Felipe Silveira

Duas décadas de Rip Curl

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Felipe Silveira, Indonésia. Foto: Divulgação.

 

 

O surf sempre esteve ligado à sua carreira, ou melhor à sua vida. Começou como atleta, foi competidor profissional, ganhou títulos, chegou a disputar o Circuito Mundial nos anos 80 e início da década de 90. Depois, ao se aposentar das disputas nas ondas, iniciou um novo caminho ligado ao esporte, mantendo-se no ramo.

Primeiro como representante de vendas e depois foi conquistando espaço, subiu cada degrau, cresceu, até chegar a um dos principais cargos no Brasil, o de CEO da gigante mundial Rip Curl.

Para alcançar o estágio máximo, se preparou, estudou (Administração pela Federal do Rio Grande do Sul), conheceu cada setor que envolve seu trabalho. Em abril, o gaúcho Felipe Silveira completou 20 anos de “casa” e a comemoração singela, com um post nas mídias sociais, não reflete a dimensão dessa trajetória.

Nessas duas décadas, ele foi responsável por muitas conquistas, que contribuíram intrinsicamente para o desenvolvimento do surf brasileiro. Talvez a maior delas, a contratação do fenômeno Gabriel Medina, antes de estourar para o Mundo, aos 15 anos de idade.

Numa conversa na sede da Rip Curl Brasil, na Praia da Enseada, em Guarujá, Felipe falou sobre a sua história, sobre a marca e também o mercado brasileiro.

Acompanhe os trechos da longa entrevista (afinal há muito o que contar), concedida ao jornalista Fábio Maradei.

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Felipe Silveira, Rip Curl Grom Search 2013, praia do Tombo, Guarujá (SP) Foto: Silvia Winik.

 

 

O INÍCIO: 

Comecei como surfista profissional por um tempo. Sempre tive muito envolvimento com o surf. Antes de realmente começar a trabalhar nos negócios do surf, viajava bastante para competir. Cheguei a morar nos Estados Unidos em 1986 para competir em campeonatos amadores na WSA. Também morei um tempo na Austrália. Tudo isso me deu uma bagagem diferente, adquiri uma nova cultura, aprendi inglês. Facilitou bastante na hora em que decidi pendurar a lycra. Resolvi me aposentar em 1993, quando conquistei o Campeonato Sul Brasileiro, o meu último título como profissional. Fiz um balanço sobre minha carreira e percebi que minhas possibilidades de crescimento como surfista profissional eram pequenas. Apesar de ter conquistado alguns títulos, ainda ficava distante em relação àquela geração talentosa de surfistas, caso do Fabio Gouveia, Teco Padaratz, Renan Rocha. Eles estavam começando a ingressar no WCT.

 

O ESTUDO:

A partir daí decidi seguir um novo rumo, ainda trabalhando com o surf. Na época, voltei a cursar Administração de Empresas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tinha trancado a matrícula por um tempo. Nos anos 80, eram poucos os surfistas profissionais no Rio Grande do Sul. Essa realidade, aliás, não era muito diferente do que acontecia no Brasil. O surf não tinha o crescimento que tem nos dias atuais, principalmente na questão de patrocínios. Eles aconteciam de maneira muito esporádica. Com algumas exceções, o destino de muitos surfistas gaúchos era seguir a carreira dos pais ou dar continuidade aos estudos. Portanto, concluir um ensino superior foi um caminho natural.

 

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Felipe Silveira, quando ainda era representante comercial da Rip Curl. Foto: Divulgação.

 

NA RIP CURL:

Ao mesmo tempo que estudava, passei a trabalhar com vendas, representando as marcas que já me patrocinavam na época. Quando entrei nesse setor, descobri um mundo de possibilidades de trabalho dentro do surf, que ainda não havia sido explorado, por conta da minha experiência como atleta, aliada à minha vida acadêmica. Em 1994, montei meu próprio escritório, atendendo a essas marcas, até que em 1996, a Rip Curl me convidou para ser o representante comercial no Rio Grande do Sul. Curiosamente, comecei a trabalhar na Rip Curl no dia 1º de abril daquele ano. Tive sucesso muito rápido. Quando ligava para um cliente, eles me reconheciam e ficavam contentes quando eu me apresentava. Sem dúvida, o surf me abriu muitas portas nessa área comercial. Nada melhor que um surfista para estar envolvido com o produto.

 

MUDANÇA PARA SÃO PAULO:

Em 1998, o Rio Grande do Sul já era considerado o segundo melhor mercado da marca. Esse trabalho chamou a atenção da Rip Curl do Brasil e fui convidado para trabalhar como gerente de produto e marketing, em São Paulo. Foi uma mudança radical. Lembro de ter ficado impressionado com o tamanho da cidade, apesar de já ter viajado algumas vezes à trabalho. Tudo era diferente, desde o trânsito até o relacionamento entre as pessoas. Mesmo assim, consegui me adaptar rápido. Era preciso acumular duas funções naquele momento e por algum tempo continuei com a reapresentação comercial no Rio Grande do Sul. Trabalhava em São Paulo, mas de 15 em 15 dias voltava para o Rio Grande do Sul para checar como estavam as vendas. Essa rotina durou por, pelo menos, dois anos.

 

O ENVOLVIMENTO:

Enquanto isso, o meu envolvimento com a Rip Curl ficava ainda maior. Participava de alguns meetings internacionais e foi quando tive a oportunidade de conhecer os fundadores Brian Singer e Doug Claw Warbrick. A marca estava crescendo muito no Brasil e eles passaram a se interessar em adquirir os negócios nacionais. Fui o representante deles nesse processo, fazendo toda essa ponte entre o empresário que tinha a licença da marca no País e a matriz. Em 2000, a Rip Curl Internacional fez uma sociedade e acabou adquirindo 50% dos negócios daqui. Após essa fusão, o crescimento da marca continuou se desenvolvendo até que em 2002 a marca sentiu confiança e adquiriu a totalidade da Rip Curl brasileira, pela confiança no meu trabalho e na fase em que o mercado se apresentava.

 

EM GUARUJÁ:

Em julho de 2002, nos mudamos para o Guarujá e começamos a fazer uma nova operação, com um caráter mais regional. Recebíamos o apoio da matriz internacional e, a partir daquele momento, a marca manteve um crescimento bastante saudável tanto em termos de venda quanto de rentabilidade. Foi quando assumi o cargo de Brand Manager. Em 2007 passei para a função executiva, como CEO, e sigo até hoje, participando inclusive do conselho da marca nas reuniões e representando também os interesses da América do Sul. Agora no começo de abril, completei 20 anos de envolvimento com a Rip Curl.

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Felipe Silveira levou a Rip Curl para perto do mar, no Guarujá (SP) Foto: Divulgação.

 

 

CEO:

Ser CEO da Rip Curl foi uma consequência do meu envolvimento com a marca. Nunca pensei em chegar à posição que conquistei, mas fui descobrindo que tinha potencial. O surf como um todo sempre me atraiu. Talvez por apresentar um estilo mais informal em relação a outras atividades. Era também uma forma de continuar viajando, conhecendo novos picos, além de poder conhecer melhor o mercado que ainda estava se desenvolvendo. Percebia, com o passar do tempo, que era possível trabalhar em diversas frentes da empresa. Meu desejo sempre foi participar ativamente das decisões da marca, aconselhar na hora da contratação de um surfista, sugerir uma estratégia ideal em termos de marketing, organizar eventos da modalidade e assim por diante. Essa trajetória me permitiu ajudar a contribuir no desenvolvimento do surf brasileiro, tendo participação até mesmo no título mundial do Gabriel Medina em 2014. E isso me deixou extremamente feliz e satisfeito. Esse pioneirismo na modalidade foi uma recompensa, pois na minha época de atleta competir em circuito mundial significava apenas passar pela triagem daquela época. Trabalhei muito tempo e sempre desejei ajudar a construir esse sonho. Até me fez voltar ao tempo em que tomei a decisão de fazer parte de tudo isso. Não há dinheiro no mundo, nem posição profissional que substitua isso que pude e ainda posso viver.

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Felipe Silveira, CEO da Rip Curl. Foto: Divulgação.

 

 

EXPERIÊNCIA:

Passar por todas as fases e áreas dentro da empresa é fundamental em qualquer empresa que você trabalhe. É importante ter vivência, saber o que está acontecendo. E eu passei por, praticamente, todos os setores. Minha experiência mais longa, claro, foi na área de vendas. Depois, me firmei bem na área de produtos. A última função que eu exerci dentro da Rip Curl foi de gerente geral de marketing. Lá, foi preciso trabalhar com todas essas frentes de serviço de forma a vender bem os produtos e a imagem da marca. Sem dúvida essas experiências me deram muita qualificação para que eu pudesse chegar ao cargo que ocupo hoje. As coisas mudaram bastante de uns anos para cá, mas a metodologia de trabalho continua praticamente a mesma. Sou eu que apresenta e propaga esses valores da empresa em meetings. A Rip Curl tem essa crença nos valores muito forte, porque os fundadores da marca fazem questão de mantê-los. Senão a maior, a Rip Curl é uma das maiores empresas privadas de surf no mundo. Foi a única empresa que optou por manter o capital privado. Isso deu uma possibilidade da empresa ficar mais próxima dos seus valores, aumentando assim o seu crescimento orgânico, de uma maneira mais sustentável também do que as empresas que acabaram optando por abrir seu capital. Questões como visão, missão são vistas constantemente em cartazes espalhados pela empresa. Divulgamos sempre e damos muita importância para isso.

 

MERCADO BRASILEIRO:

A Rip Curl vê o mercado brasileiro com ótimos olhos. Foi a primeira empresa internacional a investir no Brasil. Em 2000, quando a Rip Curl Internacional comprou 50% do negócio no País, ela foi a primeira empresa internacional a investir por aqui. Em 2002, quando compramos 100% dos negócios, foi também a empresa internacional a investir e a estabelecer uma subsidiária aqui no Brasil. Foi pioneira. Depois vieram outras marcas, como a Billabong, a Oakley, muito depois a Quiksilver. A Rip Curl foi pioneira. E essa visão de investir aqui se justifica pelo fato do François, um dos fundadores, ter sido da ASP Europa. Então ele conhecia bem os surfistas brasileiros, conhecia Teco e Fabinho. Sabia que existia surf de qualidade no Brasil. O próprio Claw e Bryan sabiam da enorme costa e cultura de praia estabelecidas aqui. Eu os trouxe aqui ao Guarujá, conheceram o litoral e na época ficaram bastante impressionados com a cultura de praia, que é o que tem bastante na Austrália. E eles eram visionários, apostaram que o Brasil nesse setor seria uma grande potência. Assim como tem sido até hoje com atletas em Bells, a Rip Curl sempre mostrou essa característica de vanguarda. Sempre oferecendo produtos pioneiros, como relógio com GPS, tecnologia de ponta em roupas de borracha para os surfistas. Essa preocupação com a inovação e criatividade sempre existiu na empresa. A Rip Curl realmente é uma empresa internacional, e isso é mérito total dos fundadores da marca. E eles não param. Estão sempre viajando, conhecendo novas pessoas, pegando a estrada, buscando as melhores ondas. Isso tudo fez com eles tivessem uma visão global dentro dos negócios. Por isso que acredito que as viagens que fiz durante o Circuito Mundial, mesmo na época em que surfava e competia, seja para a Indonésia ou para os Estados Unidos, trouxeram bagagens importantes, porque abre sempre um leque de possibilidades.

 

CRESCIMENTO DO SURF:

Na minha opinião, hoje é difícil você avaliar o mercado brasileiro individualmente. É claro que cada mercado regional tem as suas características, mas hoje é difícil você definir o mercado no Brasil, na Europa. O mercado do surf é global atualmente. Todas as marcas têm operações nos principais mercados do mundo. Existem algumas diferenças pontuais, como por exemplo, nos EUA o mercado do surf é mais antigo, pois começou antes do Brasil. já o surf na Austrália tem uma penetração maior na população, enquanto que na Europa o surf se mistura muito com os esportes de ação, como o snowboard, ski e outras modalidades de prancha por exemplo. Porém esse mercado global do surf está em grande ascensão como esporte. Tanto é que esse foi um dos assuntos que o CEO da Rip Curl mundial abordou na última reunião que tivemos na Austrália. O surf nunca esteve tanto em evidência, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Em qualquer lugar do mundo em que você vá, tem mais surfista na água. É inegável, você pode perguntar para qualquer surfista desde o Canadá até a Argentina, passando pela Europa, Estados Unidos, é unânime: o crowd aumentou. 

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Gabriel Medina e Adriano de Souza fizeram história em Pipeline, no encerramento da temporada 2015. Foto: Kirstin / ASP.

 

OS 2 TÍTULOS MUNDIAIS DE BRASILEIROS:

Influenciaram muito no número de praticantes no Brasil, cresceu bastante. Teve muita gente que não tinha muito interesse pelo surf e viram as vitórias do Gabriel (Medina) e do Adriano (de Souza, o Mineirinho). Esses atletas deixaram o esporte muito mais exposto. Estima-se, nos dias de hoje, um milhão e meio de praticantes de surf no Brasil. É só ver o cenário aqui do Guarujá. Desde quando viemos para cá, em 2002, pudemos também observar essas mudanças. Você surfava no meio da semana, com dois, três, no máximo cinco pessoas no mar. Quatorze anos depois, vemos de segunda a segunda muitos praticantes, são, no mínimo, 50 surfistas em cada praia, independente da condição de surf. 

 

VENDAS:

E se aumentou a quantidade de praticantes, por consequência aumentou também a venda no número de produtos vendidos. Acho que, por isso, temos tido tanto sucesso no mercado, porque somos uma empresa de surfistas para surfistas. A gente faz produtos para o surfista, que são desenvolvidos para a prática do esporte. Você não compra uma roupa de borracha para sair de noite, por exemplo. Ele serve exclusivamente para a prática do surf. Todos os produtos que são para a prática do surf acredito que aumentaram, seja de parafina, cordinha, prancha, enfim. O que existe, enfim, um movimento que é sempre de vai e volta, não é um movimento crescente, é em relação à moda. Elas são simpatizantes, como a gente comenta. E também é a maior parte do faturamento. Hoje se estima que, em nível global, que as vendas de produtos para surf, para a prática do surf são mais ou menos 20%, 25% do mercado. É que os outros 35% do mercado são produtos de confecção e acessórios que não necessariamente são consumidos pelos sufistas e, sim, pelos simpatizantes das marcas e desse estilo de vida. E como qualquer tendência, elas vêm, vão, muitas vezes ficam mais fortes, outras vezes ficam mais fracas. 

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Time Rip Curl exibe a linha de wetsuits Flash Bomb Foto: Divulgação.

 

 

CENÁRIO:

Enfim, o mercado tem se colocado em uma posição bastante complicada nos últimos anos. Por outro lado, muitas empresas tinham expectativa de que esses negócios iriam crescer em uma velocidade e em uma proporção muito maior. Até porque como essas empresas internacionais foram adquiridas por outras de investimento, as empresas querem crescimento. Só que esse crescimento tem um limite, uma velocidade. Por muito tempo, esse crescimento foi rápido demais e também em um montante muito acima que realmente estava acontecendo em termos de número de praticantes. De uma certa forma, acabou dando uma saturação no mercado globalmente nos últimos quatro anos. O mercado não suportou o crescimento que as empresas queriam ou precisavam. Quando você tem muito produto no mercado, distribuído de uma forma não muito adequada, é normal que existam algumas reações. Aqui no Brasil, o mercado continua crescente. Na verdade, a população brasileira comparada à Austrália é muito maior. É claro que a diferença de poder aquisitivo entre os dois países também difere muito, com vantagem para eles, mas o número de habitantes aqui é um diferencial. 

 

CRISE ECONÔMICA:

Ao mesmo tempo, o surf tem muito para crescer ainda. O que não está favorecendo a parte deste crescimento global do mercado do surf é a situação econômica do País. Esse é o grande freio, porque se nós não tivéssemos nesta situação econômica em desequilíbrio, com certeza o surf iria estar em disparada. Aumentaria ainda mais o número de lojas, número de marcas. Teríamos mais surfistas sendo patrocinados, com o maior investimento, mas a crise econômica freia de uma certa forma a velocidade e o potencial de mercado do surf que o País apresenta. Quando falamos de regiões maduras, caso dos EUA e Europa, são exemplos de locais que há muito tempo já trabalham com o surf, que vivem o esporte. Portanto, se tratam de mercados muito estáveis, com economia igualmente estável e um crescimento de 5%, é um crescimento gigante. Mas os varejistas daqui estão tentando se adequar a essa nova realidade para passar por essa fase conturbada da melhor forma possível.

 

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Felipe Silveira, CEO da Rip Curl Brasil Foto: Divulgação.

 

 

DIVERSIFICAÇÃO DE PRODUTOS:

A diversificação de produtos ajuda muito. A gente brinca que, na Rip Curl, é do dedão ao nariz. Temos produtos completos. E essa diversificação é muito positiva, enquanto outras empresas decidiram comprar outras marcas de produtos, fazendo seu portfólio com outras marcas, a gente decidiu colocar todos os produtos em um guarda-chuva, só que é a nossa própria marca. Isso tem as suas vantagens, suas desvantagens, mas no final a gente tem uma linha de produtos bastante completa e, principalmente, uma linha dedicada ao surfista que têm sido um grande diferencial hoje no mercado. A Rip Curl é uma marca que fala mais com o surfista. E esse drive de sempre fazer produtos buscando a satisfação do surfista nos deu uma posição mais estável. Com crise ou sem crise, o surfista vai continuar surfando. Talvez ele não troque a prancha dele todo ano, talvez até diminua a troca de roupa de borracha que veste, mas ele não vai parar a prática do esporte. Quando a crise acontece, quem dá mais uma desacelerada no consumo é o próprio simpatizante, que é aquele que consome o surf pelo modismo. Ou seja, as marcas que dependem muito desse segmento são as que estão sendo mais afetadas pela crise. Estamos aí em mais um ano positivo, com um significativo crescimento. Estamos muito contentes e satisfeitos com o resultado, como as coisas estão se desenvolvendo na Rip Curl. De uma certa forma, olhando alguns anos atrás, estamos colhendo o que plantamos. As pessoas e as marcas colhem o que plantam. Viemos desde 2000, 2002, sempre envolvido com o surf, patrocinando os grandes surfistas. Agora nos EUA, ganhamos cinco prêmios da SIMA (Surf Industry Manufacturers Association). Melhor Roupa de Borracha, melhor bermuda água para o surf, melhor biquíni, melhor campanha de marketing, enfim, ganhamos praticamente todos os principais prêmios da indústria mais competitiva de surf americana, que tem no mundo. A gente conseguiu casar, apresentar o que tem de melhor em uma marca para trazer aos surfistas e os eventos do esporte, sempre também reforçando a qualidade dos produtos com tecnologia, inovação. Quando acontece essa combinação que é implementada com consistência, esse é o resultado do sucesso. E esse sucesso vem desse equilíbrio entre marca, produto e distribuição. É o que estamos fazendo globalmente e regionalmente também. 

 

 

PATROCÍNIO DE ATLETAS:

Quando entrei na Rip Curl, a marca patrocinava o Neco Padaratz até ele entrar no WT. Ele foi o primeiro surfista brasileiro que a Rip Curl aqui, tendo o apoio internacional, patrocinou em uma competição lá fora. Depois, a Jacqueline Silva foi vice-campeã mundial, com o patrocínio da Rip Curl do Brasil. Depois, veio o Yuri Sodré, entrou no WT. O Rodrigo Dornelles, também. Ele estava há anos batendo na porta do WT e aí fechamos o patrocínio com ele, dois anos depois ele entrou no circuito. O Raoni Monteiro também foi a grande aposta da Rip Curl e a grande aposta do surf brasileiro, também esteve com a gente. E o Gabriel Medina, é claro. Não sei se esqueci alguns, mas nós temos uma tradição, desde 1996, de patrocinar os principais surfistas do País. Enfim, patrocinamos o Circuito Carioca de Surf durante quatro, cinco anos. Fazemos o Circuito Grom Search, há 15 anos, o principal circuito sub-16 do mundo. Fora os patrocínios dos circuitos regionais, como do Guarujá. Fazemos também outros patrocínios, com a Associação de Surf de Maresias, através do Gabriel Medina e seu instituto. Há muitos anos, viemos construindo essa estrada, pavimentando esse caminho. Então eu vejo com naturalidade a posição que a Rip Curl tem hoje no mercado. A gente sempre fez isso. Sempre teve consistência do que fizemos, sempre próxima ao surf e ao surfista de uma maneira bem autêntica. Junto com todo esse investimento, também produzindo e distribuindo produtos de extrema qualidade. 

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Gabriel Medina, Margaret River. Foto: WSL / Ed Sloane.

 

 

CONTRATAÇAO DE GABRIEL MEDINA:

No Rip Curl Grom Search, que é um dos eventos mais importantes do calendário brasileiro, foi quando percebemos a importância do Gabriel. Quando entrei na Rip Curl, em 2000, estive na Austrália e acompanhei esse evento e pensei comigo mesmo: Vou trazer esse evento para o Brasil. É o tipo de evento que precisamos ter no País. Precisamos desenvolver a base, essa nova geração do surf. E eu estava à frente, porque na época eu era responsável pelo marketing, que acaba organizando esses eventos. Até hoje organizo, mas antes conseguia comparecer, acompanhar todas as etapas. Vi vários atletas se desenvolvendo no evento, desde o Adriano de Souza carregando a prancha na cabeça ainda, Miguel Pupo, Jihad (Kohdr), Jean da Silva, Filipinho (Filipe Toledo). E foi assim que chegou o Gabriel. Vinha já acompanhando a trajetória dele, enfim, em 2006 ele ainda não se destacava tanto. Competia, participava de finais, mas não tinha uma posição de destaque ainda. Mas depois, começou a apresentar um desenvolvimento no surf de uma forma muito rápida. Aqui no Guarujá mesmo, em frente à minha casa no Morro do Maluf, vi muitos surfistas se destacando, mas que depois de um tempo não se desenvolveram. Então a gente aprendeu muito com esses exemplos, ver como poderiam dar continuidade ao esporte. E como o Gabriel conquistou o título ali no Maluf, na última etapa do Rip Curl Grom Search na época, foi uma coisa que chamou mesmo a atenção, não só minha, mas de quem estava na praia naquele momento. Todo mundo que acompanhava aquela final ficou de queixo caído. Ele surfou de uma forma incontestável, em um nível muito acima dos outros garotos. E era um cenário muito interessante, porque ele surfou junto de três surfistas locais, com torcida contra. O Gabriel não tomou conhecimento disso, foi impecável até a última bateria.  Pelos outros desempenhos em outras provas que tinha acompanhado do Gabriel, que aquela final ele poderia ter um grande talento. Estaria mentindo se eu falasse que via nele um campeão mundial, mesmo porque vi vários surfistas que também tiveram excelentes desempenhos assim, caso do Raoni, começou a aparecer, todo mundo acreditou que ele seria um grande campeão mundial. O talento que o Raoni tinha na época era comparável ao talento que o Gabriel apresentava na final daquele campeonato do Grom Search. Enfim, naquele dia a gente queria recrutar um companheiro de equipe para o Jessé (Mendes) na época. Ter um atleta de mesma idade, procurando se desenvolver e alçar o Circuito Mundial. Foi quando entramos em acordo entre a Família Medina e a Rip Curl, traçamos um plano em como poderíamos chegar e eles com muito mais crença do que a gente, apostaram no nosso trabalho com o Gabriel. Ele, para mim, foi o que eu digo ter sido uma das maiores surpresas que presenciei. Nunca tinha visto um conjunto de talento, com apoio, com crença, confiança. Um plano tão claro do que ele tinha que fazer para chegar aonde queriam. O Gabriel foi o décimo atleta que patrocinamos. O que ele conquistou não foi uma coisa do nada. Foi construída desde 2006 até 2014. E tivemos a sorte de encontrar essa estrela, esse garoto iluminado no nosso evento. 

 

O TÍTULO MUNDIAL:

Foi uma realização, um prazer de trabalho realizado. Não de dever cumprido, mas sabe aquela coisa que você faz bem e você sente que conquistou algo legal? Foi esse o sentimento. Na verdade, quando ele ia para o Havaí, estava antes com ele em Portugal. E foi por aí que chegou o momento em que sabíamos. Sabíamos que ele entrou no WT, que ganhou aquelas duas primeiras etapas, já sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, ele seria campeão mundial. Só surpreendeu dele ter conquistado tão rápido esse título. A maneira como ele entrou no WT, aquele sentimento foi sendo administrado aos poucos, sabe? Para muitas pessoas que não estavam muito próximas do Gabriel, que não o acompanhavam há muito tempo, talvez tenham se surpreendido muito. Mas como estávamos desde 2008 com ele, a gente chegou em 2011 já sabendo que ele iria conquistar o título em algum momento. Estava eu e o Charles (Medina, pai do Gabriel) sentados, nos entreolhamos e dissemos: Vai ser quando? Fizemos então um planejamento de trabalho e, na verdade, aconteceu exatamente como planejamos. 

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Felipe Silveira e Gabriel Medina. Foto: Divulgação.

 

 

O ESTÍMULO:

No primeiro ano de WT, comentamos com o Gabriel que a meta era se adaptar ao circuito, já que ele entrou na metade, coisa que ele fez muito bem, ganhando duas etapas seguidas. Terminou em 11º, 12º do circuito. No outro ano, foi também de adaptação, com muitos aprendizados, ele perdeu bastante porque também foi um ano das contusões. Até que chegou ao terceiro ano. Teve uma passagem interessante que aconteceu aqui (na Rip Curl), onde nos reunimos antes de começar com o trabalho nas etapas. Estávamos eu, o Gabriel e o Charles conversando sobre o que deu certo, o que não deu certo. Em 2014, no ano em que o Gabriel foi campeão do mundo, ele estava voltando de uma lesão no Havaí, tinha ido à Snapper Rocks, ainda não 100%. O Gabriel pouco participa dessas reuniões no showroom, ele fica mais quieto, só fala quando o Charles pergunta algo a ele. E aí estávamos projetando o que poderia acontecer naquele 2014, o que aprendemos nos anos anteriores, e falávamos que o Gabriel estava mais preparado para ser campeão neste ano. E que, agora, o jogo era pra valer. O Gabriel estava sentado, meio que olhando para o teto, e eu passei a pensar em uma forma em que ele pudesse se sentir desafiado. Foi quando falei para o Charles, inclusive: Esse ano de 2014 é o último ano se o Gabriel quiser ser o campeão mais novo de um circuito mundial. Na hora em que eu falei isso, vi a reação do Gabriel. Olhei para o rosto dele. Ele saiu de onde estava sentado, foi para uma outra mesa e percebi que ele ficou bem pensativo, que ele não havia se tocado desse ponto. Como o Gabriel é supercompetitivo, e caiu por si que ele poderia bater esse número histórico do Kelly Slater, vi que mexeu com os brios dele. Essa conversa, com certeza, influenciou muito na dedicação dele ao longo do ano. Ele batalhou muito para chegar a esse título, superar o Kelly. Muitas vezes para o Gabriel não bastava ganhar, era preciso ser o melhor, diferenciado, bater recorde. Acho também que o Charles encontrou essa forma de desafiar ele, motivar mais. Isso que ele conquistou e que vem conquistando não é nenhuma surpresa para nós. Ficamos agora só na torcida, vibrando muito, todos alegres. E tudo isso é uma satisfação para todos da empresa, essa sala aqui que estamos é em homenagem ao Gabriel Medina. Você pode ver que tem as pranchas, os troféus, as conquistas dele. Tem também a bandeira do Brasil, que virou a marca dele, quando saiu na final do Mundial daquele ano na mídia. As conquistas do Gabriel, inclusive, servem de inspiração para os funcionários da Rip Curl. Eu brinco que aqui é a sala da motivação e inspiração. Quando estamos com dúvidas sobre qual caminho devemos tomar, que decisões precisam ser feitas, vamos para essa sala. Porque é lá que veremos os troféus, todas as conquistas juntas. Tem também os vídeos dele aqui, para acompanhar. É um lugar para ter certeza de que tudo pode acontecer, superar. 

 

GABRIEL INFLUENTE:

O Gabriel hoje é, enfim, um ícone mundial. Ainda acredito que um surfista brasileiro não tem a mesma influência que um surfista americano, ou um australiano, por exemplo. O surf está começando a criar esse estereótipo do brasileiro no esporte agora, assim como o Brasil ainda tem o estereótipo do jogador de futebol. Mesmo assim, a forma como o Gabriel surfa e como ele conquistou o título mundial, fez com que conseguisse alcançar milhares de fãs no mundo inteiro. Inclusive, ele é o surfista da atualidade com o maior número de fãs nas mídias sociais, mais até mesmo que o Kelly Slater. Seja pelos Estados Unidos, Havaí, você vai encontrar a imagem do Gabriel Medina nas lojas Rip Curl. Nos Estados Unidos e na Austrália, se utiliza frequentemente as imagens dele em campanhas e tudo mais. Como eu falei no início, o surf está cada vez mais globalizado. É claro que tem a regionalização e um surfista americano vai influenciar ainda mais no seu próprio mercado que um surfista brasileiro, e vice-versa. Mas o perfil do Gabriel tem poder de influência no mercado e também para os demais surfistas da nova geração.

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Gabriel Medina, Neymar Jr. e Carlos Burle marcam presença em clipe sobre a tragédia do Rio Doce. Foto: Reprodução.

 

 

NOVO GABRIEL:

Vamos continuar nessa nossa missão de recrutar, desenvolver e promover os futuros campeões mundiais. Estamos aí com um projeto já na sequência com o Samuel Pupo, que é o irmão mais novo do Miguel. Ele é a nossa nova aposta, já está demonstrando que vai seguir um caminho brilhante. Com 15 anos, foi eleito um dos melhores cinco surfistas da idade dele, busca agora seu espaço na elite mundial do surf. E a gente vai continuar buscando os futuros campeões mundiais onde quer que eles estejam. Além disso, também queremos continuar promovendo o surf, os eventos em desenvolvimento dessa nova geração, do surf pelo Brasil, garantir que os consumidores brasileiros vão ter sempre os melhores produtos, ao mesmo tempo em que tem a nível mundial. Sempre com qualidade e boa prestação de serviço. Também queremos dar sequência a filosofia da marca, que é como chamamos de surfista para surfista.

 

SAMUEL PUPO:

O Samuel, para mim, já é o grande nome do surf. Por muito pouco, ele não venceu a triagem em Bells (Rip Curl Bell Beach), acabou ficando em segundo lugar. Mas o pessoal da Rip Curl internacional já sabe quem ele é, procura saber mais sobre ele. Dentro do Circuito Mundial também já se comenta sobre ele. É um atleta muito determinado, com muita vontade de vencer, mesmo porque ele viu onde o irmão dele conseguiu conquistar, até mesmo o Gabriel Medina, já que os dois são muito amigos. O Samuel com certeza vai entrar na elite e terá boas chances de conquistar o título mundial, principalmente se ele mantiver essa trajetória que ele tem de comprometimento e desenvolvimento, de estar junto aos melhores surfistas do mundo. Não só eu, mas a própria mídia especializada vê que o Samuel Pupo é o próximo dessa geração Brazilian Storm, que está com grandes condições de dar continuidade a esse movimento de surfistas brasileiros.

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Samuel Pupo, Cabarita Beach, Austrália. Foto: Divulgação / WSL.

 

 

PROFISSIONAL REALIZADO:

Me considero um profissional extremamente realizado. Estou feliz com tudo o que conquistei até agora. Vê que uma empresa segue a mesma linha de valores que eu sigo, que me dá condições de continuar desenvolvendo minhas capacidades e também de poder surfar, trabalhando com pessoas do mesmo meio ao qual estou. Mas acredito que ainda tenho muitas coisas para fazer. A Rip Curl, através da minha gestão, ainda poderá dar uma contribuição ainda maior para o mercado e o surf brasileiro. Temos essa responsabilidade não só com o mercado, mas também com os consumidores. Queremos continuar surpreendendo os clientes e os surfistas. Para isso, temos nosso slogan, que é “The search is endless”. Ou seja, a busca pelo melhor nunca termina. 

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    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.