Surf Brasil Pro

Nova geração paulista é destaque

Kailani Renno arranca uma nota 9 nas boas ondas da segunda-feira (11) na Praia do Borete e Murillo Coura fez o maior placar em Ipojuca na vitória por 14.34 pontos.
Surf Brasil Pro 2026, Praia do Borete, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE)

Dois talentos da nova geração do surf paulista bateram todos os recordes nas boas ondas da segunda-feira na Praia do Borete, em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. O ubatubense Kailani Renno, de 17 anos, arrancou a maior nota – 9.00 – desta segunda etapa do Surf Brasil Pro 2026 e Murillo Coura, 19 anos, de São Sebastião, fez o maior placar vencendo sua bateria por 14.34 pontos. As meninas também competiram e os destaques foram a gaúcha Alexia Monteiro com os recordes femininos do dia – nota 7.00 e 12.50 pontos – e a cearense Gabriely Queiroz, que barrou a hexacampeã brasileira Silvana Lima. A continuação da terceira fase masculina vai abrir a terça-feira, ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e também pelo canal Woohoo e na TV aberta pelo XSports.

O primeiro a se destacar na segunda-feira, foi Murillo Coura na quarta bateria do dia, contra o catarinense Lucas Vicente, o também paulista Hugo Bomfim e o potiguar Kayan Medeiros. Ele já bateu o recorde de nota do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas com um aéreo que os juízes deram nota 7.77, superando o 7.00 do potiguar Rafael Barbosa no sábado e do paulista Deivid Silva no domingo. Murillo somou o 7.77 com 6.57 para aumentar o maior placar do campeonato para 14.34 pontos, ultrapassando os 13.33 do potiguar Alan Jhones no sábado também. Foi a segunda vitória do Murillo Coura nas ondas da Praia do Borete.

“Estou bem confiante, mas fiquei um pouco nervoso no começo da bateria”, confessou Murillo Coura. “Tava difícil completar o aéreo ali no buraco, mas depois fui achando o lugar certo e peguei boas ondas para acertar as manobras. Esse ventinho aqui hoje, pra quem é goofy e manda aéreo, é a melhor combinação que tem. Até pra quem é regular e tem habilidade nos aéreos de backside, é um vento que ajuda bastante. Estou amarradão de ter passado essa bateria e quero mandar um beijo pra família, minha namorada, meu sogro e minha sogra e é isso, vamos pra próxima”.

Nove baterias depois, o filho do famoso surfista das antigas, Zecão de Ubatuba, o jovem Kailani Renno, que integrou a Seleção Brasileira Junior do Surf Brasil no último Mundial da ISA no Peru, deu seu show nas ondas da Praia do Borete. Esta é a primeira vez que ele participa de etapas válidas pelo título brasileiro de surf profissional e ganhou as duas baterias que disputou no Surf Brasil Pro Porto de Galinhas em Ipojuca. Na segunda-feira, Kailani achou uma esquerda que abriu a parede para mandar três manobras fortes de frontside e finalizar com um aéreo rodando na onda que arrancou nota 9.00 dos juízes.

“Essa foi a minha primeira nota 9.00 no Brasileiro profissional e to muito feliz”, disse Kailani Renno. “Aquela onda veio pra mim, mandei o primeiro layback animal, aí mandei uma pancada, preparei o aéreo, dei o aéreo e voltei. Eu pedi muito pra Deus por essa onda, ela veio e aproveitei ao máximo. Estou muito feliz de ter avançado e, principalmente, por ter tirado uma nota 9.00. Foi incrível e se eu tivesse voltado naquele primeiro alley-oop que mandei, acho que seria outra nota excelente, mas acabou pegando um bump ali e caí”.

Aniversariantes da segunda-feira festejam classificação – Quem também estava feliz na segunda-feira, era o ex-recordista de pontos do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. O potiguar Alan Jhones era um dos aniversariantes do dia, junto com o pernambucano Junior Lagosta, o E O Lobster. Ambos passaram suas baterias, mas Alan Jhones avançou com vitória sobre o também potiguar Mateus Sena e os cearenses Marcos Alves TT e Guilherme Lemos. O potiguar de Baía Formosa, mesma cidade que revelou o campeão olímpico Italo Ferreira, completou 37 anos de idade e é um dos surfistas que disputaram todas as 22 etapas válidas pelo título brasileiro na gestão Teco Padaratz na presidência da Confederação Brasileira de Surf, iniciada em 2022.

“Estou feliz de ter passado mais uma bateria, ter achado uma onda boa ali faltando 4 minutos, que me deu a classificação. E no meu aniversário eu não poderia perder, começar o dia com o pé esquerdo seria demais né (risos)”, brincou Alan Jhones. “Eu já fiz bons resultados aqui nessa praia, até ganhei etapa do Brasileiro Profissional, fui terceiro lugar em outra final também, venci Expression Session e sempre consegui me encaixar bem nessa onda. Hoje foquei nas direitas, consegui pegar boas ondas pra passar e vamo pra próxima, porque ainda tem uma longa caminhada até a final”.

Nova geração do surf feminino se destaca na segunda-feira – Após o encerramento da segunda fase masculina, foi iniciada a segunda rodada feminina já valendo classificação para o evento principal do Surf Brasil Pro, quando começa a ser dividida a premiação de meio milhão de reais oferecida em cada etapa do circuito nacional mais rico do mundo. As que se classificaram para enfrentar as top-11 do ranking, já garantiam um mínimo de 3 mil reais e com direito a repescagem se não vencer a bateria. As primeiras a conquistarem este privilégio, foram duas surfistas da Seleção Brasileira Junior do Surf Brasil, a paulista Carol Bastides de apenas 14 anos de idade e a paranaense Luara Mandelli, 18 anos.

Na segunda bateria, a paulista Sophia Gonçalves e outra integrante da Seleção Brasileira Junior, a potiguar Maria Clara, também avançaram para o evento principal do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. E na terceira, a jovem cearense Gabriely Queiroz surpreendeu duas campeãs brasileiras que eram as favoritas para se classificar. Gabriely arriscou manobras no crítico das ondas, para vencer a bateria e eliminar a hexacampeã brasileira e também cearense Silvana Lima. A outra campeã era a paulista Julia Nicanor, que avançou em segundo lugar, junto com Gabriely Queiroz.

“Primeiramente, quero agradecer a Deus, porque sem Ele eu não sou nada e to sem acreditar até agora, que tirei a Silvana Lima, então estou muito feliz”, disse Gabriely Queiroz. “Eu sabia que a bateria não ia ser fácil desde ontem, quando vi as meninas da bateria. Acho que qualquer atleta fica insegura com esses nomes que caíram comigo. A Isabelly Knut é bem nova e surfa pra caramba, a Julia Nicanor também, mas é como minhas amigas estavam me dizendo, que eu tinha que acreditar em mim. Foi isso que fiz, orei a Deus para me ajudar a acreditar em mim e estou muito feliz de ter passado essa bateria”.

Alexia Monteiro registra novo recorde feminino de pontos – Logo após Gabriely Queiroz surpreender as campeãs brasileiras, a gaúcha Alexia Monteiro deu um show no confronto seguinte, registrando os recordes femininos da segunda-feira na Praia do Borete. Com um forte ataque na junção de uma boa onda, ela ganhou nota 7.00, que ainda ficou abaixo do 7.50 da recordista Nicole Santos, uma das suas adversárias na bateria. Só que Alexia Monteiro ainda somou um 5.50 para fazer o maior placar feminino do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, 12.50 pontos. Nicole Santos passou junto com ela para o evento principal, eliminando a paranaense Duda Azamor e a paulista Natalia Gerena.

“Eu só tenho que agradecer a Deus, porque o mar tem altas ondas, mas muda bastante, então tive que escolher um lugar melhor, aí lembrei de todas as baterias que já competi aqui e foi só soltar o surf”, contou Alexia Monteiro. “Eu tava tentando só focar em mim mesma e soltar meu surf, então estou muito feliz que deu supercerto. As junções estão muito boas e eu quase caí em todas as minhas manobras, mas consegui completar e minha nota 7 foi incrível. Eu quero só agradecer a Deus e todo mundo que está fazendo parte desse evento, que está incrível”.

Classificação para enfrentar as tops no evento principal – Os dois destaques da segunda-feira, acabaram indo para as baterias do evento principal que estão as finalistas da primeira etapa do Surf Brasil Pro 2026 na Praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. A Alexia Monteiro terá que encarar a campeã brasileira Juliana dos Santos, que começa a defender a liderança do ranking 2026 na quinta bateria. A também campeã brasileira, Julia Nicanor, é a outra adversária, mas essa rodada não é eliminatória. Quem vencer, avança direto para as oitavas de final e as outras duas têm uma segunda chance na repescagem. A Gabriely Queiroz foi junto com a recordista Nicole Santos para a quarta bateria, encabeçada pela vice-campeã no Ceará, a jovem paraibana Analu Silva.

Após a segunda fase feminina, ainda rolaram quatro das doze baterias da terceira rodada masculina, que também classifica os surfistas que vão enfrentar os top-22 e os 2 convidados na quarta fase do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. Os primeiros a garantir vaga no evento principal, foram o campeão brasileiro Israel Junior (RN), Derek Souza (SP), Rafael Barbosa (RN), Lucas Bezerra (CE), os ex-tops da elite mundial Deivid Silva (SP) e Peterson Crisanto (PR) que avançaram juntos na sua bateria e Guilherme Fernandes (SP) e Iago Bellotti (PB). Os outros classificados serão decididos na manhã desta terça-feira na Praia do Borete.

O Surf Brasil Pro 2026 é uma realização de Surf Brasil, em conjunto com a Federação Pernambucana de Surf nesta segunda etapa em Porto de Galinhas, que conta com patrocínio da Prefeitura Municipal do Ipojuca através da Secretaria Especial de Esportes, CAIXA Esportes, Monster Energy e Surf Telecom; apoio local da marca JISK e parceria de Suntech, Brazilian Tiger Balm, Sococo, Shopee, Chandon, Restaurante Chicama, Cerveja Praya, apoio ambiental de Mondo Ekvilibro e apoio institucional do COB – Comitê Olímpico do Brasil. Todas as etapas do Surf Brasil Pro 2026 são transmitidas pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e nos canais Woohoo na TV fechada e XSports na TV aberta, com o último dia também passando ao vivo no canal Time Brasil TV do COB no YouTube.

Baterias do Surf Brasil Pro – Porto de Galinhas

(entre parênteses o estado que representa na competição)

Resultados da segunda-feira na Praia do Borete
Segunda fase
3º=73º lugar (1.440 pontos) e 4º=97º lugar (980 pontos)

10 1-Bernardo Brizola (RN), 2-Alan Donato (PE), 3-Pablo Paulino (CE), 4-Flavio Nakagima (SP)

11 1-Gabriel André (SP), 2-E O Lobster (PE), 3-Davi Sobrinho (CE), 4-Kaue Daniel (SP)

12 1-Alan Jhones (RN), 2-Marcos Alves TT (CE), 3-Mateus Sena (RN), 4-Guilherme Lemos (RJ)

13 1-Murillo Coura (SP), 2-Lucas Vicente (SC), 3-Hugo Bomfim (SP), 4-Kayan Medeiros (RN)

14 1-Lucas Haag (SC), 2-Jonatans Ruan (RN), 3-Glauciano Rodrigues (CE), 4-Jonatha Santos (RN)

15 1-Ytalo Oliveira (CE), 2-Nicolas Oliveira (SP), 3-Luã da Silveira (SC), 4-Yantuir Duarte (PE)

16 1-Emanoel Tobias (RN), 2-Antonio Venicius (BA), 3-Charlie Brown (CE), 4-Fellipe Ximenes (SC)

17 1-Amando Tenorio (AL), 2-Cauet Frazão (CE), 3-Cezar Aguiar (PE), 4-Gabriel Farias (PE)

18 1-Michel Roque (CE), 2-Renan Pulga (SP), 3-Johnny Ferreira (RN), 4-Guilherme Penha (MA)

19 1-Luan Lapolli (PE), 2-Madson Costa (RN), 3-Luel Felipe (PE), 4-João Artur (SP)

20 1-Krystian Kymerson (ES), 2-Michel Demetrio (SC), 3-Kaique Timidate (SC), 4-Fabricio Bulhões (BA)

21 1-Gabriel Dantas (RJ), 2-Luan Wood (SC), 3-Artur Silva (CE), 4-Ivan Silva (PE)

22 1-Kailani Renno (SP), 2-Felipe Oliveira (SP), 3-Anderson Silva Pikachu (RJ), wº-Diego Aguiar (SP)

23 1-Rickson Falcão (RJ), 2-Lysandro Leandro (RN), 3-Marcus Cintra (CE), 4-Leo Andrade (ES)

24 1-Rafael Teixeira (ES), 2-José Claudio (PE), 3-Douglas Noronha (SP), 4-JP Ferreira (SP)

Segunda fase feminina
3ª=25º lugar (3.600 pontos) e 4ª=31º lugar (3.300 pts)

1ª 1-Carol Bastides (SP), 2-Luara Mandelli (PR), 3-Valentina Zanoni (SC), 4-Nicolly Freire (PB)

2ª 1-Sophia Gonçalves (SP), 2-Maria Clara (RN), 3-Jessica Bianca (PR), 4-Nina Stein (RJ)

3ª 1-Gabriely Queiroz (CE), 2-Julia Nicanor (SP), 3-Silvana Lima (SP), 4-Isabelly Knut (SP)

4ª 1-Alexia Monteiro (RS), 2-Nicole Santos (PE), 3-Duda Azamor (PR), 4-Natalia Gerena (SP)

5ª 1-Kauanny de Souza (SC), 2-Yanca Costa (RJ), 3-Maria Autuori (SP), 4-Aurora Ribeiro (SP)

6ª 1-Aysha Ratto (RJ), 2-Monik Santos (PE), 3-Rayssa Marques (PB), 4-Samira Stephany (SP)

Terceira fase masculina
3º=49º lugar (2.400 pontos) e 4º=61º lugar (1.800 pts)

1ª 1-Israel Junior (RN), 2-Derek Souza (SP), 3-Pedro Rian (CE), 4-Adauto Sena (RN)

2ª 1-Rafael Barbosa (RN), 2-Lucas Bezerra (CE), 3-Igor Moraes (SP), 4-John Muller (SP)

3ª 1-Deivid Silva (SP), 2-Peterson Crisanto (PR), 3-Daniel Adisaka (SP), 4-Daniel Duarte (SP)

4ª 1-Guilherme Fernandes (SP), 2-Walley Guimarães (SC), 3-Bryan Almeida (SP), 4-Iago Bellotti (PB)

Próximas baterias do Surf Brasil Pro em Ipojuca
Terceira fase masculina
3º=49º lugar (2.400 pontos) e 4º=61º lugar (1.800 pts)

5ª Edvan Silva (CE), alan Donato (PE), Gabriel André (SP), Marcos Alves TT (CE)

6ª Alexandre Camargo (CE), Alan Jhones (RN), Bernardo Brizola (RN), E O Lobster (PE)

7ª Ytalo Oliveira (CE), Jonatans Ruan (RN), Murillo Coura (SP), Antonio Venicius (BA)

8ª Lucas Vicente (SC), Emanoel Tobias (RN), Lucas Haag (SC), Nicolas Oliveira (SP)

9ª Renan Pulga (SP), Amando Tenorio (AL), Michel Demetrio (SC), Luan Lapolli (PE)

10 Cauet Frazão (CE), Michel Roque (CE), Krystian Kymerson (ES), Madson Costa (RN)

11 Gabriel Dantas (RJ), Felipe Oliveira (SP), Rickson Falcão (RJ), José Claudio (PE)

12 Rafael Teixeira (ES), Luan Wood (SC), Kailani Renno (SP), Lysandro Leandro (RN)

Terceira fase feminina – entrada das Top-11 e 1 convidada
1ª avança para as Oitavas de Final e 2ª e 3ª vão para a Repescagem

1ª Larissa dos Santos (CE), Carol Bastides (SP), Maria Clara (RN)

2ª Kiany Hyakutake (SC), Potira Castaman (SC), Luara Mandelli (PR)

3ª Tainá Hinckel (SC), Ariane Gomes (CE), Sophia Gonçalves (SP)

4ª Analu Silva (PB), Gabriely Queiroz (CE), Nicole Santos (PE)

5ª Juliana dos Santos (CE), Alexia Monteiro (RS), Julia Nicanor (SP)

6ª Mariana Areno (RJ), Juliana Meneguel (SP), Kauanny de Souza (SC)

7ª Kemily Sampaio (SP), Sophia Medina (SP), Monik Santos (PE)

8ª Sarah Ozorio (RJ), Aysha Ratto (RJ), Yanca Costa (CE)

Quarta fase masculina – entrada dos Top-22 e os 2 convidados
1º avança para a Sexta Fase e 2º e 3º vão para a Repescagem

1ª Gabriel Klaussner (SP), Israel Junior (RN), Lucas Bezerra (CE)

2ª Marcos Correa (SP), Janninfer de Sousa (CE), Rafael Barbosa (RN)

3ª Rafael Santos (CE), Deivid Silva (SP), Derek Souza (SP)

4ª Weslley Dantas (SP), Mathias Ramos (CE), Peterson Crisanto (PR)

5ª Cauã Costa (RJ), Douglas Silva (PE) e mais 1 da terceira fase

6ª Cauã Gonçalves (SP) e mais 2

7ª Yuri Gabryel (SC), Paulo Henrique Grilo (RN) e mais 1

8ª Wesley Leite (SP) e mais 2

9ª Michael Rodrigues (CE) e mais 2

10 Deyvson Santos (RN), Santiago dos Santos (CE) e mais 1

11 Alex Ribeiro (SP) e mais 2

12 Jonathan Freitas (RN), Edgard Groggia (PE) e mais 1

13 Jadson André (RN), Luan Carvalho (SP) e mais 1

14 Bino Lopes (BA) e mais 2

15 Samuel Joca (RN), Samuel Igo (PB) e mais 1

16 Rafael Venuto (CE) e mais 2

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.