José Wilton Evangelista da Silva é uma das novidades na elite brasileira. O cearense de 23 anos está bastante motivado e tem tudo para ser uma das revelações do tour em 2008.
Mas, peraê, quem é esse cidadão de nome estranho? Para quem não sabe, este é o nome de Itim Silva, um dos principais talentos produzidos pelo Nordeste nos últimos anos.
Revelado na praia do Leste Oeste, Fortaleza, Itim é dono de uma linha impecável e sabe executar manobras ultramodernas como poucos.
A vaga na elite foi conquistada de forma emocionante. Depois de descolar a terceira posição na etapa da Taíba (CE), Itim partiu confiante para a Bahia e venceu a prova em Vilas do Atlântico, finalizando o circuito nordestino profissional como vice-campeão.
Para garantir um lugar ao sol no circuito brasileiro, Itim teve de suar muito a lycra no litoral baiano. Caso perdesse na semifinal, a vaga ficaria com o pernambucano Alan Donato, que ficou na areia torcendo para que Bruno Galini derrotasse Itim.
Em disputa eletrizante, Donato viu Itim estragar sua festa nos instantes finais da bateria, quando o cearense achou uma esquerda e aplicou uma rabetada espetacular para arrancar 9.00 pontos dos juízes e ganhar a briga pela última vaga em jogo no circuito nordestino.
Na final, já classificado, Itim era só alegria no duelo com Edvan Silva, companheiro de treinos na praia do Leste Oeste. Mesmo assim, não deu mole ao amigo de infância e fechou com chave-de-ouro a temporada.
Patrocinado pela Surf Brasil, Nocrazy e pranchas Flora, do shaper César Peixoto, Itim Silva tem tudo para brilhar também na elite nacional.
Em entrevista ao Waves, o cearense fala sobre a carreira, a expectativa para a estréia no circuito brasileiro e a emocionante classificação no circuito nordestino.
Quando começou a surfar?
Os primeiros passos, ou melhor, as primeiras ondas no surf foram em 1998, na praia do Leste Oeste, situada no centro de Fortaleza, numa escolinha comandada por dois grandes incentivadores do surf, Fabio Galvão e Valdir Freitas.
Esses caras foram meus primeiros instrutores e técnicos, juntamente com Demétrio Santos, Luiz Carlos e muitas outras pessoas que fizeram com que o Itim Silva fosse competidor e fizesse parte desse seleto grupo do circuito brasileiro. Devo muita coisa a essas pessoas aí, é por causa delas que estou me destacando no surf brasileiro. Agradeço sempre a eles por me darem essa grande força!
Costuma surfar em outras praias?
Quase sempre você pode ver o Itim nas ondas da Leste Oeste, mas gosto muito de surfar nas outras praias do Ceará, como a Boca da Barra, onde também estou morando, na praia do Futuro, Icaraí e Taíba, sempre com meus patrocinadores e amigos Leopoldo Alberto e Nilo Neto.
Isso é muito bom para o desenvolvimento do meu surf porque são diferentes tipos de ondas, e com isso fico mais afiado para as demais condições. Vez ou outra rola uma bateria de brincadeira com eles aí. Nunca ganham (risos), mas é irado (risos)… porque, além de meus patrocinadores, são grande amigos. Eles fazem a família Surf Brasil, obrigado por tudo!
Qual a sensação de ser um atleta da elite brasileira? Já caiu a ficha?
Ainda é tudo muito novo pra mim. Isto é, a ficha ainda não caiu (risos), mas estou muito afim de soltar mesmo o surf nessas etapas do circuito brasileiro. Este ano o formato é bem melhor, pois temos menos atletas e uma nova chance na repescagem. Isso só aumenta o nível do surf brasileiro e deixa a gente muito mais afiado pra correr o circuito mundial em termos de formato de baterias.
Vou encarar este ano como um aprendizado e tentar me manter pela elite para ficar mais forte no tour e, no próximo ano, brigar pelo título. Mas, correndo por fora, quem sabe este ano eu não entro na briga… Estou com equipamentos excelentes do meu shaper César Peixoto e uma estrutura confortável dos meus patrocinadores, a Surf Brasil e Nocrazy. Com isso não me preocupo em ganhar dinheiro para ir a outro campeonatos, e só em focar aquele evento e me dar bem. Isso é fundamental pra um atleta ser campeão.
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Você usou alguma estratégia durante a temporada de 2007? Estava confiante?
Confiante sempre! Posso ter as menores probabilidades possíveis de conquistar uma vaga; se eu tenho alguma chance, vou com tudo para a competição. Pra mim nada está perdido, sempre confiante porque quem está com Jesus no coração está com tudo, e isso me deixa sempre confiante!
Você não se deu bem nas duas primeiras etapas. Chegou a ficar desanimado?
Pois é, não consegui me dar bem nas primeiras etapas, isso ficou meio ruim pra mim porque forçou a ter de quebrar tudo nas demais. Na etapa de Maracaípe tive um resultado meu injusto, né? Todo mundo viu lá na etapa… Nem quero lembrar mais disso…
Na segunda etapa, no Francês, tinha tudo pra dar certo. Concentrado, de patrô novo, pois tinha acabado de fechar com a Surf Brasil, mas ainda tava naquela de querer ganhar dinheiro pra ir a outro ?campe?, aí nunca rendia o verdadeiro surf do Itim Silva.
Depois de muita conversa com os meus amigos, patrocinadores e um técnico que, a meu ver, é um dos melhores do Brasil, o baiano Gabriel Macedo, que sempre me dá altos conselhos e, nesse mesmo campeonato do Francês, me falou que se eu realmente surfar o que sei e focar a vaga no circuito brasileiro, eu tinha vaga certa. Isso tocou a alma. Sabe aquela coisa que você escuta e nunca sai da mente? Seu objetivo é um só, focado e determinado. Esses conselhos foram um dos pontos mais lucrativos pra mim!
Por que você nunca pôde mostrar seu potencial ao Brasil quando era amador?
Isso não é só com o Itim Silva. Já aconteceu com grandes talentos do mesmo local em que surfo, atletas como Edvan Silva, Alexandre Gonçalves, Betinho Rosa e muitos outros novos talentos que existem no nosso estado. É muito simples: a falta de patrocínios, este é o primeiro motivo de eu e muitos outros talentos daqui não terem a chance de competir num Brasileiro Amador, todo um Brasil Tour, e isso às vezes acaba frustando algumas pessoas que param no meio do caminho.
Graças a Deus não foi o meu caso. Sempre acreditei que uma hora ia dar certo porque treino todos os dias dentro e fora d?água, pra sempre aperfeiçoar meu surf e estar onde estou. Graças a muito esforço… Teve até uma época em que quase competia o Brasleiro Amador todo. Foi no ano de 2003, quando fiquei em terceiro lugar na categoria Júnior na etapa do Icaraí, numa final vencida por Wiillian Cardoso, com Dennis Tihara em segundo e Alandreson Martins em quarto.
Esse resultado acabou dando motivos para que o meu patrocinador na época me garantisse que eu iria competir todo o circuito, mas, para poder competir todo o circuito, eu tinha que ficar pelo menos em quinto na próxima etapa, que foi em Maracaípe (PE). Aí, fiquei em quinto na etapa e voltei feliz da vida para casa, achando que tinha garantido minha ida ao circuito inteiro. Só que o patrocinador deu o maior caô e nada de circuito brasileiro. Fiquei meio triste, mas continuei minha jornada, sempre com fé em Deus e surf no pé.
Acha que agora as coisas vão melhorar?
Já melhorou muito pra mim com essa entrada no circuito brasileiro. Este ano vou competir nas etapas brasileiras do WQS, todas as etapas do Brasil Tour, elite brasileira e circuito nordestino. Conto com um suporte muito bom de patrocínio, mas ainda temos muitos talentos surfando em nossas praias aqui no Ceará, sem patrocínio, e ainda falta muito apoio pra eles, mas creio que isso logo logo vai mudar!
Como está a expectativa para a primeira etapa? O que pretende fazer para se dar bem na Joaca?
Nossa… muito ansioso, dormindo e acordando pensando nessa etapa que será a minha estréia, né? A expectativa é de tentar aprender muito, assistir a várias baterias de atletas que admiro muito, como Jano Belo, Thiago de Sousa, Fábio Silva, Wagner Pupo Odirlei Coutinho, entre outro grandes surfistas brasileiros, e nas próximas chegar junto desses atletas aí, que são excelentes surfistas. Vai ser um apredizado este ano!
Sua vaga na elite foi conquistada de forma dramática, praticamente no último minuto daquela semifinal em Vilas do Atlântico. Quando Bruno Galini virou o placar e o tempo foi se esgotando, o que passava por sua cabeça?
Realmente foi muito dramática, porque ali eu teria chance de, em uma bateria, ganhar o ano todo. O mesmo aconteceu numa bateria das quartas-de-final, nesse mesmo evento, contra três grandes amigos – Fabrício Júnior, Adilton Mariano e Michel Rock ? , quando consegui tirar uma nota 9 com duas manobras. Na bateria contra meu outro grande amigo Bruno, era totalente diferente, pois era semi e a pressão era maior, mas eu estava confiante.
Como falei, totalmente focado na vaga, e nos 30 segundos Deus me mandou aquela esquerda salvadora, muito melhor do que a esquerda que peguei nas quartas. Aí, fui logo pro tudo ou nada, soltei o pé e esperei a nota. Graças a Deus, deu tudo certo, consegui ir à final do campeonato e conquistar a vaga!
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Acha que foi muita ousadia executar uma manobra tão arriscada como aquela rabetada ou você tem o costume de ir para o tudo ou nada?
Essas manobras são as minhas favoritas ? rabetadas, carve e aéreo. São as manobras que mais tento aperfeiçoar e isso foi fruto de muito surf, muitos treinos. Uma coisa que foi muito bom pra mim foi ter ido ao Rio de Janeiro no ano passado, quando fui competir nas etapas do Brasil Tour e pude assistir à última etapa do circuito brasileiro.
Eu tive uma ajuda de um grande amigo lá do Rio, o Benjamin, que tem um trabalho muito irado com atletas como Ulisses Meira, Adriano Paiva, Madson Costa, Bruno Brito… um grande projeto que se chama Viva Surfe. Foi muito boa pra mim essa viagem. Rolou muito surf lá, com altas ondas na Prainha, com o Benjamin filmando e corrigindo os erros.
Aí, foi só assitir, perceber onde tava errando na rabetada e consertar. Ele me falou como é bom meu surf, que soltando meu surf poderia ganhar boas notas. Então, é melhor arriscar do que pensar muito. Ou é uma nota 9, ou é 1!
Como foi disputar uma final com Edvan?
Uma das melhores finais da minha carreira foi disputar com Edvan, meu grande companheiro de equipe e de treinos. Posso dizer que é meu irmão, esse cara aí surfa muito e se competisse o tour todo daria muito trabalho mundo afora.
Somos tão amigos que na primeira onda da final, lá em Vilas, a gente remou junto e ele tava na prioridade da onda, poderia ter vindo pra esquerda, aí ele disse ?vai, Itim, esquerda e direita, vamo nessa?. Foi show, ele fez um 6 e eu fiz um 8, acho que na próxima ele não vai mais fazer isso (risos). Foi show aquela final, minha primeira vitória como profissional foi muito bom!
E a disputa da vaga com Alan Donato? Se você perdesse aquela semi, a vaga seria dele, né?
Pois é, se perdesse ali naquela semi tava tudo certo também, porque Donato é um guerreiro que surfa muito e um grande amigo meu. Se eu perdesse ali, a vaga estaria em boas mãos e com certeza iria representar muito bem no circuito brasileiro!
Para finalizar, mande uma mensagem a todos que torcem pelo Itim Silva.
Vou falar poucas palavras. Se você der um pouco de tempo a Jesus, um pouquinho só, ele te dará uma graça do tamanho que você nem imagina. Então, confia nele e o mais ele fará!

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