Trip animal

Cachorradas mexicanas

Dê da Barra passeia pelos canudos de Puerto Escondido, México. Foto: Anselmo Venansi.

No mês de julho, entre os dias 24 e 26, bombou um swell gigante em Puerto Escondido.

Clique aqui para ver as fotos

 

Fiquei totalmente em êxtase vendo pela internet as fotos da galera botando pra baixo em Puerto big, very big.

Bateu aquela excitação de voltar a Puerto ainda este ano. Por intermédio de amigos, também fiquei sabendo que estava sendo armada uma barca de surf para Puerto bem naquela época com os surfistas profissionais James Santos, Binho Nunes, Igor Morais e Stephan Figueiredo.

 

Mas, como a vida em Sampa é sempre aquela correria, acabou que não rolou de ir ao mesmo tempo com a galera.

Stephan Figueiredo esbanja disposição em swell de responsa. Foto: Anselmo Venansi.

Umas duas semanas depois, recebi um telefonema do meu amigo Alex Lindenbojn, o “Xan”, me convidando pra ir a Lima fazer as imagens de Pico Alto, pois um grande swell de 6,6 a 8 metros estava chegando no fim de semana.

 

Fiquei bem excitado com a idéia, pois já tive a sorte de ir com Pacelli, Capilé, Formiga, Dada, entre outros, e deu altas morras. Impresionante mesmo.

Quando já estava me preparando psicologicamente para partir em três dias ao Peru, eis que recebo outro telefonema de Alex Miranda me convidando para embarcar a mais uma temporada em Puerto Escondido naquela mesma semana.

 

Partiríamos três dias depois, pois um grande swell chegaria a Puerto Escondido naquele mesmo fim de semana .

Alex Miranda solta o pé em Barra de la Cruz. Foto: Anselmo Venansi.

Foi uma escolha arriscada, pois no Peru podia perder de fazer altas imagens, mas as condições de filmagem e fotografias no Peru são complicadas. Eu me recordo que na última vez que fui pra lá vomitei até as tripas em cima do barquinho que nos levou e ficou na frente das morras comigo e com Dada filmando .

O calor e a possibilidade de voltar a clicar as morras de Puerto venceram a dúvida que ainda pairava na minha cabeça. Preparei o equipamento e comecei a preparação para viajar a Puerto na companhia de Miranda .

Ele me contou no aeroporto do México que Puerto é um dos seus lugares preferidos. A sua primeira temporada foi em novembro de 1992.

 

Alex, Augusto Saldanha e Anselmo Venansi participam de ritual das tartarugas. Foto: Anselmo Venansi.

Ele estava voltando de um ano morando no Hawaii e chegou a Puerto com o surf afiado, e pelo que me contou foi a melhor temporada de todas. Desde então, já voltou 13 vezes a Puerto Escondido.

Eu realmente também cheguei à conclusão de que Puerto é o lugar, é a onda que mais se encaixa no meu trabalho. Fundo de areia como nossos beach breaks, comida parecida com a nossa, hospitaidade latina e as “cervecitas” geladas à beira da piscina todos os dias, na hora em que entra o maral, além, é claro das gringas à beira da piscina dando seu ar de sensualidade. Quem quer melhor do que isso?

Miranda e eu ficamos na maior expectativa do swell aqui no México, pois resolvemos vir pra cá em vez de irmos ao Peru, mas, será que a nossa escolha havia sido boa? Viemos na maior dúvida!

Will encara uma parede nada amistosa em Puerto. Foto: Anselmo Venansi.

Um dia antes de embarcarmos, Xan ligou pra Miranda dizendo que aparentemente o swell já não bateria no México na mesma intensidade que as previsões haviam informado dias anteriores, e isso nos deixou com um carrapato atrás do orelha em relação à decisão que haviamos tomado de ter vindo ao México em vez do Peru.

Porém, nada pode ser melhor do que voltar a Puerto bem na semana em que um swell consistente está previsto em todas as previsões internacionais .

Eu e Miranda já viajamos várias vezes juntos. Na real, nos conhecemos por acaso em Noronha, em janeiro de 2000. Eu estava indo pra lá, e na hora que fechei minha passagem, fiquei sabendo que dividiria o quarto com um tal Alexandre Miranda.

 

Gatinhas esquentam as areias mexicanas. Foto: Anselmo Venansi.

Não o conhecia, porém naquela época ficaria muito mais barato dividirmos um quarto numa pousada bem caseira. Noronha era bem diferente há nove anos.

 

Ainda não havia o luxo das pousadas de hoje e a maioria da galera ficava em pousadas bem caseiras mesmo, enfim, foi alucinante ficarmos juntos por lá e essa viagem nos uniu tanto amistosa quanto profissionalmente.

Desde lá trabalhamos juntos em vários filmes que ele dirigiu e eu operei câmera. Já fomos duas vezes juntos ao Hawaii, três a Noronha e essa é a segunda que viemos juntos a Puerto. Através do surf, criamos uma amizade que já conta com boas estórias pra contar aos filhos.

A nossa chegada à Cidade do Mexico foi bem tranquila. Descobrimos um restaurante bem astral dentro do aeroporto que fornece conexão gratuita à internet. Passamos horas sentados, beliscando especialidades locais e tomando “los liquados mas buenos” que existem!

Embarcamos para Puerto algumas horas depois. Chegando a Zicatela, o mar estava pequeno, porém, as previsões indicavam que no dia seguinte a nossa chegada seria um dia com condições de 2 metros plus, com 5 estrelas na qualidade do swell .

Descobri que o jetleg é algo realmente real. O corpo necessita de ao menos uma noite de descansso. Descobri isso quando mal cheguei ao hotel e já saí correndo pra pular na água. Fiquei nadando uma hora e meia, e na hora em que estava saindo me deu uma cãibra na panturilha esquerda que me neutralizou.

Nunca havia sentido algo tão dolorido na água. Saí mancando com uma bola na panturrilha. Pela dor, sabia que teria de ficar uns dias fora da água me alongando e me preparando para que não me acontecesse algo igual num dia de condições extremas na água novamente .

Fiquei muito feliz quando cheguei ao hotel e reencontrei dois amigos que estavam no mesmo hotel e que havia os conhecido dois anos atrás – Carlos Alberto Bantel, o “Tiozinho”, e Augusto Saldanha, o “Dum”. Foi muita vibe saber que nosso time de brasileiros estava bem incorporado!

Mal chegamos ao hotel e recebemos uma notícia bem bizarra. Bem ao lado do nosso quarto, um mexicanao havia se suicidado dois dias antes de chegarmos. Nosso quarto era separado só por uma parede. Nossa… Quando a galera nos falou deu uma sensação bem estranha, daí decidimos “cambiar de habitacion”, afinal nos próximos dias estaríamos nos arriscando na água, e a vibe de ficar ao lado de um quarto no qual alguém se matou não era muito boa.

Na manhã seguinte, Miranda caiu na água e quando saiu botou uma pilha pra irmos direto a Barra de la Cruz. A rapaziada comprou a pilha e saímos batidos pra Barra com noso amigo Arturo, um dos motoristas que fazem o trajeto de van entre o aeroporto e Zicatela e que também é um dos motoristas que levam os surfistas pra Barra e Salina Cruz, sempre muito engraçado e uma personalidade de Puerto Escondido .

Chegamos a Barra de la Cruz, as ondas estavam bombando atrás da pedra. Apesar de não estar muito perfeito, o swell havia entrado com força .

Antes de cair na água, estávamos sentados em baixo de uma “Palapa”, quando chegou um cara de chapéu de cowboy, camisa social e nos abortou para falar um oi. Por incrível que pareça o cara era brasileiro, se apresentou como Hildson e foi pra água junto com a rapaziada. Infelizmente para ele a session foi abortada alguns minutos depois. Um maluco enfiou a quilha na fish board dele. Apesar de sair decepcionado da água, ele voltou ao carro, pegou outra prancha e foi novamente pra água, daí sim, pegou boas ondinhas.

Ficamos até o final de tarde em Barra de la Cruz e quando comecou a escurecer partimos com Arturo para Puerto de volta. No México, as pessoas não têm o hábito de pegar estrada à noite. Há muitos bandoleiros e várias barreiras militares na estrada, não é uma situação muito agradável ser parado por militares. A última vez que me aconteceu, há uns dois anos, um americano que estava conosco nesse mesmo trajeto Puerto – Barra de la Cruz, teve seu ipod roubado na cara dura dentro do carro durante a blitz!

Acordamos cedinho no dia seguinte, apontado com o maior dia pelos sites de previsão. O crowd havia aumentado consideravelmente, parece que todo mundo veio pra esse swell. O circo do big surf na remada estava armado!

Logo cedinho, o mar já estava bombando. Havia ondas de 2 a 2,5 metros, e quando a série algumas pareciam ter 3,3 metros plus. Um dos destaques na água era o Stephan Figueiredo, ele estava botando pra baixo nas direitas, mas com muita cautela. As condições estavam bem perigosas, mesmo assim, ele era um dos mais atirados como sempre.

Um dos fatores mais especiais da onda de Zicatela, que leva o nome dessa praia de Puerto Escondido, é que o vento é sempre terral pela manhã, e algumas vezes o vento volta a soprar terral à tarde, mas isso já é uma coisa que não se espera, acontece. Já pela manhã, é quase 100% certo de que role o terral, e foi exatamente nos três primeiros dias do swell de 19, 20, 21 e 22 de setembro.

Os dois primeiros dias do swell foram os maiores. Muitas ondas sólidas de 3,3 metros rolaram. Eu arriscaria até dizer que algums de 4 metros também quebraram. Vendo as fotos, tive a impressão de que era maior na foto do que olhando na praia. Eu não caí na água nos três primeiros dias e até que senti que o machucado que fiz com a cãibra na panturilha estava totalmente curado.

No quarto dia do swell, encontramos na praia uma figura super carismática do big surf brasileiro, Dê da Barra, grande conhecedor e dropador de big waves. Eu, particularmente, o conheço bem, pois já fizemos duas temporadas havaianas compartilhando a mesma casa no North Shore.

No fim de tarde, os salva-vidas reuniram muita gente na praia pra colocar as tartaruguinhas no mar. Esse ritual é muito legal; eles esperam nascer as tartarugas, depois colocam todas dentro de uma bacia bem grande com água do mar e esperam até o pôr do sol para soltar as tartaruguinhas no mar. Eles passam uma corda e ninguém pode passar.

 

Aí, eles colocam uma tartaruga na mão de cada pessoa e quando a ordem é dada cada um solta a sua tartaruga e fica olhando até que elas entrem na água e encontrem seu habitat natural. É um momento muito legal que eu felizmente já participei pelo segundo ano consecutivo. O salva-vidas me disse que, em média, a cada 50 tartarugas que nascem, somente cinco chegam à idade adulta.

O mar baixou para 2 metros e a brincadeira na água começou. A galera já estava acostumada com a comida, a força do oceano, e foi no quarto dia que as condições ficaram bem mais bem definidas – vários tubos abrindo tanto de esquerda quanto de direita, mas a esquerda de Zicatela funcionava melhor nesse dia.
 
Saímos da praia quando chegou o maral e tocamos direto pra piscina do hotel Ines pra ficar mirando as muchachas e tomando una cervecita bien helada!

Para quem gosta de surf e de festa, Puerto Escondido oferece todas as opções de divertimento. Parece que quem criou a tal história “Surf todo dia, festa toda noite” acertou na mosca por aqui, viu?!

Apesar de estar no fim das férias européias, as gringas estavam presentes mais uma vez, dando um show de sensualidade na piscina do hotel. Enquanto os gringos ficam sentados lendo livros e desconectados do mundo real, a brasileirada fica só assistindo de camarote ao vai e vem na piscina do hotel.

Vários bares na areia da praia funcionam à noite, rola até uma via sacra noturna. Particularmente, eu gosto muito do Uh Lala e do Sunset Bar, que ficam bem em frente ao Zicatela Bungallows, mas quase todo mundo acaba caindo em um lugar chamado Bar Fly. Quem conhece Puerto sabe bem do que estou falando. Quem nunca veio certamente vai pirar por aqui. A festa é sempre bem caliente, com várias nacionalidades trocando olhares regados a tequila e a cerveja gelada.

No quinto dia do swell, Dê da Barra pegou dois tubos bem na minha frente na água. Certamente foi um dos momentos mais extasiantes da viagem. Este ano a correnteza está muito forte e estou sentindo muita dificuldade para conseguir me posicionar no mar.

 

Uma vez que o swell baixou, preparei meu capacete com a Go Pro do Miranda para fazer umas imagens de video na água. Estava também com a minha câmera JVC e a caixa-estanque Ikelite americana, eu nunca havia utilizado essa caixa.Saí correndo pra fazer o teste do capacete com a  câmera acoplada e me esqueci de colocar um leash na minha caixa estanque!

Cheguei à praia e pude perceber que apesar da correnteza estar muito forte, as ondas não passavam de 1 a 1,5 metros. Fui com tudo para a água e quando cheguei ao outside perguntei a Miranda se ele gostaria de utilizar o capacete pra fazermos um duplo ãngulo de vídeo. Eu filmando ele vindo e ele filmando com o capacete a trajetória em minha direção. Porém, bem no momento em que soltei a câmera para abrir com as duas mãos o capacete, num piscar de olhos minha caixa estanque havia sumido!!! 

Normalmente, todas as caixas que tive na minha carreira boiavam, essa infelizmente não boiava!! Tentei mergulhar imediatamente assim que vi que a câmera havia afundado, todos que estavam próximos também soltaram as pranchas e tentaram mergulhar juntos comigo, porém a correnteza era muito forte e a água estava totalmente turva em decorrência das chuvas que estão caindo todos os dias por aqui. Isso fez com que a câmera e a caixa estanque partissem para as mãos de Netuno!

Saí da água desconsolado. Essa é a primeira vez que algo assim me acontece ou mesmo que eu ouço falar, pois normalmente todos os fotógrafos de surf e cinegrafistas perdem seus equipamentos devido à agua entrar na caixa estanque e molhar todo o equipamento. Mas, perdê-la assim dessa maneira tão estúpida, poxa, acho que só aconteceu comigo mesmo…

É engraçado como as coisas acontecem na vida. Tudo parece ser um aprendizado, e às vezes, quando não estamos conectados 100% no que estamos fazendo, coisas terríveis podem acontecer, por isso acontecem tantos acidentes de trabalho. Acredito que se o mar estivesse grande e perigoso, eu jamais teria entrado na água sem um leash na minha caixa. É sempre em mares pequenos e em situações de tranquilidade que damos mole ao azar!!! Eu paguei caro pelo meu descuido!

Enfim, como a vida continua, temos que levantar a cabeça e seguir em frente. Foi difícil e doeu o que rolou, principalmente porque todas as imagens de vídeo que havia feito durante o swell de cinco dias ainda estavam no hard disk interno da câmera!!! Poxa, foi difícil acreditar…

O mar baixou geral e a galera começou a fazer as malas para partir de volta pra casa. Eu ainda não terminei minhas cachorradas aqui pelo México. As imagens estão aí para exibir um pouco dessa vibe que rola aqui em Puerto.

Aparentemente há outro grande swell chegando nos próximos dias. Alex Miranda partiu, mas eu e Dê da Barra estamos aqui mais alguns dias pra garantir presença dos perros brasileños nas olas e na fiesta mexicana.

Arriba arriba!

 

Para saber mais sobre o trabalho de Anselmo “Cachorrão” Venansi, acesse Sua Foto de Surf.

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.