Esse ano tive a oportunidade de embarcar para minha sexta temporada na Indonésia, onde passei quatro meses vivendo um sonho e dividindo ondas clássicas com meus melhores amigos.
Na ocasião, surfamos ondas ao redor de Bali, Lombok e Java. Foram vários momentos especiais e que estarão guardados na memória para sempre, mas mesmo assim, vale destacar dois momentos inesqueciveis.
1. Padang Padang, a onda mais desejada do arquipélago quebrando clássico com ondas de 6 a 7 pés na série.
Quem já foi à ilha sabe que é praticamente impossível sobrar alguma onda quando o mar está nessas condições. Os locais vão e voltam em todas as da série, não dando tempo e nem chance alguma para o restante dos fissurados que ficam ali, babando e admirando o show, mas sempre na esperança de sobrar alguma.
Surpreendentemete, neste dia, pra nossa alegria, todos eles estavam em um campeonato em outra onde clássica, Super Sucks, e tivemos um dia inteiro de Padang Padang só pra nós. Parecia que eu tinha voltado no tempo, como retratado nas páginas dos livros de Fred D’Orey, onde descreve sessões em Padang Padang, ainda na década de 70, antes mesmo de eu me conhecer como gente.
2. Outro dia inesquecível, que foi ainda melhor do que qualquer Padang Padang, foi em umas das trips que fizemos para Desert Point. Não sei se vou conseguir expressar tamanha felicidade, afinal, estava lá surfando na melhor onda do mundo, na minha humilde opinião, que quebrava entre 5 e 6 pés, estilo filme de surfe, simplesmente perfeito.
A maré estava secando, então resolvi entrar para garantir a primeira da série com a maré seca. Lá estava eu esperando a onda da vida, quando de repente, quando eu não esperava, o mar mudou de tamanho drasticamente. Imediatamente, fiquei de frente com a onda da minha vida. 10 pés sólidos, o horizonte sumiu e remei pela vida, mas não adiantou muito, tomei a primeira onda na cabeça, a segunda também, a terceira, quarta e a última, poucos metros antes de ser arremessado para o Grower, parte da bancada onde a onda dobra de tamanho. Fui arremessado e consegui me recuperar.
Todo surfista já passou por isso, seja na Indónesia, Havaí ou Maresias, mas às vezes traumatiza, outras vezes saímos mais fortes do que entramos. Às vezes da medo, outras vezes rimos. Pra mim, foi medo, pânico e desespero, mas entreguei nas mãos de Deus. Saí da água arrasado, sem ar, fraco, quase desmaiando, mas ao mesmo tempo aliviado por Deus ter me livrado.
No mesmo dia, retornamos para o centro de Lombok, onde pude ligar para as pessoas que amo e dizer o quanto são importantes. Falei com minha namorada e novamente fui atingido por uma onda de 10 pés, mas nessa, entubei com maestria e saí na baforada com a notícia de que seria pai.
O batizado já tem data e local definidos: Desert Point.
Veja abaixo os bons momentos da trip:




















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