Marco Antonio Fonseca, 51, influenciou várias gerações de surfistas em Caraguatatuba, litoral Norte de São Paulo. Dono de um estilo clássico, o legend tem um acervo incrível de fotos e histórias.
Marcão, como é conhecido carinhosamente pela galera local, é o campeão do primeiro torneio de surf da região e um dos pioneiros do esporte na cidade. Ele ainda surfa de pranchinha e possui muitos amigos dos velhos tempos no litoral Norte do estado.
Na entrevista abaixo, concedida ao blog Caraguá Surf Legends, Marcão fala um pouco de sua trajetória, relembra a história do surf em Caraguá e narra passagens inesquecíveis nos festivais de surf dos anos 70 e 80.
Onde e como ficou de pé pela primeira vez em uma prancha?
Foi em outubro de 1975, na praia do Sapê, Ubatuba (SP). Eu morava na mesma rua que o Zé Carlos Carioquinha. Com o tempo, ficamos amigos. Começamos desmontando patins para fabricar nossos primeiros skates. Então, o Carioquinha descolou, não sei onde, uma prancha toda furada e sem bico. Consertamos com massa plástica e no final de semana, fomos até a praia na companhia do Manuele, tio dele. Depois de algumas vacas, consegui remar no tempo certo e entrei na onda. Surfei por aproximadamente 5 metros, foi alucinante. Mas a gente não imaginava que naquele final de semana, daríamos início a história do surf em Caraguatatuba.
Alguns dizem que você foi o primeiro surfista da cidade. É verdade ou lenda?
Eu fui uns dos primeiros surfistas de Caraguá. Não sei se houve um primeiro surfista. Acredito nos primeiros surfistas. Naquela época, ninguém era louco de entrar no mar sozinho.
Quem te incentivou a surfar?
Foi meu primo Ornetes, fera do skate. Em 1972, ele me levou para assistir o Festival Brasileiro de Surf na praia Grande de Ubatuba. Atletas de três estados participaram do torneio, à época, considerado de grande porte. O Rico de Souza sagrou-se campeão. Desde então, me amarrei naquela vibe.
Como conseguiu sua primeira prancha?
Minha mãe foi uma das primeiras corretoras de imóveis do litoral Norte paulista. Ela alugou uma casa de temporada para dois cariocas em 1975. Os caras devem ter arrumado umas gatinhas e imploraram para minha mãe liberar a casa por mais dois dias. Como pagamento, ofereceram duas pranchas. Minha mãe aceitou. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Na hora, saí correndo para comprar o kit surf do momento: bermuda florida marca Primo João, cordinha feita de elástico de calção comprado em loja de tecido e uma meia que a gente amarrava na canela.
E o primeiro campeonato que participou?
Foi no primeiro FISC (Festival Interno de Surf de Caraguatatuba), na praia do Sapê, em julho de 1976. Fiquei com o título e portanto, sou o primeiro campeão da cidade.
Quais foram os campeonatos que marcaram sua vida?
Alguns eventos marcaram minha vida, mas dois foram especiais. Em 1979, corri o primeiro Campeonato de Maresias. Surfei contra atletas de Santos, Ubatuba, São Sebastião, Ilha Bela e São Paulo. Injustamente, terminei na segunda colocação e não me conformo até hoje com o resultado. Outro evento marcante, foi a primeira Copa Imagem de Surf, na praia de Guaecá, São Sebastião, em 1984. Em janeiro do mesmo ano, sofri um grave acidente de moto, acabei sendo operado e perdi um rim. Um mês e meio depois, rolou o campeonato. Surfei muito bem, superei vários profissionais, mas na bateria final, fui rabeado pelo meu adversário na melhor onda do confronto. A organização fez vista grossa e terminei vice-campeão. No meu ponto de vista, eles não gostavam da ideia de um atleta de Caraguatatuba, uma cidade com poucas ondas, vencer os locais.
Para ler a entrevista na íntegra, acesse o blog Caraguá Surf Legends.














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