Molly Picklum conquistou seu primeiro título mundial no WSL Finals 2025. Essa foi a quarta temporada da atleta de 22 anos entre as melhores do planeta. A australiana de Central Coast, New South Wales, cresceu curtindo campos de futebol, mas no ensino médio foi mais para perto da costa, em Shelly Beach, e a partir daí a praia passou a ser seu local favorito nos fins de semana.
O surfe entrou na vida da atleta por intermédio do pai e ela conta ter ficado em pé na prancha pela primeira vez com 3 ou 4 anos. Mas o interesse pelo esporte cresceu muito quando a mãe da atleta namorou um instrutor de surfe. A aussie ganhou reconhecimento rapidamente no país com títulos nacionais e chegou a ser eleita Estrela Feminina em Ascensão no Australian Surfing Awards de 2020.
Molly conquistou a vaga no CT após participar do CS em 2021. O circuito pós-pandemia teve apenas quatro etapas e ela terminou em oitavo lugar no ranking, tendo o quinto lugar na França como melhor resultado. O Challenger Series classificava sete surfistas para o Championship Tour do ano seguinte. Como a havaiana Carissa Moore, integrante do CT, terminou em sexto, a australiana ganhou um lugar na elite.
Molly não foi bem no CT 2022 e acabou cortada após ficar fora das dez primeiras posições depois dos cinco eventos iniciais. Ela finalizou o ano em 14º lugar. A aussie também competiu no CS, terminou em terceiro lugar e confirmou seu lugar no CT de 2023. O circuito CS na temporada teve sete etapas e ela venceu a de Ballito, África do Sul.
Em 2023 a atleta largou o CS e se deu bem no CT, ganhando reconhecimento em ondas perfeitas e também nas pesadas e tubulares. Ela venceu sua primeira etapa entre as melhores do mundo no segundo evento da temporada, nas direitas de Sunset, Havaí. Ela fez mais duas finais (Bells Beach e Jeffreys Bay), terminando como vice-campeã, e garantiu lugar no WSL Finals ao fechar a fase classificatória na quarta posição. Ela abriu a disputa contra a atleta que se tornaria a maior rival, a norte-americana Caitlin Simmers, e foi eliminada, finalizando o ano em quinto lugar no ranking.
Molly começou forte em 2024. A australiana foi vice-campeã em Pipeline, perdendo a final para Caitlin, e bicampeã em Sunset, superando a havaiana Bettylou Sakura Johnson na decisão. Nas duas etapas seguintes ela ficou em nono lugar, nas outras quatro em quinto e fechou o ano em Fiji com uma terceira posição. Molly novamente ficou em quarto lugar e novamente foi para a decisão do título mundial no WSL Finals. Ela perdeu mais uma vez na estreia, na ocasião para Tatiana Weston-Webb, e fechou o ano em quinto lugar no ranking.
Então chegou o ano de 2025. Molly abriu a temporada em Pipeline com semifinal. Depois ela foi vice-campeã na piscina de ondas dos Emirados Árabes. Nas duas etapas ela foi eliminada por Caitlin, que até então havia ganhado todas as seis disputas mulher a mulher entre as duas. O circuito seguiu para Portugal e El Salvador. Nas duas provas ele caiu na semi. Na Austrália ela conquistou um nono lugar (Bells Beach) e dois quintos (Gold Coast e Margaret River). Depois ela disparou no ranking com quatro finais seguidas. Molly ficou em segundo lugar na Califórnia, foi campeã no Brasil, vice na África do Sul e número 1 no Taiti. Foi nesse período que ela conseguiu suas primeiras vitórias sobre Caitlin, na semi em Trestles e na final em Teahupoo.
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WSL Finals 2025 – Molly chegou ao WSL Finals 2025 como líder do ranking e precisava de apenas uma bateria para ser campeã mundial, porém perdeu a primeira batalha e a disputa passou a ser melhor de três.
Derrota na primeira final – A adversária de Molly na final foi a norte-americana Caroline Marks, que precisou vencer três disputas para chegar à decisão. A primeira bateria entre elas chegou à metade com pouca diferença no placar. Molly tinha como melhor nota 5.33 e Caroline 4.17 pontos. A surfista dos Estados Unidos precisava de apenas 2.17 para liderar. A australiana aumentou a vantagem aos 19 minutos. Molly acertou uma rasgada e uma batida para trocar 1.00 por 5.17 pontos. Caroline respondeu no minuto seguinte. Ela abriu a esquerda com uma batida forte e botou para dentro, mas não saiu. Ela buscava 6.33 e anotou 3.67 pontos.
Caroline assumiu a liderança a dez minutos do fim. A norte-americana rasgou, depois bateu duas vezes antes de fazer outra curva na borda. A atuação valeu 7.33 e deixou a australiana na busca de 6.18 para virar o resultado. A australiana tentou dar o troco com os tubos, mas não saiu nas duas tentativas que fez antes dos sete minutos finais.
Molly ameaçou entrar numa onda a seis minutos do fim, mas Caroline fez o uso do direito de escolha. A surfista dos Estados Unidos trocou 3.67 por 5.17 e aumentou a diferença para 7.18 pontos. A aussie não teve outra oportunidade e saiu da água derrotada na primeira disputa da final.
Final 2 – Caroline largou na segunda final com 1.50 e Molly, aos cinco minutos, anotou 7.00 depois de manobrar quatro vezes. Aos dez minutos a aussie aproveitou uma onda deixada pela adversária para aumentar ainda mais a vantagem com 6.00 pontos. Quatro minutos depois a australiana surfou novamente sem a prioridade e pegou um tubo para disparar na frente com 8.83 pontos. Caroline passou a buscar 15.83 para vencer. A norte-americana tentou reagir logo depois, mas desistiu da esquerda após a primeira manobra.
Molly ficou ativa, enquanto Caroline ficou mais seletiva. A australiana não conseguiu mexer no placar. A norte-americana conquistou sua melhor nota no confronto a três minutos do fim (5.53), mas não mudou sua situação no confronto e o título mundial foi decidido na última bateria do ano no CT.
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O desempate e o título mundial – Molly começou forte o último confronto do CT na temporada. No segundo minuto a australiana rasgou e bateu forte para largar com 7.00 pontos. Dois minutos depois ela repetiu as manobras, porém numa onda menor, e adicionou 6.50 ao somatório. Caroline tentou entrar na briga, mas começou com 2.17 pontos e aos seis minutos entrou e saiu da onda (0.50).
A australiana disparou na frente aos dez minutos. Molly botou para dentro, mas não ficou muito fundo, saiu e acertou uma batida poderosa na junção. A performance valeu 8.83 pontos. Caroline passou a precisar de 15.83 para ser campeã mundial. Ela tentou reagir aos 13 minutos, mas a esquerda fechou após a primeira batida.
Enquanto Caroline seguia sem conexão com Cloudbreak, Molly aumentava o somatório. A cinco minutos do fim a aussie voltou a atacar a esquerda com duas manobras poderosas. Novamente ela chegou no critério excelente e, com a nota 8.10, aumentou a diferença para 16.93 pontos.
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“Estou sem palavras agora”, disse Molly. “Sinto realmente que isso é a cereja do bolo do que fiz pela minha carreira e pela minha vida pessoal, realmente mudando tudo. É uma viagem e algo que ninguém nunca vai poder tirar de mim: ser Campeã Mundial. Conquistar isso depois de uma temporada tão incrível é muito especial e algo que vou lembrar para sempre. Ser a campeã indiscutível, inegável, é algo com que sonhei, e vencer dessa forma enche meu coração. Não consigo acreditar, sou apenas muito grata por ter a oportunidade de fazer o que amo”.
“Havia tanta dúvida, mas sinto que é justamente isso que forma uma campeã. Você precisa se impor e superar isso. Eu simplesmente permaneci fiel, confiando no desconhecido, e sou muito, muito grata por tudo ter dado certo. Depois da primeira bateria, engoli a situação, tirei o que pude dela, honrei minhas crenças e fui atrás”, continuou a atleta.
Questionada se curtiria um circuito com as categorias masculina e feminina juntas, já que teve atuações superiores as de alguns homens em ondas como Teahupoo, Molly disse: “Eu toparia. Não sei. Sinto que os caras são inacreditáveis. Eles estão definindo o que é possível no surfe em geral, e nós (mulheres) estamos apenas tentando fazer o mesmo para a nossa categoria. Então sim, eles são muito talentosos. Ainda bem que eu não entro nessa ‘diversidade’.”
Sobre agora fazer parte de um time de australianas campeãs mundiais, ela contou: “É uma viagem ser uma garota da Central Coast, ter crescido admirando a Steph (Gilmore), a Layne (Beachley), a Sally (Fitzgibbons) e a Tyler (Wright) e todas aquelas meninas, e agora estar numa lista junto com elas. Sinto-me muito honrada e grata. Houve tantas mulheres incríveis no surfe que vieram antes de nós e abriram o caminho para que eu e outras pudéssemos estar aqui fazendo o que amamos, então é uma viagem fazer parte disso agora. É realmente verdade que é preciso uma comunidade para criar uma criança, e ter toda a Central Coast me apoiando, assim como minha equipe o ano todo, minha família e meus amigos, que me conhecem e sabem o quanto eu trabalho duro, poder conquistar isso diante deles é algo muito, muito especial”, finalizou a australiana.

















