Gary Linden

Sabedoria no outside

De passagem pelo Brasil, lendário shaper californiano Gary Linden fala com exclusividade ao Waves sobre o atual momento do surfe de ondas grandes.

Gary Linden em ação nas esquerdas de Jaws, em 2015: shaper tem uma forte ligação com o Brasil.WSL / Fred Pompermayer
Gary Linden em ação nas esquerdas de Jaws, em 2015: shaper tem uma forte ligação com o Brasil.

Californiano de San Diego, o shaper e big rider Gary Linden ainda encara as ondas de Jaws, Pico Alto e Puerto Escondido mesmo aos 68 anos.

Criador do Big Wave Tour, ele é apaixonado pela cultura brasileira e chegou a morar em Saquarema (RJ) na década de 1970, local onde mantém uma casa até hoje.

De passagem pelo Brasil, Linden conversou com a reportagem do Waves sobre o atual momento do surfe de ondas grandes, além de falar sobre equipamentos, as últimas empreitadas, entre outros assuntos. Confira abaixo:

Como tem sido os seus dias no Brasil. O que veio fazer aqui?

Venho principalmente para ver como está minha casa em Saquarema e também surfar muito (risos)!

Como um dos pioneiros do surfe em ondas grandes, como você enxerga a evolução do esporte e dos equipamentos nesta modalidade?

Estou achando que tudo está avançando muito bem! Os mais jovens estão arrebentando, puxando os limites, e as novas pranchas têm acompanhado essa evolução.

Californiano durante cerimônia de premiação do Big Wave Tour, em 2012, em Newport Beach.Fresh French - Spoe-Noose
Californiano durante cerimônia de premiação do Big Wave Tour, em 2012, em Newport Beach.

Aos 68 anos você ainda se considera no rip para encarar as ondas de Jaws, como fez há pouco tempo? Por onde tem surfado ultimamente?

Surfar em Jaws às vezes não envolve tanto o físico. Você tem que ir lá só para pegar “aquela” onda. Normalmente quando vou trabalhar no evento de ondas grandes em Maui levo a minha prancha. A onda é perfeita e quando rola um dia sem muito vento sinto que posso pegar pelo menos uma. Mas nesse ano também surfei em Puerto Escondido e Pico Alto.

O que acha de Lucas Chumbo, uma das principais promessas do surfe brasileiro de ondas grandes? Quais outros nomes da nova geração chamam a sua atenção?

Eu acho que o Lucas tem capacidade de ser um dos melhores surfistas de ondas grandes que o esporte já viu. Tem alguns outros caras jovens, como Cristobal de Col, do Peru, Jafet Ramos, do México, Luca Padua, de Mavericks, e o também brasileiro Pedro Calado que com certeza irão representar o esporte muito bem!

Você é o “pai” do circuito mundial de ondas grandes. O que tem achado do BWT desde que a WSL assumiu? Como é o seu envolvimento com o Circuito atualmente?

Hoje em dia fico como vice-presidente, que é uma posição especial. Tenho sempre que estar pensando em qual direção o esporte vai evoluir. Também sou o diretor de prova no dia em que rolam os eventos.

Qual atleta do CT você gostaria de ver desafiando as ondas do BWT?

Espero ver John John Florence e Gabriel Medina (risos)!

Linden dropa as geladas ondas de Nelscott Reef, no Oregon (EUA).Richard Hallman / Freelanceimaging.com
Linden dropa as geladas ondas de Nelscott Reef, no Oregon (EUA).

Continua organizando outros eventos? Vimos que você esteve envolvido recentemente com a Puerto Escondido Cup no México…

Tenho ajudado na Puerto Cup e também nos campeonatos de Pico Alto (Peru) e Punta de Lobos (Chile), que rolou recentemente. Estamos planejando fazer Todos Santos (México) novamente e quem sabe Dungeons (África do Sul) no ano que vem. Realmente esses eventos têm valor hoje para se criar um tipo de Qualifying Series do Big Wave Tour.

Pode nos adiantar alguma novidade especial do BWT para a próxima temporada? Quais são os planos?

Os planos são realizar três campeonatos em condições espetaculares. Temos a volta de Mavericks, além de Nazaré e Jaws. Também esperamos atrair a atenção de cada vez pessoas ao redor do mundo.

Como é sua rotina na Califórnia atualmente?

Faço algumas pranchas, principalmente de madeira de balsa e Agave. Também gosto de criar modelos que funcionam para pessoas da minha idade, que buscam mais remada. Eu sempre faço pranchas pensando no meu surfe, e se as pessoas gostam também faço para elas (risos).

Você é shaper há mais de 50 anos e viveu muitas diferentes fases na evolução dos equipamentos. Quais delas você considera mais importantes e qual a tua visão sobre o atual cenário de equipamentos em geral.

Quando Dick Brewer fez as primeiras mini-guns o surfe mudou para sempre. Hoje em dia estou gostando que podemos surfar com qualquer tipo de prancha sem necessariamente ser o modelo tradicional. Há muito espaço para novas criações.

Você tem acompanhado o trabalho dos shapers brasileiros? Algum te chama a atenção em específico?

Ricardo Martins tem dominado o mercado por muitos anos, mas o bom do Brasil é que existem vários shapers de nível internacional.

Quais matérias primas você utiliza nas suas pranchas?

Eu uso bloco Arctic Foam, resina Silmar e fibra Hexcel, mas hoje em dia existem muitos materiais bons no mercado. É só procurar!

Para encomendar uma prancha de Gary Linden no Brasil, entre em contato com Ademir Minari pelo telefone (11) 98166-0000 ou pelo e-mail ademir@admgroup.com.br.

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