Mundial Pro Junior

Confira time do Brasil

Laura Raupp, Luara Mandelli, Gabriel Klaussner, Rickson Falcão e Ryan Kainalo representam o Brasil na competição que acontece nas Filipinas a partir de 11 de janeiro.
Mundial Pro Junior WSL 2026, Urbiztondo, Filipinas

Um total de 48 competidores de 16 países disputa em La Union, Filipinas, título mundial Sub 20 da WSL (World Surf League), depois de realizadas as seletivas globais. O campeonato acontece de 11 a 18 de janeiro de 2026.

Os melhores surfistas do mundo com menos de 20 anos estão de olho na direita de alta performance da praia de Urbiztondo, em La Union, com o objetivo de alcançar a glória máxima e se tornarem campeões mundiais juniores da WSL em 2025.

Laura Raupp, Luara Mandelli, Gabriel Klaussner, Rickson Falcão e Ryan Kainalo
representam o Brasil na competição. Cataline Zariquiey e Arena Rodriguez defendem o Peru e completam a participação sul-americana.

O grupo de 24 homens e 24 mulheres foi definido pelo ranking de cada uma das sete regiões da WSL, além de vagas por convite, concedidas a atletas que tiveram bom desempenho nas etapas Challenger Series e Qualifying Series ao longo de 2025.

Os dois melhores colocados no ranking masculino e feminino da Austrália/Oceania, Ásia, América do Norte, América Latina, Havaí/Taiti, Europa e África terão a chance de competir pelo título mundial Junior e se juntar a nomes como Joel Parkinson (AUS), Sally Fitzgibbons (AUS), Andy Irons (HAV) e Gabriel Medina (BRA), além das surfistas e olímpicas Vahine Fierro (FRA) e Luana Silva (BRA), que recentemente participaram do WSL Championship Tour.

Entre os destaques do evento deste ano estão a campeã mundial da WSL de 2023, Sierra Kerr (AUS), a vice-campeã de 2024, Winter Vincent (AUS), e a estreante no Circuito Mundial de 2025, Bella Kenworthy (EUA).

A atleta mais consistente do Circuito Junior europeu, Maria Salgado (POR), venceu três dos cinco eventos regionais que disputou, tornando-se campeã europeia Junior de 2025 e garantindo sua primeira participação no Campeonato Mundial Júnior.

Rickson Falcão (BRA) também fará sua estreia no Mundial Júnior após conquistar o título regional sul-americano, superando Ryan Kainalo (BRA), bicampeão regional Junior da edição anterior.

Os brasileiros venceram duas das três finais disputadas, terminando a temporada com a mesma pontuação e garantindo presença nas Filipinas. Já Anon Matsuoka (JAP) chegou à final em todos os três eventos que disputou na região da Ásia, conquistando seu segundo título regional e garantindo sua terceira participação no Mundial Júnior.

Dane Henry (AUS) deu um grande salto no ranking para conquistar a região da Austrália/Oceania com uma vitória na etapa final. Vindo de ótimas performances em diversas competições, Henry trará seu surfe explosivo para um torneio que contará com outros destaques internacionais como Lukas Skinner (ING), Hughie Vaughan (AUS), Lucas Cassity (MEX), Dylan Wilcoxen (IND) e Connor Slijpen (AFR).

Annette Gonzalez Etxabarri (ESP) chega às Filipinas após sua primeira final do Challenger Series. Duas vezes quartas-finalista consecutivas no evento, Annette estará acompanhada de sua irmã, a atleta olímpica Janire Gonzalez Etxabarri (ESP).

Laura Raupp (BRA), também duas vezes quarta-finalista, está tendo um ano excepcional no Challenger Series e estará nas Filipinas junto com Arena Rodriguez (PER), que retorna após chegar às semifinais na edição de 2024.

Quatro surfistas representando o país anfitrião, as Filipinas, também terão a oportunidade de serem coroados campeões mundiais Junior da WSL, com convites para a Série de Qualificação Regional da Ásia e para os destaques do Circuito Junior: Mara Lopez (FIL), Troy Espejon (FIL), Cathleya Casals (FIL) e Toby Espejon (FIL).

Conheça os candidatos ao Mundial Junior 2025 da WSL
África

Connor Slijpen (AFR)
Emily Jenkinson (AFR)
Ben Esterhuyse (AFR)
Anastasia Venter (AFR)

Ásia

Ikko Watanabe (JAP)
Anon Matsuoka (JAP)
Riki Sato (JAP)
Sumomo Sato (JAP)

Austrália / Oceania

Dane Henry (AUS)
Ilha Huppatz (AUS)
Willem Watson (AUS)
Stella Green (AUS)

Europa

Alfonso Suárez (ESP)
Maria Salgado (POR)
Conor Donegan dos Santos (ESP)
Carla Morera de la Vall (ESP)

Havaí/Taiti Nui

Oliver Zietz (HAV)
Skai Suitt (HAV)
Kingston Panebianco (HAV)
Vaihitimahana Inso (HAV)

América do Sul
Rickson Falcão (BRA)
Catalina Zariquiey (PER)
Ryan Kainalo (BRA)
Luara Mandelli (BRA)
América do Norte

Will Deane (EUA)
Zoey Kaina (EUA)
Nadav Attar (ISR)
Reid Van Waggoner (EUA)

Wild Cards (Convidados)

Winter Vincent (AUS)
Sierra Kerr (AUS)
Keoni Lasa (ESP)
Bella Kenworthy (EUA)
Lucas Cassity (MEX)
Annette González Etxabarri (ESP)
Hughie Vaughan (EUA)
Laura Raupp (BRA)
Gabriel Klaussner (BRA)
Arena Rodríguez (PER)
Lennix Smith (EUA)
Janire González Etxabarri (ESP)
Lucas Skinner (ING)
Mirai Ikeda (JAP)
Dylan Wilcoxen (IND)
Talia Swindal (EUA)

Wild Cards das Filipinas

Troy Espejon (FIL)
Mara López (FIL)
Toby Espejon (FIL)
Cathleya Casals (FIL)

Todos os campeões mundiais Sub 20 da World Surf League

2025: Bronson Beydi (IND) e Luana Silva (BRA) nas Filipinas
2024: Jett Schilling (EUA) e Sierra Kerr (AUS) na Califórnia
2023: Jarvis Earle (AUS) e Francisca Veselko (POR) na Califórnia
2020, 2021 e 2022: Cancelado por causa da pandemia do Covid-19
2019: Lucas Vicente (BRA) e Amuro Tsuzuki (JAP) em Taiwan
2018: Mateus Herdy (BRA) e Kirra Pinkerton (EUA) em Taiwan
2017: Finn McGill (HAV) e Vahine Fierro (TAH) na Austrália
2016: Ethan Ewing (AUS) e Macy Callaghan (AUS) na Austrália
2015: Lucas Silveira (BRA) e Isabella Nichols (AUS) em Portugal
2014: Vasco Ribeiro (POR) e Mahina Maeda (HAV) em Portugal
2013: Gabriel Medina (BRA) e Ella Willians (NZL) no HD World Junior no Brasil
2012: Jack Freestone (AUS) e Nikki Van Dijk (AUS) em Bali, na Indonésia
2011: Caio Ibelli (BRA) e Leila Hurst (HAV) na Indonésia, Brasil, Austrália
2010: Jack Freestone (AUS) e Alizee Arnaud (FRA) na Indonésia e Austrália
2009: Maxime Huscenot (FRA) e Laura Enever (AUS) na Austrália
2008: Kai Barger (HAV) e Pauline Ado (FRA) na Austrália
2007: Pablo Paulino (BRA) e Sally Fitzgibbons (AUS) na Austrália
2006: Jordy Smith (AFR) e Nicola Atherton (AUS) na Austrália
2005: Kekoa Bacalso (HAV) e Jessi Miley-Dyer (AUS) na Austrália
2004: Pablo Paulino (BRA) na Austrália
2003: Adriano de Souza (BRA) na Austrália
2002: não realizado por falta de datas
2001: Joel Parkinson (AUS) na Austrália
2000: Pedro Henrique (BRA) no Havaí
1999: Joel Parkinson (AUS) no Havaí
1998: Andy Irons (HAV) no Havaí

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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