Marcos Alexandre

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O primeiro Hawaii a gente nunca esquece

20/02/2002 —

#O bodyboarder profissional Marcos Alexandre, do Rio de Janeiro, enviou seu relato (logo abaixo) sobre sua primeira temporada havaiana. Alexandre já disputou diversos eventos como profissional e agora procura uma marca que o apoie para que volte à ativa. “O Hawaii é o sonho de todo e qualquer bodyboarder, sendo assim, minha primeira temporada havaiana era esperada com muita ansiedade. Neste inverno 2001/2002 passei quase um mês pegando altas ondas em Pipeline, Rocky Point, Backyards, Seven Rols, Bills Bowls e V-land. Limitei-me a surfar nesses picos e fiz o possível para conhecer o máximo de cada onda. Sem dúvida as melhores caídas foram Pipe, Rocky Point e Seven Rols. A viagem do Rio à Honolulu foi tranquila, mas cansativa. Estavam no vôo da Air Canada eu, meu amigo Paulo Barcellos (campeão mundial 2000), Juliana (esposa do surfista big rider Eraldo Gueiros), além do top 16 da ASP, o surfista Fabinho Gouveia junto com sua família. #Chegando no Hawaii, pegamos uma carona com o Eraldo que nos deixou na casa onde eu e Paulo ficaríamos em Velzyland – dos meus amigos Karla Costa e Alistair Taylor. A primeira caída foi no dia 15/12 em Rocky Point. O mar estava irado com 3 a 5 pés em esquerdas rápidas e tubulares. O Hawaii é um lugar mágico, mais do que espetacular, muito melhor do que imaginava. Realmente é um sonho poder estar lá. O que me chamou a atenção foi ver como os picos são próximos uns dos outros e como os tipos de ondas variam entre eles. O clima é ameno, ou seja, faz sol, mas nao é aquele sol de rachar, o vento costuma entrar durante o dia inteiro e tem mais de 20 direções, diferente do Brasil. A primeira caída em Pipeline foi dia 18/12 às 6:30 horas. Ainda estava escuro. O problema foi o crowd. Nesta temporada, haviam milhares de australianos no Hawaii e principalmente, em Pipeline. #Mesmo assim foi show, o mar estava com 6 pés plus e realmente consegui pegar algumas boas. Volto a falar de Rocky Point, que é um lugar mágico, com esquerdas e direitas de 3 a 4 pés, rápidas e com uma seção que finaliza bem no raso. Num final de tarde, alguns dias antes do Natal, Rocky Point foi um dos melhores picos desta temporada. Eu, Karlinha, Paulo e GT estávamos na água. O mar estava lisinho com 3 a 4 pés e chovia bastante. Quando as ondas não estavam boas, eu e o Paulo fizemos vários tours pelo North Shore de bike filmando ou fotografando. O visual de V-Land e o pôr-do-sol em Sunset valem a pena serem apreciados. Vou comentar agora sobre dois picos que conheci na parte leste da Ilha de Oahu, ou seja, descendo o North Shore, um lugar chamado Kahuku. #Nesta temporada, estes picos quebraram com uma certa frequência. Bills Bowls possui ondas rápidas e com uma bancada muito rasa, na qual pode-se passar por várias seções de 4 a 6 pés, estilo St. Leu em Ilhas Reunião. Os tubos são constantes e formam-se ?bowls? perfeitos para manobras aéreas. Vale lembrar que alguns locais disseram que nunca viram Bills Bowls quebrar tão bom assim como nesta temporada. O outro pico que me refiro chama-se Seven Rolls, que fica em frente a um campo de golfe. Daí o nome “sete buracos”. Como existem ouriços na beira é necessário atenção redobrada antes de entrar na água. As condições em Seven Rolls, normalmente, eram de 6 a 8 pés terral. A onda é uma esquerda que quebra no meio do oceano há aproximadamente 15 minutos de remada até chegar ao outside. O sacrifício compensa. Eu e Paulo pegamos três dias ondas muito extensas. Rola uma seção manobrável muito extensa e em seguida rampas para decolagem. Cansei de pegar final de tarde só eu, Paulo e mais alguns poucos surfistas. Foi o sonho. No primeiro dia de 2002 o swell estava bombando no North Shore. Eu e Seikiti Shinmon acordamos cedo e fomos checar o mar com o Paulo. Tinha 10 a 12 pés pesados. Minha primeira experiência com ondas pesadas em Pipeline foi no final de tarde do dia 01/01. As condições apresentavam 10 pés, quebrando no segundo reef, varrendo tudo e balançando. Estava mexido e perigoso! Não dá para descrever o que é dropar uma onda de 8 a 10 pés em Pipe. Só para ter uma idéia, o Seikiti perdeu um dos pés-de-pato mesmo estando com a cordinha. Aproveitei tudo o que pude, espero voltar em breve e ultrapassar ainda mais os limites. A dica que eu posso dar é a seguinte: Se você quer evoluir, lá é o lugar certo e logo que surgir uma oportunidade vá! Você não vai se arrepender. Um abraço a todos e boas ondas”.