Coluna do Bob: Melhoria Contínua

No meio, Alessandro “Amendoim” Matero (prancha preta), fechado e pressionado por atletas da categoria FUN RACE – Foto: Tati Santoro Na coluna dessa semana, Bob de Araujo avalia a primeira etapa do circuito brasileiro de SUP race realizada no último sábado, na cidade do Rio de Janeiro, e convoca os atletas e empresários a refletirem sobre a necessidade da criação de uma categoria race 12’6″ amadora. Confira. Por Bob de Araujo (*) É com a foto acima que eu inicio a coluna dessa semana. É somente com a experiência que iremos aprender e consertar o que não deu certo. E temos pelo menos duas formas de adquirir tal experiência: a primeira viria pelo conhecimento transmitido por aqueles que já passaram por isso; e a segunda seria de forma própria, entre erros e acertos. Falo isso porque o circuito brasileiro de SUP RACE estreou com chave de ouro (veja a cobertura completa do supclub.com.br aqui) não fosse por, a meu ver, três pontos. O primeiro deles é não dar a devida importância à largada. Na minha opinião, uma boa largada é fundamental se o seu objetivo é subir ao pódio.  Qualquer vantagem é difícil de ser recuperada e, por isso mesmo, não existe melhor vantagem para o atleta que a tal da boa largada, já que a diferença de performance entre os primeiros colocados se espreita cada vez mais. Na foto acima vê-se o atleta de elite, Alessandro Matero, tendo à sua frente um atleta amador, remando deitado, em disputa com ele pelo avanço de posições na largada. Em provas estrangeiras, como o Battle of the Paddle, as categorias largam de forma diferenciada justamente para evitar “apertos” como esse. É natural… Somos competitivos por natureza. Não adianta pedir educação na hora da largada, nem tentar convencer que não vai ser uma boa largada que irá definir a prova, porque não adianta… A buzina que toca é o sinal para o “estouro da manada”. O segundo negativo que eu gostaria de destacar se dá por e em decorrência desse acontecimento. Alguns atletas manifestaram que a largada da areia iria causar esse tipo de entrave justamente pelo posicionamento da primeira bóia estar perto demais da linha de largada. Eu mesmo considerei manifestar sobre isso no briefing da prova, mas a direção da prova foi categórica em afirmar que esse ponto já estava decidido e não seria passível de reconsideração. Diante disso, e em respeito e reconhecimento à autoridade do nosso presidente da ABSUP, tolhi-me de manifestar oposição à largada daquela forma. Fiz isso até por uma falta nossa. Uma falta nossa em representatividade. Uma falta nossa de eleger um representante dos atletas para, em momento como esse, fazer valer-se de sua prerrogativa e representar o interesse dos atletas que o elegeram. Diz o Livro de Regras da ABSUP que “Não haverá taxa de Filiação no Circuito PROFISSIONAL do ano 2012, todo atleta que competir em eventos do circuito brasileiro será automaticamente filiado.”. Concordo pouco ou nada com isso. Como todo esporte, devemos ter uma taxa de filiação, afinal, um dos propósitos da taxa de filiação é o de separar e garantir a representatividade dos que pretendem correr o circuito todo daqueles que o farão por uma única vez. Aliás, em vários esportes, a filiação, que não é compulsória para o atleta que participa de um único evento, passa a sê-la na medida em que este inscreve-se para uma segunda etapa. O terceiro e último ponto a destacar é o meu entendimento de que estamos com um “buraco” nas nossas categorias. O caminho natural para o supista que está começando nas RACES é o ingresso na categoria FUN RACE. Tá, esse sujeito supista participou de uma prova; gostou daquilo; e decidiu que quer ir em frente nesse negócio de remar até a exaustão… Qual é o caminho dele: – comprar uma prancha 12’6 RACE e ir para a categoria 12’6 RACE AMADOR? Ou continuar com a sua prancha de SUP SURF na categoria FUN? Claro que vai ser continuar na FUN!!! Afinal, não temos a categoria 12’6 amadora… Ou alguém acha mesmo que o cara que aprendeu a remar a pouco tempo vai, do dia pra noite, deixar o Animal à perder de vista… Lógico que não! E o mercado deixou de crescer porque menos supistas viram-se interessados em fazer parte deste nicho (12’6 AMADOR). O tiro pela culatra se dá na medida em que teremos daqui pra frente supistas “profissionais de FUN RACE” tirando o lugar daqueles recentes no esporte e que poderiam subir ao pódio para receber uma medalha. Sou contra um circuito de FUN RACE justamente por isso. A meu ver, a categoria de FUN RACE é para estimular os supistas locais. Ranquear essa categoria é ir contra isso… Devemos abrir, sim, uma categoria 12’6 AMADORA. Sem demagogia, eu me encaixaria muito mais nessa categoria do que numa profissional; afinal, não vivo disso e o meu dia não é exclusivamente dedicado à isso. Se fosse para apostar numa previsão, eu colocaria meu dinheiro na hipótese de que a categoria UNLIMITED vai esquentar com vários dissidentes da 12’6 RACE PROFISSIONAL. Atenção para o que diz o Livro de Regras da ABSUP: “Obs: As possíveis subdivisões relativas ao tamanho de prancha nas categorias Unlimited e Funrace só ocorrerão se houver quórum acima de oito atletas por subdivisão e for encaminhado por parte dos atletas inscritos requerimento formal até 15 dias antes do próximo evento).” (destaques não originais) Infelizmente a classe FUN RACE impede a acomodação da categoria 12’6 AMADORA dentro da FUN RACE a uma pelo tamanho de prancha (limitado a 12’2 na FUN) e a duas pela característica construtiva do bico das pranchas RACE (displacement hull) que a impede de participar na categoria FUN (planning hull). A próxima prova está marcada para o dia 15 de abril. Temos até o dia 31 de março para formalizar um requerimento ao presidente da ABSUP para, em analogia ao que é permitido na categoria UNLIMITED (a criação, por exemplo, de uma categoria 14’) que