Lixo plástico

Ações para salvar os oceanos

Grandes empresas e personalidades dão o exemplo de como podemos salvar nossos oceanos do lixo plástico.

Em lugares como a Indonésia, lixo plástico é o maior vilão de rios e oceanos.

A atriz Camila Queiroz prestou um grande serviço à saúde dos oceanos. Em uma postagem no Stories do Instagram, ela aparece de biquíni produzido a partir de lixo plástico retirado dos oceanos. “Não é publicidade, não é propaganda”, diz Camila, no vídeo, finalizando: “Eu quero incentivar cada vez mais ações como essa. Eu acho que é esse o caminho. E que a gente tem que tomar essas atitudes mesmo. As empresas têm que ter essa consciência”.

Lixo plástico mata mais de 100.000 animais marinhos por ano

A preocupação da atriz não é à toa. A cada ano os oceanos recebem mais de 8 milhões de toneladas de plástico – que matam mais de 100.000 animais marinhos, anualmente. Aves, mamíferos marinhos, tartarugas, e outros. Esse plástico chega aos mares de diversas maneiras. Mas especialmente porque é descartado no meio ambiente como lixo. E alguns tipos de plásticos, como os de certas embalagens, são recicláveis.

Cerca de 80% dos plásticos vão parar nos lixões e no meio ambiente

Quase 80% dos plásticos vão parar em aterros sanitários ou no meio ambiente. Por tudo isso, a expectativa é que daqui a 30 anos os oceanos tenham mais plástico do que peixes. E Camila Queiroz está certa. A sociedade precisa incentivar as iniciativas que tentam salvar os oceanos da morte certa.

Exemplo da Adidas: 11 milhões de pares de tênis em 2019 com lixo plástico

A indústria da moda é uma das que têm despertado, mesmo que ainda lentamente, para o conceito de sustentabilidade. A marca alemã Adidas, é uma das gigantes do setor que abraçam a causa. Começou a produzir uma linha de tênis com resíduos plásticos retirados dos mares em 2015. A produção era pequena. Em 2017, alcançou 1 milhão de pares. Ano passado, já foram 6 milhões produzidos com plástico reciclado. O número salta para 11 milhões até o final de 2019, anunciou a empresa. Com essa iniciativa, a Adidas está construindo uma nova página na sua história. A marca completa 70 anos em agosto de 2019.

Moda praia feita com lixo plástico

A portuguesa Conscious Swimwear já nasceu sustentável quando lançou a primeira coleção de moda praia. Os biquínis são feitos de Econyl, um tecido 100% reciclado e reciclável produzido na Itália. Ele é confeccionado a partir de plásticos retirados dos oceanos e do meio ambiente, particularmente redes de pesca. Além de poluir os mares, as redes também são responsáveis pela morte de vários animais marinhos, que ficam presos nelas, morrendo de inanição.

Etiquetas biodegradáveis e embalagens recicladas e recicláveis

Fundada por Joana Silva, em Lisboa, a Conscious Swimwear nasce incorporando outros conceitos de sustentabilidade. Comércio justo; força de trabalho tratada eticamente, incluindo a remuneração. Etiquetas biodegradáveis, e embalagens feitas de materiais reciclados e recicláveis. O trabalho, por enquanto, é artesanal. Realizado por três costureiras com mais de 30 anos de experiência na confecção de moda praia.

Moda combatendo a poluição dos mares

Outra marca europeia do mundo da moda que segue os conceitos de sustentabilidade é a espanhola Ecoalf. Criada por Javier Goyeneche, em 2009, a empresa sempre pregou a redução do consumo indiscriminado de recursos naturais. Reciclar e produzir peças recicláveis, de baixo impacto ambiental, sempre estiveram entre suas premissas. Em 2015, entrou no combate à poluição dos mares.

Lixo transformado em roupas e calçados

Denominado de The Upcycling Oceans, o projeto da Ecoalf retira resíduos plásticos dos oceanos e os transforma em roupas e calçados. No total, já foram coletadas mais de 400 toneladas de lixo. Ação que envolve mais de 3.000 pescadores, 37 portos e mais de 550 navios limpando os mares da costa espanhola para transformar tudo em moda. O projeto nasceu na Espanha, mas já está na Tailândia. E a empresa também tem filial em Berlim, Alemanha.

Aplicação na indústria da construção

O site Mar Sem Fim já mostrou que o lixo plástico recolhido dos oceanos pode ser reciclado para pavimentar ruas e estradas. Outra aplicação na indústria da construção é a confecção de blocos feitos a partir desses resíduos. O produto foi desenvolvido há alguns anos por Peter Lewis, engenheiro neozelandês preocupado com os problemas ambientais causados pelo plástico. Sem apoio financeiro, o projeto demorou para deslanchar. Saiu do papel quando a empresa norte-americana ByFusion comprou os direitos sobre a invenção e investiu num processo de produção em larga escala.

Redução da pegada de carbono

Os blocos feitos com lixo plástico dos oceanos não substituem completamente o concreto tradicional. Batizados de ByBlock, eles não conseguem suportar muito peso. Mas podem ser utilizados para preencher bases, substituindo o cimento. E não precisam de cola. Segundo a ByFusion, quando comparado aos blocos convencionais, seu produto reduz em até 95% a pegada de carbono de uma construção. Outra vantagem é a alta eficiência térmica e de isolamento de som.

Menos 3,5 toneladas de plásticos no meio ambiente

Competitivo, o ByBlock também é um produto ideal para construir habitações populares e edificações públicas, assegura a empresa. Neste ano, duas obras foram finalizadas com esse tipo de bloco no Dia Mundial do Oceano, 8 de junho. Uma torre de salva-vidas em uma praia na Califórnia e um pavilhão esportivo em uma escola de Kauai, no Havaí. São as duas primeiras construções feitas com esse bloco nos Estados Unidos. Juntas, elas tiraram 3,5 toneladas de plásticos de aterros e dos oceanos.

POSITIV.A: Lixo vira embalagem de produtos de limpeza

No Brasil, há exemplos também de boas iniciativas para se evitar a degradação dos oceanos. Um deles é o da POSITIV.A, empresa criada em 2016, dentro dos preceitos da permacultura e da economia circular. Ela fabrica produtos de limpeza naturais, ecológicos e biodegradáveis. Em 2017, entrou na luta para impedir que plásticos descartados cheguem aos oceanos.

Com o apoio de cooperativas paulistas, especialmente da Baixada Santista, os plásticos são recolhidos em vários pontos, incluindo as praias. Depois, são enviados para a Boomera, empresa especializada em transformar lixo em produtos novos, também parceira da POSITIV.A. Todo esse plástico reciclado tem sido transformado em embalagens para os produtos da POSITIV.A.

Ford, retira um bilhão de garrafas pet da natureza

E chegamos na ação de uma grande empresa. E põe grande nisso. O site da montadora informa: “A cada minuto, 1 milhão de garrafas plásticas são compradas ao redor do mundo – o que dá 526 bilhões por ano – e a maioria acaba descartada em aterros, rios e oceanos. A Ford encontrou um modo inteligente de reciclar esse material, transformando-o em peças para veículos.”

EcoSport e o lixo plástico reciclado

“Cada EcoSport traz o equivalente a 470 garrafas plásticas em material reciclado na forma de tapetes e carpetes. Desde o lançamento da nova geração global do utilitário esportivo, em 2012, mais de 650 milhões de garrafas já foram recicladas para esse fim – que se enfileiradas dariam duas voltas ao redor do mundo, pesando mais de 8.000 toneladas. A Ford começou a usar plástico reciclado em seus veículos há mais de 20 anos, no Mondeo. Hoje, recicla 1,2 bilhão de garrafas PET por ano em todo o mundo para a produção de componentes automotivos, presentes em todos os seus modelos, desde o Ka, Ranger e Edge ST até o Mustang.”

Volkswagen e tecido feito por pets

Após fraude bilionária, conhecida como a farsa dos veículos ‘clean diesel’, a montadora parece que se emendou. O site http://www.automotivebusiness.com.br é quem informa: “A Volkswagen do Brasil lança mão de uma novidade para preservação do meio ambiente. A marca desenvolveu tecidos à base de PET reciclado para revestir bancos e portas de seus veículos a partir do segundo semestre (de 2019). Segundo a montadora, para o revestimento de cada carro são necessárias até 52 garrafas PET de 1,5 litro (44 delas só para os bancos). 60% do tecido é feito de plástico, que é fornecido por empresas certificadas por órgãos ambientais internacionais.”

Que outras montadoras, e empresas de grande porte, se inspirem nestes exemplos. Afinal, uma coisa é certa: somos todos responsáveis.

Matéria originalmente publicada no site Mar Sem Fim.

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