Espêice Fia

De volta a El Salvador

Fabio Gouveia retorna a El Salvador para mais uma Barca do Fia.

Fabio Gouveia rabisca a parede em mais uma trip a El Salvador.

Regressar a El Salvador é sempre muito esperançoso em termos de bom surfe, pois a constância no país e sempre legal. E é claro, a expectativa segue sempre lá em cima. Para nossa primeira Barca do Fia de 2019 não era diferente, até porque iriamos pegar um swell em declínio e possivelmente uma subida de um novo swell ao fim da trip.

Hospedados no AST Hotel de La Libertad, onde fomos muito bem recebidos pelos simpáticos funcionários, iniciamos nossa semana surfando em um Punta Roca bem pequeno, apenas pra nos soltar da viagem. Diga-se de passagem, saímos do Brasil e surfamos no mesmo dia. Isto foi magnifico.

À noite, já estávamos confraternizando com uma gelada mais que bem vinda no restaurante Tsunami. 

Sempre peguei ótimas ondas em minhas passagens por Punta Rocas, mas, desta vez, com o swell pequeno, tive a oportunidade de conhecer novos picos que sempre escutava a turma falar.

Nossa primeira investida foi no pico de Mizata, direita bem divertida e algumas esquerdas com partes cheias e cavadas. Com entrada em meio à pedras arredondadas, é sempre uma aventura para os integrantes da barca que não têm o costume de surfar neste tipo de fundo. Mas nada que uma botinha não deixasse a “raça” mais confiante.

Visual do lineup em frente ao hotel em El Zonte.

Apresentando nossa barca, seguimos com dois integrantes da nossa última no ano passado que também haviam sido para El Salvador. No entanto, a base era Punta Mango. Eric Meyer (49), residente de Itajaí (SC), e Daniel Silveira (37), de Criciúma (SC), que pilhou e trouxe o amigo Cristiano Moraes, da mesma cidade. 

Completando a turma do estado de Santa Catarina estava André Daleffe.

Natural de Itanhaém (SP), mas morando em Brasília, Osmar Souza, 46. Baiano residente em São Paulo, Sergio Melo, e completando o grupo, também de Sampa, pai e filho, Emílo (59) e Marcos Piochi (30).

Vixe, já ia esquecendo de nosso agente de viagem, José Eduardo (40), proprietário da Dream Surf Tur, com quem venho fazendo a parceria para as “Barcas do Fia”. Com escritório baseado em Camburi, no litoral paulista, José aproveitou nossa barca pra unir o útil ao agradável, ora trampando com visitas a hotéis, ora surfando, ampliando sua quilometragem em ondas da América Central.

Voltando ao surfe de Mizata, aos poucos fui conhecendo a turma e observando sutilmente o desempenho de todos. Alguns mais no rip de surfe e em forma, e outros de certa forma bem fisicamente, mas sem constância no mar. Mas nada melhor do que uma longa queda para que começassem a soltar os esqueletos. Duas horas de surfe foram suficientes para todos partirem pro café da manhã em resort de mesmo nome do pico.

Do mar glass a uma brisa de maral, o que é normal em El Salvador no fim da manhã, logo a turma já estava na água para mais uma session.

Com o mar do mesmo tamanho, mas em declínio, Mizata foi nossa escolha para o dia seguinte. Mais confortáveis, todos surfaram melhor e mais soltos. A essa altura já havia uma resenha entre todos, parecendo se conhecerem de longas datas.

Clima de confraternização na América Central.

Em nosso terceiro dia, partimos para El Zonte, mais um point de direitas fantástico. Ali ficamos por dois dias pagando o “day use” em um belo hotel com tudo que tínhamos direito. Ótimas ondas de até 1 metrão fizeram a alegria da rapaziada.

Nosso “big guy” Sergio começava a se encaixar em uma onda melhor pra sua estatura, pois o cara portava 1,95 m e uns 127kg. Ele sempre sentava mais ao outside e esperava pela série, mas nestes dois dias em El Zonte, ficara mais ao fundo e mais ao canal, pois variavelmente vinha uma série que batia ali.

Se Sergio ficava ao outside, o morador de Brasília, Osmar, que já foi competidor em uma época em que Wagner Pupo e Binho Nunes competiam também, ficava mais ao inside fazendo a mala. O cara era um “valeiro” nato, não parava de pegar ondas e a toda hora relembrávamos seu home break Itanhaém.

André Daleffe e Marcos Piochi também gostavam de ficar ao fundo, logo sempre vinham nas maiores. Aliás, muitas das vezes em que Marco vinha, seu pai Emílio aproveitava e dropava com tudo em sua frente. É, rapaz, ali o Grand Kahuna da barca tinha pri-o-ri-da-de!

Procurei ficar também mais ao canal pra fugir do ligeiro crowd do pico e, de certa forma, poder observar melhor quem vinha do primeiro ponto do lineup, onde ficavam Eric e Daniel. Aliás, assim como na barca do ano passado, estes dois sempre estavam deep no pico. Às vezes funcionava, mas em parte das ondas eles acabavam ficando pra trás em algumas seções.

Cristiano pegou também algumas ondas um pouco mais abaixo de onde eu me encontrava e José Eduardo, que já estava em El Salvador havia cerca de uma semana, pegou boas em sua segunda session em El Zonte.

Do meio pro fim da trip, pegamos um dia legal no K 59. Muito bem recebidos pela família Gonzales e seus expoentes locais Samuel e Daniel, que além de ótimos surfistas, também fotógrafos e videomakers.

Fabinho decola no free surf.

Para nossos dois últimos dias, a galera já estava de certa forma cansada e não víamos a hora de surfar Punta Roca para também não precisar pegar “la carretera”. E torcíamos para o swell de 4 a 5 pés se antecipasse.

Parecia tudo encaixado. Em nosso penúltimo dia, as condições estavam lisas, com 3 pés e algumas maiores e paredes longas, deixando a galera animada de novo. Pra nossa surpresa, parecia que vários outros surfistas que estavam nas redondezas naquela semana tiveram a mesma ideia que a nossa turma. Logo um certo crowd se formou e isso traduziu-se em menos ondas pra todos. Mas a sensação de pegar a joia de La Libertad falou mais alto e a galera também adquiriu belas imagens.

Vale ressaltar um grupo de cariocas que se encontrava no pico, sendo liderados por Artur Gama,Sergio Noronha e Dedé Farah. Todos quebrando a vala e impressionando a galera de nossa barca!

Expectativa a mil para o nosso último dia. O jantar regado a pizza e cerveja deixou a galera amaciada para o sono profundo. Partiu, cama!

O desayuno (café da manhã) ao clarear nos deu uma desanimada, pois, olhando pela sacada do restaurante, as ondas pareciam ter baixado. Não demorou muito pra que o surfista local e nosso videomaker contratado Daniel K59 nos pilhasse, dizendo que com a subida da maré as condições iriam melhorar. 

Dito e feito, aos poucos mais séries iam aparecendo. Infelizmente elas estavam escassas, pois, com o ligeiro crowd, menos ondas eram surfadas.

De qualquer forma, aquela manhã foi divertida, pois a turma já estava de certa forma farta e amarradona. 

O vento entrou e saímos para o segundo café da manhã e pra nos despedir de vários videomakers e fotógrafos locais que registraram nosso momentos. Separa imagem daqui, compra imagem dali e todos saíram felizes, pois nada melhor do que uma semana de altas vibes e com tudo registrado para posteridades. Gracias a todos! Hasta la vista!

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