Sabe todos aqueles momentos bons e ruins que uma namorada de surfista passa? Bom, em cinco anos de namoro eu experimentei todos eles. E ainda alcancei um novo estágio, passei de namorada a esposa. Ao invés de ficar na areia fui pra água também.
Sabe aquela história de ficar sempre em segundo plano, de aguentar o mau humor do gato porque o mar tá flat, de ficar horas infinitas esperando na areia (faça chuva ou faça sol) até que ele volte da água ou de ficar rodando de carro e checar umas 5 praias diferentes? É, enfrentei tudo isso. Já fui trocada inclusive nas férias de verão, porque ele foi com mais dois amigos – que também tinham namoradas – em uma Surf Trip pro Peru pegar onda.
Tem coisas que realmente não dá pra entender em um surfista, foram alguns momentos até de crise vou confessar, por achar que o amor que ele sentia por mim não era tão grande do que ele sentia pelo mar. Foi esse um dos motivos de eu querer ir pra água também, justamente pra tentar entender um pouquinho desse sentimento louco que troca tudo por um dia de altas ondas. Eu sabia que só iria entender se fizesse parte.
Desde o cabelo de parafina, o beijo salgado, a disposição de acordar cedo, de enfrentar uma trilha até achar o mar, de comer qualquer coisa à beira-mar, ficar jogado o dia inteiro na praia, e de conhecer todas as praias (com ondas) possíveis. São coisas que pra mim não têm preço e eu não trocaria por nada e mais ninguém.
Foi por isso que eu disse “sim, eu aceito”, porque tinha certeza de que era isso que eu queria para o resto da vida, viver juntos nesse lifestyle, nessa simplicidade e nessa aventura.
No dia do nosso casamento – à beira-mar é claro – que veio a surpresa, ele apareceu com uma prancha feita especialmente para mim. Eu fiquei em choque e desabei em lágrimas, quase sem acreditar. Toda cerimônia foi linda, mas esse foi o momento mais emocionante do nosso casamento, quando eu recebi a maior e mais linda prova de amor que ele poderia me dar. Foi como se ele dissesse: agora somos você e eu, em qualquer lugar e pra qualquer momento. Qualquer declaração de amor que fosse não compensaria essa atitude, o dia mais feliz da vida!
Depois disso começou minha aventura nesse mundão salgado, fomos pro Hawaii na nossa lua de mel, quando peguei minha primeira ondinha! Ahhhh que sentimento é esse? Foi o segundo dia mais feliz da vida de certeza!
E desde então, cada dia mais vou entendendo toda essa gente estranha: os surfistas. Hoje eu procuro roupas de surf pra comprar, peço pranchas de presente e espero cada minuto da semana torcendo para que dê onda no final de semana e que eu possa ir pra água.
Nossa discussão atual é que eu quero ir pra uma praia com ondas proporcionais pro meu “tamanho” e ele quer ir pras ondas grandes, claro.











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