Mundial Pro Junior

Tudo pronto nas Filipinas

Mundial Pro Junior da WSL 2025 nas Filipinas começa neste domingo, 11. Confira baterias dos surfistas do Brasil.
Mundial Pro Junior WSL 2026, Urbiztondo, Filipinas

Os melhores surfistas Sub 20 do mundo chegaram a La Union, prontos para o início da ação no Campeonato Mundial Junior de Surfe da WSL Filipinas 2025, apresentado por Purefoods e Magnolia. Com 24 homens e 24 mulheres, o seleto grupo internacional está pronto para a batalha em The Point, na Praia de Urbiztondo, em San Juan, onde a competição começa neste domingo, 11, e vai até 18 de janeiro de 2026.

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Os dois melhores homens e as duas melhores mulheres de cada uma das sete regiões globais da WSL se juntam a 10 convidados por gênero, todos destaques do Challenger Series ou da Qualifying Series (QS). A ampla gama de surfistas, todos com 20 anos ou menos, busca conquistar o prestigioso título de campeão mundial Júnior da WSL de 2025.

Além de inscrever seus nomes na história, os vencedores também garantirão uma vaga na Challenger Series de 2026, proporcionando a oportunidade de se classificarem para o Championship Tour (CT) de 2027.

A estreante no CT, Bella Kenworthy, traz experiência de elite para La Union

Duas finais consecutivas da Challenger Series em 2024, incluindo uma vitória no Ballito Pro, garantiram a Bella Kenworthy (EUA) sua estreia no CT em 2025. A americana demonstrou sua abordagem poderosa ao longo de sua temporada de estreia, incluindo uma das melhores baterias do ano em El Salvador, o que é um bom presságio para sua campanha no mesmo pico de La Union.

Com anos de experiência em seu pico local, Lower Trestles, em San Clemente, Califórnia, e com a maior experiência competitiva entre todos os competidores, Kenworthy representará um grande desafio nas Filipinas.

“Estou muito animada por estar aqui”, disse Kenworthy. “Este lugar é muito especial. A onda é muito divertida. Tive uma longa pausa, então estou animada para voltar a competir e ver como me saio.”

Em ótima forma após retorno de lesão, Lukas Skinner mira o título mundial Junior

Um dos juniores mais promissores, Lukas Skinner (ING) competirá pelo título mundial Junior da WSL pela primeira vez. Em 2025, o jovem de 17 anos retornou de uma grave lesão na perna para conquistar seu segundo título consecutivo do Boardmasters, tornando-se o primeiro surfista britânico em 22 anos a vencer o tradicional QS em casa, com sua vitória em 2024.

Bicampeão do Rip Curl International GromSearch e duas vezes vice-campeão do ISA World Junior, o surf explosivo e fluido de Skinner se encaixa perfeitamente nas longas ondas de direita de La Union e pode levá-lo à maior vitória de sua carreira até agora.

“Estamos aqui nas Filipinas e estou super animado para competir”, disse Skinner. “Essa onda é muito divertida. As pessoas são incríveis. Estou muito animado para mostrar meu surfe no grande palco. Este é o maior evento em que já participei, então estou muito empolgado e me sentindo muito preparado.”

Laura Raupp busca ampliar o legado brasileiro no Mundial Junior

Atualmente em meio a uma bem-sucedida terceira temporada completa na Challenger Series, a brasileira Laura Raupp (BRA) está a apenas duas posições da linha de classificação, com dois eventos restantes. Três vezes quartas-finalista do Campeonato Mundial Júnior da WSL, a jovem de 19 anos também mantém uma forte presença no ranking QS sul-americano, tendo chegado a quatro finais e vencido dois torneios nesta temporada.

Após a vitória histórica de sua compatriota Luana Silva (BRA) em 2024, o ataque progressivo e potente de direita de Raupp em La Union buscará dar continuidade ao legado de seu país.

“Estou muito animada por estar aqui novamente”, disse Raupp. “Estou muito feliz por esta oportunidade que a WSL me deu com este convite. Quero fazer um ótimo trabalho na minha bateria.”

Primeira Fase Feminino

1 Laura Raupp (BRA) x Anastasia Venter (RSA) x Stella Green (AUS)
2 Annette Gonzalez Etxabarri (EUK) x Zoey Kaina (EUA) x Skai Suitt (HAW)
3 Arena Rodriguez Vargas (PER) x Maria Salgado (POR) x Cathleya Casals (PHL)
4 Bella Kenworthy (EUA) x Catalina Zariquiey (PER) x Mara Lopez (PHL)
5 Janire Gonzalez Etxabarri (ESP) x Sumomo Sato (JAP) x Luara Mandelli (BRA)
6 Mirai Ikeda (JAP) x Anon Matsuoka (JAP) x Carla Morera de la Vall (ESP)
7 Talia Swindal (EUA) x Vaihitimahana Inso (HAV) x Emily Jenkinson (AFR)
8 Reid Van Wagoner (EUA) x Sierra Kerr (AUS) x Isla Huppatz (AUS)

Primeira Fase Masculino

1 Oliver Zietz (HOL) x Willem Watson (AUS) vs. Lukas Skinner (ING)
2 Keoni Lasa (EUA) x Nadav Attar (ISR) x Hugh Vaughan (AUS)
3 Lennix Smith (AUS) x Conor Donegan Santos (ESP) x Toby Espejon (FIL)
4 Winter Vincent (AUS) x Riki Sato (JAP) x Troy Espejon (FIL)
5 Lucas Cassity (MEX) x Ryan Kainalo (BRA) x Dylan Wilcoxen (INA)
6 Connor Slijpen (AFR) x Ikko Watanabe (JAP) x Gabriel Klaussner (BRA)
7 Dane Henry (AUS) x Alfonso Suarez (ESP) x Ben Esterhuyse (AFR)
8 Rickson Falcão (BRA) x Will Deane (EUA) x Kingston Panebianco (HAV)

 

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.