Opiniões antagônicas

Retrô x progressivo

Edinho Leite levanta divertido debate sobre as vantagens e desvantagens dos estilos clássico e moderno.

Dois amigos que conhecem muito de surfe mandaram textos sobre um assunto interessante. Opiniões antagônicas. Tem certo? Tem errado? Leiam e digam.

A versão de “Roli” Rodrigo Caballero é essa. “Quem diabos é esse cara?”, disse o jovem Matt Archbald depois de ver Martin Potter destruir as ondas em T-Street pela primeira vez. Era o verão de 1985. Pottz tinha acabado de chegar a San Clemente, convidado pelo amigo, Jim Hogan.

Shane Beschen, que também morava ali, se lembra: “Eu tinha uns 10 ou 11 anos e estava surfando T-Street quando vi ele acelerando de backside na minha direção. Inesperadamente o cara mandou um aéreo 360 na minha cara. Caracas! Pensei. O que é isso que eu estou vendo?”.

Com uma abordagem inédita, Pottz revolucionou a cena do surfe local, que já era revolucionaria por natureza. “Ele era tão rápido e suas manobras tão poderosas, que fazia parecer como se os outros surfassem com uma âncora amarrada à prancha”, adicionou Archy.

A partir desse momento San Clemente posicionou-se como um dos pontos onde o surfe mais progressivo do mundo se desenvolvia. Ajudou a gerar algumas das figuras mais influentes dos últimos 30 anos e tornou-se fonte de inspiração para surfistas do mundo todo.

Christian Fletcher, Dino Andino e os já citados Beschen e Archbald, adolescentes naquela época, ficaram perplexos perante a performance do Martin e souberam, na mesma hora, que só queriam surfar como ele. Também entenderam que a evolução do esporte corria na mesma direção para onde apontava a Town&Country verde e amarela do peitudo regular footer.

Não estavam errados. O surfe além do lip, que apresentam os surfistas de atual elite, deve muito ao acontecido em San Clemente na segunda metade dos anos 80, depois do Big Bang de Potter.

O que teria acontecido com o desenvolvimento da performance se o sul-africano, com passaporte inglês, tivesse chegado em T-Street, empolgado com uma onda retrô, carregando uma “alaia de redwood San Onofre style” num carrinho amarrado na bicicleta? Ninguém sabe. Mas acho que Gabriel Medina, Felipe Toledo, Griffin Colapinto e Julian Wilson não estariam decolando aéreos invertidos em ondas de 8 pés nas etapas do CT.

Retro(cesso). A moda vintage freia o desenvolvimento do surfe. Como declarou Rodrigo “Coco” Zeballos, Surfista e campeão sul-americano de Rally: “Os carros clássicos são bonitos, mas não deixam você entrar numa curva a 200 km/h”.

Hoje alguns dos surfistas mais reverenciados pela galera surfam com pranchas tipo “retrô models”. Talentos incríveis como Dave Rastovich, Rob Machado o Alex Knost passeiam nas ondas em cima de fishes, alaias e single fins. Algumas delas apresentam borda tipo tijolo e são réplicas de um passado que, para os olhos desse escritor, colocam limites e travas no desempenho dos surfistas.

Da dor nos olhos assistir esses surfistas lutando contra uma single fin pesada e rebelde, que reluta em aceitar ordens do piloto. Os caras vão nesses tocos com os joelhos juntos e o centro de gravidade bem baixinho, numa posição requintadíssima, sim, mas, para quem conhece o talento deles, sabe que se o cara tivesse surfando com uma prancha moderna, não estaria lutando para ficar na boca do tubo, mas estaria no fundo do salão verde, viajando no foam ball com os olhos cheios de uma visão que o leitor provavelmente não verá nunca na vida.

Então, se as pranchas retrô impedem o surfista de dar o melhor de si, qual é o objetivo de surfar com elas? Estética e a plasticidade são tão importantes para que os surfistas troquem pela performance? O melhor surfista é aquele que fica mais bonito sobre a prancha? Será que o objetivo dos surfistas já não é viajar na zona mais profunda do tubo e sair cuspido rumo à felicidade? Será que já foi aquilo de bater na maior velocidade e com toda a força possível num lip que cai das alturas com o peso de um elefante? Claramente vivemos numa época onde a aparência tem maior importância do que a performance.

O leitor atento vai perceber que a maioria dos surfistas que usam pranchas retrô, acompanham o veículo aquático com acessórios que estabelecem uma unidade estética: barba hipster ou bigode vintage. Corte de cabelo meio-americano ou cabeleira descuidada. Roupas de borracha, que parecem antigas, ainda que sejam feitas com neoprene japonês de última geração. Óculos iguais aos que usava meu avô e ainda tatuagens de âncoras ou outros desenhos que lembram numa época que já foi há muito tempo.

O vintage não é só um prancha. O vintage é um estilo de vida. Uma forma de perceber o esporte que, para os olhos desse cronista, ataca a evolução. Alguns anos atrás, empurrado pela correnteza, pedi ao Jeff Bushmann, que fizesse para mim uma single fin 70’s style. O mago da plaina me disse, sem dó: “Para que você quer essa m…? Vai perder 40 anos de evolução só por estar na moda?”.

Não existem fórmulas disse Martín Aguirre em seu texto no caminho contrário.
Kelly Slater estragou toda uma geração de surfistas. Espera aí, não quero dizer que O Melhor de Todos os Tempos não tenha incidido positivamente entre aqueles que começaram com este vício quase ao mesmo tempo que ele começou sua carreira. E que ainda não continue nos inspirando, demonstrando que, com 46 anos, é possível lutar, cabeça a cabeça com as novas gerações. Mas em matéria de equipamento ele nos enterrou no fundo do buraco.

Lembro com clareza de uma revista Surfer do começo dos 90, onde Kelly aparecia mostrando uma de suas pranchas. Uma 6’1″, fininha como papel de cigarro, daquelas que traziam como grande inovação umas fitas de carbono do lado da longarina. Comparar aquela obra de arte, elegante, sofisticada, moderna, com a 6’5″ com que eu acabava de aprender a surfar a parede da onda, era um soco na cara do meu amor próprio. Parecia um dinossauro competindo com uma gazela.

Como tantos desgraçados daquele tempo, corri para o shaper local da minha praia e pedi para ele me adicionar à nova moda. Consegui o que procurava. Uma prancha 6’0, fininha e afiada, quase como a do Kelly. A alegria durou até que eu cair no mar.

Aquela prancha, e suas sucessoras parecidas, foram as responsáveis por travar minha evolução no surfe por, no mínimo, uma década. A loucura, tão característica daqueles que amam as ondas, fez que eu jogasse a culpa para a minha própria mediocridade sobre todos os males que me afligiram àquela época: pouca capacidade para pegar ondas, instabilidade em condições mexidas, impossibilidade de manobrar em ondas gordas. Bom, com certeza a minha mediocridade também influiu. Mas no dia em que um amigo me emprestou uma retro twin fin, numa viagem ao Brasil, foi como viver uma epifania.

Na hora, consegui pegar ondas, me afirmar com força, evitar a matada de barata para ganhar velocidade. Mais importante, consegui me divertir. Duas perguntas me assaltaram naquele momento. O que é que estive fazendo durante todos esses anos com pranchas que não eram para mim, ou para as condições que um surfista “normal” costuma encarar? Quanta gente mundo afora havia sofrido com a “Maldição do Kelly”?

É claro que isso não fez que eu me convertesse num pequeno Rastovich e entrasse na moda retrô para sempre. Nenhuma pessoa sensata teria a ideia de levar uma prancha dessas para Nias, por exemplo, onde o objetivo é ficar no tubo o maior tempo possível. Do mesmo modo que ninguém leva uma 6’6″ pintail para aquela escapadinha com a namorada para ondas gordas na praia ao lado.

O problema, como tudo na vida, são os dogmas. Para um surfista da cidade, a moda de imitar as pranchas do Kelly é tão absurda quanto a paixão pelo Craig Anderson, com a consequente lotação de barbudos com ares de hipster e pranchas que parecem a porta de uma casa antiga.

Porém, há mais coisas a entender. O surfe, ao menos do jeito que a maioria dos mortais pratica, é um esporte onde você compete contra você mesmo. Então pode ser compreensível que um tipo que ex-pro, ainda pago para ficar oito horas ao dia no mar e viaja quando quer para os melhores picos, tenha que buscar formas de se superar, de desafiar seu próprio talento, para se divertir.

Isso parece uma explicação razoável para justificar aqueles supertalentos, como Rastovich ou Anderson, caírem em dias épicos com pranchas que atrapalham mais do que ajudam. Que os impedem de entubar do jeito que fariam com pranchas mais modernas. Mas, que importância tem isso? Se eles já têm mais horas de tubo do que nós, pobres mortais. É provável que para eles esse tubo meio na boca, com uma prancha esquisita, seja mais desafiante, mais satisfatório, que um tubão com equipamento tradicional de nossa época.

Longe de desacelerar o avance tecnológico, de ser retrocesso em matéria de inovação no equipamento, eu acho que pode ajudar nesse sentido. Assim como a ciência o design das pranchas nunca chegará ao final do progresso. Que volta e meia tenha alguém desacelerando e investigando o passado pode ser algo revolucionário. Algo que permite abrir uma nova porta, colocar dúvida nas verdades absolutas de hoje e resgatar as coisas boas que, sem dúvida, devem ter havido em outros tempos. Há algo mais inovador do que isso? Há algo mais conservador do que ficar colado à moda do momento e pensar que todo o passado é ruim e atrasado?

Eu não sei se o melhor surfista é o que mais se diverte, mas levar as coisas a sério demais nunca foi uma boa receita para nada. Menos ainda para o surfe.

Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.