Cheguei a Puerto Escondido, em Oaxaca, México, no último dia 13 de junho, para registrar mais uma temporada. Acompanhado pelos surfistas Kristian Kimerson, Diego Silva, Rafael Teixeira, Cristiano Bins, Bento Cuervo e Silva Nabuco, fiquei sabendo da previsão de um furacão que passaria a 10 quilômetros da costa na noite de sexta-feira, na praia de Zicatela, onde estamos hospedados.
Na sexta-feira já chuvosa, rolou uma sessão de poucos tubos em Zicatela pela manhã e, à tarde manobras e aéreos em La Punta, com o mar subindo.
À tarde, todos imaginavam o que poderia acontecer com a chegada do furacão. Alguns foram ao mercado SuperChe comprar mantimentos, outros só compraram um lanche no Oxxo, quando tudo já estava quase fechado – eu, Rafael e Kristian.
Quando começou a escurecer, lá pelas 20 horas – já que estamos no horario de verão -, todos atenderam ao toque de recolher e foram para suas casas.
Com ventos de 200 quilômetros por hora e uma forte chuva, recebemos – entre 22 e 23 horas – o furacão Carlotta, que chegou causando muita destruição e tristeza ao povo local. Ficamos sem luz, telhados foram arrancados, árvores derrubadas, animais desabrigados e muitos comerciantes com seus negócios literalmente por água e vento abaixo. Uma experiência única e inesquecível para todos, muita tensão e insegurança durante à noite. Muitos passaram a noite acordados.
Ao amanhecer, depois de ter recebido o maior furacão dos últimos tempos, sendo mais forte que o último de 11 anos atrás, todos os habitantes se uniram, inclusive os surfistas brasileiros, que optaram por não surfar – mesmo com bons tubos pela praia -, para ajudar a limpar a cidade para que tudo voltasse ao normal, sendo recompensados com uma porção de tacos (comida local), para o almoço.
Depois da retirada de grande parte do entulho feito pelo furacão, as coisas começam a se normalizar por aqui. O fundo parece estar acertando e temos uma previsão boa para este domingo, com tubos de até 2 metros.
No final, por aqui todos bem. Temos notícias de duas crianças mortas em uma cidade a 70 quilômetros de Zicatela que recebeu o furacão com maior intensidade.


























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