Kailani Jabour, brasileiro radicado no Hawaii, pode afirmar que nasceu em uma familia surf. Aos 19 anos e filho do big rider João Mauricio Jabour e irmão de Kiron Jabour (eleito pela revista Surfer em 2008 como um dos 20 maiores talentos com menos de 18 anos no mundo), Kailani sabe entubar como poucos atletas da sua idade.
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Ele e o irmão nasceram no Brasil, mas logo se mudaram para o Hawaii, onde moram até hoje e representam a bandeira havaiana.
Nessa entrevista por e-mail, Kalani explica sua herança genética, como é ser rebocado por seu próprio pai em Teahupoo e revela planos e diferenças de morar no Brasil e no Hawaii.
Os pais João e Verônica estão no Brasil ajudando Kiron a se recuperar
de um acidente em Teahupoo, onde ele quebrou a clavícula surfando uma bomba de tow-in em Teahupoo e também participaram da entrevista.
Os pais que pegam onda sonham que seus filhos também se tornem surfistas. Como você começou e onde?
Meu pai é um surf addict (viciado no surf) e antes de eu poder andar ele me colocava em cima de uma prancha. Aprendi a surfar em Kahana Bay no East Shore (lado Leste) de Oahu quando era muito novo e não lembro exatamente a idade. No inicio meu pai me empurava nas ondas até eu não precisar mais da ajuda dele e começar a pegar as ondas sozinho.
Você e seu irmão Kiron nasceram no Brasil, mas representam o Hawaii.Quais os lados positivos e negativos dessa história?
Não tenho muito o que dizer dessa pergunta, afinal não escolhi para as coisas serem dessa forma. As coisas são como são… Eu e meu irmão fomos criados surfando aqui então representamos aqui, onde estamos há mais de 18 anos.
Você é goofy-footer e seu pai e irmão são regulares. Tem briga na hora de escolher os picos de viagem?
Nos tubos que surfamos de direita não senti que você tenha dificuldade para entubar de backside, o que é um grande problema para a maioria dos surfistas…
Nós gostamos de surfar qualquer coisa. Pode ser direita, esquerda, não importa, o que importa é ter onda para surfar. Gosto de entubar de backside tanto quanto de front. Então, na hora de escolher o pico da viagem não tem briga. Se o lugar tiver onda boa está tudo certo.
Enumere todos os países e trips que você se lembra que fez e conheceu.
Costa Rica, Hawaii, Tahiti, Indonesia, Califórnia, Brasil, África…
Como você analisa geneticamente esse seu talento natural e amor de surfar ondas tubulares e grandes ao redor do planeta, um verdadeiro soul surfer, como seu pai, e o contraste com seu irmão que ama a competição? Como conheço sua familia eu vejo essa determinação do Kiron herdado da sua mãe, Verônica, e a paz e tranquilidade do seu pai João…
A vontade de surfar pelo simples prazer é uma coisa que vem do coração. A paixão pelo esporte, o mar e a natureza é indescritível. Não existe nada melhor do que sair de um tubo fundo junto com a baforada.
Fale quais foram os melhores tubos que você já pegou.
O melhor tubo que já peguei foi em Teahupoo e foi uma onda que meu pai me puxou. A onda me deu adrenalina, emoção, felicidade e apreciação pela a vida e a natureza – todos esses sentimentos em uma onda. Fora esse tubo, os meus melhores tubos foram na Indonésia, mas na realidade todo tubo é bom.
No Hawaii os locais te respeitam como local ou ainda rola um certo preconceito mesmo tendo sido criado nas mesmas escolas e picos como eles?
Respeitar para ser respeitado, esse é o lema.
Como você analisa os brasileiros no North Shore; a performance dos brasileiros no WCT e WQS nas etapas havaianas e os freesurfers em dias de gala em Pipeline e Backdoor?
Não tenho preconceito contra ninguém e qualquer um pode pegar a onda do dia e ser o stand out (destaque) do dia. Pipe e Backdoor são muito crowd. /sem dúvida tem caras que conhecem o lugar muito bem e tem conhecimento local. Dessa forma, geralmente saem do mar pegando a melhor ou então raberando alguém para pegar a melhor onda que entrar. Qualquer pessoa de qualquer raça pode ser um excelente surfista, então não necessariamente analiso a pessoa por de onde ela veio e mais pelo como está surfando.
E o tow-in.Pretende levar a sério?
Tow-in, pegar ondas que fica dificil de pegar na remada… Porque não?
Analisando que você hoje mora no Hawaii e a maioria de seus amigos são havaianos ou radicados no Hawaii, ainda assim gostaria de um dia voltar a morar no Brasil?
Gosto muito de onde moro e acho que existem lugares com ondas de melhores qualidade e lugares com menos violência do que o Brasil. Se fosse me mudar para outro lugar acho que não seria para o Brasil. É maneiro para ir e passar um tempo. Acho que a maioria dos brasileiros são pessoas maneiras de conviver e lidar.
Quais seus planos para o futuro como surfista e ser humano? Pretende continuar estudando?
Surf for life (viver para surfar). Vou surfar até não poder mais. Pretendo fazer um curso de edição e talvez fazer filmes. Não sei ainda meus planos, tenho várias idéias e gostaria de fazer muita coisas. Por agora meu único plano é curtir a vida.
Em uma de nossas matérias feitas na Indonésia, um dos internautas comentou o prazer que deve ser surfar com seu filho em condições clássicas como aquelas. Aqui no Brasil os pais costumam curtir um jogo de futebol com os filhos nos fins de semana. Como vocês analisam essa benção de Deus na visão do filho (Kailani) e do pai (João)?
Não existe nada melhor do que poder fazer o que você mais gosta no mundo com o seu pai. Surfar com ele em um dia razoável já é alucinante. Em condições clássicas então, são memórias para o resto da vida.
João – A benção de Deus é poder estar junto com o seu filho seja jogando futebol, surfando, andando de skate ou fazendo qualquer coisa saudável. No meu caso, sou surfista e surfar com eles, seja ondas perfeitas ou qualquer beach break, é muito prazeroso, pois estou fazendo o que amo junto com os meus melhores amigos – os meus filhos.
Verônica, como você se sente filmando e acompanhando a carreira de seus dois filhos e consequentemente do João, que está sempre com vocês? Como é lidar com o mercado, os patrocinadores dos filhos e o que você sonha para os futuros de ambos?
Para mim é uma maneira muito legal de acompanhar a minha família. Posso assim dividir com eles a emoção de cada tubo perfeito e dos lugares que podemos explorar em familia. Filmando eu consigo uma conexão maior com cada um deles e assim nos tornamos uma família cada vez mais unida com um mesmo objetivo, que é não somente podermos ir atrás destes momentos emocionantes juntos, mas também poder registrar na mente, no coração e em nosso arquivo de imagens.
Lidar com o mercado e patrocinadores tem sido gratificante, porque cada vez mais fazemos novas amizades e juntamos o útil ao agradável. Procuramos compreender e tentar ser compreendidos de uma maneira light. Sabemos que eles ainda têm muito pela frente em termos de carreira profissional e que agora é só o começo. É mais que natural os pais desejarem o melhor para os filhos. Meu sonho maior e ver meus fihos felizes com qualquer coisa que eles escolherem para se profissionalizar na vida, contanto que não seja nada que prejudique o próximo. Desejo em primeiro lugar que sejam pessoas honestas, íntegras, de Deus, que nunca sintam inveja de nada, pois este sentimento é muito pequeno. Desejo que possam sempre viver o sonho que eles têm em mente.


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