Avaliação Física Para o Surfista

Todo o surfista que objetiva melhorar a sua performance na água deveria, antes de mais nada, procurar auxílio de um profissional. A necessidade de um personal trainer atuando junto ao surfista vem se tornando imprescindível nos dias de hoje, principalmente para aqueles surfistas que estão engajados em atividades competitivas. Muitos surfistas profissionais já tem seu preparador físico pessoal, como é o caso do Piu Pereira e do Cristiano Guimarães, que tem recebido orientações do Prof. Dilmar Pinto Guedes, e melhorado muito seus resultados na água. Basta analisar as últimas performances do Piu, para entender o que estou falando. O personal trainer é aquele profissional que analisa as avaliações físicas de seus atletas e, com base nos resultados apresentados, elabora programas para desenvolvimento da capacidade aeróbia, capacidade anaeróbia, força explosiva, força de resistência, flexibilidade, tempo de apnéia (suspensão da respiração), etc. Além disso, o personal trainer elabora os ciclos de treinamento anual, com ênfase nos eventos mais importantes do calendário anual. Entretanto, para elaboração de um programa sério de treinamento físico, é necessário que o surfista seja submetido a avaliações físicas labortatoriais. Essas avaliações são feitas com o intuito de estabelecer parâmetros que servirão de base para a elaboração das sobrecargas subsequentes que serão impostas ao surfista no programa de treinamento, além de servirem como referência para futuras comparações e avaliações das melhoras obtidas durante o processo de treino. Em São Paulo, o Centro de Estudos em Fisiologia do Exercício – CEFE – da Universidade Federal de São Paulo, realiza diversas avaliações físicas, para os mais diversos esportistas, inclusive surfistas. Abaixo, selecionei um relatório de uma avaliação da capacidade cardiorrespiratória para servir de exemplo. É importante ressaltar que esses dados serão interpretados por um personal trainer e, através deles, será montado um programa adequado e individualizado de treinamento . CENTRO de ESTUDOS de FISIOLOGIA do EXERCÍCIO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ERGOESPIROMÉTRICA DA APTIDÃO FÍSICA 1. Identificação ——————————————————————————– Nome: Duke Kahanamoku Data: 19 / 08 /20 Idade: 30 anos Sexo: Masculino Peso: 83.0 kg Altura: 185 cm 2. Características do teste ——————————————————————————– Solicitado por: Sociedade Polinésia de Navegação e Esportes Aquáticos. Objetivos: Avaliação da aptidão física e prescrição de exercícios. Protocolo: (2 min. de aquecimento e incremento de 1 km a cada 2 minutos, até a exaustão). Ergômetro: Trackmaster Research 48 (esteira rolante) Trocas gasosas: medida direta a cada 20 seg. – sistema Vista CX – Vacumed. 3. Resultados ——————————————————————————– 3.1. Teste interrompido por: Fadiga de membros inferiores com FC = 181 bpm (97 % da FC máxima prevista) na velocidade de 16 km/h 3.2. Consumo máximo de oxigênio (VO2max) 47.2 ml.kg-1.min-1 3.92 l.min-1 3.3. Limiar Anaeróbio – LV1 (método ventilatório) VO2: 40. 39 ml.kg-1.min-1 ( 85 % do VO2max ) Frequência cardíaca: 163 batimentos por minuto. Velocidade: 13 km/h 3.4. Limiar Anaeróbio – LV2 (método ventilatório) VO2: 45.88 ml.kg-1.min-1 ( 97 % do VO2max ) Frequência cardíaca: 171 batimentos por minuto. Velocidade: 15 km/h 3.5. Resposta ventilatória ao exercício VEmax: 115.61 l/min ( 70 % da VVM1 / Valor Normal = 72 ± 15 %VVM1) Frequência respiratória máxima: 33 r.p.m. (Valor Normal = 41,6 ± 9,61) Volume corrente máximo (VCmax): 3.76 l. VCmax/CVF x 100 : 58 % (Valor Normal = 55 ± 8,7 %1) Teste sugestivo de limitação ventilatória da performance: ( )SIM (x)NÃO 4. Parecer ——————————————————————————– 4.1. Teste realizado em condições técnicas satisfatórias. 4.2. Aptidão cardiorrespiratória dentro dos valores previstos para indivíduos normais de mesmo sexo e idade* *Wasserman K et al.: Normal Values. In: Principles of Exercise Testing and Interpretation, 1994: pg.113. 4.3. Faixa de frequência cardíaca recomendada para treinamento aeróbio: 163 a 170 bpm. OBS: A transferência dos resultados do laboratório para as condições de campo pode requerer ajustes da frequência cardíaca de treinamento. O nosso laboratório se coloca à disposição para orientar este procedimento. 4.4. Teste não sugestivo de limitação ventilatória da performance. (Wasserman K et al.: Normal Values. In: Principles of Exercise Testing and Interpretation, 1994: pg.124). São Paulo, 19 de Agosto de 1920 —————————————– Prof. Ms. Marcello Árias Prof. Dr. Antônio Carlos da Silva Esta e inúmeras outras avaliações podem ser feitas pelos surfistas que estão interessados em obter uma melhor condição física. Nas próximas colunas continuaremos versando sobre a preparação física direcionada aos surfistas, porém, daremos dicas para elaboração de pequenos programas de treinamento para aqueles surfistas que não podem arcar com as despesas das avaliações e de um treinador pessoal. Até lá… Onde fazer as avaliações: Centro de Estudos em Fisiologia do Exercício – Rua Botucatú, n° 862, 5° andar, Edifício de Ciências Biomédicas – vila Clementino – São Paulo – Fone/576-4513 Abaixo, três dos melhores treinadores pessoais do Brasil Maria Angelica Felizardo (Magê) – Profa. de Educação Física/ Pós-graduada em Treinamento Físico/ Personal Trainer – Fones/ 0**11 – 298-1121 ou 9903-6535 – São Paulo Tácito Pessoa – Prof. de Educação Física/ Pós-graduado em Treinamento Físico/ Personal Trainer – Fones/ 0**13 – 233-6530 ou 971-3821 – Santos Dilmar Pinto Guedes – Prof. de Educação Física/ Pós-graduado em Treinamento Físico/ Personal Trainer – Fones/ 0**13 – 284-7465 ou 233-5175 – Santos

Morras na Vila I

Acaba o Campeonato Mundial de Longboard na praia do Rosa. A equipe do Hanging Together está cansada devido aos vários dias de trabalho para manter a galera informada sobre tudo que rolou, dia a dia. Eu (Rafael Sobral), Editor do Hanging Together, e Eduardo Bagé resolvemos checar o pico ao lado, a Praia da Vila, local onde rolam as maiores ondas do Brasil. # O mar estava alucinante, uma direita vindo atrás da outra. Um forte vento terral soprava e formava um veú de água na crista das ondas. Aparentemente não havia ninguém na água. Parecia o paraíso. Porém para chegar ao paraíso, as vezes é preciso passar por provações. Neste caso, o forte vento que fazia com que nossos longboards parecem com velas, nos jogando de um lado ao outro no caminho para o mar. Eu mesmo, Rafael Sobral, cai no chão duas vezes antes de conseguir chegar na água. # Após alguns instantes, notamos que o longboarder local Paulo Sfeton tinha sido mais rápido e já estava na água. Ele descia uma onda série e acelerava rápido contra o vento para não ficar para trás. Paulo era nosso anfritião, pois estamos hospedados na sua pousada, e logo nos mostrou o caminho das pedras. # Minha primeira onda foi uma longa direita e logo deu para sentir as dificuldades de surfar naquela condição. Não se podia fazer curvas repentinas, pois dificilmente o vento deixaria você voltar a parede da onda. O vento dificiltava até mesmo a caminhada sobre a prancha. Porém a sessão de velocidade era alucinante, parecia que estava voando. # Eduardo Bagé logo se acustumou com as ondas e fazia longos tubos próximo a crista da onda. Ele dava gritos de alegria. Depois de várias horas de surf nesta ondas, resolvemos fazer uma pausa para o almoço, na expectativa de pegarmos ondas ainda melhores a tarde quando talvez o vento pudesse diminuir. Esta barca é parte integrante do video Longboard 2000. Por Rafael Sobral #