Quando se fala em veículos de surfe, não há nada mais icônico do que a velha Kombi. O carro virou um símbolo dos aventureiros por décadas – e é por isso que a Volkswagen prepara um novo lançamento.
Meu avô tinha uma Kombi quando eu era novo. Era laranja-escura, com assentos em xadrez. Embora não tivesse ideia na época, acho que o modelo era de meados dos anos 70.
Eu e meu irmão costumávamos brincar em seu interior quando estava estacionada, fingindo que dirigíamos para terras bem distantes. O trânsito era intenso na rua ao lado, enquanto nós pendurávamos nossos braços pela janela, imitando como nosso avô dirigia.
Fingíamos que estávamos passando pelos carros, ao invés de eles passarem por nós. Em nossa imaginação fértil, aquilo parecia real. Ainda posso sentir o cheiro da Kombi – uma espécie de cheiro de vinil cheio de mofo e cozido ao sol, misturado com o antigo café instantâneo que exalava do interior dos armários.
Eu me pergunto ainda o que aconteceu com ela. Quem comprou? O que fizeram? Provavelmente está lá em algum lugar, seja enferrujada em um quintal ou, espero, lindamente restaurada e passeando pela estrada aberta.
De qualquer maneira, a Volks anunciou que estará trazendo a Kombi de volta, mas a data ainda está longe, 2022, e ainda não há previsão de lançamento para o Brasil, apenas para China, América do Norte e Europa.
Mas a novidade positiva é que o carro será elétrico. “A Kombi fez por muito tempo parte do lifestyle dos surfistas”, comenta Herbert Diess, chefe-executivo da Volkswagen. “Agora nós a estamos trazendo de volta, reinventada, como um veículo elétrico”.
De acordo com o site Trucks, as baterias serão montadas no chão da kombi. “O veículo terá assentos multi-variáveis, conectividade interativa e condução altamente automatizada”. A nova Kombi ainda vai possuir dois motores, um para o eixo dianteiro e um para o traseiro.
Com 369 cavalos de potência, será capaz de andar por cerca de 480 quilômetros entre as cargas de bateria e, como as peças dos motores estão cada vez mais pequenas, a VW conseguiu tornar o interior muito maior do que o habitual.
Ainda assim, não é a clássica Kombi – a nostalgia tem um cheiro inebriante, afinal, mas isso não quer dizer que não seja uma ótima homenagem ao passado.
Alexander Haro é editor-chefe do site The Inertia.
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