A voz da experiência

Carlos Burle fala o que fazer na hora de montar o quiver e como cuidar do equipamento.

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Aos 50 anos, Carlos Burle entende do assunto como poucos.

Com muita experiência em todos os tipos de onda, Carlos Burle é uma inspiração para quem surfa e busca uma carreira profissional. Aos 50 anos de vida, grande parte deles dedicados ao esporte, ele conversa sobre cuidados com a prancha, escolhas e o que fazer na hora de montar um quiver.

Em parceria com a Red Bull, Burle faz parte de uma série de reportagens especiais do Waves sobre equipamentos e com personagens do surfe brasileiro. Além dele, Nicole Pacelli e o shaper Ricardo Martins já passaram por aqui. Na próxima semana, o big rider Pedro Scooby conta como faz suas escolhas.

Como você costuma escolher suas pranchas?

Sempre de acordo com a minha demanda. Dependendo da onda que vou surfar, vou no meu quiver e escolho a melhor para aquela situação. Depende se é uma onda mais gorda, mais tubular, se é uma onda de beach break, de point break, se vai ser tow-in ou remada, se vai ser uma gunzeira muito volumosa como Nazaré ou uns slabs na Austrália, se vai ser remar em Jeffreys Bay com roupa de borracha.

Aliás, isso é bem importante de se considerar! Vai colocar uma roupa de borracha? É um lugar frio? Tem que colocar esse peso adicional em consideração na hora escolher a prancha.

Gunzeira preparada para encarar as bombas de Nazaré.

Quais os principais cuidados que você tem com as suas pranchas?

Acho que o principal é não deixar que elas quebrem por besteira, na armazenagem delas. Cuidar, por exemplo, para não colocar uma swallow direto no chão, para não quebrar a rabeta; não amarrá-la bem no rack na hora de prender no carro ou não embalá-las direito durante a viagem.

Porque quando você quebra uma parte da prancha, você acaba tendo que consertar e aí adiciona peso, e vai mudando o shape dela. Com isso, uma prancha que estava zero bala, acaba tendo modificações que você não esperava e tem mudanças na performance.

Outras dicas é não deixar no carro para não estufar, não deixar no sol para não empenar. Essas situações que, às vezes, a pessoa não tem muita experiência e acaba passando.

Mas o importante é: não danifique seu equipamento. Com uma prancha boa, a cada caída na água que você dá com ela, você vai ganhando mais confiança, ela vai virando um sapatinho mesmo e a partir daí é só felicidade.

Sente que as pranchas têm um prazo de validade?

Sim, mas eles não são fixos. Ela vai vencendo de acordo com a performance. Se você sente que ela mudou, aí a luz vermelha acende. Isso pode ter acontecido pelo uso que danificou, pelo shape que não serve mais. Ou, pode ser, como no meu caso, por mudanças físicas mesmo. Eu estou envelhecendo, então preciso de uma prancha mais pesada.

Acho que um conselho legal é: não tenha vergonha de entender que está na hora de trocar sua prancha por uma melhor. Isso influencia muito na performance.

Big rider em ação recentemente na Laje de Manitiba (RJ).

Você tem algum ritual com as suas pranchas?

A medida que você vai surfando com a sua prancha favorita ou com as suas pranchas favoritas, você vai criando uma relação. Aí você começa a ter mais cuidado com ela, já cuida na hora de emprestar.

Você começa uma relação de conversar com ela. Essas energias que eu troco com meu equipamento, eu acredito muito. Pode ser uma superstição, mas eu acredito. Eu converso com meus equipamentos, tomo conta deles. Quando você emana uma energia, ela volta.

Quando eu caio numa onda, eu não coloco a culpa na prancha. Isso se for uma prancha boa, né? Se for uma prancha ruim, ai tudo bem (risos).

Quais as cores que mais gosta de ver na sua prancha?

Gosto de cores que chamam atenção, porque eu acho que elas compõem bem nas fotos e vídeos que fazemos do surfe. Particularmente, as que mais me estimulam, são vermelho, amarelo, laranja. Eu acho que elas estimulam a energia do meu corpo.

O azul já me acalma e como tenho muito isso no ambiente que trabalho, evito um pouco. Então dou preferência a essas outras e de preferência fluorescente, para chamar mais atenção ainda (risos)!

O primeiro impacto é o visual. Se você vê uma prancha bonita, ela ganha um ponto a mais. Mas isso não é o mais importante na hora da performance. Isso vai depender muito mais do shape, do material que ela foi feita.

Esperando a série no Arpoador: serenidade marcou a carreira do ídolo brasileiro.

Lembra de alguma prancha com um desenho especial e que te marcou?

Lembro de quando eu surfava com umas pranchas que tinham o símbolo da paz no meio. Essas pranchas fizeram várias capas de revistas pelo mundo afora: Taiti, Ilha de páscoa, Havaí. Foi uma época marcante na minha vida. Sempre vou me lembrar daquelas pranchas coloridas com o símbolo da paz!

Se você, assim como o Burle, também quer ter uma prancha mágica e que é a sua cara, participe do “Red Bull Rabisque Minha Prancha”.

O concurso está com inscrições abertas até 23 de setembro e é a chance para quem é bom de desenho e design de ter uma prancha para chamar de sua, feita pelo shaper Ricardo Martins, e ainda ver o Pedro Scooby pegando altas ondas com ela.

Para saber mais, acesse o site Red Bull Rabisque.