamos no Peru e eu já avisei pro Rodrigo que ia entrar um swell. O Rodrigo pegou o avião e chegou um dia antes do swell. Pegamos o swell. Rodrigo voltou e aí fiquei lá jogado. Depois eu vim trazendo o equipamento de volta e nos reunimos de novo no Brasil. Só entre o Chile e o Peru foram três meses e meio de viagem.

 

##

Rodrigo, fale do mar de Pico Alto. Você disse que o mar era bom, até que uns gringos iam fazer um campeonato lá e não rolou. Que equipe estrangeira ia fazer um evento especial em Pico Alto?

 

Rodrigo – Era o campeonato da Quiksilver de remada. Eles foram de manhã, mas o mar não tava tão bom. Aí, eles não chamaram o campeonato. À tarde, o mar começou a acertar. Nós caímos com o jet-ski. Tava dando 21 pés na bóia e lá tinha uns 15 pés.

 

E foi bem divertido? Que tipo de onda vocês pegaram?

 

Direita e esquerda, longa, parede. Agora, é difícil de pegar um tubo ali. E mais fácil pegar tubo em El Buey do que em Pico Alto. Mas é uma onda boa pra manobrar… Eu ia lá na esquerda, cavava, voltava, já pegava a onda de frente, dava rasgada e ia fazendo a onda até o final. Alucinante! Foi uma das melhores seções de Tow-in que eu fiz na minha vida.

 

Quantas ondas vocês conseguem pegar num dia clássico como esse?

 

Se estivesse remando, acho que pegaria umas cinco ou seis ondas. No tempo que nós surfamos, peguei umas trinta ondas.

Vocês se revezaram nesse dia? O tempo que cada um fica surfando é o mesmo?

 

É, acho que sim. Cada um pilota um pouco.  Depende de cada um. Às vezes, o cara tá cansado, aí vai o outro e assim por diante. Não tem nada programado. Vai quem quiser. Na hora a gente vê quem tá com vontade. Nós éramos quatro: Capilé, Dê da Barra, Chris e eu. A Chris cansou rápido e já saiu. O Dê também. Acabou ficando só o Capilé e eu treinando ali.

 

Capilé, havia outras pessoas no mar?

 

Capilé – Só tinha a gente. Sabe aquele mar dos sonhos, que tu fica esperando, com água verde? Quando a gente entrou tinha um ventinho maral, mas no final de tarde começou a parar. A única coisa que eu senti falta era de mais gasolina. Eu queria poder ficar mais tempo. Pô, não tô brincando contigo! É um momento de alegria que a gente lembra. Eu vinha na velocidade, aí lançava o Rodrigo. O Rodrigo dava a volta na onda, passava do pico da onda, dava uma cavada, chegava no lip, mandava rasgadão, de prancha 6´, brother!

 

Sabe aquelas valas que antigamente a gente mandava dez batidas na beira da água e achava que tava o bicho. Porra, esse dia estava assim, só que com 15 pés, gelatina, a água muito verde, o sol batendo, um astral muito bom. Eu pilotando bem, o Rodrigo também. Eu surfando bem, Rodrigo surfando bem. O Dê surfando bem, a Chris surfando bem, que ela é maior incentivo, é o maior astral, está sempre rindo.

 

E os outros integrantes da equipe?

 

Acho que eles estavam fazendo outras coisas. Eles trabalham vendendo carros.

 

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Vocês já se reuniram num mar grande pra praticar Tow-in?    

 

No swell anterior, em El Buey, todo mundo surfou. No dia anterior em Pico Alto, também tava todo mundo surfando.

 

E quais são os critérios exigidos para ser da equipe?

 

Primeiro a pessoa tem que passar pela avaliação geral do grupo. Pra começar, psicológica (risos). Tem que saber se ele faz parte do movimento cavernista. Se uma pessoa da equipe acha que o cara não deve estar na equipe, ele não vai entrar. Primeiro, pergunto ao Rodrigo, Luisfer, Chris, se a galera for unânime com relação a essa pessoa, se o cara for gente boa e amigo de todo mundo, principalmente, ter surf no pé e gostar de pegar umas ondas grandes, o cara vai estar.

 

Agora, o cara, às vezes pode ser o melhor surfista do mundo, chegou com marrinha, meu irmão, a primeira coisa que ele vai praticar e o sandboxe. É o novo esporte que nós estamos inventando. Toca o cara no alto da duna e boxe nele, pra sair rolando duna abaixo. Até hoje a gente não teve nenhum voluntário.

 

A equipe está fechada?

 

A equipe está fechada até que os membros se reúnam e tenham uma pessoa pra indicar. Acredito que não vá ter muita gente aparecendo, porque é uma equipe de amigos. Acima de qualquer coisa, nós somos amigos.

 

Tem patrocínio? Como é que funciona a equipe?

 

Não tem patrocínio, todo mundo faz por amor. A gente gosta de pegar as ondas juntos. Acho que isso é uma das coisas mais importantes. A gente não envolve dinheiro na história. Se um dia um patrocinador quiser apoiar nossa equipe, ele pode entrar com equipamentos, só que tem uma cláusula que vai ficar bem clara: nós temos autonomia pra tomar todo tipo de decisão.

 

Se nós queremos ou não, se a estratégia de marketing é de um jeito ou de outro, isso tudo cabe aos diretores regionais, junto ao conselho da equipe. Pode até ter um patrocinador, mas quem toma as decisões gerais somos nós, os membros da equipe. Rodrigo está com um jet-ski no Rio e eu tenho um aqui, o Luisfer tem um lá. Todos os jet-skis servem a equipe. Nós somos uma cooperativa de amigos que gosta de pegar onda grande.

 

O que significa a sigla VLOS?

 

Parece até violações, né? Não é não, teoria de playboy, de otário. Nós somos Viralatas do Outside (risos).

 

É isso que está estampado na camiseta do time?

Tá estampado, né, brother? É uma marca pro povão, pros motoboys, os caras da favela, todo mundo vai usar VLOS. Viralatas do Outside, não se esquecem desse nome, porque a galera ainda vai usar muito essa marca.

 

##

A equipe tem uniforme?

 

Nós temos. Cada um toma iniciativa, vai lá, compra umas vinte camisetas, compra a tela. Inclusive a Ação Efeito licenciou a marca Ocean Riders South America. Vai começar a produzir e a gente vai começar a jogar isso no mercado, é uma marca mais social. Ocean Riders South America é pra galera, para o pessoal de um nível melhor. Agora, o VLOS é só pros vira-latas, então, é de quem se identifica com isso. É a galera do bicho pegando, os motoboys, pro cara que não têm dinheiro pra ir no veterinário. O cara é da rua.

 

Depois dessa fase do Chile, você voltou para o Brasil com seu jet-ski e conseguiu fazer Tow-in com ondas relativamente boas aqui em Santa Catarina. As ondas grandes aqui no Brasil são realmente boas comparadas às do Chile e Peru?

 

No Atlântico tem ondas leves, né, brother? Não tem aquele swell do Pacífico. Teve dias aqui no Farol de Santa Marta que chegamos a pegar 10 pés constantes, com as séries de 12, sei lá, várias ondas. Dava três, quatros rasgadas na onda antes dela quebrar. Na minha opinião, foi o melhor dia de Tow-in que eu fiz no Brasil até hoje, cara.

 

E quem tava da equipe?

 

Se eu não me engano, tava eu, Rodrigo, Luisfer, Chris e o Flávio Vidigal, que filmou a gente de fora d’água.

 

Vocês voltaram pra surfar lá no dia seguinte ou na outra semana?

 

Esse foi o primeiro. No segundo swell, voltamos lá e tava o Dê da Barra, Romeu Bruno.

 

Eu quero saber de você, Rodrigo, o que acha do mar do Brasil para praticar Tow-in? Afinal, vocês pegaram um swell generoso de 10, 12 pés.

 

Rodrigo – Acho que aqui no Sul tem um grande potencial. A praia do Cardoso, no Farol, a Ilha dos Lobos (RS) também tem um grande potencial. Tem outros aí, que a gente não gostaria de falar. Saquarema, no Rio, também é muito bom, Fernando de Noronha, que eu ainda não conheço, também parece ser muito bom.

 

Quais os critérios que a praia tem que reunir pra ser boa para Tow-in?

 

Tem que ter fácil acesso pro jet-ski chegar, onda grande de preferência, pode ser fechando, mas tem que ser onda grande e não ter muito surfista na água. De preferência, nenhum.

 

E o vento, interfere muito?

 

De preferência terral, né? O jet-ski é só pra jogar na onda, depois é surf.

 

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E quando o pico tem muita correnteza, também não é problema pra quem está com jet-ski?

 

Nenhum. Com jet-ski é tranqüilo.

 

Praias bem abertas não são um problema. Talvez por isso o Cardoso tenha reunido essas condições?

 

Tava perfeito. Tava lisinho, esquerdas longas e havia algumas direitas também. Poucos surfistas. No segundo swell que nós fomos, tinha uns surfistas remando. Mas nós passamos longe. Ninguém incomodou ninguém. Eles também não incomodaram. Foi tranqüilo.

 

Eu vi que você desenvolve equipamentos de Tow-in. Outro dia notei que fez uma corda pra reboque. Como é que é isso?

 

É que aqui no Brasil tá começando agora. Tem uns quatro anos que começou. Lá fora, já têm uns dez anos. Nós estamos desenvolvendo o material. E um dos maiores problemas que tem no Tow-in é você passar por cima da corda, a corda entrar na turbina, travar o jet-ski e você ficar parado no outside. Aí, eu, Capilé, Tiago, da Pró Naútica, colocamos uma mangueira por fora da corda, assim não entra na turbina e não trava. Comecei a colocar umas bóias na corda. Tem muita coisa que tá sendo desenvolvida… colete salva-vidas, tem muita coisa.

 

O colete teria aquele tubo oxigênio?

Pra surfar uma onda de 100 pés, o oxigênio seria uma boa coisa.

 

Você que já surfou uma onda de 65, 70 pés, acha que seria possível surfar essa onda de 100 pés?

 

Eu acho que sim. Principalmente de Tow-in. Estão falando que vão surfar de foilboard. Mas eu testei foilboard aqui na ilha umas três vezes e achei a prancha meio instável. Não me senti muito seguro nela, acho que me sinto melhor com a prancha comum de Tow-in. Acho que essa onda seria surfável com essa prancha de Tow-in.

 

Que tamanho teria essa prancha de Tow-in específica pra surfar uma onda desse naipe?

 

Em torno de 7 pés, talvez um pouco mais, uma 7´4″ ou 7´5″.

 

E ela tem chumbo?

 

Ela já é pesada e o número de laminações também vai influenciar. Normalmente, lá fora, eles fazem de seis a sete laminações. No Rio, estão usando de três a quatro. Já é um peso considerável. Pra ser mais suave, tem que ter menos laminação.

 

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Você procura fazer Tow-in quando o mar não dá uma condição pra fazer surf de remada, ou isso já não se aplica mais e você tem feito Tow-in pra treinar?

 

Eu sempre fui meio contra Tow-in, mas ultimamente eu tenho praticado bastante, depois que fui convidado e ganhei o campeonato. Vou participar pela segunda vez, então, tenho praticado bastante. Tô afim de entrar em forma no segundo campeonato.

 

Quando vai ser?

 

O período de espera é de 15 de dezembro até 15 de fevereiro.

 

Então você já está prestes a ir para o Hawaii?

 

Exatamente.

 

E o Capilé vai junto?

 

Capilé – Eu tô correndo atrás de patrocinador para ir pra lá. Eu tô vendendo jet-ski e algumas coisas pra poder estar lá. Não adianta treinar e adquirir um nível de pilotagem boa, como é o nível que a gente tá hoje, e ficar pegando ondinha de 15 pés. Isso até pra muita gente pode representar muito, mas a tendência do Tow-in é você se aperfeiçoar. Pô, te dá uma liberdade, uma intimidade com onda grande que se torna muito fácil.

 

Em Pico Alto, na remada, peguei onda durante dez anos. Usava uma 9´6″, uma 9´8″. Hoje em dia, uso uma 6´. Em todas as ondas você vem de trás do pico. Você consegue dar um rasgadão com uma seis zero no bowl de uma onda de 15 pés. Você trabalha muito nas bordas. O Tow-in tem o mesmo princípio que o snowboard, ou você tá trabalhando numa borda ou você tá trabalhando na outra. Ou seja, ou você tá cavando ou você tá rasgando.

 

Isso que vai te dar domínio na parede. Se deixar a prancha fazer o ritmo dela, você cai. Você está num lugar muito radical com uma prancha pequena e é no momento mais crítico da onda. Só que às vezes pode pagar um preço por isso. Com certeza você paga. Aí, é que entra a parte do resgate. Se eu estiver pilotando, tenho que resgatar o Monster. Se ele tiver pilotando, ele tem que me resgatar o mais depressa possível.  

    

Vocês já tiveram alguma situação crítica nos resgates?

 

Lembro que eu cometi um erro sério com o Rodrigo. Pra gente, na situação não era um erro grande. Acredito que tava uns 15 pés, só que a onda tava bem cavada. Nesse momento, eu lancei o Rodrigo na onda, o lip deu uma balançada e o jet-ski ficou pendurado. Eu quebrei o lip da onda do Rodrigo e ele botou pra dentro, foi esmagado, quebrou a prancha no meio. Nessa hora, eu fui passar pra pegar o Rodrigo e a espuma era muito densa, o jet-ski não andava. Aí, eu tive que dar um pouco mais de motor.

 

Eu errei o resgate do Rodrigo e ele tomou uma onda de trás que foi uma onda séria. Sacô? Séria, que eu digo, é pra 99% das pessoas. Pra gente não é séria. Nós temos condições físicas pra agüentar isso. Só que ali, se eu resgato bem numa condição média, eu tô bem pra resgatar numa ocasião mais séria. Como eu errei nesse resgate, me dediquei muito depois disso. Porque eu sei que ele pode estar precisando de um resgate numa onda de 40, 50, 60 pés.

 

E aonde foi, Capilé?

 

Foi em El Buey, no Chile. Inclusive eu queria ressaltar que nesse dia eu botei o Rodrigo numa esquerda só que a onda fechou muito rápido pra esquerda. Ele virou pra direita. Na minha vida, eu nunca vi um tubo no Backdoor em nenhum filme de surf, nem de Sunny Garcia, nem Shane Dorian, um tubo tão grosseiro como eu vi o Rodrigo pegar. Eu lancei ele na esquerda, ele ficou atrasado virou pra direita na última com uma 6’6″.

 

(Continua na próxima semana!)

 

 

 

Agradecimentos à revista Surf X-Pression pela cessão das fotos.

 

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    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

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Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.