Filmes premiados em Ubatuba

Primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Surf de Ubatuba homenageia Suelen Naraísa e premia cinco filmes na Praia Vermelha do Norte (SP).

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Visual da Praia Vermelha do Norte, onde aconteceu a primeira edição do festival.

O clima de luau esteve presente nas quatro noites do 1º Festival Internacional de Cinema de Surf de Ubatuba (FICSU), que se encerrou no último domingo (16) com a apresentação do filme “70 e tal”, do diretor e um dos curadores do evento, Rafael Mellin, após a premiação de cinco obras e uma homenagem mais do que merecida a Suelen Naraísa, referência para o surfe brasileiro e que contribuiu com a execução e produção do evento.

A mostra encerrou a sua primeira edição com sucesso de público: estima-se que, ao todo, mais de 2 mil pessoas estiveram participarão das atrações gratuitas, entre elas shows, test ride de pranchas, oficinas e palestras.  Os troféus foram confeccionados pela artista ceramista Licida Vidal, de Ubatuba, e os filmes eleitos pelo júri, composto pela diretora Eliza Capai, pela surfista Suelen Naraísa e pelo fotógrafo Lucas Pupo.

Vencedores:

O prêmio Sununga, para filme inovador, foi para Tan (direção de Alena Ehrenbold, Suiça, 15min), que reflete sobre o tempo a partir da vida do surfista e shaper Robin Goffinet. Desde a apresentação do título, em sincronia com o tic tac do relógio, a consistência e profundidade da narrativa cria harmonia entre todos os quesitos da cinematografia. Roteiro, edição, fotografia, trilha, juntos nos perguntam: O que você está fazendo de seu tempo? De uma forma autêntica, o surf aparece como personagem, e como tentativa de resposta.

O prêmio Vermelhinha de filme radical, foi para Beyond the Noise (direção de Andrew Kaineder, Austrália, 38min): compreender o que é ser radical foi a maior dificuldade desse prêmio. Manobras como aéreo, 360, ou cenas de onda gigantes e vacas monumentais são as primeiras imagens que vêm a nossa mente. Mas esse júri resolveu ir mais além no conceito e subscreve que Radical Cinematograficamente é ser mais do que ousado e inovador, é principalmente gerar a emoção e sensação da radicalidade, que está na escolha dos horários de filmagem e a perfeita escolha das ondas. Uma sonorização que somente quem está dentro do mar ouve, uma comunhão espetacular entre solitude e estranheza. A figura escura, silhuetada, transforma o surfista personagem em anônimo, um sombrio e mágico imaginário de nós mesmos. A narrativa extensa, forte e densa, é também alongada como somente quem espera uma onda sabe. O tempo é crucial e majestosamente bem casado com os sentidos da natureza.

O prêmio Perequê açu, para filmes iniciantes, foi para Chloé Calmon, direção de Luiza Campos, Brasil, 25min): a diretora Luiza Campos olha com curiosidade a trajetória e descobertas da longboarder Chloé Calmon. No filme homônimo, traduz seus sentimentos e vivências de forma poética. Das cenas propostas, a edição traduz os sentimentos da personagem. O filme conta não apenas de Chloe, mas de questões comuns ao humano. Em um cenário nacional do surf e do fazer filmes de surf ainda marcados por protagonistas e diretores homens, onde as mulheres muitas vezes aparecem apenas como pedaços de corpos na praia, ela inova ao colocar como protagonista uma mulher, e retratar de forma sensível sua trajetória.

O prêmio Itamambuca, para filmes considerados completos e com boa narrativa, foi para Priboi Surf Siberia (direção de Sergey Rasshivaev, Russia, 80min): uma obra cinematográfica completa. Uma fotografia impecável e dificílima pelas condições climáticas, deixa transparecer que foi preciso dedicação. Sequências e planos que evidenciam um raciocínio claro sobre a história que se desejava contar. Uma narrativa calma como contraponto da natureza, e muito precisa na história cotidiana. A verdade do filme retrata a realidade dos personagens. Não há rodeios ou eufemismos. É puro lifestyle, surf de alma, sem rodeios sem aspirações, apenas good vibes. Não há grandes manobras, mas enormes conquistas.

O filme Picuruta (direção de Alex Miranda, Brasil, 110min) foi o que recebeu maior votação popular e, por isso, recebeu o prêmio Praia Grande.

Para Victor Fisch, curador e um dos idealizadores do festival, o sucesso do evento mostrou que Ubatuba tem potencial para receber ações como esta. “Em quatro dias, reunimos o melhor do que poderia ser contemplado num festival: filmes inéditos e reconhecidos mundialmente, artistas plásticos, músicos, produtores de artesanato e produtos naturais, além de especialistas de diversas áreas: fotógrafos, biólogos, naturopatas, esportistas, entre outros que, com seus saberes, nos prestigiaram com oficinas, rodas de conversa e experiências das mais variadas. Juntos, fizemos um evento de qualidade, que não apenas chamou a atenção de moradores como de turistas, que vieram exclusivamente para o festival, mostrando o potencial de Ubatuba para o turismo ambiental, esportivo e cultural – muito além do turismo de temporada. Certamente foi o primeiro de muitos. Que venha a segunda edição da Ficsu”, finalizou Ficsh.

Sobre o FICSU

O Festival Internacional de Cinema de Surf foi idealizado pelo cineasta Victor Fisch, mestre em roteiro e realizador dos curtas “Onde Você Vai?” e “Gaiola”, que já rodaram muitos festivais, e diretor e curador do Cinefest Gato Preto, festival de curtas-metragens em sua 15ª edição, que acontece em Lorena e Vale do Paraíba.