
Nas últimas semanas tem sido constante o avistamento de baleias Jubarte (Megaptera novaeangliae) ao longo da costa de Itacaré, na Bahia.
Muitas sessões de surf foram contempladas com a presença desse gigante ameaçado de extinção, acompanhado geralmente de seu filhote, não muito longe da linha de arrebentação, para delírio da galera que vibrava a cada borrifada.
Essas baleias podem medir 16 metros e pesar até 40 toneladas. Como já é conhecido, nesta época do ano esta espécie procura principalmente as águas quentes e rasas do litoral da Bahia para parir seus filhotes, amamentá-los ou acasalar, onde sua principal área de concentração é o arquipélago de Abrolhos.

Estudos recentes indicam uma provável recuperação das populações desta espécie, pois a sua caça está proibida no Brasil desde de 1963. Estima-se que na primeira metade do século passado foram mortas aproximadamente 100 mil jubartes no hemisfério sul.
Elas eram caçadas devido ao alto valor comercial de seus sub-produtos, principalmente o óleo extraído de sua gordura que era usado para iluminação de diversas cidades brasileiras e também exportado para Europa.
Entre 1903 e 1994 aproximadamente 2 milhões de baleias foram caçadas ao redor do mundo, principalmente nas regiões polares. Estimativas apontam que 95% da população original de baleias jubartes foram mortas.

Ainda hoje, apesar de leis internacionais de moratória a caça das baleias, elas continuam sendo caçadas artesanalmente por povos aborígenes e comercialmente por países como Noruega, Japão e Rússia.
As baleias Jubarte podem estar voltando a ocupar antigas áreas de concentração dentro de seu limite de distribuição geográfica, tais como Fernando de Noronha, Praia de Forte, região metropolitana de Salvador e Itacaré entre outros locais, fato este que tem sido percebido entre os pescadores e surfistas também.
Elas ocorrem em nosso litoral até meados de novembro, onde após esse período migram para as águas geladas do verão Antártico para finalmente se alimentarem principalmente de krill (pequeno crustáceo parecido com o camarão), pequenos peixes que formam cardumes e outros pequenos crustáceos. Chegam a armazenar energia em forma de gordura corporal o equivalente em até um terço de seu peso total.
Aproveitando a ocorrência destes visitantes ilustres, empresas de ecoturismo vêm desenvolvendo saídas periódicas para observações das baleias (Whale Watching). Esta atividade arrecada milhões de dólares ao redor do mundo anualmente, provando mais uma vez que, além do valor ecológico da sobrevivência das diversas espécies de baleias, existe o valor econômico e conseqüente oportunidade de emprego para as comunidades costeiras envolvidas.
Essa atividade vem crescendo em muitos países, como conseqüência direta do fim da caça e aumento gradual das populações de várias espécies, permitindo que um número crescente de pessoas tenha contato com esses imensos e fascinantes seres em seu próprio hábitat.
Clique aqui e confira galeria de fotos.